U80–U89 Agentes bacterianos resistentes a antibióticos
O que este código significa?
Este bloco (U80-U89) reúne códigos usados quando a identificação bacteriana inclui resistência a um ou mais antibióticos. Agrupa situações gerais e específicas de resistência, como Staphylococcus resistente à meticilina (MRSA) e Enterobacteriaceae produtoras de carbapenemase, além de categorias para agentes menos frequentes. Codes frequentemente consultados no bloco incluem as designações de resistência a classes importantes de antibióticos e itens que orientam vigilância epidemiológica.
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este agrupamento quando o relato microbiológico ou a notificação descreve resistência especificada a antibióticos e o codificador precisa distinguir a infecção pela presença de resistência. A partir daqui navega-se para subcódigos que nomeiam o agente e o padrão de resistência ou para códigos clínicos da doença base quando o foco é a entidade clínica primária.
Com que grupos este se confunde?
U80-U89 versus A40-A41: A40-A41 codificam sepse por agentes bacterianos; escolha U8x quando o destaque do registro for a resistência microbiológica, e A40-A41 quando a prioridade for a síndrome clínica de sepse.
U80-U89 versus B96-B99: B96-B99 registram agentes bacterianos como causa de doenças infecciosas quando o agente é identificado; opte por U8x quando o relatório ou notificação explicita resistência antimicrobiana como característica principal.
O que é?
Reúne registros em que a característica definidora não é apenas o agente, mas a presença de resistência a antibióticos. O critério é laboratorial: isolamento bacteriano identificado e teste de sensibilidade que demonstra resistência a uma ou mais classes terapêuticas. O bloco complementa códigos que descrevem a doença clínica, destacando o aspecto epidemiológico e terapêutico da resistência.
Que queixas costumam cair neste grupo?
As queixas que levam a um código deste grupo são, em geral, os sinais da infecção subjacente (febre, dor, drenagem purulenta, mal-estar) acompanhados de documentação laboratorial de resistência. Frequentemente o paciente já apresenta falha terapêutica inicial ou recorrência que motivou novos exames.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Mecanismos comuns incluem aquisição de genes de resistência (plasmídeos, transposons) e seleção por uso prévio de antimicrobianos. Exemplos de blocos relacionados: cepas resistentes de Staphylococcus (MRSA), Enterobacteriaceae produtoras de ESBL ou carbapenemase, e resistência em Pseudomonas e Acinetobacter.
Como se chega a um código deste grupo?
A definição de cada código depende de relatório microbiológico com identificação do agente e ensaio de sensibilidade (por exemplo, MIC ou testes fenotípicos) que confirmem resistência a classes específicas. Na prática, a escolha do subcódigo varia conforme o agente identificado e o padrão de resistência descrito no laudo laboratorial.
Como costuma ser tratado?
O cuidado é organizado segundo a gravidade da infecção: muitas situações são tratadas em ambiente hospitalar, outras em ambulatório com acompanhamento; casos com resistência grave costumam exigir equipe especializada e medidas de controle de infecção. O SUS realiza vigilância e programas de prevenção de resistência em serviços de saúde.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes frequentemente consideradas incluem beta-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, carbapenêmicos), glicopeptídeos, aminoglicosídeos, quinolonas e polimixinas. A escolha entre classes depende do agente identificado, do perfil de sensibilidade e da gravidade clínica.
Quando procurar um médico?
Sinais de alarme: febre persistente ou crescente apesar de antibiótico, sinais de sepse (taquicardia, hipotensão, confusão), piora rápida da infecção local ou falha terapêutica com progressão do quadro. Procure atendimento imediato nessas situações.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. O perito usa o CID indicado no atestado para verificar se a doença é a mesma na prática, razão pela qual o código declarado influencia a soma dos atestados dentro desse prazo.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos atestados nos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
Em geral, os códigos U80–U89 sinalizam a presença de resistência bacteriana confirmada laboratorialmente e não apenas uma doença clínica isolada. A maioria dos registros deste bloco acompanha infecções nas quais houve falha terapêutica inicial ou recorrência, o que costuma exigir investigação e registro cuidadoso para vigilância epidemiológica.
Para este bloco em particular, o aspecto central é epidemiológico e terapêutico: o código é usado para documentar resistência detectada em exames laboratoriais e, em muitos casos, acompanha quadros que demandam seguimento, controle de infecção e, por vezes, cuidado hospitalar. Por isso, quando há reincidência ou falha terapêutica, a regra dos 60 dias importa especialmente: permite ao perito somar atestados emitidos para o mesmo problema reconhecido pelo CID e avaliar continuidade do afastamento e sua sequência documental.
Que direitos este código envolve?
Do ponto de vista jurídico, a legislação costuma enquadrar direitos por doença ou incapacidade, não por códigos isolados; a informação sobre resistência pode integrar processos administrativos e judiciais, e decisões sobre benefícios dependem de perícia médica e das listas oficiais aplicáveis.
Perguntas frequentes sobre U80-U89
Quando devo usar U80-U89 em vez de B96?
Use U80-U89 quando o laudo ou notificação enfatiza resistência a antibióticos; B96 registra o agente identificado sem ênfase em resistência.
Posso assinalar U8x em atestado médico sem enviar o antibiograma?
A inclusão do código de resistência costuma exigir documento laboratorial; a perícia pode solicitar o antibiograma para validar a justificativa.
U80-U89 substitui códigos de sepse como A41?
Não; use A41 para a síndrome de sepse e acrescente U8x se for relevante destacar resistência confirmada.
Esses códigos são notificação compulsória?
A vigilância de resistência integra programas epidemiológicos; a obrigatoriedade de notificação varia conforme agente e regulamentos locais, consulte as normas do serviço de vigilância.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco U80-U89
- OMS — ICD-10, versão 2019 (U80-U89)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.