A46 — Erisipela

  • erysipelas
  • placa eritematosa aguda

O CID A46 designa erisipela, uma infecção bacteriana aguda da pele e do tecido subcutâneo superficial caracterizada por uma placa eritematosa bem delimitada, quente e dolorosa. Surge tipicamente em áreas do corpo com ruptura da barreira cutânea, como pernas e face, e costuma acompanhar febre e mal-estar. Não inclui celulite profunda (L03) nem septicemia primária (A41); esses recebem códigos próprios quando presentes. A codificação A46 se aplica quando o quadro clínico corresponde à erisipela mesmo sem isolamento bacteriano. Em relatórios e guias, A46 identifica episódios agudos com localização cutânea evidente e sinais inflamatorios superficiais marcantes.


Em palavras simples

O código CID A46 indica que a equipe identificou erisipela, que é uma infecção aguda da pele e da camada logo abaixo dela. Na prática isso costuma aparecer como uma área bem vermelha, quente, inchada e dolorida — frequentemente com bordas mais definidas que a pele ao redor. A face e as pernas são locais comuns, e a infecção surge quando há uma feridinha, rachadura no pé ou outro ponto de quebra na pele por onde bactérias entram.

Você provavelmente está sentindo calor e dor no local afetado, com vermelhidão que pode aumentar em horas ou dias. Pode haver também febre, calafrios e sensação de mal-estar geral; se a área estiver muito vermelha e a dor for intensa, é um sinal de inflamação mais pronunciada. Em alguns casos pode haver inchaço regional e ablação de linfonodos próximos.

Quanto à gravidade, a maioria dos episódios de erisipela é tratável e não evolui para algo grave quando atendida a tempo, mas há exceções: se a infecção se espalhar rapidamente, se surgirem sinais de infecção no corpo inteiro (febre alta, confusão, tontura) ou se houver outras doenças como diabetes, o risco aumenta. A duração varia: há melhora em dias com tratamento adequado, mas recuperação completa e redução do inchaço podem levar semanas, e algumas pessoas têm recorrência.

Depois do diagnóstico, o habitual é haver prescrição de tratamento pelo médico, orientação sobre cuidados locais e agendamento de retorno para reavaliação. Se houver suspeita de complicação ou sinais de gravidade, pode ser indicada internação e exames como sangue e, em casos específicos, imagem. Trabalhar e realizar atividades depende da extensão do quadro e da avaliação médica; em episódios leves muitas pessoas seguem tratamento em casa.

Em casa, observe se a vermelhidão aumenta, se surgem áreas de pus, febre alta ou sintomas gerais como fraqueza extrema e tontura — nesses casos procure atendimento imediatamente. Também é importante cuidar da pele: manter áreas lesionadas limpas e protegidas e tratar condições que facilitam a entrada de bactérias, como rachaduras entre os dedos dos pés. Se já teve erisipela antes, converse com seu médico sobre prevenção e sinais de alerta para evitar novas crises.

Quando usar este código

Use A46 quando a documentação clínica descreve lesão cutânea aguda com bordas elevadas e bem demarcadas, calor local e sinais sistêmicos compatíveis, sem indicação predominante de infecção profunda ou septicemia. Não use A46 se o registro indicar celulite profunda (L03), septicemia confirmada (A41) ou infecção bacteriana não especificada sem foco cutâneo (A49).

Não confunda com

L03 (Celulite): distinção por profundidade e bordas; L03 descreve infecção mais difusa do tecido subcutâneo com bordas mal definidas e frequência maior de flictenas e infiltração profunda, enquanto A46 indica placa eritematosa superficial bem demarcada.

A41 (Outras septicemias): distinção por sinais sistêmicos e hemocultura; A41 aplica-se quando há evidência de bacteremia ou quadro séptico predominante, mesmo que haja lesões cutâneas, enquanto A46 refere-se principalmente ao foco cutâneo sem evidência de septicemia.

A49 : distinção por especificidade do foco; A49 é para infecções bacterianas sem localização definida ou quando a fonte cutânea não está documentada, ao contrário de A46 que exige descrição de erisipela.

O que é

Erisipela é uma infecção bacteriana aguda da pele e do tecido subcutâneo superficial, geralmente causada por estreptococos do grupo A. Manifesta-se como uma placa eritematosa bem delimitada, frequentemente elevada, acompanhada de calor local, dor e sinais inflamatórios regionais; pode cursar com febre e mal-estar.

O quadro acomete com maior frequência pernas e face, especialmente em pessoas com ruptura da barreira cutânea (úlcera, fissura ou pé de atleta), linfedema crônico, diabetes ou imunossupressão. Na prática brasileira, episódios são comuns em adultos e idosos, podendo recidivar em quem tem fatores predisponentes.

Sintomas

Principais: placa eritematosa bem delimitada, calor local, dor e edema na área afetada. Sintomas precoces: sensação de calor e vermelhidão localizada que progride em horas a dias, com dor localizada e início de febre baixa. Indícios de agravamento: febre alta persistente, expansão rápida da área eritematosa, sinais de infiltração profunda (endurecimento difuso), linfadenopatia regional ou sinais de septicemia (taquicardia, hipotensão, confusão), o que exige reavaliação do código e manejo.

Causas

Fisiopatologia: invasão bacteriana da epiderme e derme superficial com resposta inflamatória intensa. Agente mais comum: Streptococcus pyogenes (A estreptococo) em grande parte dos casos no Brasil; Staphylococcus aureus pode ser implicado em alguns cenários. O processo costuma iniciar após quebra da barreira cutânea — pequena ferida, dermatite, fissura interdigital — permitindo entrada bacteriana e reação local exuberante.

Como é diagnosticado

O diagnóstico é predominantemente clínico, sustentado pela aparência típica da lesão (placa eritematosa, bem delimitada, quente, dolorosa) e pelo contexto de problema de pele prévio ou fator predisponente. Cultura do exsudato raramente é positiva e hemocultura é útil quando há sinais sistêmicos; imagem é indicada apenas se houver suspeita de comprometimento mais profundo ou abscesso. A46 é aplicado quando a documentação clínica descreve erisipela; se houver confirmação de septicemia ou infecção profunda, codifique conforme código correspondente.

Como costuma ser tratado

O manejo na prática envolve terapia antimicrobiana apropriada à suspeita etiológica, controle local da lesão, elevação do membro afetado quando indicado e tratamento de fatores predisponentes como lesões de pele e linfedema. A maioria dos casos é tratada de forma ambulatorial, mas hospitalização pode ser necessária em presença de sinais de gravidade, comorbidades relevantes ou falha terapêutica.

Classes de medicamentos

Classes usadas na prática incluem antibióticos com eficácia contra estreptococos e, quando indicado, cobertura para estafilococos. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados para sintomatologia; anticoagulação não é rotineira e é considerada somente por outras indicações clínicas.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica imediata se houver rápida expansão da vermelhidão, febre alta, calafrios, sinais de sepse (tontura, pressão baixa), dor intensa ou sinais de supuração/localização de abscesso. Também é recomendada reavaliação se não houver melhora clínica nas primeiras 48–72 horas de tratamento ou em casos de comorbidades como diabetes e imunossupressão.

Uso em atestado

Para fins de atestado, registrar datas de início dos sintomas, local acometido, sinais objetivos (temperatura, extensão estimada), conduta adotada e previsão de retorno. Indicar se houve necessidade de internação ou mudanças terapêuticas e documentar fatores predisponentes que justifiquem afastamento temporário quando pertinente.

Perguntas frequentes sobre A46

O que significa receber o código CID A46 no meu laudo?

Indica que a avaliação clínica registrou erisipela, uma infecção aguda da pele com placa vermelha bem delimitada e sinais inflamatórios; o código descreve o diagnóstico, não o tratamento.

A erisipela é contagiosa para a família?

A erisipela em si não é altamente contagiosa como gripe; a preocupação principal é contato com secreção ou lesões abertas. Boa higiene e cuidado com feridas reduzem o risco de transmissão de bactérias.

Quanto tempo dura o afastamento do trabalho por erisipela?

A necessidade e duração do afastamento dependem da gravidade, da resposta ao tratamento e do tipo de trabalho; a decisão é clínica e pode ser discutida na perícia.

Que exames costumam ser solicitados após o diagnóstico de erisipela?

Hemograma e marcadores inflamatórios são comuns para avaliar intensidade; hemoculturas são indicadas se houver febre alta ou sinais sistêmicos; imagem é reservada para suspeita de abscesso ou infecção profunda.

Como diferenciar erisipela de celulite (L03)?

A diferença clínica principal é que a erisipela frequentemente tem bordas bem delimitadas e é mais superficial, enquanto a celulite tende a ser difusa, com bordas mal definidas e maior envolvimento do tecido subcutâneo profundo.

Preciso de atestado médico quando o laudo traz CID A46?

O atestado descreve a condição e orientações do médico; se houver incapacidade temporária, isso deve constar e será avaliado por empregador ou perito conforme regras aplicáveis.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O episódio documentado por CID A46 pode justificar afastamento por incapacidade temporária no meu caso laboral?
  • Que documentação clínica e exames sustentam a necessidade de afastamento por erisipela em perícia médica?
  • Em caso de recidiva frequente de erisipela, quais evidências são relevantes para pedir estabilidade ou reavaliação de risco ocupacional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos ou internamentos relacionados ao episódio com CID A46 exigem autorização prévia da operadora?
  • Como a operadora trata cobertura para exames de imagem ou internação quando A46 evolui para suspeita de septicemia?
  • Em situação de tratamento ambulatorial para erisipela, quais itens normalmente requerem solicitação de reembolso ou autorização prévia?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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