F33.3 — Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos

  • depressão recorrente grave com sintomas psicóticos
  • episódio depressivo recorrente grave psicótico

O CID F33.3 designa um episódio atual de depressão em pessoa que já teve episódios anteriores, com intensidade grave e presença de sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações. Aparece quando sinais depressivos intensos acompanham perda marcante de interesse, alterações psicomotoras e pensamentos com conteúdo falso ou percepções irreais. Não inclui episódios sem história prévia de depressão recorrente (esses usam códigos de episódio único) nem depressões graves sem sintomas psicóticos (F33.2). Também não cobre transtornos primariamente psicóticos sem quadro depressivo predominante.


Em palavras simples

Receber o código CID F33.3 significa que os profissionais identificaram um episódio atual de depressão em alguém que já teve episódios depressivos antes, e que desta vez a depressão está em nível grave e acompanhada de sintomas psicóticos. “Sintomas psicóticos” quer dizer que além de tristeza, falta de energia e perda de interesse, a pessoa pode ter ideias muito firmes que não correspondem à realidade (delírios) ou perceber coisas que os outros não percebem, como ouvir vozes (alucinações). Esses sintomas costumam tornar o dia a dia mais difícil e assustadores para quem vive isso.

Provavelmente você ou a pessoa cuidadora notará cansaço extremo, falta de vontade de fazer coisas que antes eram importantes, sono e apetite muito alterados, dificuldade para pensar com clareza e, em alguns casos, pensamentos de culpa, inutilidade ou ideias sobre machucar a si mesmo. Quando há delírios ou vozes, elas tendem a reforçar o pensamento depressivo, por exemplo dizendo que a pessoa é culpada ou que merece sofrer.

O termo “grave” indica que essas mudanças atrapalham muito o trabalho, os estudos, as relações e os cuidados pessoais. Não é contagioso; é um problema de saúde mental. Quanto tempo dura varia bastante: pode ser semanas a meses, e dependerá do início do tratamento, da gravidade e do suporte que a pessoa recebe. Muitas vezes é necessário acompanhamento mais próximo e às vezes internação para segurança e ajuste do tratamento.

O passo seguinte costuma ser uma avaliação psiquiátrica detalhada, eventuais exames para descartar causas físicas que podem piorar a depressão, e plano de cuidado com recomendações sobre medicação e acompanhamento. Pode haver necessidade de mais consultas, apoio de equipe multidisciplinar e, quando necessário, afastamento do trabalho para segurança e recuperação. O médico documenta esses passos em atestados ou relatórios.

Em casa, observe alterações como aumento do isolamento, recusa de alimentação, descuido com higiene, piora de pensamentos suicidas, delírios que levam a atos de risco ou aumento da confusão. Procure ajuda imediata se houver plano ou intenção de se machucar, se a pessoa não está conseguindo cuidar de si, ou se as vozes/comportamentos se tornam perigosos. Anote mudanças no sono, apetite, fala e higiene para relatar ao profissional. Lembre-se que existem tratamentos e suporte; o reconhecimento do problema é o primeiro passo para a recuperação.

Quando usar este código

Usa-se este código para registrar um episódio depressivo atual em alguém com diagnóstico prévio de transtorno depressivo recorrente, quando o episódio é grave e apresenta sintomas psicóticos persistentes durante a fase depressiva. O código aplica-se quando a gravidade e os sintomas psicóticos são dominantes na apresentação clínica, e não quando os sintomas psicóticos aparecem isoladamente em transtornos psicóticos primários.

Não confunda com

F33.2 — Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos: separa-se por ausência de delírios ou alucinações; se há conteúdo psicótico congruente com o humor, o correto é F33.3.
F33.1 — Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado: distingue-se pela intensidade; falta da anedonia intensa, comprometimento funcional marcado ou sintomas psicóticos impede F33.3.
F32.3 — Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos (episódio único): differencia-se pelo histórico; se não houve episódios depressivos prévios, usa-se F32.3 em vez de F33.3.

O que é

Trata-se de um episódio depressivo atual em contexto de transtorno depressivo recorrente cuja gravidade atinge níveis que comprometem de forma importante o funcionamento diário e incluem sintomas psicóticos — delírios (crenças fixas falsas) ou alucinações (percepções sem estímulo). Manifesta-se por humor persistentemente deprimido, perda de interesse e prazer, diminuição de energia, alterações do sono e do apetite, lentificação ou agitação psicomotora, além dos sintomas psicóticos que costumam ser congruentes com o humor (por exemplo, culpa extrema, ideias de ruína).

Costuma afetar adultos com histórico de episódios depressivos anteriores; episódios podem surgir em contexto de fatores estressantes, comorbidades médicas ou uso/abuso de substâncias. A presença de sintomas psicóticos distingue este quadro pelo risco aumentado de comprometimento funcional e necessidade de avaliação intensiva.

Sintomas

Principais: humor deprimido marcado, perda de interesse ou prazer, anedonia, fadiga intensa, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, ideação suicidal, dificuldade grave de concentração, alterações significativas de sono e apetite, lentificação ou agitação psicomotora, presença de delírios ou alucinações (auditivas mais frequentes).

Sintomas que aparecem cedo: tristeza profunda, perda de prazer, isolamento, cansaço e alteração do sono. Indicadores de agravamento: ideias suicidas persistentes, perda acentuada de autocuidado, agravamento da lentificação psicomotora, delírios firmes ou vozes com conteúdo persecutório ou autodepreciativo, e incapacidade de manter atividades básicas.

Causas

Os mecanismos envolvem interação de vulnerabilidade biológica (predisposição genética, alterações neuroquímicas e de redes cerebrais), fatores psicossociais (estressores, perdas, isolamento) e comorbidades médicas ou uso de substâncias. Na prática brasileira, episódios recorrentes graves muitas vezes seguem antecedentes de depressão não tratada adequadamente, situações de vulnerabilidade socioeconômica, abuso de álcool ou uso prolongado de benzodiazepínicos e comorbidades como dor crônica ou doenças crônicas incapacitantes.

Os sintomas psicóticos podem refletir desregulação neurobiológica mais severa e aparecem tipicamente quando a depressão atinge maior intensidade, sendo frequentemente congruentes com o humor (temas de culpa, ruína, vergonha).

Como é diagnosticado

O diagnóstico fundamenta-se na história clínica que confirma episódios depressivos prévios e na avaliação atual que documenta critérios para episódio depressivo grave com sintomas psicóticos. É necessário registrar a intensidade dos sintomas depressivos, duração e o conteúdo/forma dos sintomas psicóticos (delírios, alucinações), bem como excluir causas médicas ou uso de substâncias que justifiquem o quadro. Avaliações padronizadas de gravidade e entrevistas semiestruturadas sustentam a codificação.

Testes laboratoriais e exames de imagem não confirmam o código, mas são usados para excluir condições secundárias (hipotireoidismo, quadros neurológicos, intoxicações) que possam mimetizar sintomas.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma ser intensivo e pode envolver combinação de terapias farmacológicas, acompanhamento psiquiátrico próximo e intervenções psicossociais. Em muitos casos há necessidade de tratamento em regime com supervisão mais frequente e planejamento de segurança devido ao risco aumentado de suicídio. A escolha do plano terapêutico depende da avaliação clínica, histórico de resposta a tratamentos prévios e comorbidades.

Classes de medicamentos

Classes comuns de medicamentos usadas neste contexto incluem antidepressivos de ação comprovada em depressão grave, antipsicóticos para controle dos sintomas psicóticos e estabilizadores quando há comorbidade afetiva; a seleção considera histórico, eficácia e perfil de efeitos adversos. A farmacoterapia costuma ser parte de um plano multidisciplinar.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação imediata se houver ideação ou comportamento suicida, abandono de autocuidado, delírios que conduzAM a atos de risco, alucinações com comando ou perda marcada de contato com a realidade. Também indica busca por ajuda uma piora rápida dos sintomas, nova incapacidade para manter atividades básicas ou recusa em alimentar‑se ou cuidar da higiene.

Uso em atestado

Atestados e relatórios devem descrever a condição atual, incapacidade funcional, limitações específicas e estimativa de duração do período de incapacidade quando possível. Para perícias, documentar histórico de episódios prévios, tratamentos realizados, risco suicida e presença de sintomas psicóticos. Evitar termos genéricos sem fundamentação clínica.

Perguntas frequentes sobre F33.3

O que significa ter o código CID F33.3 no prontuário?

Indica um episódio atual de depressão em alguém com episódios prévios, com gravidade alta e sintomas psicóticos como delírios ou alucinações. Serve para registro clínico e para orientar a avaliação de risco e plano de tratamento.

Esse quadro é contagioso para a família?

Não. Transtornos depressivos não se transmitem como infecções; porém, o impacto emocional e as necessidades de cuidado afetam familiares e conviventes.

Preciso de exames para confirmar o CID F33.3?

O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame psiquiátrico; exames laboratoriais ou de imagem podem ser solicitados para excluir causas médicas que reproduzam sintomas.

Posso receber atestado ou afastamento com esse código?

A possibilidade de afastamento depende da avaliação clínica, da documentação e das regras da perícia ou do empregador; o código documenta a gravidade, mas a decisão é administrativa.

Qual a diferença entre F33.3 e F33.2?

A diferença principal é a presença de sintomas psicóticos; F33.3 exige delírios ou alucinações durante o episódio depressivo, enquanto F33.2 descreve episódio grave sem esses sintomas.

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