F80.3 — Afasia adquirida com epilepsia [síndrome de Landau-Kleffner]
- síndrome de Landau-Kleffner
- Landau-Kleffner syndrome
- afasia adquirida com epilepsia em crianças
O CID F80.3 designa a afasia adquirida associada a epilepsia conhecida como síndrome de Landau-Kleffner. Trata-se de perda ou regressão da linguagem verbal, habitualmente em crianças que já haviam adquirido fala, junto com atividades epilépticas no EEG e/ou crises convulsivas. O quadro não inclui atrasos de linguagem primários de desenvolvimento (F80.1/F80.2) nem afasias adquiridas em adultos por lesão estrutural focal. A apresentação varia em gravidade, podendo incluir problemas de compreensão, fala espontânea reduzida e alterações comportamentais.
Em palavras simples
Este código, CID F80.3, descreve uma perda de linguagem que aparece em crianças que já sabiam falar e que está associada a atividade epiléptica no cérebro; é comumente chamada de síndrome de Landau-Kleffner. Não significa que a criança “esqueceu” tudo por preguiça: trata-se de uma alteração neurológica que afeta a capacidade de entender e de falar.
Quem tem esse quadro costuma perceber que a criança deixa de responder a palavras que antes entendia, fala menos, erra palavras ou fica com fala incompreensível. Podem surgir também crises convulsivas visíveis ou problemas de sono que pioram a atenção. Pais relatam mudanças no comportamento, irritabilidade, isolamento ou dificuldades escolares súbitas.
Na maioria das vezes não é contagioso. A gravidade varia: alguns recuperam parte da linguagem com tratamento e reabilitação, outros mantêm sequelas que exigem apoio escolar e fonoaudiológico prolongado. A duração é imprevisível; o objetivo inicial é identificar a condição rapidamente para reduzir o impacto sobre o desenvolvimento da linguagem.
O passo seguinte costuma ser exames (EEG, avaliação da audição, imagem cerebral quando indicado) e início de acompanhamento com neurologia e fonoaudiologia. Pode haver internação curta se houver crises frequentes, mas muitos cuidados são ambulatoriais. A família deve esperar retornos periódicos e avaliações formais da fala.
Em casa, observar se a criança responde a sons e palavras, se há piora rápida da fala, crises convulsivas ou comportamentos que indiquem risco (quedas, desmaios). Procurar ajuda se ocorrer perda súbita de comunicação, convulsões prolongadas ou sinais de perigo como sonolência excessiva ou dificuldade para respirar. Anote datas e exemplos de palavras perdidas, porque isso ajuda na avaliação.
Quando usar este código
Usa-se este código quando a perda de linguagem adquirida ocorre em associação temporal com atividade epiléptica, especialmente em crianças entre 2 e 8 anos que já falavam e passam a perder compreensão e expressão, com EEG mostrando descargas epileptiformes, muitas vezes marcadas durante o sono. Não se aplica quando a afasia tem causa exclusivamente estrutural (AVC, tumor) ou quando se trata de transtorno específico do desenvolvimento da linguagem sem componente epiléptico.
Não confunda com
F80.1 (Transtorno expressivo de linguagem): diferencia-se por ser atraso ou déficit persistente no desenvolvimento da expressão desde o início, sem regressão clara nem associação temporal com atividade epileptiforme no EEG; F80.3 implica perda adquirida após desenvolvimento prévio e vínculo com epilepsia.
F80.2 (Transtorno receptivo da linguagem): neste código o déficit é predominantemente no entendimento sem relação com epilepsia; em F80.3 há frequentemente comprometimento combinado de compreensão e expressão acompanhado por EEG anormal.
G40 (Transtornos epilépticos): G40 cobre a epilepsia em si; use F80.3 quando o problema principal documentado for a afasia adquirida relacionada à epilepsia na infância, além do código de epilepsia quando necessário.
O que é
A síndrome de Landau-Kleffner é uma forma rara de afasia adquirida na infância associada à epilepsia ou atividade epileptiforme no EEG. Crianças que já haviam desenvolvido linguagem começam a perder palavras, tornam-se menos compreensíveis e podem apresentar surdez auditiva funcional, embora a audição periférica seja normal.
Além da regressão da linguagem, surgem com frequência crises convulsivas ou EEG noturno com picos e ondas que afetam áreas auditivas e de linguagem do cérebro. O comportamento pode mudar, com irritabilidade, agitação, ansiedade social e queda no rendimento escolar.
Sintomas
Perda progressiva da linguagem falada e/ou compreensão, especialmente em contexto oral; fala incompreensível ou redução do discurso espontâneo; resposta inapropriada a comandos verbais que antes eram compreendidos; episódios convulsivos visíveis ou suspeita de crises noturnas; alterações comportamentais como hiperatividade, agressividade e isolamento social.
Sinais que aparecem cedo incluem recusa em falar e dificuldade em seguir instruções verbais simples. Indícios de agravamento são regressão acentuada da compreensão, aumento da frequência ou duração das crises e piora do sono com piora cognitiva.
Causas
Mecanismo envolve atividade epileptiforme que interfere nas áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, sobretudo em janela crítica de desenvolvimento. Em muitos casos a causa é idiopática; em outros há fatores predisponentes neurológicos ou genéticos. No Brasil, a apresentação mais comum é idiopática ou pós-infecciosa, com EEG noturno marcante que parece interromper a consolidação da linguagem.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico-neurofisiológico: documentação da perda adquirida da linguagem em criança previamente verbal combinada com evidência de atividade epileptiforme no EEG, frequentemente mais acentuada durante o sono. Avaliação auditiva para excluir perda auditiva periférica e exames neurológicos e de imagem para afastar lesões estruturais sustentam a escolha deste código.
Como costuma ser tratado
O tratamento costuma combinar manejo das crises e da atividade epileptiforme, reabilitação fonoaudiológica intensiva e suporte neuropsicológico e educacional. Em alguns casos, terapias específicas podem ser consideradas para controlar a atividade epiléptica noturna. O acompanhamento multidisciplinar é frequente e as estratégias variam conforme evolução clínica e exames.
Classes de medicamentos
Classes usadas para controlar a epilepsia e reduzir atividade epileptiforme incluem antiepilépticos de uso pediátrico e, em determinados cenários, terapias imunomoduladoras quando há suspeita de etiologia autoimune. A escolha da classe depende do padrão de crises, do EEG e da tolerabilidade individual.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento quando houver perda súbita ou progressiva da fala ou compreensão em criança que antes se comunicava, diante de crises convulsivas observadas, piora do comportamento ou sono, ou quando a criança deixa de responder a estímulos verbais. Busca rápida é indicada para avaliação diagnóstica e início de medidas que possam limitar danos à linguagem.
Uso em atestado
Atestados devem descrever limitações funcionais específicas da linguagem, identificação do profissional responsável e os períodos de afastamento ou necessidade de tratamentos/procedimentos. Para perícias, anexar relatórios de EEG, avaliações fonoaudiológicas e laudos de acompanhamento neurológico que sustentem a regressão adquirida e a associação com epilepsia.
Direitos e benefícios
Direitos dependem de legislação e contrato de trabalho; em geral, pacientes com perda significativa de função comunicativa podem solicitar auxílio médico, adaptações escolares e benefícios quando comprovada incapacidade temporária ou permanente por avaliação pericial. Documentação clínica detalhada é essencial em processos administrativos e judiciais.
Perguntas frequentes sobre F80.3
O CID F80.3 significa que meu filho ficará sem falar para sempre?
Nem sempre; a evolução é variável. Alguns recuperam parte da linguagem com controle da atividade epiléptica e reabilitação, outros mantêm déficits que precisam de suporte contínuo.
Esse problema é contagioso para outras crianças?
Não é contagioso. Trata-se de uma condição neurológica, não de infecção.
Que exame confirma o diagnóstico para a operadora ou perícia?
O EEG que mostra atividade epileptiforme, especialmente durante o sono, junto com documentação da regressão da linguagem, é peça chave para o diagnóstico.
Preciso de atestado para afastamento do trabalho se cuidar da criança?
Atendimentos e perícias consideram o impacto funcional e a necessidade de tratamentos; laudos médicos detalhados e relatórios de equipe multidisciplinar são normalmente exigidos.
Qual a diferença entre F80.3 e F80.1?
F80.1 é atraso expressivo do desenvolvimento da linguagem desde cedo; F80.3 refere-se à perda adquirida da linguagem em associação com epilepsia após período de linguagem estabelecida.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando começou a regressão da fala e qual era o nível de linguagem prévio?
- O EEG apresenta descargas epileptiformes interictais, especialmente no sono, e há correlação temporal com a perda de linguagem?
- Existem crises convulsivas observadas ou suspeitas de crises noturnas que precederam ou acompanharam a regressão?
- A ressonância mostra lesão estrutural focal que explicaria a afasia, ou o quadro é idiopático/epilético?
- Qual a velocidade da piora e a resposta inicial ao controle da atividade epileptiforme?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Existe documentação de incapacidade funcional da linguagem suficiente para perícia médica trabalhista?
- Qual é a relação temporal entre o início da afasia e o laudo de EEG ou tratamento antiepiléptico para fins de benefício previdenciário?
- Há necessidade de ajustes escolares comprováveis para apoio educacional e eventual justificativa legal para afastamento?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano requer relatório de EEG e avaliações fonoaudiológicas para autorizar terapias intensivas ou internação relacionada ao controle das crises?
- Há exigência de CID específico para liberação de procedimentos de reabilitação neurológica ou terapias complementares?
- Quais documentos o plano costuma solicitar para cobrir tratamentos contínuos em quadro de afasia associada à epilepsia?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.