G91 — Hidrocefalia

  • acúmulo de líquido cefalorraquidiano
  • hidrocefalia comunicante
  • hidrocefalia não comunicante
  • pressão intracraniana elevada por líquido cefalorraquidiano

O CID G91 designa hidrocefalia, condição em que há acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano (LCR) nos ventrículos cerebrais e/ou espaços subaracnóideos. Aparece tanto em recém‑nascidos quanto em adultos, por causas congênitas ou adquiridas, e pode cursar com aumento da pressão intracraniana e disfunção neurológica. Não inclui especificamente malformações congênitas codificadas em Q03 nem efeitos sequelares codificados conforme a origem primária. A confirmação costuma exigir exames de imagem que documentem dilatação ventricular ou evidência de obstrução/alteração do fluxo do LCR. O código cobre formas comunicantes e não comunicantes quando o diagnóstico primário é hidrocefalia.


Em palavras simples

Receber o código CID G91 significa que os médicos identificaram hidrocefalia, isto é, um acúmulo anormal de líquido no interior do cérebro. Na linguagem do dia a dia, é como se os “ventrículos”, cavidades onde circula o líquido que protege o cérebro, estivessem dilatados ou o líquido não estivesse sendo drenado normalmente. Isso pode aparecer desde a infância até a idade adulta e ter causas diferentes, como infecções, sangramentos, tumores ou alterações presentes desde o nascimento.

O que você provavelmente sente depende da idade e da rapidez com que isso apareceu. Bebês podem ter a cabeça maior que o esperado, fontanela tensa e atraso no desenvolvimento; adultos costumam relatar dor de cabeça que piora, enjoo e vômito, sono aumentado, dificuldade para caminhar, perda de memória ou alterações de comportamento. Em alguns casos surge também perda de controle urinário. Nem todo sintoma aparece ao mesmo tempo; os mais alarmantes são a piora súbita do estado de alerta ou fraqueza nova em um lado do corpo.

Hidrocefalia não é uma doença única: pode ser grave se progredir sem tratamento, mas não é contagiosa. A duração varia muito: quando a causa é reversível e tratada, há melhora; em formas crônicas pode ser necessário acompanhamento de longo prazo e até implante de dispositivos para drenar o líquido. O prognóstico depende da causa, da rapidez da evolução e do tratamento realizado.

O que costuma acontecer a seguir é a realização de exames de imagem, como tomografia ou ressonância, para confirmar a dilatação e procurar a causa. Se os sintomas forem importantes ou houver risco de aumento da pressão no cérebro, médicos e neurocirurgiões discutem intervenções. Você provavelmente terá retornos com neurologia/neurocirurgia e, se necessário, acompanhamento de reabilitação física e cognitiva.

Em casa, observe se há sonolência extra, vômitos persistentes, confusão, fraqueza nova ou piora da marcha — nesses casos procure emergência. Para bebês, monitore o crescimento da cabeça e alterações na sucção, irritabilidade inconsolável ou falta de ganho de peso. Para sinais menos urgentes, como dor de cabeça crônica ou mudança na memória, procure seu médico para agendar exames e revisão do plano de cuidados.

Quando usar este código

Usa‑se G91 quando o diagnóstico primário for hidrocefalia demonstrada por exames e quando a clínica ou a imagem indicarem acúmulo patológico de LCR como causa principal dos sintomas. Não deve ser usado quando a alteração ventricular é secundária a outra condição que tem código próprio e permanece o foco (por exemplo, tumor cerebral primário codificado separadamente) salvo quando a hidrocefalia for a principal razão para atendimento ou procedimento.

Não confunda com

Q03 — Hidrocefalia congênita: Q03 aplica‑se quando a hidrocefalia é descrita como malformação congênita presente ao nascimento; G91 é preferível para hidrocefalia adquirida ou quando o foco do registro é o quadro atual, não a malformação congênita.

G93.1 — Lesão anóxica do encéfalo: use G93.1 quando a condição principal documentada for dano encefálico por hipóxia; se a dilatação ventricular for consequência tardia desse dano, registre G93.1 como primário e G91 como comorbidade somente se descrito separadamente.

G93.4 — Encefalopatia não especificada/outros transtornos do encéfalo: G93.4 é para alterações difusas do encéfalo sem evidência clara de acúmulo de LCR; a presença de dilatação ventricular e sinais de hipertensão intracraniana favorece G91.

O que é

Hidrocefalia é o aumento do volume de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos cerebrais e/ou espaços subaracnóideos resultando em dilatação ventricular e, frequentemente, elevação da pressão intracraniana. Manifesta‑se por um conjunto de sinais e sintomas neurológicos que variam com a idade, a velocidade de instalação e a causa — desde aumento de perímetro craniano em lactentes até cefaleia, náusea, alterações cognitivas e marcha em adultos.

A condição pode ser comunicante, quando o fluxo do LCR entre ventrículos e espaço subaracnóideo permanece contínuo mas a reabsorção é prejudicada, ou não comunicante/obstrutiva, quando há bloqueio no interior das cavidades ventriculares. Nas práticas brasileiras, as causas mais vistas são hemorragia intraventricular (em prematuros e idosos com hemorragia subaracnóidea), infecções do sistema nervoso central e complicações de tumores ou trauma.

Sintomas

Principais sinais: aumento do perímetro cefálico em lactentes, cefaleia de padrão progressivo, náusea e vômitos, sonolência ou redução do nível de alerta, alterações cognitivas e de personalidade, comprometimento da marcha e incontinência urinária em quadros crônicos. Em recém‑nascidos, fontanelas tensas e suturas separadas podem aparecer cedo; em adultos, cefaleia, vômitos e comprometimento visual indicam hipertensão intracraniana.

Sinais de agravamento incluem deterioração rápida do nível de consciência, sinais focais neurológicos novos (fraqueza unilateral, afasia), crises convulsivas e progressão da disfagia ou da marcha. Em lactentes, aumento rápido e excessivo do perímetro craniano é sinal de evolução.

Causas

Mecanicamente, hidrocefalia decorre de desequilíbrio entre produção, circulação e reabsorção do LCR, ou por obstrução em pontos anatômicos (aqueduto de Sylvius, forames ventriculares). No Brasil, causas comuns incluem hemorragia intraventricular em prematuros, meningite e outras infecções do sistema nervoso central, traumatismo craniano e lesões expansivas intracranianas como tumores. Também há formas idiopáticas, como a hidrocefalia de pressão normal em idosos, e formas congênitas relacionadas a malformações do desenvolvimento.

Como é diagnosticado

A confirmação do diagnóstico baseia‑se principalmente em exames de imagem que mostram dilatação ventricular compatível com acúmulo de LCR e, quando possível, correlação com sinais clínicos de hipertensão intracraniana ou disfunção neurológica. Tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) são os exames que sustentam o uso do código G91; achados que apoiam o diagnóstico incluem ventriculomegalia desproporcional e sinais de obstrução do fluxo. O diagnóstico distingue hidrocefalia comunicante de obstrutiva pela localização da dilatação e pelos sinais de bloqueio observados nas imagens.

Como costuma ser tratado

O tratamento visa controlar a pressão intracraniana e reestabelecer o fluxo e a absorção do LCR; pode ser conservador para casos selecionados ou envolver intervenções neurocirúrgicas quando indicadas. Procedimentos que desviam o LCR para outras cavidades ou que restabelecem drenagem são comumente considerados conforme a causa, o quadro clínico e os achados de imagem. O manejo e seguimento costumam envolver equipe multidisciplinar (neurocirurgia, neurologia, enfermagem e reabilitação) e acompanhamento de complicações.

Classes de medicamentos

Medicamentos usados no manejo inicial e sintomático incluem agentes para controle de edema cerebral e antipiréticos, além de medicação dirigida à causa quando identificada (antibióticos em meningite, anticonvulsivantes em pacientes com crises). Em geral, fármacos não substituem intervenções que alterem dinamicamente o LCR quando estas são necessárias.

Quando procurar ajuda

Procure atendimento imediato ao notar piora súbita do nível de consciência, crises convulsivas, déficits neurológicos focalizados novos (fraqueza, alteração da fala), vômitos persistentes ou progressão rápida do tamanho da cabeça em lactentes. Para sintomas menos agudos, como cefaleia progressiva, alterações cognitivas ou marcha que se agravam, busque avaliação especializada para investigação por imagem.

Uso em atestado

Atestados e relatórios devem descrever data do diagnóstico, achados de imagem relevantes, evolução clínica e limitações funcionais atuais. Se houver procedimento cirúrgico ou dispositivo de derivação implantado, registre o tipo de intervenção e data, sem substituir registros hospitalares formais.

Perguntas frequentes sobre G91

O que significa ter o código CID G91 no meu prontuário?

Significa que foi identificado quadro de hidrocefalia, isto é, acúmulo de líquido no interior do cérebro documentado clinicamente e por imagem. O registro serve para orientar investigação, tratamento e codificação administrativa.

A hidrocefalia é sempre tratada com cirurgia?

Nem sempre; a necessidade de procedimento depende da causa, da gravidade e da velocidade de piora. Em muitos casos a decisão é feita por neurocirurgia após avaliação de imagens e do quadro clínico.

Posso trabalhar normalmente com CID G91?

Depende do impacto funcional individual. A capacidade para o trabalho varia conforme sintomas, tratamento em curso e risco de complicações; isso será avaliado por médico e, se necessário, por perícia.

O CID G91 diferencia hidrocefalia congênita da adquirida?

O código G91 abrange hidrocefalia em geral; quando a condição é descrita como malformação congênita presente ao nascimento, o registro pode usar Q03 como complemento ou primário conforme o motivo do atendimento.

Quais exames confirmam o diagnóstico associado a CID G91?

Tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio são os principais exames que documentam dilatação ventricular e possíveis causas que sustentam o registro do CID G91.

Hidrocefalia é transmissível para familiares?

Não; hidrocefalia em si não é contagiosa. Algumas formas congênitas têm componentes genéticos ou malformativos que podem ter implicações familiares, mas isso exige investigação específica.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual exame de imagem documentou a dilatação ventricular e qual foi o padrão observado (comunicante vs obstrutivo)?
  • Qual é a provável etiologia (hemorragia, infecção, tumor, idiopática) e que evidências sustentam essa hipótese?
  • Existem sinais objetivos de hipertensão intracraniana ou disfunção neurológica que justificam intervenção imediata?
  • Houve avaliação neuropsicológica ou testes de marcha/urina para caracterizar impacto funcional e orientar codificação?
  • O paciente recebeu intervenção neurocirúrgica (derivação, endoscopia) e qual foi a resposta clínica após o procedimento?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Existe documentação médica que comprove impedimento funcional para trabalho e sua duração estimada?
  • Em casos de afastamento, a perícia registrou G91 como causa primária ou condição associada, e isso está explicitado no laudo?
  • Há relatório detalhado sobre tratamento cirúrgico e complicações que possa ser juntado ao processo pericial?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento neurocirúrgico proposto para manejo de hidrocefalia exige autorização prévia com apresentação de imagem que confirme dilatação ventricular?
  • Quais critérios documentais a operadora solicita para liberação de internação e procedimento de derivação por hidrocefalia?
  • Em caso de dispositivo de derivação, quais códigos e informações o plano exige na guia para análise de cobertura?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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