I25 — Doença isquêmica crônica do coração
- cardiopatia isquêmica crônica
- aterosclerose coronariana crônica
- doença arterial coronariana estável
Em palavras simples
Receber o código CID I25 significa que os médicos identificaram uma doença crônica nas artérias do coração que reduz o fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Em linguagem simples: há um problema nas “canetas” que trazem sangue ao coração, geralmente por acúmulo de gordura e placas, e isso vem acontecendo já há algum tempo, não sendo um ataque novo.
Você pode estar sentindo cansaço maior ao fazer esforço, falta de ar com atividades que antes fazia sem problemas, ou desconforto no peito que aparece ao caminhar rápido, subir escadas ou ao se esforçar. Em algumas pessoas os sintomas são leves e só aparecem no esforço; em outras, a sensação pode ser de aperto, peso no peito, ou cansaço que limita a rotina. Nem todo mundo sente dor — especialmente quem tem diabetes pode notar apenas cansaço.
Esse diagnóstico não é contagioso. A gravidade varia: muitas pessoas vivem com doença coronariana crônica por anos com tratamento e mudanças no estilo de vida; outras podem com o tempo ter piora que exige procedimentos. O tempo de acompanhamento costuma ser contínuo, com consultas e exames para monitorar estabilidade e risco.
Os próximos passos geralmente incluem exames para avaliar melhor a circulação do coração e a função do músculo cardíaco, como ecocardiograma, testes de esforço ou exames de imagem do próprio coração. Dependendo dos resultados, pode haver indicação de ajuste de remédios, programas de reabilitação ou, em alguns casos, procedimentos para desobstruir artérias. O médico decide a sequência conforme exames e sintomas.
Em casa, observe se a dor no peito muda: se ficar mais intensa, ocorrer em repouso, durar mais que o habitual ou vier acompanhada de suor frio, náusea ou desmaio, procure emergência imediatamente. Também é importante controlar fatores que influenciam a doença: pressão arterial, açúcar no sangue e evitar fumar; essas medidas ajudam a reduzir risco no longo prazo. Mantenha consultas de retorno e leve sempre seus exames para que o médico possa acompanhar a evolução.
Se tiver dúvidas sobre trabalho, repouso ou exames, pergunte ao médico quais atividades deve evitar temporariamente e que exames virão a seguir; essas orientações serão baseadas na sua condição e nos resultados. O registro CID I25 descreve a existência de doença coronariana crônica, e o cuidado costuma ser um acompanhamento contínuo entre pacientes e equipe de saúde.
O que este código significa?
O CID I25 designa a Doença isquêmica crônica do coração, termo usado quando há evidência de redução crônica do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco por doença nas artérias coronárias. Aparece em pacientes com sintomas ou achados prévios compatíveis com isquemia estável, história de episódios prévios de infarto estabilizados ou lesões coronarianas documentadas. Não inclui angina aguda ou infarto agudo do miocárdio ativos (códigos I20 e I21) nem causas não ateroscleróticas isoladas de dor torácica. Este código é usado quando a condição é descrita como crônica, estável ou sequela de episódio isquêmico anterior, e quando a atenção é à doença coronariana persistente.
Quando este código é usado?
Use I25 quando o diagnóstico relata doença coronariana crônica, isquemia cardíaca persistente ou sequela de infarto previamente ocorrido, com base em história clínica, exames de imagem, coronariografia ou documentação clínica que não represente um evento isquêmico agudo em curso. Não utilize I25 para episódios de dor torácica não especificados sem evidência de doença coronariana.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
I20 — Angina pectoris: separar quando a apresentação é de dor torácica característica e episódica sem documentação de doença crônica; I20 descreve quadro anginoso, I25 descreve a doença coronariana subjacente ou estável.
I21 — Infarto agudo do miocárdio: diferenciar por temporalidade e critérios laboratoriais; I21 é usado para evento isquêmico agudo com elevação de troponina e quadro compatível, I25 para a condição crônica ou sequelas após o evento agudo.
I25.0 — Doença cardiovascular aterosclerótica: distinguir quando a relação explícita com aterosclerose está documentada; I25.0 é usado se o termo “aterosclerótica” é especificado, I25 pode ser empregado quando a descrição é mais genérica sobre isquemia crônica.
O que é?
A Doença isquêmica crônica do coração é a presença prolongada de obstrução parcial ou total das artérias coronárias ou alterações no fluxo coronariano que reduzem a oferta de oxigênio ao músculo cardíaco. Manifesta-se por episódios de esforço com desconforto torácico, falta de ar ou cansaço ao realizar atividade, e também por alterações eletrocardiográficas, ecocardiográficas ou angiográficas que mostram comprometimento coronariano sem evidência de evento agudo em curso.
Costuma ocorrer em adultos com fatores de risco cardiovasculares — como hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia e idade avançada — e em quem teve infarto prévio com sequelas. A progressão é variável: alguns pacientes mantêm estabilidade por anos; outros desenvolvem agravamento que pode levar à angina refratária ou novo infarto.
Quais sintomas aparecem?
Os sinais principais incluem dor ou desconforto torácico (tipo peso, aperto ou queimação) que costuma ocorrer aos esforços e ceder com repouso ou medidas habituais; dispneia aos esforços e cansaço progressivo são frequentes. Sintomas precoces podem ser apenas cansaço ao subir ladeira ou limitar atividade habitual. Sinais de agravamento incluem dor em repouso, dor cada vez mais frequente e prolongada, sudorese, náusea, síncope ou piora súbita da falta de ar, que podem indicar transição para quadro agudo.
O que causa?
O mecanismo mais comum é aterosclerose das artérias coronárias: acúmulo de placa de gordura que estreita o lúmen e reduz o fluxo sanguíneo especialmente durante maior demanda. Em prática brasileira, a aterosclerose relacionada a fatores como diabetes, hipertensão e tabagismo é a causa predominante. Outras causas incluem espasmo coronariano, doença microvascular coronariana sem estenose epicárdica significativa, e sequelas de trombose coronariana após infarto prévio.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O código I25 é sustentado quando há documentação de doença coronariana crônica: relato clínico consistente, eletrocardiograma com alterações crônicas, ecocardiograma com sequela de isquemia, testes de estresse positivos ou imagem anatômica/funcional (angiografia coronária, angiotomografia coronariana, cintilografia ou ressonância) mostrando lesões ou disfunção isquêmica sem evento agudo. A presença de história de infarto prévio estabilizado também justifica o uso se o registro descreve a condição como crônica.
Como costuma ser tratado?
O tratamento visa reduzir sintomas, prevenir progressão e reduzir risco de eventos futuros; na prática isso envolve medidas de controle de fatores de risco, reabilitação cardíaca quando indicada, estratégias medicamentosas para reduzir demanda e controlar sintomas, e intervenções por cateterismo ou cirurgia quando há indicação anatômica ou sintomática. O manejo pode ser ambulatorial ou envolver procedimentos invasivos conforme a gravidade e evidência anatômica.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento imediato ao notar dor torácica nova, intensa, prolongada ou diferente do habitual, dor que irradia para braço, mandíbula ou costas, sudorese fria, náuseas ou perda súbita da consciência; esses sinais podem indicar transformação para evento isquêmico agudo. Buscar avaliação médica também se houver piora progressiva dos sintomas de esforço, aumento da limitação das atividades ou sintomas de insuficiência cardíaca como inchaço progressivo ou falta de ar em repouso.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3). A partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias sejam considerados em conjunto para computar os 15 dias a cargo do empregador (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias é aplicada com base no CID registrado: é o código do atestado que o perito utiliza para avaliar se a doença é a mesma e, portanto, se os atestados devem ser somados — um detalhe prático que muitos desconhecem.
Para que um atestado seja aceito ele precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; o médico não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador. Sem o código, porém, não há como verificar a soma dos atestados dentro do prazo de 60 dias.
O CID I25 refere-se a uma condição crônica das artérias coronárias — doença isquêmica crônica do coração — que costuma configurar acompanhamento e registro contínuo, por vezes com episódios sintomáticos recorrentes ou sequela de evento prévio. Nem sempre implica incapacidade permanente para o trabalho, mas o caráter crônico e a possibilidade de episódios repetidos tornam relevante a regra dos 60 dias, porque novas manifestações relacionadas à mesma doença podem ser somadas para fins de cálculo dos períodos em que o empregador assume o pagamento antes da intervenção do INSS.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e benefícios por doença dependem de legislação e perícia; a simples codificação I25 não garante afastamento nem benefício automático. Perícia médica e documentação complementar (exames, relatórios de incapacidade) são usualmente exigidas para concessão de auxílio ou aposentadoria por doença.
Perguntas frequentes sobre I25
O que significa ter CID I25 no meu prontuário?
Significa que foi reconhecida uma doença coronariana crônica, com redução persistente do fluxo sanguíneo ao coração por doença nas artérias. Não indica necessariamente um evento agudo no momento.
Preciso me afastar do trabalho automaticamente com este código?
O afastamento depende da avaliação de incapacidade realizada por médico e, quando necessário, por perícia. O CID sozinho não determina afastamento; são avaliados sintomas, limitação funcional e exigências do trabalho.
Esta condição é contagiosa para familiares?
Não. Doença isquêmica coronariana não é transmissível; entretanto, fatores de risco como dieta, sedentarismo e tabagismo podem ser comuns na família e influenciam o risco.
Quais exames confirmam que tenho doença isquêmica crônica?
Exames que documentam estenoses coronarianas (angiografia, angiotomografia) ou testes de isquemia (teste de esforço, cintilografia, ressonância) e avaliação da função cardíaca ajudam a confirmar o diagnóstico.
Qual a diferença entre I25 e I21 no meu laudo?
I21 refere-se a infarto agudo do miocárdio, um evento recente e agudo com critérios laboratoriais e clínicos; I25 descreve a doença coronariana crônica ou sequelas após um episódio agudo já concluído.
O registro CID I25 muda meu tratamento?
O código reflete a condição clínica crônica e orienta seguimento e prevenção; as decisões terapêuticas específicas são feitas pela equipe médica com base em exames e sintomas.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há documentação angiográfica ou exame funcional que confirma isquemia crônica e seu território?
- Qual o padrão de sintomas (esforço, repouso, frequência, duração) e houve piora recente que justificaria recodificação para I20 ou I21?
- Há evidência de sequela de infarto (cicatriz miocárdica) que altere prognóstico e manejo?
- Quais fatores de risco não controlados (diabetes, hipertensão, dislipidemia, tabagismo) estão contribuindo para progressão?
- Existem evidências de isquemia microvascular ou vasoespasmo que exigem investigação diferente?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este registro pode fundamentar pedido de afastamento temporário ou aposentadoria por invalidez perante perícia?
- Que documentação e exames são necessários para sustentar incapacidade laboral decorrente de I25 em perícia previdenciária?
- O histórico de infarto prévio e sequelas documentadas por exames alteram direitos em ações trabalhistas sobre acidente do trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais exames diagnósticos para confirmar doença isquêmica crônica exigem autorização prévia da operadora?
- A operadora costuma exigir documentação de teste funcional positivo para liberar intervenção coronariana?
- Em caso de indicação de revascularização, quais relatórios e códigos o plano costuma solicitar para análise de cobertura?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco I20-I25
- OMS — ICD-10, versão 2019 (I25)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.