I80 — Flebite e tromboflebite
- tromboflebite
- inflamação venosa
- trombose venosa superficial
O CID I80 designa flebite e tromboflebite, isto é, inflamação de uma veia que pode ocorrer com formação de coágulo (trombo). Aparece quando há dor, vermelhidão, calor local e endurecimento ao longo de um trajeto venoso; pode afetar veias superficiais ou conduzir a complicações se a trombose progredir. Este código cobre tanto a inflamação sem trombo quanto a inflamação com trombose venosa superficial; não inclui embolia pulmonar nem tromboses exclusivamente em artérias, que têm códigos diferentes. O registro tende a ser usado quando o diagnóstico clínico é confirmado por exame de imagem ou quando a apresentação clínica é típica o suficiente para caracterizar flebite/tromboflebite. O termo engloba causas locais (como infusão venosa) e variações secundárias a processos trombóticos maiores, mas exclui varizes não inflamadas (I83) e tromboses venosas profundas sem descrição de flebite (I82 quando especificado).
Em palavras simples
O código CID I80 indica que houve inflamação numa veia — quando há também um coágulo nessa veia, costuma-se chamar tromboflebite. Na prática isso significa que uma veia da sua perna, braço ou outro local está dolorida, vermelha e quente ao toque; às vezes você percebe um cordãozinho endurecido sob a pele.
O que você provavelmente sente é dor localizada que piora ao tocar ou mover a área, vermelhidão e calor no trajeto da veia, e às vezes um pequeno inchaço. Se a causa foi uma punção, cateter ou variz, o início costuma ser logo após esse evento. Febre baixa pode ocorrer se houver inflamação mais intensa ou infecção associada.
Na maior parte dos casos superficiais, não é uma condição que “pegue” outras pessoas; não é contagiosa. A gravidade varia: muitas flebites superficiais melhoram com tratamento local e acompanhamento, mas se o coágulo estiver mais profundo ou se o quadro progredir pode exigir tratamento diferente. O tempo de melhora depende do tamanho e da causa, indo de dias a semanas para casos simples, e mais tempo se houver trombose extensa.
Geralmente o próximo passo é uma avaliação médica, que pode incluir exame físico detalhado e um ultrassom para saber se o coágulo é superficial ou profundo. Dependendo do resultado, o médico planeja o seguimento e decide se ajustes terapêuticos ou afastamento do trabalho são necessários. Em muitos casos o tratamento e o acompanhamento são ambulatoriais, com retorno para reavaliação conforme a evolução.
Em casa, observe se a dor ou a vermelhidão aumentam, se aparece inchaço maior no membro, febre alta ou falta de ar. Esses sinais merecem contato rápido com serviço de saúde. Se você tiver fatores de risco para trombose (como câncer, uso de hormônios ou histórico de trombose), informe ao médico, pois isso influencia a investigação e o seguimento.
Guarde os exames, anote datas de início dos sintomas e qualquer procedimento recente (punções, cateteres) para levar na consulta. Esses dados ajudam a definir se o código I80 se aplica e se há necessidade de investigação adicional ou mudança de diagnóstico no prontuário.
Quando usar este código
Usa-se o CID I80 quando há diagnóstico de inflamação de veia com ou sem trombo documentado clinicamente ou por ultrassom, incluindo flebite associada a cateter, veia periférica ou trombose venosa superficial.
Não confunda com
I82 — Outra embolia e trombose venosas: diferencia-se por envolver trombose venosa em sítios ou gravidade que indiquem embolia ou trombose extensa (por exemplo, trombose venosa profunda com risco de êmbolo), enquanto I80 foca na flebite/tromboflebite, frequentemente superficial. I83 — Varizes dos membros inferiores: varizes são dilatações venosas crônicas sem inflamação aguda; se houver inflamação aguda sobre variz, o diagnóstico principal pode ser I80 e não I83. I87 — Outros transtornos das veias: quando o quadro for um distúrbio venoso crônico ou insuficiência venosa sem sinais inflamatórios agudos, usa-se I87 em vez de I80. I82.8/I82.9 : se a documentação descreve trombose venosa profunda confirmada por imagem sem ênfase em flebite superficial, optar por CÓDIGO I82 conforme descrição específica.
O que é
Flebite é a inflamação de uma veia; quando associada à formação de um coágulo a condição costuma ser chamada tromboflebite. Clinicamente manifesta-se por dor localizada, vermelhidão, calor e sensibilidade ao longo do trajeto venoso; pode evoluir a partir de trauma local, punção venosa, infecção ou alterações de coagulação.
Costuma afetar adultos e é mais frequente em pessoas com veias varicosas, uso de cateteres venosos ou estados pró-trombóticos. Na prática brasileira, as apresentações superficiais são comuns e muitas vezes manejadas de forma ambulatorial, enquanto a evolução para trombose venosa profunda exige investigação e conduta diferente.
Sintomas
Dor focal e sensibilidade ao longo da veia afetada são sinais precoces. Vermelhidão e calor local costumam aparecer cedo e indicam inflamação ativa. Endurecimento ou cordão palpável sugerem trombose superficial. Inchaço do membro, dor intensa, calor difuso ou sintomas respiratórios ( falta de ar, dor torácica) indicam agravamento ou possível extensão para trombose profunda/embolia e são sinais de alarme.
Causas
Mecanismos incluem lesão direta da parede venosa (por punção, trauma ou infecção local), estase sanguínea e alterações da coagulação; esses três fatores compõem a tríade de Virchow para trombose. Na prática brasileira, causas frequentes são punções venosas repetidas, uso de cateteres periféricos ou centrais, e varizes com flebite secundária. Estados pró-trombóticos (como algumas doenças sistêmicas, uso de anticoncepcionais ou câncer) aumentam o risco de trombose associada.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de I80 é sustentado pela correlação entre exame clínico (dor, rubor, cordão venoso palpável) e exames complementares quando necessários. O ultrassom Doppler venoso confirma presença de trombo e avalia extensão; na ausência de imagem, o registro pode basear-se em quadro clínico típico documentado. É importante diferenciar tromboflebite superficial de trombose venosa profunda, pois isso altera o código e a conduta; documentação clara do local (superficial vs profunda) e dos achados do ultrassom é determinante para codificação.
Como costuma ser tratado
O manejo descrito para I80 inclui controle da inflamação, redução do desconforto e medidas para prevenir extensão trombótica; muitas apresentações são tratadas de forma ambulatorial. Em casos com risco ou evidência de trombose profunda ou extensão proximal, o tratamento pode ser sistemático e exigir seguimento mais próximo. Procedimentos locais (como remoção de cateter infectado) são considerados conforme a causa identificada.
Classes de medicamentos
Classes frequentemente mencionadas para o quadro incluem anti-inflamatórios para controle da inflamação local, analgésicos para alívio da dor e agentes anticoagulantes quando há trombose significativa ou risco de extensão. Antibióticos entram em jogo se houver suspeita de infecção associada à flebite. A escolha entre essas classes depende da avaliação clínica e de exames.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação imediata se houver aumento súbito da dor, edema significativo do membro, sinais sistêmicos como febre alta ou sintomas respiratórios. Buscar atendimento se a vermelhidão se expandir rapidamente, se surgir um cordão endurecido que progride proximamente, ou se houver dificuldade funcional do membro. Caso já em uso de terapia e ocorram sangramento ou reação adversa, contatar serviço de saúde.
Uso em atestado
Atestados devem descrever claramente o diagnóstico (flebite/tromboflebite), data de início dos sintomas, limitações funcionais e período estimado de afastamento ou restrições, conforme avaliação clínica. Laudos que indicam extensão para trombose profunda ou risco de embolia pulmonar requerem documentação complementar de exames de imagem e conduta terapêutica.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da legislação vigente e da comprovação clínica; em geral, afastamentos por condição trombótica são tratados como incapacidade temporária quando bem documentados. Em caso de relação com atividade laboral (por exemplo, punção venosa repetida), pode haver exigência de perícia para reconhecimento de nexo causal para fins de benefício ou acidente de trabalho.
Perguntas frequentes sobre I80
O CID I80 significa que tenho um coágulo perigoso?
Nem sempre; I80 cobre inflamação de veia que pode ou não ter trombo. A gravidade depende se a trombose é superficial ou se se estende para veias profundas, o que exige investigação por imagem.
Vou precisar faltar ao trabalho quando recebo esse código?
O afastamento depende da extensão da lesão, sintomas e exigências do trabalho; o médico que acompanhou o caso deve documentar limitações e período estimado no atestado.
Flebitite é contagiosa para minha família?
Não é contagiosa; trata-se de inflamação ou trombose dentro de uma veia, não de uma doença transmissível por contato casual.
Qual exame confirma se é tromboflebite ou trombose profunda?
O ultrassom Doppler venoso é o exame indicado para diferenciar trombose superficial de profunda e para avaliar extensão do coágulo.
Como diferenciar deste código de varizes (I83)?
Varizes (I83) são dilatações venosas crônicas sem inflamação aguda; se houver processo inflamatório agudo sobre uma variz, o registro pode ser I80 em vez de I83.
O que muda no prontuário se a trombose se estender?
Se houver extensão para trombose venosa profunda ou risco de embolia, o código e a conduta mudam, e a documentação deverá incluir resultados de imagem e justificativa para alterações terapêuticas.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há ultrassonografia Doppler que confirme trombose e qual sua extensão?
- A flebite é superficial isolada ou há suspeita de trombose venosa profunda associada?
- Houve punção venosa, cateter ou infecção local que explique a inflamação?
- Existem fatores de risco sistêmicos identificáveis (câncer, uso de hormônios, trombofilias)?
- O quadro é recorrente e exige investigação de trombofilia ou causas secundárias?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- O episódio está registrado como doença relacionada ao trabalho ou acidente ocupacional?
- A documentação atual (laudos e exames) suporta pedido de benefício previdenciário por incapacidade temporária?
- Há necessidade de perícia para comprovar nexo causal entre atividade laboral e a flebite/tromboflebite?
- Quais documentos médicos são essenciais para contestar negativa de reconhecimento como acidente de trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
- O plano exige autorização prévia para ultrassom Doppler venoso neste caso?
- Há cobertura para tratamento ambulatorial de tromboflebite ou para anticoagulação se indicada?
- Existe carência aplicável para procedimentos diagnósticos relacionados à trombose?
- Quais documentos médicos o plano costuma solicitar para autorizar internação por complicação trombótica?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.