CIDs Med
J00–J99 · Capítulo X · Doenças do aparelho respiratório
  • asma de características mistas
  • asma atópica e não atópica combinada

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de asma: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

Receber o código CID J45.8 significa que seu quadro respiratório foi classificado como “asma mista” — ou seja, a equipe avaliou que você tem sinais de asma causados por dois tipos de fatores ao mesmo tempo: reações alérgicas e gatilhos que não dependem de alergia. Em palavras simples, seu corpo tem tendência a broncoespasmo e inflamação das vias aéreas, e tanto pólen, ácaro ou mofo quanto infecções, exercício, poluição ou fumaça podem desencadear sintomas.

O que você provavelmente sente são episódios de chiado (sibilos), falta de ar, tosse e aperto no peito; esses sintomas podem variar com o dia, piorarem à noite ou após contato com os gatilhos. Muitas pessoas também têm sintomas de alergia nasais junto com a asma, como coriza e coceira, o que indica componente alérgico. Se a sua tosse aparece mais à noite ou depois de exercícios, isso também faz parte do quadro.

Quanto à gravidade, a asma mista pode ser controlada em muitos casos, mas também pode apresentar exacerbações que exigem avaliação médica; não é uma condição contagiosa. O curso costuma ser crônico, com períodos de melhor controle e outras vezes de piora; o tempo que cada pessoa leva para melhorar varia conforme os gatilhos e o tratamento adotado. Seu médico decidirá se precisa de acompanhamento regular ou ajustes terapêuticos.

Normalmente, após o diagnóstico, serão solicitados exames de função pulmonar (espirometria) e, muitas vezes, testes de alergia ou exames de sangue para identificar sensibilizações; com base nisso será definido um plano para reduzir exposições e para controlar os sintomas. Retornos periódicos avaliam resposta e ajustam a abordagem, e atestados podem ser emitidos se a sua condição limitar temporariamente o trabalho.

Em casa, observe se há piora rápida da respiração, aumento do uso de medicação de alívio, sonolência ou dificuldade para falar frases completas — nesses casos procure atendimento de urgência. Mantenha registro dos sintomas, dos fatores que parecem desencadear crises e dos medicamentos usados, porque isso ajuda o médico a ajustar o plano. Se tiver dúvidas sobre exames, atestados ou tratamentos, leve suas perguntas ao próximo atendimento para obter explicações específicas para o seu caso.

O que este código significa?

O CID J45.8 designa “Asma mista”, quando o quadro asmático apresenta simultaneamente traços típicos de asma predominantemente alérgica e de asma não-alérgica. Aparece em pacientes que têm história de reatividade brônquica persistente com gatilhos alérgicos e não alérgicos coexistentes. Não descreve apenas uma crise aguda isolada nem formas ocupacionais ou induzidas por fármacos específicas, que têm códigos próprios quando identificadas. Também não engloba asma não especificada (J45.9) nem os subtipos claramente predominantes alérgico (J45.0) ou não-alérgico (J45.1). O registro J45.8 é usado quando a avaliação clínica e exames apontam para uma mistura de mecanismos inflamatórios e sensibilizações que influenciam o manejo e a evolução clínica.

Quando este código é usado?

Use J45.8 quando o paciente tem evidência clínica e complementar de asma persistente em que sinais de alergia (ex.: rinite alérgica, testes alergológicos positivos) coexistem com fatores não alérgicos relevantes (ex.: infecções, refluxo, exercício, poluição) e nenhum dos subtipos irmãos explica isoladamente o quadro. Este código sustenta decisões de registro, estatística e autorização quando se quer indicar um fenótipo misto que pode exigir estratégias terapêuticas combinadas. Não se aplica quando a asma é claramente atribuível a um único mecanismo predominante ou quando há diagnóstico específico que justifique outro código.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

J45.0 — Asma predominantemente alérgica: diferencia-se quando a história e exames mostram forte relação temporal com alérgenos identificáveis, sintomas sazonais ou com exposição domiciliar e testes cutâneos ou sanguíneos confirmam sensibilização predominante; na asma mista esses elementos convivem com gatilhos não alérgicos que não permitem classificar como predominantemente alérgica. J45.1 — Asma não-alérgica: aplica-se se não há evidência de sensibilização alérgica e os gatilhos são principalmente não imunológicos (infecções, irritantes); se há sinais claros de alergia junto com esses gatilhos o código correto é J45.8. J45.9 — Asma não especificada: usado quando não há dados suficientes para subcategorizar; J45.8 exige informação que documente simultaneidade de mecanismos alérgicos e não-alérgicos, enquanto J45.9 é escolha por falta de detalhes clínicos.

O que é?

Asma mista é um fenótipo clínico de asma em que mecanismos alérgicos (mediados por resposta imunológica a alérgenos) e mecanismos não alérgicos (irritantes, infeções, fatores ocupacionais, alterações estruturais das vias aéreas) contribuem para a inflamação e hiper‑reatividade brônquica. Manifesta‑se por episódios de chiado, falta de ar, tosse e sensação de aperto no peito, com variação na intensidade ao longo do tempo e resposta variável a tratamentos.

Costuma ocorrer em pessoas com história de alergias (rinite, dermatite) que também apresentam exacerbações desencadeadas por fatores não alérgicos, por exemplo infecções respiratórias, exercício ou poluição. Pode ser encontrada em qualquer idade, embora o padrão de gatilhos e a história pessoal determinem muito do quadro clínico e do plano de acompanhamento.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas principais são chiado (sibilos), falta de ar (dispneia), tosse e sensação de aperto torácico; chiado e tosse noturna são comuns no início. Tosse persistente e aumento da falta de ar ou limitação para atividades indicam agravamento, assim como respostas insuficientes ao tratamento habitual ou necessidade crescente de medicação de alívio. Sintomas que surgem de forma mais episódica após exposição a pólen ou ácaros tendem a sugerir componente alérgico; piora em exercícios, ar frio ou poluição aponta para componente não‑alérgico.

O que causa?

Os mecanismos envolvem inflamação das vias aéreas e hiper‑reatividade brônquica. No Brasil, a causa prática mais frequente é a combinação de sensibilização a alérgenos peridomiciliares (ácaros, fungos) com exposições não imunológicas como infecções virais respiratórias, poluição do ar e tabagismo passivo. A interação entre predisposição genética, remodelamento das vias aéreas e fatores ambientais explica por que alguns pacientes têm manifestações mistas em vez de um padrão único.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de J45.8 apoia‑se na história clínica que revela sinais e gatilhos alérgicos coexistindo com gatilhos não‑alérgicos, exame físico compatível e testes complementares que apoiam as duas componentes — por exemplo, testes de função pulmonar que mostram obstrução reversível ou variabilidade do fluxo expiratório, e exames de alergia (prick test ou IgE específica) que mostram sensibilização. É necessário documentar que nenhum subtipo irmão explica isoladamente o quadro; a decisão de classificar como asma mista considera a síntese clínica entre sintomas, exames e resposta a intervenções.

Como costuma ser tratado?

O manejo é individualizado e costuma combinar medidas de controle ambiental, educação sobre gatilhos e tratamentos direcionados à inflamação e aos sintomas. Em prática ambulatorial, busca‑se reduzir exposição a alérgenos identificados e controlar fatores não‑alérgicos (como tratamento de refluxo ou cessação de tabagismo passivo) enquanto se ajusta a terapia farmacológica para controlar sintomas e minimizar exacerbações. O acompanhamento regular avalia resposta e permite ajustar a estratégia conforme predomínio de mecanismos em diferentes fases da doença.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos usadas para controle e alívio incluem broncodilatadores de curta e longa ação para alívio de sintomas e melhora do fluxo aéreo, anti‑inflamatórios inalatórios para reduzir inflamação crônica, e medicamentos adjuntos em casos de controle insuficiente. Em situações específicas, tratamentos anti‑IgE ou outras terapias biológicas podem ser considerados quando há componente alérgico proeminente e critério clínico apropriado; a escolha depende da avaliação clínica e da cobertura do serviço de saúde.

Quando procurar um médico?

Procure assistência imediata se houver difícil respiração, incapacidade de falar frases completas, coloração azulada dos lábios ou face, confusão ou exaustão extrema, sinais que sugerem falta de oxigenação adequada. Também é indicado procurar o serviço de saúde quando há aumento rápido da frequência ou intensidade dos sintomas, aumento do uso de medicação de alívio ou resposta insuficiente ao tratamento habitual, para reavaliação e ajuste do manejo.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, conforme o caso concreto, e duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Para essa soma de períodos o perito considera o CID do atestado para avaliar se os episódios têm a mesma origem, razão prática pela qual o código aparece na documentação.

Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

O curso típico associado a J45.8 é o de uma condição crônica e recorrente: há períodos de controle intercalados por exacerbações desencadeadas por alérgenos ou por fatores não‑alérgicos. Por isso o registro contínuo e o acompanhamento são importantes e o código frequentemente aparece em atestados de acompanhamento e em períodos de piora.

Como a asma mista pode apresentar repetidos episódios de exacerbação relacionados a diferentes gatilhos, a regra dos 60 dias é especialmente relevante aqui: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem ao perito somar afastamentos curtos como parte de um mesmo problema crônico, enquanto a ausência do código impede essa verificação. A possibilidade de incapacidade temporária depende da gravidade do episódio e da avaliação clínica individual.

Perguntas frequentes sobre J45.8

O que significa CID J45.8 no meu atestado?

Significa que seu quadro foi classificado como asma mista, com características alérgicas e não‑alérgicas coexistentes; é uma descrição clínica que ajuda a orientar o manejo e a documentação.

Recebi esse CID. Preciso me afastar do trabalho?

O afastamento depende da avaliação clínica do médico que o atendeu; o CID descreve a condição, mas a necessidade e duração do afastamento são definidas caso a caso.

A asma mista é contagiosa?

Não é contagiosa; trata‑se de uma condição inflamatória das vias aéreas relacionada a fatores pessoais e ambientais, não a transmissão entre pessoas.

Que exames são esperados após receber J45.8?

Esperam‑se normalmente espirometria para avaliar função pulmonar e, quando indicado, testes de alergia ou dosagens de IgE para identificar sensibilizações que expliquem o componente alérgico.

Qual a diferença entre J45.8 e J45.9 no meu prontuário?

J45.8 indica um quadro com evidência de mecanismos alérgicos e não‑alérgicos coexistentes; J45.9 é usado quando não há informação suficiente para subcategorizar a asma.

Posso exigir que o médico coloque o CID no atestado?

A inclusão do CID depende da sua anuência; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma de atestados para fins previdenciários não pode ser verificada.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve confirmação de sensibilização alérgica por testes ou IgE específica?
  • Quais são os gatilhos não‑alérgicos mais frequentes no histórico e como foram documentados?
  • A espirometria com broncodilatador demonstrou reversibilidade ou variabilidade significativa do fluxo?
  • Que evidências clínicas sustentam que nenhum subtipo irmão (J45.0 ou J45.1) explica o quadro isoladamente?
  • Há sinais de remodelamento das vias aéreas ou comorbidades (rinite, refluxo) que exigem alteração do código?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este atestado com CID J45.8 justifica pedido de auxílio‑doença em perícia para afastamentos prolongados?
  • Como a soma de atestados com o mesmo CID dentro de 60 dias pode influenciar avaliação pericial e concessões?
  • Em caso de negativa do INSS, que documentação complementar sobre repetição de crises e gatilhos devo reunir para recurso?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento solicitado para controle ambiental ou terapia biológica deve ser acompanhado de CID J45.8 na guia?
  • Quais documentos clínicos a operadora costuma solicitar quando o tratamento é para asma mista e não para subtipo específico?
  • Há necessidade de relatórios que documentem testes de alergia e espirometria para autorizar terapias de alto custo?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.