J60-J70 — Doenças pulmonares devidas a agentes externos
- Doenças ocupacionais do pulmão
- Pneumoconioses e pneumopatias por agentes externos
- Lesões pulmonares por inalação
O que este código significa?
Este agrupamento reúne afecções pulmonares decorrentes da exposição a agentes externos inalados ou aspirados, incluindo pneumoconioses (J60-J66), doenças por hipersensibilidade e reações pneumonites (J67), doenças por fumaça, gases e vapores (J68), e outras condições relacionadas a substâncias externas (J69-J70). Os códigos mais procurados costumam ser J60 (pneumoconiose por carvão), J61 (silicose), J67 (pneumonite por hipersensibilidade) e J69 (aspiração de conteúdo alimentar/intestinal).
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este bloco quando o clínico atribui a doença respiratória a uma exposição ou evento externo documentado ou presumido; a classificação posterior exige detalhamento por código (tipo de agente, cronicidade, confirmação etiológica) numa página filha do bloco.
Com que grupos este se confunde?
J60-J70 vs J40-J47: critério de separação é a causa atribuída — se a obstrução ou bronquite tem origem em exposição a poeiras/gases usar J60-J70; se for doença crônica das vias aéreas sem agente externo identificado usar J40-J47 (ex.: DPOC).
J67 (pneumonite por hipersensibilidade) vs J60-J66 (pneumoconioses): pneumonite por hipersensibilidade costuma ter componente imune e relação temporal com exposição orgânica/avícola; pneumoconioses decorrem de inalação crônica de poeiras minerais com imagem radiológica típica.
J69 (aspiração) vs J12-J18 (pneumonias por agente infeccioso): a presença de história de aspiração ou evidência de corpo estranho/conteúdo gástrico direciona para J69; ausência dessa história com isolamento microbiano e quadro compatível tende a códigos de pneumonia infecciosa.
O que é?
Reúne doenças respiratórias cuja etiologia primária é exposição, inalação ou aspiração de agentes externos (poluentes, poeiras minerais ou orgânicas, fumaça, gases, vapores, substâncias químicas ou conteúdo corporal aspirado). Em geral o agrupamento é definido pelo agente imputado e pelo mecanismo (inalação tóxica, deposição particulada, resposta imune, aspiração).
Que queixas costumam cair neste grupo?
As queixas que levam a este bloco incluem tosse persistente, falta de ar progressiva, piora respiratória após exposição, febre após contato com ambientes específicos, episódios de broncoespasmo ou sintomas agudos após inalação de fumaça ou gás. Muitas vezes o paciente procura por redução da capacidade de esforço ou crises respiratórias associadas a ambiente ou ocupação.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Mecanismos abrangem deposição de partículas (pneumoconioses como J60-J66), respostas imunes a antígenos inalados (pneumonite por hipersensibilidade J67), lesão química direta por gases e vapores (J68), e aspiração de conteúdo alimentício ou gástrico causando inflamação/obstrução (J69). Varia conforme agente e duração/ intensidade da exposição.
Como se chega a um código deste grupo?
A classificação dentro do bloco depende de história de exposição, imagem (radiografia/TC) compatível com padrão de deposição ou inflamação, testes funcionais respiratórios e, quando necessário, biópsia ou exame citopatológico para confirmar partículas ou reação histológica. O que separa blocos é sobretudo o agente identificado e o padrão radiológico/histopatológico.
Como costuma ser tratado?
O manejo organiza-se conforme gravidade e causa: afastamento ou redução da exposição (medida preventiva/ocupacional), cuidados ambulatoriais para formas leves a moderadas, e hospitalização para exacerbações agudas ou insuficiência respiratória. Alguns casos demandam reabilitação respiratória e encaminhamento a serviços especializados em pneumologia e saúde do trabalhador.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes frequentemente empregadas no contexto incluem broncodilatadores (beta-2 adrenérgicos, antimuscarínicos) para alívio de broncoespasmo; corticosteroides sistêmicos ou inhalados para reduzir inflamação; antibióticos quando há superinfecção; e agentes expectorantes/ mucolíticos conforme necessidade. A escolha entre classes depende do mecanismo (inflamatório, infeccioso, obstrutivo) e da gravidade clínica.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento urgente em caso de falta de ar súbita ou em piora progressiva da dispneia, cianose, confusão, febre alta associada a dificuldade respiratória ou episódios de aspiração com risco de obstrução; sinais de insuficiência respiratória exigem avaliação imediata.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento, e o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). O CID do atestado é o elemento que o perito usa para verificar se se trata do mesmo motivo e, por isso, é a razão prática pela qual o código aparece no documento — detalhe que poucas pessoas conhecem.
Para que um atestado seja aceito pelo empregador ou pelo INSS ele precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data, e a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID só acontece com anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada por peritos.
No conjunto J60–J70 trata-se de doenças pulmonares decorrentes de exposição a agentes externos, incluindo condições ocupacionais crônicas (como pneumoconioses) e quadros por exposição aguda ou por aspiração. Muitos desses códigos correspondem a doenças que exigem registro e acompanhamento, e alguns podem resultar em incapacidade para o trabalho dependendo da gravidade e do controle da exposição. Quando o quadro é recorrente ou ligado a exposições repetidas, a regra dos 60 dias ganha importância porque atestados separados pelo mesmo CID serão considerados para a contagem dos primeiros 15 dias pagos pelo empregador, influenciando a necessidade de perícia e continuidade do afastamento.
Que direitos este código envolve?
O enquadramento jurídico aplica-se por mecanismo: quando a doença é reconhecida como ocupacional ou relacionada ao trabalho, o indivíduo pode buscar benefícios previdenciários e reconhecimento pela perícia; a concessão depende de avaliação pericial, evidência de nexo causal e inclusão nas listas oficiais de doenças ocupacionais, não do código isolado em si.
Perguntas frequentes sobre J60-J70
Devo usar J67 ou J60-J66 quando há reação após exposição a poeira orgânica?
Use J67 quando houver quadro de pneumonite por hipersensibilidade com componente imune a antígenos orgânicos; use J60-J66 quando se tratar de pneumoconiose por poeiras minerais com deposição crônica.
Aspiracão que leva a pneumonia é sempre J69 ou pode ser J12-J18?
Se a manifestação é diretamente atribuída à aspiração de conteúdo alimentar ou gástrico, codifica-se J69; se predomina pneumonia por agente infeccioso comprovado sem história de aspiração, usam-se códigos de pneumonia infecciosa (J12-J18).
Na falta de identificação do agente, como escolher dentro de J60-J70?
Quando o agente não está identificado mas há forte relação temporal e ocupacional com inalação de substâncias use o bloco J60-J70 e depois detalhe na documentação; exames de imagem e ocupacionais ajudam a refinar o código.
A omissão do CID no atestado pode ser feita a pedido do paciente?
O CID pode ser omitido em atestados se o paciente solicitar, salvo exigência legal ou administrativa que obrigue a informação; procedimentos periciais e administrativos podem requerer documentação completa.
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- J95-J99 Outras doenças do aparelho respiratório
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco J60-J70
- OMS — ICD-10, versão 2019 (J60-J70)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.