K59.0 — Constipação
- prisão de ventre
- obstipação
O CID K59.0 designa a constipação intestinal — dificuldade crônica ou persistente para evacuar fezes, com evacuações pouco frequentes ou esforço excessivo. Aparece quando alterações da função intestinal causam desconforto, sensação de evacuação incompleta ou fezes endurecidas. Não inclui causas obstrutivas mecânicas do intestino (tumores, estenoses) nem diarreia funcional, que usa códigos vizinhos. Este código é usado quando a constipação é o problema principal e não há outra doença orgânica responsável claramente identificada.
Em palavras simples
O código CID K59.0 significa que o seu problema principal é constipação, conhecida popularmente como prisão de ventre. Isso quer dizer que o intestino está evacuando com menos frequência do que o habitual, ou que você precisa fazer muito esforço para evacuar e sente que a saída das fezes fica incompleta. O termo concentra tanto quem tem fezes endurecidas quanto quem precisa fazer manobras para conseguir expulsá‑las.
Quem recebe esse diagnóstico costuma relatar pouca frequência das evacuações (por exemplo, dias entre uma e outra), fezes duras, sensação de que ainda há fezes na barriga após ir ao banheiro, e às vezes inchaço ou cólicas leves. Pode haver necessidade de usar papel, inserir o dedo ou apoiar-se para forçar a saída. Não é um código que indique automaticamente uma doença grave, mas descreve um quadro que afeta o bem‑estar e a rotina.
Na maior parte dos casos, a constipação não é contagiosa e não representa risco imediato de vida. A duração pode variar: episódios curtos podem passar em dias com mudanças de alimentação e hábitos; quando dura semanas a meses sem melhora, chama‑se crônica e merece investigação. É frequente em pessoas que comem poucas fibras, bebem pouco líquido, fazem pouco exercício, tomam certos remédios ou têm alterações na coordenação dos músculos que ajudam a evacuar.
O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação clínica, registro dos sintomas e medidas iniciais — orientações sobre dieta e hábitos intestinais, e revisão de medicamentos que possam contribuir. Se não houver melhora, o médico pode solicitar exames para procurar causas orgânicas ou avaliar o funcionamento do intestino. Dependendo da situação, pode haver necessidade de retornos para ajustar o manejo.
Em casa, observe se há sinais de agravamento: dor abdominal muito forte e progressiva, vômitos, aumento importante do inchaço da barriga, sangue nas fezes ou perda de peso. Esses sinais justificam busca imediata de atendimento. Caso os sintomas sejam mais leves, anote frequência e características das evacuações, alterações na dieta ou no uso de remédios, e relate isso no retorno. Essas informações ajudam a direcionar exames e tratamentos.
Este código não diz qual tratamento será usado nem determina afastamento automático do trabalho. O que vem a seguir depende da gravidade, da resposta às medidas iniciais e do impacto na sua rotina. Mantenha o rastreamento dos sintomas e comunique mudanças importantes ao profissional de saúde que acompanha você.
Quando usar este código
Usa-se K59.0 quando o quadro principal é constipação funcional ou sem causa orgânica evidente, persistente o suficiente para necessitar avaliação, tratamento ou registro em prontuário. Não é adequado quando houver diagnóstico claro de obstrução intestinal, doença inflamatória, efeitos adversos medicamentosos documentados como causa primária ou quando a diarreia é predominante.
Não confunda com
K59.1 (Diarréia funcional): separa-se por padrão clínico; se o sintoma dominante for frequência aumentada e evacuação líquida, usar K59.1; se for evacuação infrequente, fezes duras e esforço, usar K59.0.
K56.7 (Obstrução intestinal parcial): obstrução mecânica apresenta dor abdominal progressiva, vômitos e imagem radiográfica com níveis hidroaéreos; nesses casos não se aplica K59.0.
K52.- (Enterite e colite não infecciosa): presença de sangue nas fezes, perda de peso e alteração inflamatória em exames sugestivos dirige para K52.-, não para K59.0.
O que é
Constipação é um distúrbio do hábito intestinal caracterizado por evacuações pouco frequentes, fezes endurecidas e dificuldade ou sensação de evacuação incompleta. Pode ser episódica ou crônica e envolver alterações na motilidade do cólon, função dos músculos pélvicos ou na coordenação do ato de evacuar.
Manifesta-se por redução da frequência das evacuações, esforço para defecar, necessidade de manobras digitais ou sensação de obstrução retal. Afeta adultos e crianças; é especialmente frequente em idosos, em pessoas com baixa ingestão de fibras ou líquidos, em uso de certos medicamentos e naqueles com mobilidade reduzida.
Sintomas
Principais: evacuações infrequentes (menos de três por semana), fezes endurecidas, esforço intenso durante a defecação e sensação de evacuação incompleta. Sintomas precoces costumam ser sensação de evacuação incompleta e necessidade de esforço. Sinais de agravamento incluem dor abdominal intensa e progressiva, vômitos, distensão abdominal marcante, perda de peso ou presença de sangue nas fezes — sinais que sugerem complicações ou outra doença subjacente.
Causas
Mecanismos incluem trânsito intestinal lento por alteração da motilidade colônica, disfunção do assoalho pélvico (dificuldade de coordenação dos músculos na expulsão das fezes), dieta pobre em fibras, hidratação inadequada e efeitos de medicamentos (opióides, alguns anticolinérgicos e outros). No Brasil, as causas mais frequentes na prática são alterações dietéticas, sedentarismo, idade avançada e uso de medicamentos que retardam o trânsito intestinal.
Como é diagnosticado
O diagnóstico deste código baseia-se na história clínica detalhada que documente constipação como queixa principal e na exclusão de causas orgânicas por meio de exame físico e exames complementares quando indicado. A confirmação do caráter funcional apoia-se na ausência de sinais de alarme (sangue, perda de peso, sinais sistêmicos) e na persistência de sintomas por tempo compatível; quando há dúvidas, exames de imagem, colonoscopia ou testes de motilidade podem distinguir causas orgânicas ou guiar para códigos diferentes.
Como costuma ser tratado
O tratamento costuma começar por medidas gerais: ajustes dietéticos (fibras e hidratação), orientações sobre hábito intestinal e aumentar atividade física quando possível. Em muitos casos o manejo é ambulatorial e progressivo; se houver resposta inadequada ou sinais de complicação, investigação adicional e tratamentos especializados são indicados. O esquema terapêutico varia conforme a causa identificada e a resposta clínica.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos usadas na prática incluem agentes formadores de volume, laxantes osmóticos, laxantes estimulantes e agentes pró-cinéticos para casos com trânsito lento; a escolha depende do mecanismo suspeitado e da resposta clínica individual.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica imediatamente se houver dor abdominal intensa e progressiva, vômitos persistentes, distensão abdominal importante, sangue nas fezes ou perda de peso inexplicada. Se a constipação for nova em pessoa idosa, associada a sinais sistêmicos, ou não responder a medidas iniciais, buscar avaliação para investigação adicional.
Uso em atestado
Atestados podem registrar constipação quando necessário para justificar consulta ou tratamento; duração e necessidade de afastamento dependem da gravidade, do tratamento e da ocupação. Para fins periciais, documentar tempo de sintomas, tratamentos realizados e impacto funcional.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação pericial e da legislação aplicável; a emissão de atestado e eventual afastamento médico devem ser fundamentados em incapacidade funcional documentada. O CID no prontuário é informação clínica e sua utilização em processos administrativos segue regras de confidencialidade e de comprovação pericial.
Perguntas frequentes sobre K59.0
O que exatamente significa receber o CID K59.0 no meu prontuário?
Significa que a queixa principal registrada é constipação, ou prisão de ventre, sem identificação imediata de causa orgânica evidente. Serve para documentar o problema e orientar investigação e tratamento.
A constipação com CID K59.0 costuma exigir afastamento do trabalho?
Nem sempre. A necessidade de afastamento depende da intensidade dos sintomas, da ocupação da pessoa e do impacto funcional. A decisão é tomada caso a caso com base em atestado e avaliação clínica.
Posso transmitir essa condição para outras pessoas?
Não. A constipação funcional não é contagiosa. Somente causas infecciosas específicas do intestino seriam transmissíveis, mas não são abrangidas por este código.
Que exames são comuns quando o tratamento inicial não funciona?
Podem ser solicitados exames de sangue, exames de imagem ou endoscopia e testes de trânsito intestinal ou de evacuação para excluir lesões estruturais e avaliar a função; a escolha depende do quadro e dos sinais de alarme.
Como diferenciar este código de K59.1, que aparece no meu histórico também?
K59.1 refere‑se à diarreia funcional, com evacuações frequentes e fezes mais líquidas; se o sintoma predominante for evacuação infrequente e fezes endurecidas, o código correto é K59.0.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há histórico de início súbito ou agravamento progressivo dos sintomas?
- Existem sinais de alarme (sangue nas fezes, perda de peso, vômitos, febre)?
- Que medicamentos e suplementos o paciente usa que possam piorar o trânsito intestinal?
- Houve tentativa documentada de medidas dietéticas e aumento de atividade física e qual a resposta?
- Há suspeita de disfunção do assoalho pélvico que justifique testes de evacuação?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- A constipação crônica pode justificar afastamento por incapacidade temporária para o trabalho?
- Quais documentos e exames sustentam perícia para incapacidade por problemas intestinais funcionais?
- Como registrar questões de confidencialidade do CID em processos trabalhistas sem expor dados sensíveis?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige relatório clínico e exames para autorizar procedimentos diagnósticos como colonoscopia?
- Há exigência de pré-autorização para tratamentos específicos para constipação refratária?
- Quais critérios a operadora usa para cobertura de exames de motilidade intestinal?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.