M10.2 — Gota induzida por drogas
- gota medicamentosa
- artrite gotosa induzida por fármaco
Em palavras simples
Receber o código CID M10.2 significa que a dor e o inchaço nas suas articulações foram interpretados como uma crise de gota ligada a um medicamento. Em palavras simples: certos remédios podem aumentar o ácido úrico no corpo ou atrapalhar sua eliminação, e isso pode provocar a formação de cristais dentro da articulação, causando dor intensa e vermelhidão.
Você provavelmente sente dor súbita e forte na articulação afetada, que pode dificultar apoio ou movimento; o dedão do pé é um local clássico, mas outras articulações também podem ser atingidas. Pode haver calor local e inchaço; febrícula às vezes acompanha a crise. Muitas pessoas descrevem dor que aparece durante a noite ou ao acordar.
Na maioria dos casos a condição não é transmissível e não “pega” de outra pessoa. A gravidade varia: crises agudas são muito dolorosas, mas geralmente de curta duração em semanas; no entanto, recidivas podem ocorrer, especialmente se a medicação responsável não for revista ou se houver outros fatores como problemas nos rins. A presença de febre alta ou muitas articulações comprometidas exige avaliação mais urgente.
O passo seguinte costuma ser exame médico, possível coleta de líquido da articulação para confirmação e exames de sangue para avaliar ácido úrico e função renal. O médico também vai revisar suas medicações para identificar possíveis culpadas. Em muitos casos há retorno ambulatorial para ajustar o tratamento e planejar prevenção de novas crises. A necessidade de afastamento do trabalho depende da intensidade da dor e do tipo de atividade desempenhada.
Em casa, observe melhora da dor e do inchaço após as medidas iniciais. Procure ajuda sem esperar se a dor piorar muito, se aparecer febre alta, se surgirem problemas para respirar ou sinais de infecção na articulação, ou se a crise não melhorar com o acompanhamento médico. Leve sempre a lista atualizada de remédios nas consultas para facilitar a avaliação da possível causa.
O que este código significa?
O CID M10.2 designa episódios de artrite gotosa precipitados pelo uso de medicamentos que elevam os níveis de ácido úrico ou alteram sua excreção. Aparece como episódios agudos de dor, edema e calor numa ou poucas articulações, frequentemente no primeiro metatarsofalângico, após início ou mudança de terapia medicamentosa. Não inclui a gota idiopática (M10.0), a gota por intoxicação por chumbo (M10.1) nem formas secundárias por insuficiência renal isolada (M10.3). Este código é aplicado quando há relação temporal e plausibilidade farmacológica entre o fármaco e a crise gotosa.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando uma crise de gota é atribuível a medicamento identificado como causa provável, documentada pela história temporal ou pela interrupção/ajuste da droga associada à melhora, sem classificar formas idiopáticas ou por outras causas secundárias.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M10.0 (Gota idiopática) — separar quando não há história de exposição a drogas conhecidas por elevar ácido úrico; M10.2 exige relação temporal ou evidência de fármaco desencadeante. M10.1 (Gota induzida por chumbo) — chumbo é causa tóxica específica com sinais de intoxicação; se houver intoxicação por chumbo documentada, usar M10.1, não M10.2. M10.3 (Gota devida à disfunção renal) — quando a disfunção renal é a principal causa da hiperuricemia e crises, usar M10.3; M10.2 só se aplica quando a droga é o fator precipitante predominante.
O que é?
Gota induzida por drogas é uma manifestação de artrite inflamatória causada pela cristalização de urato sódico nas articulações, precipitada por medicamentos que aumentam produção ou reduzem eliminação de ácido úrico. Clinicamente surge como episódios agudos e muito dolorosos, com inchaço, calor e sensibilidade local, por vezes acompanhados de febrícula e limitação funcional.
Costuma afetar adultos, com maior frequência em pessoas com hiperuricemia pré-existente, insuficiência renal crônica ou uso concomitante de múltiplos fármacos que interferem no metabolismo do urato — por exemplo, diuréticos, agentes citotóxicos e alguns imunossupressores. A relação temporal entre início ou ajuste da medicação e a crise é central para a atribuição a M10.2.
Quais sintomas aparecem?
Os principais sinais são dor articular intensa de início súbito, edema localizado, calor e vermelhidão da articulação atingida; a podagra (base do dedão) aparece cedo e é frequente. Sintomas iniciais incluem dificuldade para apoiar o pé ou mover a articulação afetada; sinais de agravamento incluem febre alta, envolvimento de múltiplas articulações, sinais sistêmicos de infecção ou falência renal associada. Persistência de dor além do esperado para crises agudas ou recorrência após ajuste de fármaco sugere necessidade de reavaliação.
O que causa?
Mecanismo central é a supersaturação do fluido sinovial por cristais de urato que desencadeiam inflamação. Em M10.2 o fator precipitante é farmacológico: drogas podem elevar ácido úrico por aumento da produção purínica, por diminuição da excreção renal ou por deslocamento de uratos dos tecidos para o plasma. Na prática brasileira os diuréticos tiazídicos e furosemida, agentes quimioterápicos e alguns imunossupressores estão entre os culpados frequentes, especialmente em pacientes com comorbidades como hipertensão ou insuficiência renal.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico deste código baseia-se na clínica de artrite gotosa confirmada por identificação de cristais de urato em líquido sinovial quando possível, mais uma história temporal que relacione a crise ao uso ou ajuste de medicamento conhecido por alterar o metabolismo do ácido úrico. Exames complementares como ácido úrico sérico, função renal e PCR sustentam o raciocínio, mas a confirmação exige correlação com medicação desencadeante; ausência de exposição farmacológica plausível favorece códigos irmãos.
Como costuma ser tratado?
Tratamento na crise segue medidas anti-inflamatórias e controle da dor em ambiente ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade; além disso, revisão da medicação suspeita e ajuste ou substituição quando clinicamente indicado são parte da conduta que sustenta este código. O manejo da hiperuricemia crônica pode ser abordado em seguimento, mas o uso de M10.2 foca na associação com fármaco desencadeante.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes de medicamentos relacionadas incluem diuréticos tiazídicos e de alça, agentes citotóxicos/antineoplásicos, alguns agentes imunossupressores e drogas que interferem na excreção renal de urato. Anti-inflamatórios, colchicina e corticoides são classes usadas no controle de crises, mas a escolha depende do contexto clínico e da presença de contraindicações.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento se a dor articular é intensa e impede mobilidade ou se houver febre alta, sinais de infecção ou comprometimento sistêmico. Também é aconselhável buscar orientação médica quando uma nova medicação coincidir com dor articular aguda ou quando crises se repetem após ajuste terapêutico, para reavaliar a droga suspeita e o plano terapêutico.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3). A partir do 16º dia o INSS passa a assumir o benefício e exige perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias é aplicada verificando-se se os atestados têm o mesmo CID: é esse código que o perito usa para saber se a doença/condição é a mesma, e por isso a indicação correta no atestado permite a soma dos períodos quando cabível.
Para um atestado ser aceito pelo empregador ou pelo INSS ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data de emissão, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
Especificamente para M10.2 (gota induzida por drogas), trata‑se de um quadro tipicamente de crise aguda precipitada por uso ou ajuste de fármacos — episódios intensos e pontuais de dor e inflamação articular que podem causar limitação funcional temporária, embora o curso dependa do contexto clínico individual. O código registra essa relação temporal com medicamento e, por isso, costuma aparecer em atestados quando a crise é atribuída a um fármaco; pode recorrentemente reaparecer em pessoas com fatores predisponentes, de modo que a regra dos 60 dias ganha relevância para contabilizar atestados sucessivos relacionados à mesma causa medicamentosa.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de perícia e do nexo causal reconhecido; a identificação de medicação como causa pode influenciar análise de estabilidade laboral ou acidente de trabalho, mas não garante automaticamente concessões. Questões de cobertura assistencial variam por contrato e exigem documentação clínica.
Perguntas frequentes sobre M10.2
O que significa receber o código CID M10.2 no meu atestado?
Significa que sua crise de gota foi atribuída a um medicamento suspeito de aumentar o ácido úrico ou alterar sua excreção; o atestado descreve a condição clínica e o impacto funcional para fins de trabalho ou tratamento.
O CID M10.2 indica que a doença é contagiosa?
Não. Trata-se de uma reação inflamatória articular relacionada a cristais de urato; não é transmissível entre pessoas.
É preciso exame para confirmar que a crise foi causada por um remédio?
A confirmação mais direta é a identificação de cristais de urato no líquido sinovial combinada com a correlação temporal ao uso do fármaco; exames de sangue e função renal ajudam a reforçar a hipótese.
Quanto tempo dura uma crise de gota associada a medicamento?
A duração varia, mas crises agudas costumam melhorar em dias a semanas com tratamento adequado; recorrências dependem da manutenção do fator desencadeante e de medidas preventivas.
Como diferenciar este código da gota idiopática (M10.0)?
M10.2 exige relação temporal e plausibilidade farmacológica com início ou ajuste de medicação; ausência dessa relação favorece M10.0.
Preciso suspender o medicamento suspeito imediatamente?
A decisão sobre suspensão ou ajuste do fármaco é clínica e deve ser tomada pelo médico responsável após avaliar riscos e benefícios; não deve ser feita de forma autônoma.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual foi o intervalo entre início/ajuste do fármaco e o início da crise articular?
- Há histórico prévio de hiperuricemia ou crises de gota documentadas?
- Foi realizada articocentese com identificação de cristais de urato e qual o resultado?
- Houve alteração na função renal ou interação medicamentosa recente que explique elevação do urato?
- A retirada ou ajuste do fármaco levou a melhora clínica observável em que prazo?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Existe fundamentação documental para atribuir a crise ao uso de medicação prescrita pelo empregador ou por conduta profissional?
- Como a perícia avalia nexo entre medicação e surto de gota para fins de estabilidade ou indenização?
- Quais documentos médicos e farmacêuticos são essenciais para instruir ação sobre afastamento ou benefício previdenciário?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- A operadora exige documentação específica para internação ou procedimentos relacionados a crise de gota atribuída a fármaco?
- A cobertura de terapia de infusão ou internação para controle de crise será analisada como urgência ligada ao CID M10.2?
- Quais justificativas clínicas e exames a operadora costuma demandar para autorizar troca de medicação quando a droga é suspeita de causar crise gotosa?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M00-M25
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M10.2)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.