M14.6 — Artropatia neuropática

  • artropatia de Charcot
  • artropatia neurogênica
  • osteoartropatia neuropática

CID M14.6 designa artropatia neuropática, condição em que a articulação sofre destruição progressiva por perda de sensibilidade articular e propriocepção. Aparece em contextos de neuropatia periférica crônica — por exemplo diabetes avançado, sífilis antiga ou lesão medular — e resulta em deformidade, instabilidade e perda funcional. Não inclui artropatias por depósito cristalino, artropatias exclusivamente metabólicas ou inflamatórias primárias, que têm códigos distintos (por exemplo M14.2 para artropatia diabética específica ou M14.1 para depósito de cristais). O diagnóstico se baseia em quadro clínico compatível, história de neuropatia e exames de imagem que mostram destruição articular desproporcional à dor. A finalidade do registro é indicar uma artropatia secundária à neuropatia, orientando codificação para estatística e gestão clínica, não para terapêutica específica.


Em palavras simples

Receber o código CID M14.6 significa que a alteração na sua articulação é atribuída a uma perda de sensibilidade ou de percepção do movimento na região — ou seja, a articulação foi danificada porque os sinais que normalmente protegem e orientam os movimentos não chegaram direito ao cérebro. Esse mecanismo permite pequenos traumas repetidos sem que você sinta ou corrija, e ao longo do tempo isso pode levar a colapso articular, inchaço, deformidade e perda de função.

Você provavelmente percebe aumento de volume no local, instabilidade ao caminhar ou usar o membro e, muitas vezes, a dor pode ser menor do que o dano observado. Pode haver também vermelhidão ou sensação de calor sobre a articulação, e em alguns casos feridas na pele próximas a protuberâncias ósseas. Se há uma neuropatia conhecida (por exemplo, neuropatia por diabetes, lesão medular ou neuropatia alcoólica), isso costuma explicar por que a articulação ficou vulnerável.

Não é uma condição contagiosa. A gravidade varia: algumas pessoas têm perda progressiva da função e deformidade, outras estabilizam com medidas de proteção e acompanhamento. O tempo de evolução pode ser longo, e o tratamento costuma envolver proteger a articulação, corrigir fatores que a agravam e acompanhar com exames. Em geral há retornos regulares para acompanhar evolução e ajustar medidas protetoras.

Os passos seguintes frequentemente são exames de imagem para avaliar o grau de destruição e consultas com especialistas (ortopedista, fisioterapia, equipe que cuida da neuropatia). Afastamento do trabalho pode ser necessário se houver perda de função ou risco de novos traumas, e isso é avaliado caso a caso pelo médico e pela perícia quando cabível.

Em casa, observe aumento rápido do inchaço, aparecimento de feridas, dor que aumenta ou sinais de infecção (calor intenso, secreção, febre). Nesses sinais procure atendimento. Mantenha cuidados com proteção da articulação, higiene da pele e controle da condição que causa a neuropatia (por exemplo controle glicêmico no diabetes), conforme orientações do seu médico.

Quando usar este código

Utilizar este código quando houver destruição articular progressiva atribuível à perda sensorial ou proprioceptiva (neuropatia), com evidências clínicas e radiológicas de artropatia neurogênica; não usar para artropatias primárias inflamatórias, infecciosas ou por depósito cristalino sem neuropatia associada.

Não confunda com

M14.2 — Artropatia diabética: M14.2 é usado quando a artropatia é especificamente vinculada ao diabetes como entidade reconhecida; use M14.6 quando a característica-chave for a neuropatia periférica/central que explica a destruição articular, independentemente da causa da neuropatia.

M14.5 — Artropatias em outras doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas: M14.5 cobre artropatias causadas primariamente por distúrbios metabólicos ou endócrinos sem evidência de perda sensitiva; M14.6 exige evidência de comprometimento neurológico sensitivo como fator causal principal.

M14.4 — Artropatia na amiloidose: separar quando biópsia ou marcador de amiloidose apoia etiologia; se a perda sensitiva neuropática é o motor da destruição articular, M14.6 é preferível.

O que é

A artropatia neuropática é uma lesão da articulação causada por perda da sensibilidade e propriocepção, o que permite microtraumas repetidos sem resposta protetora adequada. Ao longo do tempo isso leva a colapso articular, fragmentação óssea, formação de osteófitos e deformidade, frequentemente com pouca dor relativa ao dano observado.

Manifesta-se tipicamente em articulações de carga ou grandes articulações (pé, tornozelo, joelho, quadril, ombro), sobretudo em pessoas com neuropatia periférica ou medular. Pacientes com diabetes de longa evolução, sífilis terciária histórica, neuropatia alcoólica grave ou lesão medular são grupos mais frequentemente afetados na prática brasileira.

Sintomas

Principais sintomas incluem aumento de volume articular, calor e instabilidade da articulação. No início pode haver inchaço e sensação de ‘anel solto’ ou instabilidade sem dor intensa; a dor moderada a ausente é característica e não exclui gravidade. Sinais de agravamento são deformidade progressiva, perda da função articular, ulcerações cutâneas sobre áreas de proeminência óssea e sinais radiológicos de colapso articular ou fragmentação.

Causas

O mecanismo central é a perda de sensibilidade dolorosa e proprioceptiva que permite microtraumatismos repetidos e movimentos anômalos sem proteção neurológica, culminando em destruição articular. Etiologias comuns incluem neuropatia periférica (diabetes, álcool, toxinas), sífilis tabética histórica, neuropatia hereditária e lesões medulares que comprometem aferências sensoriais. Inflamação direta ou depósito patológico são causas distintas e não configuram artropatia neuropática a menos que exista neuropatia causal.

Como é diagnosticado

O código M14.6 é sustentado por histórico de neuropatia com perda sensorial, exame físico que mostra instabilidade e deformidade articular muitas vezes com dor desproporcionalmente discreta, e exames de imagem (radiografia, tomografia ou ressonância) evidenciando fragmentação, colapso e remodelamento articular típico. Estudos eletrofisiológicos ou avaliações neurológicas que documentem neuropatia ajudam a confirmar a relação causal. Excluir infecção articular ou processos inflamatórios primários é parte essencial do raciocínio diagnóstico.

Como costuma ser tratado

O manejo descrito no registro envolve proteção articular (redução de cargas e imobilização quando indicado), tratamento da causa neurológica subjacente e medidas para prevenir complicações locais (úlceras, infecções) e perda funcional. Intervenções podem ser ambulatoriais ou hospitalares conforme complexidade, e decisões terapêuticas multidisciplinares são comuns. O objetivo clínico é estabilizar a articulação, reduzir risco de novas lesões e preservar função.

Classes de medicamentos

Classes medicamentosas associadas ao manejo incluem analgésicos para controle sintomático, agentes que tratam a neuropatia subjacente (conforme diagnóstico etiológico) e antibióticos quando houver sobreinfecção de úlceras. Medicamentos anti-inflamatórios e moduladores metabólicos podem ser empregados conforme avaliação clínica, sem implicar recomendação específica de fármacos neste verbete.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica se houver aumento de volume articular, deformidade nova, úlcera de pele sobre articulação, perda de função ou febre associada — sinais que podem indicar progressão, instabilidade grave ou infecção. Também é importante buscar revisão se houver nova perda sensorial ou agravamento da neuropatia subjacente.

Uso em atestado

Em atestados, registre que a artropatia é secundária a neuropatia documentada e descreva limitações funcionais objetivas. Informe articulação afetada, capacidade de carga e necessidade de medidas protetoras; evite prognóstico absoluto e remeta a avaliação periódica.

Perguntas frequentes sobre M14.6

O CID M14.6 significa que minha articulação vai necessariamente perder função para sempre?

Nem sempre; a evolução varia conforme extensão do dano e tratamento. Algumas articulações estabilizam com medidas de proteção e reabilitação, enquanto outras podem ter perda funcional progressiva.

Preciso de exame específico para confirmar que é artropatia neuropática?

Sim, geralmente exames de imagem (radiografia, TC ou RM) junto com avaliação neurológica ou eletroneuromiografia que documente neuropatia ajudam a confirmar o diagnóstico.

Esse problema é contagioso para familiares ou colegas?

Não é contagioso. Trata-se de uma consequência de perda sensorial ou neurológica, não de um agente transmissível.

Posso receber atestado ou afastamento por CID M14.6?

A possibilidade depende da limitação funcional, da atividade laboral e da avaliação pericial. O atestado deve descrever restrições e justificativas médicas objetivas.

Qual a diferença entre CID M14.6 e M14.2 (artropatia diabética)?

M14.2 refere-se especificamente a artropatia ligada ao diabetes como entidade; M14.6 enfatiza que a destruição articular é secundária à neuropatia como mecanismo principal, independentemente da causa subjacente.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual evidência neurológica (sensitiva/proprioceptiva) documenta que a neuropatia é causa principal da artropatia?
  • Que exames de imagem melhoram a distinção entre artropatia neuropática e infecção osteoarticular neste caso?
  • Existe indício de ulceração ou sobreinfecção que altere o manejo e o código a ser utilizado?
  • Em que momento a documentação radiológica justifica reclassificação para outro código de artropatia secundária?
  • Qual é o impacto funcional atual e previsível que sustenta limitação para atividades específicas?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Há documentação pericial comprovando incapacidade temporária ou permanente atribuível à artropatia neuropática?
  • Como registrar a relação entre a neuropatia (por exemplo diabetes) e a artropatia para fins de benefício previdenciário?
  • Quais elementos médico-legais são necessários para fundamentar estabilidade ou agravamento da incapacidade ao longo do tempo?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano cobre exames de imagem avançados (ressonância/TC) quando requisitados para caracterizar artropatia neuropática?
  • Existe necessidade de autorização prévia para procedimentos estabilizadores ou orteses quando o CID informado é M14.6?
  • Como justificar ao plano a associação entre a neuropatia subjacente e a artropatia para fins de autorização de tratamento especializado?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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