M22.0 — Deslocamento recidivante da rótula

  • luxação recidivante da patela
  • instabilidade recidivante patelofemoral

Em palavras simples

O código CID M22.0 indica que a sua rótula tem saído do lugar mais de uma vez. Em linguagem simples, significa que a patela (o “osso” que fica na frente do joelho) deslocou‑se lateralmente em episódios repetidos, causando instabilidade. Não é só uma dor no joelho: é quando houve, pelo menos algumas vezes, a sensação ou a prova de que a rótula “saiu” da posição e depois voltou.

Você provavelmente sentiu dor aguda no momento do deslocamento, talvez inchaço e a sensação de que não consegue apoiar a perna ou esticar o joelho. Entre os episódios pode haver dor na frente do joelho, sensação de falseio ao caminhar ou ao subir escadas, e incômodo ao ficar muito tempo sentado. Em alguns casos há episódios com bloqueio temporário do movimento.

Na maioria das pessoas jovens e ativas, não é uma doença contagiosa, mas pode ser recorrente e atrapalhar esportes e atividades do dia a dia. A duração varia: algumas pessoas têm poucos episódios e melhoram com reabilitação; outras mantêm instabilidade por meses ou anos, especialmente se houver alterações anatômicas que facilitem a luxação.

O caminho habitual após receber este código inclui avaliação clínica detalhada, possíveis exames de imagem para ver lesões associadas, tentativa de fisioterapia para fortalecer músculos que estabilizam a patela e reavaliação. Em casos com lesões estruturais ou falha do tratamento conservador, pode ser discutida intervenção cirúrgica para reduzir novas luxações.

Em casa, observe aumento rápido do inchaço, perda persistente de movimento, dor que não cede com medidas básicas e qualquer alteração de sensibilidade ou vascularização no pé. Procure atendimento se não conseguir reduzir a dor, se o joelho permanecer travado, ou se os episódios se tornarem mais frequentes. Leve registros dos episódios, exames e relatórios anteriores ao médico para facilitar a avaliação.

O que este código significa?

O CID M22.0 designa episódios repetidos de deslocamento da rótula (patela) da sua posição normal na tróclea femoral. Aparece quando há histórico de luxações recidivantes que causam dor, sensação de falseio e limitação funcional, frequentemente após trauma inicial ou por fatores anatômicos predisponentes. Não inclui subluxação transitória sem perda evidente do posicionamento articular (M22.1) nem outros transtornos femuropatelares isolados (M22.2). Este código refere-se ao quadro recorrente, não a um episódio isolado de luxação aguda nem a condromalácia sem deslocamento.


Quando este código é usado?

Usa‑se quando o paciente apresenta histórico de um ou mais episódios confirmados de deslocamento patelar com tendência a repetir, com documentação clínica e/ou imagem que suporte instabilidade recidivante. Não deve ser aplicado a evento único sem evidência de recorrência ou a quadros meramente dolorosos sem episódio de deslocamento.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M22.1 — Subluxação recidivante da rótula: diferencia‑se por ausência de deslocamento completo documentado; subluxação descreve caráter parcial e habitual sem perda total do contato articular, enquanto M22.0 exige episódios de deslocamento (luxação) recorrente.

M22.2 — Transtornos femuropatelares: abrange desalinhamentos e dor femuropatelar sem episódios repetidos de luxação; escolha M22.0 quando houver luxações repetidas que comprovem instabilidade verdadeira.

M22.3 — Outros desarranjos da rótula: código reservado para desarranjos não classificados; use M22.0 apenas se houver história e exames que confirmem deslocamentos recidivantes.

O que é?

Deslocamento recidivante da rótula é a condição em que a patela sai repetidamente da sua posição normal na tróclea do fêmur, geralmente para o lado lateral. Manifesta‑se por episódios de dor intensa no joelho, sensação de que a articulação “sai do lugar” e incapacidade temporária de apoiá‑lo, com possível inchaço e crepitação entre episódios.

Costuma ocorrer em adolescentes e adultos jovens, mais frequente em mulheres e em pessoas com fatores anatômicos predisponentes (ex.: má congruência articular, trocânter femoral alto, frouxidão ligamentar) ou após trauma inicial que tenha lesionado estruturas estabilizadoras como o ligamento patelofemoral medial.

Quais sintomas aparecem?

Dor aguda intensa no momento do deslocamento, sensação de falseio ou perda de apoio, inchaço articular precoce e incapacidade de estender o joelho completamente. Entre episódios aparecem dor difusa anterior, instabilidade ao apoiar e crepitação; sinais de agravamento incluem episódios cada vez mais frequentes, perda de função persistente, dor noturna e episódios com bloqueio articular que não resolvem espontaneamente.

O que causa?

Mecanismos incluem trauma transverso direto ou giro do membro com joelho flexionado que provoca luxação inicial, somados a fatores anatômicos, biomecânicos e constitucionais que favorecem recidiva. No Brasil a causa mais comum é combinação de episódio traumático inicial seguido de lesão das estruturas estabilizadoras (fáscia e ligamento medial patelar) associada a desequilíbrios musculares do quadríceps e alterações de alinhamento.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia‑se em história clínica de episódios de luxação, exame físico documentando instabilidade patelar e, quando disponível, imagens que comprovem deslocamento ou suas consequências (radiografia em posição adequada, exame pós‑episódio e ressonância para avaliar lesões condrais e ligamentares). Para codificar M22.0 é importante registrar recorrência de episódios e/ou achados que expliquem instabilidade persistente.

Como costuma ser tratado?

O manejo é multidisciplinar: reabilitação muscular e fisioterápica focada em controle de tronco e quadríceps, medidas de proteção e educação para evitar mecanismos desencadeantes; em casos com lesões estruturais ou falha do tratamento conservador, abordagem cirúrgica pode ser considerada para restabelecer estabilidade. O tratamento inicial após cada episódio visa reduzir dor, edema e restaurar função antes de decidir consolidação terapêutica a longo prazo.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes usadas para controle de sintomas incluem analgésicos e anti‑inflamatórios prescritos pelo médico para dor aguda e controle inflamatório; em episódios agudos pode haver indicação de medicações para alívio sintomático e terapia adjuvante conforme avaliação clínica.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento imediato quando houver incapacidade de recolocar a rótula, bloqueio persistente do joelho, dor intensa ou sinais de lesão vascular/neurológica. Buscar avaliação em prazo curto se episódios se repetirem, se a instabilidade limitar atividades diárias ou se houver edema persistente e episódios sem retorno à função entre crises.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3); do 16 dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias se somam para fins desses primeiros 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Importa notar que, para o somatório previsto nos 60 dias, o CID constante no atestado é o dado que o perito usa para verificar se a doença é a mesma — por isso o código no documento é a razão prática para essa conferência, e muita gente desconhece essa regra.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar claramente o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data do atestado e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

No caso específico do M22.0 (deslocamento recidivante da rótula), trata‑se de uma condição recorrente: registra episódios repetidos de deslocamento que podem causar dor intensa, sensação de falseio e limitação funcional entre episódios. Esse quadro costuma demandar acompanhamento e registro das intercorrências mais do que representar um único episódio resolvido de forma definitiva; por isso, quando há novas ausências por essa mesma causa, a regra dos 60 dias ganha importância — atestados sucessivos com o mesmo CID dentro desse intervalo podem ser somados para efeitos do período inicial de pagamento pelo empregador e da exigência de perícia pelo INSS.

Perguntas frequentes sobre M22.0

Este código significa que preciso de cirurgia?

Nem sempre; CID M22.0 indica recidiva do deslocamento, e a cirurgia é considerada caso a fisioterapia e medidas conservadoras não controlem a instabilidade ou haja lesões estruturais significativas.

Posso continuar trabalhando com este diagnóstico?

Depende da intensidade dos sintomas, do tipo de trabalho e da avaliação médica; algumas atividades podem exigir adaptações temporárias ou afastamento enquanto se recupera.

O deslocamento é contagioso para a família?

Não; trata‑se de um problema mecânico/anatômico, não transmissível entre pessoas.

Quais exames vão confirmar que é realmente deslocamento recidivante?

A confirmação é clínica, sustentada por imagens como radiografia e ressonância que mostrem deslocamentos prévios, lesões associadas ou fatores anatômicos que expliquem recidiva.

Como diferenciar deste código para M22.1?

M22.1 refere‑se a subluxações parciais e transitórias sem perda completa; M22.0 é usado quando há episódios de deslocamento (luxação) repetidos documentados.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve documentação de pelo menos dois episódios de deslocamento com relato clínico ou imagem?
  • Que lesões associadas (lesão osteocondral, ruptura do complexo medial) estão presentes na ressonância?
  • Qual foi a resposta à reabilitação muscular e por quanto tempo foi tentada antes de considerar cirurgia?
  • Há fatores anatômicos mensuráveis (índice de sulco trochlear, TTTG) que justifiquem correção cirúrgica?
  • O episódio atual foi realinhado com redução espontânea ou exigiu manobra e assistência hospitalar?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O número e a documentação dos episódios são suficientes para justificar incapacidade temporária em perícia trabalhista?
  • Quando a ação do trabalho pode ser considerada fator contribuinte para reconhecimento de acidente de trabalho?
  • Que evidências médicas e de imagem são necessárias para pleitear reabilitação profissional ou aposentadoria por invalidez parcial?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento cirúrgico proposto para estabilização é condicionado a autorização prévia com este CID?
  • Quais documentos e laudos o plano pode solicitar para análise de cobertura de cirurgia por instabilidade recidivante?
  • O plano costuma exigir tentativa documentada de tratamento conservador antes de autorizar intervenções cirúrgicas para instabilidade patelar?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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