M35.0 — Síndrome seca [Sjögren]
- Síndrome de Sjögren
- Doença de Sjögren
- Xerostomia e xeroftalmia autoimunes
- Síndrome sicca
CID M35.0 designa a síndrome seca (também chamada de Sjögren), uma doença autoimune sistêmica caracterizada por comprometimento das glândulas exócrinas, principalmente lacrimais e salivares, causando olhos e boca secos. Aparece tanto isoladamente (forma primária) quanto associada a outras doenças reumatológicas (forma secundária). Inclui manifestações locais de secura e pode coexistir com fadiga, dor articular e acometimento extraglandular. Não inclui apenas a sensação temporária de boca seca por medicamentos ou desidratação, nem outras causas localizadas de olho seco sem componente sistêmico. O código M35.0 refere-se à síndrome seca como entidade clínica, confirmada por critérios clínicos e exames específicos.
Em palavras simples
O código CID M35.0 corresponde à chamada síndrome seca, também conhecida como síndrome de Sjögren. Em linguagem simples, isso significa que o sistema de defesa do corpo está causando inflamação nas glândulas que produzem lágrima e saliva, deixando os olhos e a boca mais secos do que o normal. Nem toda sensação temporária de boca ou olhos secos é Sjögren; este diagnóstico geralmente vem quando a secura é persistente e acompanhada por exames que mostram perda da função dessas glândulas.
Se você recebeu esse código, provavelmente anda sentindo ardor, sensação de areia ou embaçamento nos olhos e uma boca seca que dificulta falar, mastigar ou engolir. Pode notar também que as lentes de contato incomodam mais, que precisa beber líquidos para engolir comidas secas, ou que está com mais cáries. Muitas pessoas relatam cansaço maior e dores articulares leves; esses sintomas andam juntos com a síndrome seca em várias pessoas.
Quanto à gravidade, a síndrome seca varia muito. Em muitos casos é uma condição crônica, com sintomas que oscilam e requerem cuidado contínuo, mas não é contagiosa. O tempo de evolução pode ser lento: a secura costuma surgir aos poucos e se instala. Em alguns pacientes há envolvimento de outros órgãos — pulmões, rins, nervos — o que requer investigação mais ampla.
Normalmente o seguimento inclui avaliação com reumatologista e oftalmologista, exames que medem a produção de lágrimas e saliva, e às vezes uma pequena biópsia da glândula salivar para confirmar o diagnóstico. Esses passos servem para saber se o problema é realmente uma síndrome autoimune e para orientar o tratamento. Dependendo do impacto no trabalho, pode haver necessidade de atestado ou ajuste de atividades — isso é avaliado caso a caso.
Em casa, observe se a secura piora, se aparece dor ou vermelhidão intensa nos olhos, se há diminuição súbita da visão, febre ou perda de peso. Procure ajuda sem esperar se houver dor ocular forte, alteração visual rápida, sinais de infecção ou sintomas respiratórios ou neurológicos novos. Para a maioria das pessoas, o objetivo do tratamento é aliviar os sintomas e prevenir complicações dentárias e oculares; o plano exato será definido pelo médico com base nos exames e na gravidade.
Quando usar este código
Usa-se este código quando a síndrome seca/Sjögren é a hipótese diagnóstica estabelecida ou quando existe confirmação por achados clínicos e/ou exames que sustentem o diagnóstico de compromisso exócrino autoimune. Não deve ser usado para sintomas isolados de boca ou olhos secos sem investigação que aponte para doença sistêmica ou causas alternativas claramente identificadas.
Não confunda com
M35.1 — Outras síndromes superpostas: M35.1 inclui pacientes com múltiplas síndromes sistêmicas sobrepostas; diferenciar exige evidência de mais de uma síndrome sistêmica além da síndrome seca, ou apresentação mista que não se enquadre em Sjögren puro.
H04.1 — Xerostomia: H04.1 descreve apenas a boca seca sem identificação de síndrome sistêmica; usa-se H04.1 quando a xerostomia é medicamentosa, por radiação ou outra causa localizada sem sinais de doença autoimune.
H04.2/H04.8 — Doenças das glândulas salivares (inflamação infecciosa ou obstrutiva): separar por evidência de infecção, cálculo ou atrofia glandular focal em exames de imagem, sem padrão de exócrino distrófico autoimune característico de Sjögren.
M35.3 — Polimialgia reumática: ambos podem causar fadiga e dor, mas M35.3 é definido por dor e rigidez matinal proximal em idosos com marcadores inflamatórios e resposta rápida a corticoide em baixa dose, sem o padrão de secura glandular persistente típico de M35.0.
O que é
A síndrome seca (Sjögren) é uma doença inflamatória crônica de natureza autoimune que atinge principalmente as glândulas exócrinas, levando à redução da produção de lágrimas e saliva. Manifesta-se por xeroftalmia (sensação de areia, ardência, visão embaçada) e xerostomia (boca seca, dificuldade para mastigar/engolir, aumento de cáries), podendo ocorrer de forma isolada (primária) ou associada a outra doença reumática (secundária).
Além da secura, a síndrome pode apresentar fadiga marcante, dor articular e manifestações extraglandulares que afetem pele, pulmão, rins, sistema nervoso periférico e vasos. A maioria dos casos afeta mulheres, frequentemente em idade adulta, mas pode aparecer em homens e em idades variadas.
Sintomas
Principais sintomas incluem olhos secos (ardor, sensação de corpo estranho, dor ocular leve), boca seca (dificuldade para falar, engolir, aumento de cáries), sensação de fadiga persistente e dor articular. Sintomas que costumam aparecer cedo são a secura ocular e oral intermitente que evolui para persistente. Sinais que sugerem agravamento ou acometimento sistêmico incluem fraqueza progressiva, perda de peso, tosse persistente, falta de ar, neuropatia sensitiva ou alterações renais, que indicam investigação além do acometimento glandular.
Causas
A síndrome seca é mediada por respostas autoimunes que atacam as glândulas exócrinas, com infiltração linfocitária e perda gradual da função glandular. Mecanismos implicam fatores genéticos de susceptibilidade, ativação imune crônica e possivelmente gatilhos ambientais como infecções. Na prática brasileira, a forma primária e a associada a artrite reumatoide ou lúpus são as mais observadas; uso de medicamentos ou irradiação que causem secura deve ser excluído antes de atribuir o quadro a M35.0.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de síndrome seca é clínico e suportado por exames que comprovem disfunção das glândulas exócrinas e sinais de autoimunidade. Para classificar o caso como M35.0 é necessário documentar a presença de secura persistente ocular e/ou oral e evidências objetivas como testes de produção lacrimal reduzida, avaliação da produção salivar, achados histopatológicos compatíveis ou autoanticorpos sugestivos. Exclusão de causas medicamentosas, metabólicas e radioterápicas é parte essencial para aplicar este código.
Como costuma ser tratado
O tratamento visa controlar sintomas de secura e tratar manifestações sistêmicas quando presentes. Medidas locais para alívio da secura ocular e oral são frequentemente empregadas em ambiente ambulatorial. Em casos com envolvimento extraglandular ou atividade inflamatória sistêmica, terapias imunomoduladoras podem ser consideradas segundo avaliação especializada e protocolos clínicos. A decisão terapêutica depende do padrão de acometimento e da gravidade, e costuma envolver acompanhamento reumatológico e oftalmológico multidisciplinar.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos frequentemente usadas na prática incluem agentes tópicos para umidificação ocular e oral, anti-inflamatórios não esteroides para dor articular, imunossupressores ou imunomoduladores em casos com acometimento sistêmico, e antimicrobianos quando há infecções secundárias. A escolha da classe e do medicamento específico depende do perfil clínico e deve ser feita por especialista.
Quando procurar ajuda
Procure avaliação médica se os olhos ou a boca estiverem persistentemente secos por semanas, se aparecerem sinais de complicação como dor ocular intensa, diminuição marcada da visão, dificuldade importante para engolir, febre, perda de peso, falta de ar ou sintomas neurológicos novos. Atendimento de urgência é indicado para dor ocular intensa com alteração visual súbita ou sinais de infecção sistêmica.
Uso em atestado
Atestados e laudos relacionados à síndrome seca devem documentar sintomas principais (xeroftalmia, xerostomia), duração, exames que sustentem o diagnóstico e eventual impacto funcional. Para concessão de licença ou benefícios, a perícia avalia gravidade, acometimento sistêmico e limitações no trabalho. O CID M35.0 pode constar em relatórios quando a síndrome seca estiver estabelecida e comprovada.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de avaliação pericial e da legislação aplicável; a presença do CID M35.0 em si não garante afastamento automático. O paciente tem direito ao registro correto do diagnóstico em prontuário e à solicitação de cópias do laudo médico. Questões sobre cobertura de tratamento ou afastamento devem ser resolvidas com prestador de saúde, plano e perícia médica competente.
Perguntas frequentes sobre M35.0
O que significa receber o CID M35.0 no meu laudo?
Indica que o médico identificou síndrome seca (Sjögren) como diagnóstico, associada à disfunção crônica das glândulas lacrimais e salivares; exige investigação e acompanhamento.
A síndrome seca é contagiosa?
Não, trata-se de uma condição autoimune e não é transmissível para outras pessoas.
Preciso fazer exame de biópsia para ter o diagnóstico?
Nem sempre; o diagnóstico combina sinais, sintomas e exames; a biópsia de glândula salivar menor é um dos métodos que pode confirmar infiltração linfocitária, mas a indicação depende do caso.
Vou precisar de afastamento do trabalho?
Nem sempre; o afastamento depende da gravidade dos sintomas e do impacto funcional, avaliado por peritos ou pelo empregador conforme as regras aplicáveis.
Qual a diferença entre CID M35.0 e H04.1 (xerostomia)?
H04.1 descreve somente boca seca sem evidência de síndrome sistêmica; M35.0 é usado quando há quadro compatível com síndrome seca/Sjögren comprovada.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há evidência objetiva de diminuição da produção lacrimal ou salivar (testes ou biópsia)?
- Existem autoanticorpos anti-Ro/SSA ou anti-La/SSB detectáveis e qual seu significado prognóstico?
- Há sinais de acometimento extraglandular que exigem avaliação por pneumologia, nefrologia ou neurologia?
- Há uso de medicamentos ou história de irradiação que explique a xerose e permita reclassificar o diagnóstico?
- Qual é a necessidade e o objetivo de biópsia de glândula salivar menor neste paciente?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Que documentação médica e exames são necessários para demonstrar incapacidade laboral relacionada a M35.0?
- Em perícia previdenciária, como se diferencia incapacidade transitória de incapacidade permanente por síndrome seca?
- Quais registros clínicos suportam pedido de reabilitação profissional quando há acometimento sistêmico?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos diagnósticos relacionados a síndrome seca requerem autorização prévia segundo a cobertura do plano?
- A operadora pode exigir contraste ou exames especiais para conceder cobertura de biópsia de glândula salivar?
- Quais justificativas clínicas devem acompanhar pedido de terapias imunomoduladoras vinculadas ao CID M35.0?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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