M47.0 — Síndromes de compressão da artéria espinhal anterior ou vertebral anterior
- compressão da artéria espinhal anterior
- síndrome da artéria vertebral anterior
- isquemia medular por compressão arterial
Em palavras simples
O código CID M47.0 indica que houve comprometimento do fluxo sanguíneo que irriga a parte anterior da medula espinhal. Em palavras simples, a circulação que leva oxigênio e nutrientes a grande parte das células responsáveis pela força e por parte da sensibilidade da medula ficou afetada por compressão ou redução do fluxo em uma artéria específica.
Você provavelmente percebeu fraqueza ou perda de força que surgiu de forma relativamente rápida em braços ou pernas, frequentemente acompanhada de alteração da sensibilidade para dor e temperatura, enquanto toques leves podem estar menos afetados. Pode haver também dificuldades no controle da urina ou do intestino em casos mais extensos, e em lesões altas na coluna pode haver impacto na respiração.
Quanto à gravidade, o quadro pode variar: alguns pacientes têm sintomas moderados que melhoram com tratamento e reabilitação, outros têm déficits mais importantes que exigem intervenção. Não é uma condição contagiosa. O tempo de recuperação depende da extensão da lesão e da rapidez com que o problema vascular foi identificado e tratado; alguns melhoram em semanas a meses, outros precisam de mais tempo de reabilitação.
O caminho habitual inclui exames de imagem (como ressonância) e, quando indicado, exames que avaliem os vasos para ver se há estreitamento ou bloqueio. Dependendo dos achados, pode haver indicação de procedimentos para aliviar compressão ou proteger o fluxo, além de fisioterapia para recuperar força e função. O médico também vai acompanhar fatores de risco vascular que podem ter contribuído.
Em casa, observe evolução da força e da sensibilidade: piora rápida da fraqueza, dificuldade para respirar, perda súbita do controle da bexiga ou intestino, ou dor intensa e nova sensibilidade aumentada são sinais para buscar emergência. Para sintomas estáveis ou em recuperação, retorno ao serviço de saúde conforme a orientação do seu médico para controle e reabilitação.
O que este código significa?
O CID M47.0 designa síndromes resultantes de compressão da artéria espinhal anterior ou da artéria vertebral anterior que irrigam a parte anterior da medula espinhal. Aparece quando há redução do fluxo arterial por compressão externa, trombose ou estenose que leva a sinais de lesão medular aguda ou subaguda. Não inclui mielopatias por compressão mecânica direta do saco dural por hérnia discal ou estenose central sem comprometimento vascular isolado, nem lesões medulares traumáticas sem evento isquêmico vascular. Esse código é usado quando a apresentação clínica, exames de imagem e/ou exames vasculares apoiam comprometimento arterial anterior da medula.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando evidências clínicas e de imagem indicam que a disfunção medular decorre de insuficiência ou compressão da artéria espinhal anterior ou da artéria vertebral anterior. Aplica-se a quadros agudos ou subagudos com déficit motor mais marcado que perda sensorial termoalgésica e quando exames vascularizantes ou ressonância sugerem comprometimento do fluxo arterial anterior. Não deve ser usado para espondilose com mielopatia por compressão direta do canal sem componente vascular predominante, que pode caber em outros códigos da subcategoria M47.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M47.1 (Outras espondiloses com mielopatia): diferencia-se quando a mielopatia resulta principalmente de compressão mecânica do canal vertebral por osteófitos ou colapso discal; M47.0 exige evidência de comprometimento arterial anterior ou padrão clínico isquêmico.
M47.2 (Outras espondiloses com radiculopatias): radiculopatia causa dor radicular e alterações sensitivas/ motores em território radicular; M47.0 apresenta padrão medular com envolvimento motor bilateral e preservação relativa de sensibilidade táctil dorsal.
M47.8 (Outras espondiloses): inclui formas degenerativas sem predomínio de déficit medular por isquemia; escolha M47.0 quando houver sinais e exames que apontem para compressão vascular da artéria espinhal anterior.
O que é?
Síndromes de compressão da artéria espinhal anterior descrevem o quadro em que a circulação da porção anterior da medula espinhal é comprometida por compressão externa, trombose ou estenose das artérias que a irrigam. A área irrigada pela artéria espinhal anterior corresponde à maior parte do corno anterior (motricidade) e às vias que transmitem dor e temperatura, de modo que a lesão costuma afetar a força muscular e a percepção termoalgésica.
Clinicamente manifesta-se por fraqueza súbita ou subaguda de membros, frequentemente com perda de força mais marcada do que alterações táteis, e déficit sensitivo seletivo para dor e temperatura. Pode ocorrer em contexto de doença degenerativa, intervenção cirúrgica, processos compressivos extrínsecos ou eventos vasculares locais; acomete adultos, com maior frequência em pacientes com fatores vasculares e alterações cervicais ou torácicas degenerativas.
Quais sintomas aparecem?
Principais sintomas incluem fraqueza motora aguda ou subaguda, especialmente em membros inferiores quando a região torácica ou lombar está envolvida, e perda de sensibilidade para dor e temperatura abaixo do nível da lesão. Sinais que aparecem cedo são perda de força e reflexos alterados; sensibilidade pin-prick reduzida surge frequentemente junto com o déficit motor. Indícios de agravamento incluem progressão rápida da paralisia, comprometimento respiratório se o nível for cervical alto, ou perda autonômica significativa com retenção urinária ou constipação.
O que causa?
As causas envolvem mecanismos que reduzem o fluxo pela artéria espinhal anterior: compressão externa por estruturas degenerativas (osteófitos, instabilidade vertebral), compressão por massa extrínseca, trombose local ou embolia, e estenose vascular por aterosclerose em vasos vertebrais. No Brasil, o mecanismo mais comum na prática é a combinação de degeneração vertebral com estreitamento do espaço vascular em pacientes mais velhos, associado a fatores vasculares como hipertensão e aterosclerose.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se na correlação entre quadro clínico sugestivo (déficit motor mais intenso que perda de sensibilidade tátil, défice termoalgésico), imagem por ressonância magnética que mostra alteração medular compatível com isquemia anterior e evidência de comprometimento vascular em exames de fluxo (angio-RM/angio-TC) ou Doppler em casos selecionados. Exames laboratoriais podem excluir causas inflamatórias ou infecciosas. A confirmação do componente vascular e a exclusão de compressão mecânica predominante orientam o uso deste código.
Como costuma ser tratado?
O manejo costuma combinar medidas para restaurar ou proteger a perfusão medular, controle dos fatores de risco vascular e tratamento da causa compressiva quando presente. Muitas situações são tratadas de forma multidisciplinar com reabilitação motora e monitorização neurológica; em casos com compressão anatômica significativa pode haver indicação de tratamento cirúrgico para descompressão vascular ou estabilização da coluna. O objetivo é limitar a extensão da lesão e favorecer recuperação funcional.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes medicamentosas empregadas no contexto incluem agentes voltados para controle vascular e prevenção secundária (antitrombóticos ou antiplaquetários em decisões especializadas), medicamentos para controle de dor neuropática e sintomática, e fármacos de suporte hemodinâmico quando necessário. A escolha da classe e da estratégia depende da causa subjacente e do quadro clínico global, sempre sob avaliação especialista.
Quando procurar um médico?
Procura-se avaliação urgente quando há início súbito ou progressivo de fraqueza em membros, perda rápida de sensibilidade a dor/temperatura, dificuldade respiratória ou alteração do controle urinário e intestinal. Busca-se atendimento especializado para investigação por imagem e intervenção se houver risco de evolução desfavorável. Em quadros estáveis, retorno para reavaliação clínica e acompanhamento por neurologia/coluna é indicado conforme orientação médica.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes conforme a gravidade e a evolução clínica.
Quanto ao pagamento e à perícia, a legislação estabelece que até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são considerados para fins de contagem desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias funciona na prática porque é o código CID do atestado que o perito usa para verificar se se trata da mesma doença; é por isso que a presença do CID no atestado permite que vários afastamentos por um mesmo problema sejam somados para efeito dos primeiros 15 dias — essa é a razão prática para a existência do código no documento.
Para que um atestado seja aceito ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, e a assinatura com o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
Especificamente para M47.0 — síndromes de compressão da artéria espinhal anterior ou vertebral anterior — trata-se de um quadro vascular medular agudo ou subagudo que pode causar perda de força e déficit sensitivo selectivo, e cuja gravidade determina se haverá incapacidade para o trabalho temporária e necessidade de acompanhamento. Em muitos casos o manejo visa restaurar ou proteger a perfusão medular e tratar a causa compressiva quando presente, de modo que o curso clínico e a necessidade de afastamento variam conforme a extensão da lesão e a resposta ao tratamento. Como esse código descreve um evento isquêmico que pode apresentar resolução ou piora e pode exigir reavaliação, a regra dos 60 dias é especialmente relevante quando episódios ou atestados próximos no tempo precisam ser considerados como parte do mesmo problema clínico pelo perito.
Que direitos este código envolve?
Direitos relacionados a afastamento do trabalho, estabilidade ou benefícios previdenciários dependem de laudo médico e perícia oficial. A presença do CID M47.0 em documentação auxilia na caracterização da condição, mas concessão de benefícios ou licenças requer avaliação conjuntural pela perícia do INSS ou pela instância competente, conforme legislação vigente.
Perguntas frequentes sobre M47.0
O CID M47.0 significa que minha medula foi cortada?
Não. Significa que a parte da medula que recebe sangue pela artéria anterior foi afetada; isso pode causar fraqueza e alterações sensoriais, mas não indica necessariamente uma lesão completa.
Com esse código eu tenho direito a afastamento do trabalho automaticamente?
A presença do CID em atestado descreve a condição, mas o direito a afastamento depende de avaliação médica e perícia; a necessidade e duração do afastamento variam conforme incapacidade funcional.
Esse problema é transmissível para outras pessoas?
Não. Trata-se de um problema vascular e/ou mecânico da própria coluna e não é contagioso.
Quais exames costumam confirmar esse diagnóstico?
Ressonância magnética da coluna para avaliar a medula e exames de imagem vascular (angio-RM/angio-TC) para verificar fluxo e compressão das artérias são os principais.
Como diferenciar de outras espondiloses com mielopatia?
A diferenciação depende da correlação entre padrão clínico de isquemia anterior (déficit motor proeminente e perda termoalgésica) e achados de comprometimento vascular nas imagens; quando a compressão é puramente mecânica sem componente vascular predominante, outros códigos da subcategoria são mais adequados.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M40-M54
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M47.0)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.