Q87 — Outras síndromes com malformações congênitas que acometem múltiplos sistemas
- síndromes congênitas múltiplas
- malformações congênitas envolvendo vários sistemas
- síndrome com defeitos multimórficos
Em palavras simples
O código CID Q87 é usado quando um bebê ou criança nasce com um conjunto de malformações que afetam mais de um órgão ou região do corpo e os profissionais reconhecem um padrão sindrômico, mas não há um único diagnóstico específico descrito pelo CID. Em outras palavras, não é uma doença isolada, e sim uma forma de dizer que há várias alterações congênitas combinadas que fazem parte de uma síndrome.
Você pode ter percebido alterações visíveis no rosto, mãos ou pés, problemas para pegar o leite, respiração difícil, ou já ter recebido o diagnóstico de algum defeito do coração ou dos rins. É comum que as queixas iniciais envolvam dificuldades de alimentação, cansaço ao mamar, ganho de peso insuficiente ou sinais de problema cardíaco como cianose. O que vem junto depende muito das estruturas afetadas pela síndrome.
Sobre gravidade e contágio: síndromes congênitas não são contagiosas. A gravidade varia muito: algumas síndromes causam problemas leves e acompanhamento, outras exigem cirurgias ou cuidados hospitalares. O tempo de recuperação ou tratamento não é padronizado e depende das malformações específicas e do que for tratado ou corrigido.
No caminho diagnóstico é comum que a criança passe por exames de imagem (ecocardiograma, ultrassom dos órgãos), avaliações por pediatria, cirurgia pediátrica, genética e fisioterapia. Pode haver indicação de exames genéticos para tentar identificar a causa, mas nem sempre esses exames estão disponíveis ou classificam a síndrome por nome. O acompanhamento costuma ser multidisciplinar.
Em casa, observe se há dificuldade acentuada para respirar, episódios de cianose (boca ou dedos roxos), recusa persistente de mamada ou alimentação, febre alta, vômitos que impedem manter líquidos ou sinais de desidratação; nesses casos procure atendimento urgente. Para acompanhamento rotineiro, mantenha consultas com a equipe que coordena o caso e leve toda a documentação de exames e laudos para cada retorno.
Receber o código Q87 não responde todas as perguntas sobre causa e prognóstico, mas indica que a criança precisa de investigação e acompanhamento. Pergunte à equipe quais exames estão pendentes, quais especialistas vão acompanhar e quais sinais exigem retorno imediato; essa comunicação ajuda a priorizar cuidados e a planejar intervenções quando necessárias.
O que este código significa?
O CID Q87 designa grupos de síndromes congênitas em que o recém‑nascido apresenta malformações que acometem vários sistemas (por exemplo, face, membros, órgãos internos) ao mesmo tempo. É um código guarda‑chuva usado quando há um padrão sindrômico com múltiplas anomalias e nenhuma entidade única e bem codificada se aplica. Não inclui malformações isoladas de um único sistema, nem anomalias explicadas claramente por uma anomalia cromossômica já classificada em outro código. Aplica‑se tanto a síndromes já descritas quanto a apresentações sindrômicas sem diagnóstico etiológico definido.
Quando este código é usado?
Use este código quando a apresentação congênita envolver várias malformações distribuídas por mais de um sistema e não houver um código CID‑10 mais específico que descreva a síndrome causal. É utilizado para agrupar casos sindrômicos sem classificação definitiva ou quando o laudo descreve um padrão de malformações que afeta múltiplos órgãos e estruturas.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
Q90 (Síndrome de Down) — separa‑se por confirmação citogenética (cariótipo com trissomia 21) ou por fenótipo clínico muito característico; se houver diagnóstico de trissomia 21, deve usar Q90 em vez de Q87. Q87.4 (Síndrome de Mowat‑Wilson e síndromes específicas listadas em subdivisões de Q87) — quando houver diagnóstico molecular ou clínico estabelecido para uma síndrome listada em Q87.x, deve usar a subdivisão específica, não o código geral Q87. Q79 (Malformações do sistema musculoesquelético) — quando as malformações são isoladamente do esqueleto ou músculos sem outras anomalias sistêmicas, Q79 é preferível; Q87 cobre múltiplos sistemas simultaneamente.
O que é?
Q87 agrupa síndromes com malformações congênitas que envolvem mais de um sistema corporal, por exemplo combinações de alterações faciais, anomalias cardíacas, alterações de membros e malformações do trato digestivo. Essas síndromes podem ser reconhecidas ao nascimento ou na infância precoce por um padrão de defeitos que sugere uma única condição sindrômica.
Manifestações variam amplamente conforme a síndrome específica: algumas provocam alterações visíveis no rosto ou nas extremidades, outras predominam por defeitos internos como cardiopatias ou malformações geniturinárias. A gravidade e o prognóstico dependem das estruturas envolvidas e da presença de comprometimento funcional associado.
Quais sintomas aparecem?
Principais sinais incluem anomalias visíveis em múltiplos locais (ex.: face atípica combinada com deformidades de mãos/pés), cardiopatias congênitas, malformações gastrointestinais ou renais, atraso do crescimento e desenvolvimento neuromotor. Sinais que aparecem cedo são deformidades estruturais aparentes ao nascimento, dificuldade de sucção ou respiração neonatal por obstrução anatômica, e cardiopatia sintomática com cianose ou insuficiência.
Indicações de agravamento incluem insuficiência respiratória, falha de ganho de peso persistente, sinais de insuficiência cardíaca, infecções recorrentes associadas a defeitos anatômicos e progressão de disfunção orgânica. Comprometimento neurológico progressivo ou eventos metabólicos agudos também são sinais de alerta.
O que causa?
Os mecanismos variam: podem resultar de alterações genéticas (mutações em genes únicos, síndromes de microdeleção ou rearranjos), alterações cromossômicas, influências ambientais teratogênicas durante a gestação ou combinações multifatoriais. Na prática brasileira, muitos casos rotulados em Q87 acabam sendo síndromes mal definidas sem diagnóstico molecular definitivo por limitações de acesso a exames genéticos.
Em termos patogênicos, defeitos no desenvolvimento embrionário que afetam ramos múltiplos da organogênese explicam a associação de malformações em sistemas distintos. A investigação genética ou imagem apropriada às estruturas afetadas costuma esclarecer a causa quando disponível.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico que sustenta o uso de Q87 é clínico: identificação de um padrão de malformações envolvendo mais de um sistema sem outro código mais específico. A confirmação etiológica pode exigir exames de imagem (ecocardiograma, ultrassom abdominal, radiografia de membros), avaliação por genética clínica e testes laboratoriais ou genéticos quando disponíveis. O laudo que descreve a constelação de anomalias e classifica como síndrome múltipla justifica Q87 quando não houver diagnóstico sindrômico específico.
Como costuma ser tratado?
O manejo é orientado pelas malformações específicas e pode incluir acompanhamento multidisciplinar ambulatoryo e intervenções cirúrgicas, fisioterapia e suporte nutricional conforme necessidade. O objetivo do tratamento é corrigir ou compensar as anomalias com impacto funcional, prevenir complicações e acompanhar o desenvolvimento, com decisões terapêuticas individualizadas pela equipe clínica.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Não existe medicação única para Q87: fármacos são prescritos conforme as condições associadas—por exemplo, medicamentos cardíacos para insuficiência cardíaca, antibióticos para infecções secundárias, e terapias para sintomas específicos. O registro Q87 descreve a síndrome, não um regime farmacológico padronizado.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento imediato em caso de dificuldade respiratória, cianose, recusa prolongada de alimentação, vômitos persistentes ou sinais de desidratação, convulsões ou perda aguda de função. Valores de observação em casa incluem alimentação adequada, ganho de peso e níveis de atividade esperados; alterações importantes nesses pontos requerem avaliação médica.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto—duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Para a soma dos 60 dias o perito usa o CID do atestado para verificar se é a mesma doença, razão pela qual o código aparece no documento aguçando a verificação.
Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
Especificamente para Q87, o atestado costuma registrar a presença de uma síndrome com múltiplas malformações e frequentemente descreve necessidade de avaliação multidisciplinar ou intervenções cirúrgicas. Esse código frequentemente acompanha quadros de acompanhamento e registro a longo prazo, mais do que afastamentos curtos por quadro agudo isolado.
Quando Q87 representa uma condição crônica com impacto funcional relevante, o código pode justificar afastamentos sucessivos ou solicitações de perícia por parte do INSS, e a regra dos 60 dias é importante para somar períodos quando o motivo anotado é o mesmo; se o quadro for estável com acompanhamento ambulatorial, é mais comum que o atestado documente necessidade de consultas e procedimentos programados em vez de afastamentos prolongados.
Que direitos este código envolve?
O código em si não garante benefícios; decisões sobre afastamento e concessão de benefícios dependem de perícia e vínculo empregatício. Registros precisos e documentação de exames e laudos incrementam a avaliação pericial. A indicação do CID no atestado permite que períodos sucessivos pelo mesmo motivo sejam somados para fins de afastamento remunerado e perícia.
Perguntas frequentes sobre Q87
O CID Q87 significa que não há diagnóstico preciso?
Nem sempre; muitas vezes indica um padrão sindrômico descrito clinicamente que ainda não tem uma causa única confirmada, ou que não tem subdivisão mais específica no cadastro usado.
Recebi atestado com Q87, vou perder o emprego?
O CID no atestado não define automaticamente o resultado de uma relação de trabalho; afastamento e estabilidade dependem de perícia e da legislação aplicável ao vínculo empregatício.
Q87 é contagioso para irmãos ou futuras gestações?
Síndromes congênitas não são contagiosas; o risco para gestações futuras varia conforme a causa genética ou ambiental específica, que precisa ser avaliada por um geneticista.
Que exames costumam confirmar a causa quando o laudo diz Q87?
Investigações comuns incluem ecocardiograma, ultrassonografias, exames radiológicos e, quando possível, testes genéticos e citogenéticos que podem identificar síndromes específicas.
O atestado com Q87 vale para perícia do INSS?
O atestado informa o motivo clínico, mas a concessão de benefício depende de avaliação pericial do INSS; o CID ajuda a somar períodos quando for o mesmo motivo.
Quando devo procurar urgência com essa condição?
Procure ajuda imediata em casos de dificuldade respiratória, cianose, recusa prolongada de alimentação, vômitos incapacitantes, convulsões ou sinais de insuficiência orgânica.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco Q80-Q89
- OMS — ICD-10, versão 2019 (Q87)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.