R11 — Náusea e vômitos
- Náusea
- Vômito
- Náuseas e vômitos
CID R11 designa a presença de náusea e/ou vômitos como sintomas principais, sem que exista um diagnóstico definitivo ou específico que explique o quadro. Aplica‑se tanto a episódios agudos quanto a episódios recorrentes quando o registro clínico não atribui causa específica. Não inclui situações em que há diagnóstico primário conhecido (por exemplo, gastroenterite A09, gravidez O) ou intoxicação declarada; nesses casos deve-se codificar a causa. Pode acompanhar muitos problemas clínicos — digestivos, metabólicos, neurológicos, medicamentosos ou psiquiátricos — e costuma ser usada por quem documenta o sintoma inicial para investigação, perícia ou faturamento.
Quando usar este código
Use este código quando náusea e/ou vômitos sejam a queixa principal registrada e não houver diagnóstico definitivo que explique o sintoma no momento do atendimento. Não utilizar se houver causa já estabelecida (por exemplo, diagnóstico de gastroenterite, enxaqueca com vómito, gravidez, intoxicação) ou quando o quadro estiver detalhado em outro código mais específico.
Não confunda com
R10 (Dor abdominal e pélvica): quando a dor abdominal é o sintoma dominante e a náusea/vômito são acompanhantes, o código apropriado é R10. Se o registro clínico descreve principalmente dor abdominal com efeitos secundários, documente R10 com menção dos sintomas acompanhantes; use R11 apenas quando náusea/vômito forem a queixa principal sem diagnóstico causal definido.
R12 (Pirose): a pirose (queimação retroesternal ou regurgitação ácida) é um sintoma distinto. Se o paciente relata ardor retroesternal ou regurgitação predominante, mesmo com náusea ocasional, o registro deve refletir R12; R11 só se aplica quando náusea/vômito são os sintomas centrais e não há descrição de pirose como queixa principal.
R13 (Disfagia): dificuldade para engolir é diferente de náusea e vômitos. Quando o problema principal é de deglutição — sensação de alimento preso, engasgamento ou alteração do trânsito esofágico — codifica‑se R13; use R11 apenas se a queixa principal for náusea/vômito e não houver evidência de disfagia.
O que é
Náusea é a sensação desagradável e subjetiva de necessidade de vomitar; vômito é a expulsão forçada do conteúdo gástrico pela boca. São sinais e sintomas, não doenças em si, e podem surgir isolados ou em conjunto, de início súbito ou gradual, e com intensidade variável desde leve desconforto até episódios repetidos que comprometem o estado geral.
Frequentemente aparecem em contexto de infecções gastrointestinais, reações medicamentosas, gravidez, distúrbios metabólicos (como hipoglicemia), enxaqueca ou doenças do ouvido interno. Distinguem‑se de quadros gastroesofágicos (pirose), dor abdominal predominante ou disfagia por meio da história clínica dirigida e do exame, que devem identificar o sintoma principal, caráter, desencadeantes e sinais associados.
Sintomas
- Náusea: sensação subjetiva de mal‑estar epigástrico e necessidade de vomitar; costuma surgir cedo.
- Vômito: expulsão ativa do conteúdo gástrico, pode ser isolado ou repetido; sua persistência sugere agravamento ou desidratação.
- Hiporexia/recusa alimentar: comum em episódios moderados a graves.
- Dor abdominal ou desconforto: pode acompanhar e orientar a causa quando é predominante.
- Taquicardia, tontura e sinais de desidratação (boca seca, diminuição do débito urinário): indicam evolução para quadro mais grave.
Causas
Mecanismos incluem estimulação do centro do vômito no tronco encefálico por sinais aferentes vagais, vestibulares e químicos; irritação ou inflamação do trato gastrintestinal; desequilíbrios metabólicos e reações a fármacos ou toxinas. No Brasil, causas frequentes na prática são gastroenterites agudas (virais ou bacterianas), efeitos colaterais de medicamentos (incluindo antineoplásicos e analgésicos), gravidez (início no primeiro trimestre), vertigem vestibular e enxaqueca.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de R11 é clínico, baseado na história e no exame quando náusea/vômito são a queixa principal e não há causa estabelecida. Para justificar o uso de R11 em prontuário ou laudo, o profissional precisa registrar a natureza do sintoma (náusea, vômito ou ambos), início, frequência, eventos desencadeantes, sinais associados e os principais diagnósticos considerados e investigados. Se um exame ou achado confirma causa específica (por exemplo, PCR para infecção, b-hCG positivo, imagem com lesão), deve‑se codificar a condição causal em vez de R11.
Como costuma ser tratado
O tratamento inicial descrito no registro costuma ser sintomático e depende da gravidade: medidas de suporte e correção de distúrbios hidroeletrolíticos em casos de vômito persistente, investigação da causa e suspensão de agentes suspeitos. Em muitos casos o manejo é ambulatorial e de curta duração; quadros com sinais de alarme ou desidratação podem requerer atendimento hospitalar. A documentação deve refletir que o enfoque inicial foi alívio sintomático enquanto se prosseguia investigação etiológica.
Quando procurar ajuda
Procura por avaliação médica é indicada quando náusea ou vômito são persistentes, intensos, acompanhados de sinais de desidratação, sangue no vômito, dor abdominal intensa, febre alta, sinais neurológicos (confusão, desmaio), ou quando ocorrem em gestantes com incapacidade de manter alimentação. Esses sinais sugerem necessidade de avaliação urgente e possível investigação e tratamento hospitalar.
Uso em atestado
Para fins de atestado, R11 documenta sintoma presente e pode justificar afastamento temporário quando a intensidade do quadro incapacita o trabalho; o conteúdo do atestado deve descrever a queixa principal e a duração estimada do impedimento conforme avaliação clínica. Em perícia, a codificação de sintoma não substitui diagnóstico etiológico; se houver causa definida posteriormente, o laudo e a codificação devem ser atualizados.
Direitos e benefícios
R11 é um código de sintoma e, isoladamente, não garante enquadramento automático para benefícios específicos que exigem diagnóstico comprovado; direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação clínica, documentação e do cumprimento de critérios legais vigentes para afastamento, auxílio‑doença ou perícias. A presença de R11 em prontuário contribui como registro de queixas, mas decisões administrativas seguem normas e avaliação pericial.
Perguntas frequentes sobre R11
Recebi o código CID R11 no meu atestado. O que isso significa?
Significa que o prontuário registrou náusea e/ou vômitos como queixa principal sem um diagnóstico definitivo no momento. É uma descrição do sintoma e pode levar a investigações para encontrar a causa subjacente.
Quanto tempo esse código costuma justificar afastamento do trabalho?
O código documenta o sintoma, e a duração do afastamento depende da gravidade e da capacidade de realização das atividades; o médico deve registrar o impacto funcional e estimativa de tempo com base na avaliação clínica.
Náusea e vômitos são contagiosos para outras pessoas?
O sintoma em si não é transmissível; entretanto, quando a causa é uma infecção digestiva (gastroenterite viral ou bacteriana), a doença causadora pode ser contagiosa. A determinação do risco exige identificar a causa por meio de investigação clínica laboratorial.
Que exames são comuns para investigar náusea e vômitos?
Exames iniciais frequentes incluem hemograma e eletrólitos para avaliar desidratação e distúrbios metabólicos, glicemia e exame de urina; em mulheres em idade fértil costuma‑se checar beta‑hCG. Exames de imagem e avaliações especializadas são solicitados conforme a suspeita clínica.
Qual a diferença entre CID R11 e gastroenterite (A09)?
R11 descreve o sintoma (náusea/vômito) sem diagnóstico definido; A09 é um diagnóstico etiológico que indica gastroenterite aguda. Se houver evidência clínica ou laboratorial de gastroenterite, deve‑se codificar A09 em vez de R11.
Náusea e vômitos na gravidez são codificados como R11?
Quando há confirmação de gravidez e os sintomas são atribuídos à gestação, o código apropriado deve refletir a condição obstétrica (por exemplo, códigos do capítulo O); R11 é usado apenas se não houver identificação da gravidez ou outra causa definida.