R15 — Incontinência fecal

  • incontinência de fezes
  • soiling (termo descritivo)
  • encoprese (uso pediátrico dependente do critério)

CID R15 designa a incontinência fecal — a eliminação involuntária de fezes. O código cobre episódios isolados ou padrão recorrente quando a apresentação principal é o sintoma de perda do controle anal. Não inclui situações em que o quadro é explicado por doença específica codificada em outro lugar (lesão medular, tumor anal ou doença inflamatória intestinal ativa quando estes são o foco do registro).

R15 é um sintoma do capítulo R e serve para registrar a manifestação clínica: quando usada, documenta o relato do paciente e sinais objetivos de perda de fezes. O código não prescreve conduta; descreve o que foi observado e reportado.


Quando usar este código

Use R15 quando o motivo principal da consulta ou registro for eliminação involuntária de fezes — episódios ocasionais ou persistentes — sem que uma condição primária de outro capítulo seja registrada como diagnóstico principal. Não use R15 se a incontinência estiver claramente atribuída e registrada sob um diagnóstico específico (por exemplo lesão do plexo sacral, tumor anal, doença neurológica com código próprio).

Não confunda com

F98.1 — Encoprese: F98.1 refere-se a episódios de evacuação involuntária por transtorno do comportamento em crianças, com critérios comportamentais e de idade; use F98.1 quando houver avaliação psiquiátrica/psicológica que suporte a classificação como transtorno do desenvolvimento/conduta, e R15 quando o registro for o sintoma isolado sem enquadramento como transtorno mental.

K59.0 — Constipação: K59.0 descreve prisão de ventre crônica e suas manifestações; a presença de evaculação involuntária por transbordamento fecal exige avaliação para constipação fecal crônica, mas registre R15 quando o fenômeno principal for a perda de fezes documentada e não houver registro principal de constipação crônica sob K59.0.

K62.5 — Impactação fecal (fecaloma): K62.5 codifica obstrução local por massa fecal; se a incontinência for secundária a impactação com diagnóstico confirmado, registre K62.5 como diagnóstico primário e R15 como sintoma adicional; mantenha R15 isolado quando não houver confirmação de impactação.

O que é

Incontinência fecal é a perda involuntária de fezes que varia desde pequenos episódios de umidade anal (“soiling”) até evacuações completas sem controle. Manifesta-se como deposição involuntária, manchas na roupa íntima, urgência evacuativa perdida e às vezes cheiro residual; pode ser intermitente ou persistente.

O sintoma pode ocorrer em qualquer idade, mas padrões e causas diferem entre crianças, adultos e idosos. Em pediatria é necessário distinguir entre problemas comportamentais, retenção fecal e causas orgânicas; em adultos e idosos prevalecem causas neurológicas, obstétricas, iatrogênicas ou relacionadas a evacuação por esforço.

Sintomas

Os sinais principais são eliminação involuntária de fezes, manchas fecais na roupa íntima e relato de perda de controle anal. Sintomas precoces incluem episódios isolados de umidade anal e urgência defecatória mal controlada; agravamento se manifesta por episódios frequentes, incapacidade de perceber a necessidade de evacuar, coexistência de diarreia persistente ou odor fétido que preocupa o paciente.

Sintomas associados que sugerem complicação incluem dor anal, sangramento, febre ou retenção fecal com distensão abdominal — estes últimos indicam que a causa pode ser impactação fecal ou obstrução subjacente.

Causas

Mecanismos incluem fraqueza ou lesão do aparelho esfinteriano ou do assoalho pélvico, dano neurológico que compromete sensibilidade ou inervação anorretal, retenção fecal com transbordamento e diarreia líquida que escapa pelo esfíncter. No Brasil, causas comuns observadas na prática são sequelas obstétricas (lesões do assoalho pélvico após parto vaginal difícil), disfunção anorretal pós-cirúrgica, neuropatias como diabetes avançada e sequelas de trauma raquimedular.

Outras causas incluem diarreia crônica por doenças colônicas, efeitos colaterais de medicamentos que aumentam motilidade, doença inflamatória intestinal ativa quando presente, e envelhecimento com perda de tonicidade muscular. Identificar mecanismo provável orienta investigação e codificação adicional quando houver diagnóstico causal.

Como é diagnosticado

O diagnóstico que justifica R15 apoia-se em história clínica detalhada e exame físico demonstrando evacuação involuntária ou sinais de perda fecal. Anotações que documentem frequência, circunstâncias (urgência, sono, atividade), consistência das fezes e presença de fatores associados sustentam o uso do código.

Quando disponível, achados como inspeção perianal de fezes na roupa ou na mucosa, relato de incapacidade de segurar fezes e testes funcionais (manometria, exame endoscópico ou imagem) podem esclarecer causa, mas não são sempre necessários para registrar R15 como sintoma principal. Se for identificada uma condição primária responsável, registre o código dessa condição juntamente com ou em lugar de R15 conforme regra local.

Como costuma ser tratado

O manejo documentado junto ao código R15 descreve intervenções que variam conforme a causa: medidas conservadoras para controle de consistência fecal e treinamento do assoalho pélvico, abordagens para retenção fecal e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos para correção de lesões anatômicas. O registro deve indicar se o caso foi tratado de forma ambulatorial, por reabilitação ou se houve indicação de cirurgia.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação médica quando episódios de perda fecal forem novos, aumentarem em frequência, estiverem associados a dor anal, sangramento, febre, retenção fecal com distensão abdominal ou quando houver impacto social e limitação nas atividades. Em idosos, aparecimento súbito de incontinência pode indicar evento neurológico ou complicação que exige investigação urgente.

Uso em atestado

Registre R15 no campo de diagnóstico quando incontinência fecal for a queixa principal; descreva duração, frequência e impacto funcional no laudo ou atestado. Para fins de perícia, detalhe exames realizados, resposta a intervenções e se a incontinência é temporária, permanente ou progressiva.

Perguntas frequentes sobre R15

O que significa receber o código CID R15 no meu prontuário?

CID R15 indica que foi registrado o sintoma "incontinência fecal", ou seja perda involuntária de fezes. É um registro do que ocorreu, não um laudo sobre causa ou prognóstico, que devem constar no restante do prontuário.

O CID R15 implica direito automático a afastamento do trabalho?

Não; o código documenta o sintoma. Direitos como afastamento dependem de laudos médicos que mostrem incapacidade funcional e de decisões de perícia ou do empregador/operadora.

Quando R15 deve ser complementado por outro CID?

Se houver diagnóstico causal claro (lesão neurológica, doença intestinal ativa, impactação fecal), deve-se registrar também o código correspondente ao diagnóstico principal que explica a incontinência.

Que exames costumam ser solicitados quando tenho R15 no histórico?

Exames variam conforme suspeita: inspeção, toque retal, estudos de trânsito e manometria anorretal, colonoscopia ou imagem podem ser solicitados para identificar a causa e orientar tratamento.

A incontinência fecal é contagiosa?

Não; R15 descreve perda fecal e não se refere a infecção transmissível. Se houver diarreia infecciosa, a causa infecto-contagiosa será codificada separadamente.

Posso pedir ao médico que troque R15 por outro código se for identificado o motivo?

Sim; se for confirmado um diagnóstico causal com código específico, o registro principal deve refletir essa condição e R15 pode figurar como sintoma associado.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há documentação de episódios, frequência e circunstâncias que justificam R15 como diagnóstico principal?
  • Há sinais de retenção fecal, lesão esfinteriana ou neuropatia que exigem codificação adicional?
  • Existe investigação funcional (manometria, trânsito) ou imagem que alteraria o código principal?
  • Os episódios são secundários a cirurgia, parto ou doença neurológica com código específico?
  • Houve resposta a medidas conservadoras que modifique o registro de gravidade?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • O laudo descreve claramente frequência e limitação funcional suficientes para perícia e possível afastamento?
  • Existe evidência documental de relação temporal entre evento (parto, cirurgia, trauma) e início da incontinência fecal?
  • A documentação médica detalha tratamentos realizados e prognóstico para subsidiar pedido administrativo ou judicial?
  • Quais códigos foram usados em laudos anteriores e há variação que afete avaliação de incapacidade?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento ou tratamento proposto para incontinência fecal exige autorização prévia quando o CID informado é R15?
  • A operadora costuma exigir diagnóstico etiológico (código de base) além de R15 para autorizar exames complementares?
  • Quais documentos e relatórios clínicos o plano solicita para análise de cobertura de reabilitação do assoalho pélvico?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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