R31 — Hematúria não especificada
- sangue na urina
- hematúria isolada
- hematúria inexplicada
O que este código significa?
O CID R31 designa a presença de sangue na urina sem especificação de causa ou local gerador. Pode ser notado como urina cor de vinho, rosada ou detectado por exame de urina (urina tipo I) quando não há diagnóstico conclusivo para hemorragia do trato urinário. Não inclui quadros em que a causa já está identificada e alocada em outro código (por exemplo, infecção urinária com código específico ou neoplasia). Este código é utilizado quando a investigação inicial já feita não permitiu classificar a origem da perda sanguínea.
R31 pode corresponder a um evento agudo que se resolve sozinho, a um sinal de doença subjacente que ainda está sem diagnóstico ou a uma observação laboratorial sem repercussão clínica óbvia. A finalidade do registro é documentar a hematúria como sintoma/sinal, orientar investigação adicional e diferenciar de códigos que descrevem incontinência, dor miccional ou causas específicas.
Quando este código é usado?
Use R31 quando há presença de sangue na urina confirmada por observação visual ou por exame laboratorial e não foi possível atribuir a hematuria a uma causa específica documentada em outro código. Aplica-se tanto a episódios únicos quanto a episódios iniciais de quadro recorrente enquanto perdura a incerteza diagnóstica. Não se usa quando a hematuria é claramente explicada por traumatismo, procedimento cirúrgico recente, diagnóstico urológico estabelecido ou doença sistêmica já codificada.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
R31 versus R32: R32 difere porque classifica perda involuntária de urina, não a presença de sangue. Se o problema dominante for perda involuntária sem sangramento, use R32; se houver sangue na urina sem caracterização da incontinência, R31 é o correto. R31 versus R30: R30 refere-se a dor associada à micção. Quando o sinal principal é dor miccional sem sangramento objetivo, R30 é apropriado; se o achado predominante for hematúria sem causa identificada, emprega-se R31. R31 versus N02: N02 (hematúria recorrente e persistente) exige história de episódios repetidos e documentação de persistência; R31 é apropriado quando o episódio é único ou quando não há ainda confirmação de recidiva ou persistência que permita migrar para N02. R31 versus N39.0 (infecção do trato urinário): se houver evidência clínica e laboratorial clara de infecção do trato urinário como causa do sangramento, a codificação deve privilegiar o código de infecção; R31 permanece quando a infecção não está comprovada como causa da hematuria.
O que é?
R31 é um código de sintoma/sinal do capítulo de doenças do aparelho urinário que registra hematúria não especificada — isto é, a presença de sangue na urina sem determinação da origem ou causa durante a avaliação inicial. A hematúria pode ser visível a olho nu (macroscópica) ou identificada em exame de urina (microscópica); em ambos os casos, quando a investigação não esclarece a etiologia, usa-se R31 para documentar o achado.
Manifestação típica inclui urina cor de chá, rosada ou avermelhada, ou resultado laboratorial positivo para hemácias. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo que causas e suspeitas diagnósticas variam com idade, sexo e contexto clínico — por exemplo, litíase renal, infecção, trauma, doenças glomerulares ou neoplasias. O código pertence à categoria de sinais e sintomas, não a um diagnóstico definitivo.
Quais sintomas aparecem?
O sintoma mais evidente é mudança na cor da urina — urina mais escura, rosada ou avermelhada — quando a perda sanguínea é macroscópica. Hematúria microscópica costuma ser assintomática e detectada em exame laboratorial de rotina. Sintomas acompanhantes que podem aparecer são dor lombar ou cólica (quando a causa é litíase), disúria e urgência miccional (quando há infecção), ou sinais sistêmicos como febre e mal-estar se houver infecção significativa ou doença sistêmica associada. Sinais de agravamento que justificam maior urgência incluem sangramento abundante visível com coágulos, queda da pressão ou sintomas de anemia (tontura, palidez), e febre alta sugestiva de infecção severa.
O que causa?
Mecanismos básicos incluem lesão ou inflamação no trato urinário que compromete vasos e permite extravasamento de sangue para a via urinária, glomerulopatias que alteram a barreira de filtração renal, e distúrbios de coagulação que facilitam sangramentos. No contexto prático brasileiro, as causas mais frequentemente investigadas inicialmente são cálculos renais e infecções do trato urinário; outras causas relevantes incluem trauma, doenças glomerulares, tumores urológicos e efeitos de medicação ou procedimentos.
Em muitos casos de R31 a investigação inicial não identifica imediatamente a origem, seja por cessar espontâneo do sangramento, seja por necessidade de exames complementares para localizar a fonte. A distinção entre hematuria glomerular (frequentemente microscópica, com relação a sedimentos e sinais renais) e não glomerular (mais frequentemente macroscópica, possivelmente com coágulos) orienta a investigação subsequente.
Como o médico confirma o diagnóstico?
A confirmação que sustenta o uso de R31 é a documentação da presença de sangue na urina, por observação macroscópica ou por exame microscópico/urina tipo I com detecção de hemácias. Este código permanece quando, após a anamnese, exame físico e exames iniciais, não é possível atribuir a hematúria a um diagnóstico específico classificado em outro código. A investigação costuma incluir avaliação de sedimento urinário, teste de urina, história de trauma, medicamentos e cirurgia recente, além de exames de imagem ou encaminhamentos que possam ser necessários para elucidar a origem.
Critérios que alteram o código incluem a identificação posterior de infecção, litíase, neoplasia ou doença glomerular, que exigem recodificação para a condição específica quando confirmadas. Para fins de codificação, a documentação clínica precisa indicar claramente que a causa permanece sem especificação no momento do registro.
Como costuma ser tratado?
O registro R31 descreve um sinal mais que um plano terapêutico fechado; o manejo depende da causa apurada. Em muitos episódios a conduta inicial é observação e investigação diagnóstica, intercalada com medidas sintomáticas conforme necessário. Se for identificada infecção, cálculo ureteral, doença glomerular ou outra causa específica, o tratamento é dirigido a essa condição e o código deve ser atualizado para refletir o diagnóstico definitivo. Em situações de hemorragia ativa e volumosa, a abordagem inclui estabilização e medidas para controlar o sangramento, sempre com investigação da origem.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes de medicamentos que podem aparecer no contexto da hematúria incluem antimicrobianos quando há infecção confirmada, analgésicos para dor associada a litíase, agentes que corrigem distúrbios da coagulação quando indicados e terapias específicas para doenças glomerulares sob orientação especializada. A presença de anticoagulantes no histórico do paciente é relevante como fator causal e pode alterar a investigação e a conduta, pois seu uso pode facilitar ou explicar hematúria.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação médica imediata se houver sangramento urinário volumoso com coágulos, sinais de instabilidade (tontura, desmaio, palidez) ou febre alta associada à hematúria. Também é indicado procurar atendimento se a hematúria surgir após trauma, se houver sudorese intensa ou se houver sintomas sugestivos de perda de função renal (diminuição do volume urinário, retenção urinária). Para episódios sem sinais de alarme, agendamento de avaliação clínica e exames iniciais é o caminho para definir investigação e seguimento.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A soma de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para o cálculo desses 15 dias; para essa contagem o CID declarado no atestado é a referência prática usada pelo perito para identificar se os afastamentos são pelo mesmo motivo.
Para que um atestado seja aceito deve constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. O CID só entra no atestado com anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, e sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada para fins de transição de responsabilidade do pagamento.
Quanto a R31 em particular, este código frequentemente descreve um quadro agudo ou um achado investigativo que pode resolver espontaneamente ou exigir investigação ambulatorial; não costuma, por si só, caracterizar incapacidade laboral prolongada, embora em alguns casos de hematúria volumosa ou quando revelar doença subjacente importante possa motivar afastamento. Quando a hematúria é episódica e tende a recorrer sem diagnóstico definitivo, a regra dos 60 dias é relevante porque permite agrupar vários atestados pelo mesmo CID e, assim, afetar a contagem dos primeiros 15 dias pagos pelo empregador antes da perícia do INSS.
Que direitos este código envolve?
O empregado que recebe atestado médico deve entregar o documento ao empregador; dependendo da duração, o pagamento do salário é inicialmente responsabilidade do empregador e depois pode ser assumido pelo INSS mediante perícia. A inclusão do CID no atestado é facultativa para o paciente, mas sua ausência impede a soma automática de atestados pelo mesmo motivo para fins de contagem dos períodos de afastamento. Direitos específicos relacionados a estabilidade, auxílio-doença e outros benefícios dependem de avaliação pericial e das regras do contrato de trabalho e da previdência.
Perguntas frequentes sobre R31
O que significa receber o CID R31 no atestado?
Significa que foi documentada presença de sangue na urina sem causa definida no momento; é um registro do sinal/sintoma enquanto se investiga a origem.
O CID R31 implica sempre necessidade de exames adicionais?
Nem sempre, mas frequentemente motiva investigação para excluir causas tratáveis ou graves; o tipo e a urgência dos exames dependem dos sintomas associados e do contexto clínico.
Posso transmitir hematúria para outras pessoas?
Hematúria é um sinal, não uma doença transmissível por si; a transmissão só seria relevante se houver doença infecciosa subjacente comprovada.
O atestado com CID R31 conta para o período pago pelo empregador e depois pelo INSS?
A contagem obedece às regras legais: atestados pelo mesmo motivo declarados com CID podem ser somados dentro do período de 60 dias para efeito dessa transição; a decisão final depende de perícia quando aplicável.
Quando a hematuria exige atendimento de emergência?
Procure atendimento se houver sangramento profuso com coágulos, sinais de instabilidade hemodinâmica, febre alta ou sintomas de insuficiência renal; nesses casos é necessária avaliação imediata.
O que diferencia R31 de um diagnóstico renal definitivo?
R31 é usado quando a investigação inicial não permitiu confirmar uma causa específica; se exames revelarem infecção, litíase, neoplasia ou glomerulopatia, o código deve ser alterado para o diagnóstico apropriado.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há relato de trauma ou procedimento urológico recente que pudesse explicar a hematuria?
- O sangramento foi macroscópico ou apenas detectado em exame de urina microscópico?
- Existem sinais ou exames que sugiram origem glomerular, como hematúria com cilindros eritrocitários ou proteinúria?
- O paciente faz uso de anticoagulantes ou antiagregantes que possam justificar a perda sanguínea?
- Houve episódios anteriores de hematúria e, em caso afirmativo, quando e como foram investigados?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Com este atestado contendo CID R31, o período de afastamento entregue ao empregador pode ser somado a atestados anteriores para efeito de pagamento pelo empregador ou INSS?
- A ausência do CID no atestado afeta a verificação pericial de continuidade do mesmo motivo de afastamento?
- Em perícia, como é considerada a transição entre pagamento pelo empregador e pelo INSS quando o CID declarado é um sintoma não especificado como R31?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano de saúde exige autorização prévia para exames de imagem usados para investigar hematúria não especificada?
- A operadora costuma reconhecer a investigação inicial de hematúria com código R31 para cobertura de exames diagnósticos?
- Se a hematúria evoluir para diagnóstico específico, a troca de código impacta autorizações previamente solicitadas ao plano?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco R30-R39
- OMS — ICD-10, versão 2019 (R31)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.