R34 — Anúria e oligúria

  • redução do débito urinário
  • oligúria
  • anúria
  • hipoatividade renal urinária

O que este código significa?

O CID R34 designa anúria e oligúria, termos usados para redução (oligúria) ou ausência (anúria) da produção de urina. Aparece como sinal em contexto agudo ou crônico, frequentemente identificado em ambiente hospitalar, emergência ou na avaliação de função renal. Não descreve a causa específica — doenças renais, obstrução urinária, hipovolemia e intoxicações são exemplos de condições que podem produzir esse sinal. Não inclui incontinência ou sintomas miccionais sem alteração do débito urinário. O código é usado quando o achado de baixa produção urinária é o foco do registro e não uma doença única definida.


Quando este código é usado?

Registra-se R34 quando o principal achado clínico é redução marcada ou ausência de produção urinária documentada, independentemente da causa final. Use este código para indicar o sintoma/signo (oligúria/anúria) quando for o motivo da consulta, internação ou registro, enquanto investigações ou diagnósticos específicos (ex.: N17 insuficiência renal aguda) não tenham sido estabelecidos ou classificados.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

R34 versus N17: N17 (Insuficiência renal aguda) requer evidência laboratorial de declínio abrupto da função renal (creatinina sérica elevada, alteração do balanço de líquidos) e critérios temporais; R34 descreve apenas o sinal de débito urinário reduzido sem classificar a lesão renal aguda.

R34 versus N18: N18 (Doença renal crônica) pressupõe redução persistente da TFG por meses ou marcadores estruturais crônicos; se a oligúria/anúria for um episódio agudo ou não houver confirmação de cronicidade, registrar R34 em vez de N18.

R34 versus R32: R32 refere-se perda involuntária de urina; o critério que separa é funcionamento de produção/eliminação: R34 descreve diminuição/ausência de volume, R32 descreve perda involuntária apesar de produção.

O que é?

O termo anúria refere-se à ausência ou produção extremamente baixa de urina; oligúria, à produção marcada e persistentemente reduzida. Ambos são sinais clínicos medidos pelo volume urinário observado em determinado período (ex.: horas) e documentados no prontuário ou nas anotações de enfermagem. Aparecem como indicadores de alteração no balanço hídrico, na função renal ou na passagem da urina pelo trato urinário.

Na prática, a oligúria pode surgir antes de alterações laboratoriais extensas e é um sinal de alarme em diversas situações: choque, desidratação grave, obstrução do trato urinário, uso de medicamentos nefrotóxicos e insuficiência renal aguda. Anúria costuma indicar obstrução completa, falência renal severa ou ausência de reposição hídrica em contexto específico.

Quais sintomas aparecem?

O principal sinal é redução do volume urinário mensurável: diminuição progressiva das micções ou anúria documentada por cateter vesical. Sintomas associados de início precoce incluem sede, oligúria com retenção de líquidos (edema) e diminuição do débito horário. Sinais que indicam agravamento incluem oligúria que não responde à reposição volêmica, oligúria acompanhada de confusão, queda da pressão arterial, anúria persistente por horas e sinais laboratoriais de piora da função renal (creatinina em aumento). Sintomas urinários locais (dor à micção) não são característicos de R34, exceto quando coexistem com a redução do débito.

O que causa?

Mecanismos incluem redução da perfusão renal (hipovolemia, choque cardiogênico ou séptico), dano renal intrínseco (lesão tubular aguda por isquemia ou nefrotoxinas), obstrução pós‑renal completa (cálculo, próstata aumentada, cateter obstruído) e causas endócrinas/metabólicas que alteram a diurese. Na prática brasileira, as causas mais frequentes vistas em hospitais são pré‑renais (hipovolemia por perda sanguínea ou desidratação), obstrução por hiperplasia prostática em idosos e lesão tubular aguda associada a sepse ou medicamentos.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O código R34 sustenta‑se na documentação do débito urinário reduzido ou ausente por medição direta (registro de volume em cateter vesical, diurese horária ou anotações de enfermagem). A confirmação do mecanismo ou diagnóstico final exige exames complementares, mas para R34 o critério é o achado do baixo débito documentado. É importante diferenciar redução transitória de oligoanúria persistente; anotações temporais e resposta a intervenções (reposição volêmica, desobstrução) ajudam a definir o registro.

Como costuma ser tratado?

Tratamento descrito nesta página refere‑se ao manejo do sinal: identificar e corrigir causa reversível, reposição volêmica quando indicada, alívio de obstrução urinária (cateterização vesical ou procedimentos urológicos) e revisão/remoção de medicamentos potencialmente nefrotóxicos. O manejo pode ser ambulatorial em oligúrias leves ou hospitalar em oligúrias/anúrias persistentes; a duração e a especialidade envolvida dependem da etiologia.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes medicamentosas relevantes mencionadas nos registros incluem fluidos endovenosos para correção de volemia, diuréticos em contextos selecionados (uso criterioso), medicamentos vasoativos quando a perfusão renal for comprometida por choque e agentes antagonistas ou reversores quando fármacos nefrotóxicos estiverem envolvidos. Uso de antimicrobianos é dirigido por infecção concomitante, não por R34 em si.

Quando procurar um médico?

Procurar emergência ou avaliação imediata se houver significativa redução da produção urinária documentada, anúria persistente, presença de confusão, falta de ar por retenção de líquidos, tontura ou pressão baixa. Buscar atendimento com urgência também se houver dor lombar intensa com diminuição do débito, sinais de infecção sistêmica ou se a redução urinária seguir início de novo medicamento potencialmente nefrotóxico.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

O pagamento do salário nos primeiros 15 dias de afastamento é responsabilidade do empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3). A partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A lei também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de um intervalo de 60 dias são considerados em conjunto para contabilizar esses 15 dias.

A regra dos 60 dias é operacionalizada pelo CID constante no atestado: é o código que o perito usa para verificar se a doença ou motivo é o mesmo, razão prática pela qual o CID aparece no documento e motivo pelo qual a soma dos períodos pode ser feita — informação que pouco circula entre trabalhadores.

Para que um atestado seja aceito precisam constar identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador —, mas sem o código a verificação da soma no prazo de 60 dias não pode ser feita pelo perito.

No caso de R34 (anúria e oligúria) o quadro pode aparecer como sinal agudo que exige avaliação e manejo hospitalar ou como expressão de doença renal crônica ou obstrutiva já conhecida; por isso o código registra um achado (redução ou ausência do débito urinário) mais do que uma doença única. R34 pode ou não implicar incapacidade laboral dependendo da causa, da gravidade e do tratamento exigido, e muitas vezes é usado para registro e acompanhamento em ambiente hospitalar ou de emergência. Quando episódios relacionados a R34 se repetem, a regra dos 60 dias tem particular importância, pois atestados sucessivos pelo mesmo CID podem ser somados para efeito do período pago pelo empregador antes da análise do INSS.

Perguntas frequentes sobre R34

O que significa receber o código CID R34 no relatório?

Significa que foi registrado um sinal de redução importante (oligúria) ou ausência (anúria) da produção de urina; é uma descrição do que foi observado, não um diagnóstico definitivo.

CID R34 indica que tenho insuficiência renal permanente?

Não necessariamente; R34 descreve o sinal de baixa produção urinária. A insuficiência renal aguda ou crônica só é classificada com códigos específicos após avaliação e exames.

Quando é necessário procurar emergência ao notar pouca urina?

Procure avaliação imediata se a redução da urina for marcada, não melhorar com reposição de líquidos, ou vier acompanhada de tontura, confusão, falta de ar ou dor intensa.

O registro de R34 no atestado serve para justificar afastamento do trabalho?

O registro do sinal e a documentação de procedimentos e internação dão suporte ao atestado, mas a decisão sobre afastamento depende da avaliação clínica e pericial.

Como saber se minha redução urinária é por obstrução ou problema nos rins?

A diferenciação exige exames: ultrassonografia pode excluir obstrução pós‑renal; exames de sangue (creatinina, eletrólitos) e avaliação clínica ajudam a identificar dano renal intrínseco.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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