R57 — Choque não classificado em outra parte
O que este código significa?
O CID R57 designa um quadro de choque não classificado em outra parte, usado quando há evidências de hipoperfusão ou falência circulatória mas não foi possível atribuir o choque a uma causa específica nas categorias existentes. Aparece em relatos, prontuários e autorizações quando os sinais hemodinâmicos e clínicos de choque estão presentes, mas não há confirmação de origem (séptica, cardiogênica, hipovolêmica, anafilática, traumática etc.). Não inclui choques já classificados por códigos etiológicos concretos (por exemplo choque séptico ou cardiogênico com causa identificada). O uso deste código normalmente reflete um quadro agudo que motivou atendimento emergencial e investigação; pode ser temporário, substituído por um código etiológico assim que a causa for comprovada. Não descreve uma condição crônica: é um rótulo para o estado circulatório no momento da avaliação quando a classificação específica não coube.
Quando este código é usado?
O código deve ser usado quando o profissional registra presença de choque — sinais de perfusão inadequada e instabilidade hemodinâmica — mas não há dados suficientes para classificá-lo em um código etiológico específico ou quando a documentação não informa a causa. Situações típicas incluem atendimento inicial em emergência com pressão arterial baixa, extremidades frias, confusão ou anúria sem diagnóstico final, ou quando a causa suspeita ainda não foi confirmada por exames ou evolução clínica. Quando investigações posteriores identificarem causa clara (por exemplo infecção sistêmica, infarcto agudo do miocárdio, hemorragia grave), o código deve ser substituído pelo código que descreve o choque por essa causa.
Pacientes de qualquer idade podem apresentar choque, mas no ambiente brasileiro é frequente em idosos frágeis, em pessoas com sepse, em vítimas de trauma e em pacientes com descompensação cardíaca. O código R57 indica o estado circulatório, não a etiologia, e é frequentemente usado inicialmente em registros hospitalares, guias de internação e autorizações enquanto se esclarece o diagnóstico.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
R55 Síncope e colapso — Sincope costuma apresentar perda transitória de consciência com recuperação espontânea; o critério que separa é a presença de sinais persistentes de hipoperfusão e instabilidade hemodinâmica compatíveis com choque, versus episódio autolimitado de síncope sem falência circulatória.
R56 Convulsões, não classificadas em outra parte — Convulsões causam perda de consciência e alterações motoras; se houver choque secundário (por exemplo por arritmia grave) o enquadramento pode ser R57, enquanto evento isolado de convulsão sem hipoperfusão permanece R56.
A41 Sepse (choque séptico) — Sepse ou choque séptico exigem evidência de infecção sistêmica e disfunção orgânica ou parâmetros laboratoriais e clínicos que sustentem sepse; quando houver confirmação ou forte documentação de sepse, usar A41 com o código apropriado, não R57.
T79.0 Traumatic shock — Choque por trauma tem história de lesão que explica hemorragia ou choque por lesão; na presença de traumatismo com evidências de choque, o código por lesão/trauma é o critério que substitui R57.
O que é?
Choque é um estado agudo de insuficiência circulatória em que a perfusão tecidual é inadequada para manter o metabolismo celular, levando a disfunção orgânica. R57 refere-se ao fenômeno clínico do choque quando a documentação não permite classificá‑lo por causa. Manifesta‑se por sinais de hipoperfusão: hipotenção relativa ou absoluta, pele fria e umedecida, palidez, confusão mental, oligúria ou anúria e alterações no lactato plasmático quando coletado.
O termo abrange um espectro que vai desde sinais iniciais discretos até colapso circulatório. Em serviços de emergência, R57 é um rótulo provisório usado enquanto se avalia a origem — por exemplo, infecção grave, insuficiência cardíaca aguda, perda importante de sangue, reações alérgicas ou causas endócrinas — e até que exames e evolução permitam codificar o choque por sua etiologia específica.
Quais sintomas aparecem?
Os sintomas e sinais iniciais incluem fraqueza, tontura, sudorese fria, ansiedade e tontura ao erguer‑se; esses podem preceder alterações leves da consciência e redução do débito urinário. Sinais que indicam agravamento são confusão ou coma progressivo, extremidades frias e marmoreadas, queda significativa da pressão arterial, respiração rápida e superficial, oligo‑anúria persistente e sinais de falência orgânica (por exemplo alteração de gasometria ou aumento do lactato). A presença de sinais de perfusão comprometida em contexto agudo é o que caracteriza o choque em relação a outras condições com sintomas semelhantes.
O que causa?
Do ponto de vista fisiopatológico, choque resulta de falha em manter débito cardíaco adequado ou resistência vascular adequada para perfusão tecidual. Os mecanismos clássicos são redução do volume intravascular (hipovolêmico), disfunção do coração como bomba (cardiogênico), vasodilatação e permeabilidade microvascular (distributivo, incluindo séptico e anafilático) e obstrução ao retorno venoso ou ao débito (obstrutivo). No contexto brasileiro, as causas mais frequentemente encontradas na prática hospitalar aguda são sepse grave e choque séptico, hemorragia aguda por trauma ou gastrointestinal, e descompensação cardíaca aguda, mas R57 é usado quando essas causas não estão documentadas ou confirmadas.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico de choque para fins de codificação R57 baseia‑se em achados clínicos de perfusão inadequada e instabilidade hemodinâmica registrados no prontuário, quando não há codificação mais específica. Sinais que sustentam a escolha deste código são pressão arterial baixa documentada ou queda acentuada da pressão habitual, sinais de má perfusão periférica, alteração do nível de consciência, oligúria e, quando disponível, evidência laboratorial de hipoperfusão (p.ex. lactato elevado). Se a equipe identifica e anota uma causa específica (por exemplo choque séptico, choque cardiogênico), esse código substitui R57 na versão final da classificação.
Como costuma ser tratado?
O conteúdo aqui descreve abordagens gerais registradas em literatura clínica: o manejo inicial do choque é estabilizar a circulação e a oxigenação, identificar e tratar a causa subjacente. Em ambientes de emergência e UTI, as medidas envolvem reanimação com fluidos quando indicado, suporte pressórico e ventilatório conforme necessidade, controle da fonte infecciosa se houver suspeita de sepse, correção de hemorragia em caso de sangramento e suporte cardíaco para choque cardiogênico. O detalhamento de protocolos e doses não é fornecido neste texto.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes de medicamentos frequentemente empregadas na fase aguda incluem agentes vasoativos e inotrópicos para manter pressão arterial e perfusão, antimicrobianos em casos suspeitos de infecção, fluidos endovenosos para reposição volêmica quando indicado e agentes hemostáticos ou transfusão quando há perda sanguínea significativa. A seleção específica depende da avaliação clínica e do diagnóstico etiológico que pode vir a substituir R57.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento de emergência sempre que houver sinais de perfusão inadequada: desmaio ou quase‑desmaio, confusão mental súbita, pele fria e pegajosa, respiração acelerada, diminuição acentuada da produção de urina ou queda marcada da pressão arterial. Esses sinais indicam necessidade de avaliação imediata e monitorização; o código R57 costuma aparecer exatamente nessas situações iniciais quando a causa ainda não foi estabelecida.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso, segundo as circunstâncias clínicas daquele paciente — duas pessoas com o mesmo código podem receber prazos distintos. Na prática previdenciária brasileira, até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento do salário; a partir do 16.º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia. A soma de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para estes 15 dias somados, e o CID do atestado é o campo utilizado pelo perito para saber se os episódios têm a mesma causa, razão prática pela qual o código aparece nesses documentos.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, informar o período de afastamento, trazer data, assinatura e CRM do médico. O CID só pode ser informado com anuência do paciente; não há obrigação de informar o diagnóstico ao empregador, mas sem a indicação do CID a soma dos 60 dias para efeito de cálculo dos primeiros 15 dias não pode ser verificada.
Este código costuma representar um quadro agudo e transitório que motiva avaliação emergencial e investigação diagnóstica; muitas vezes é substituído por um código etiológico quando a causa do choque fica estabelecida. Em muitos casos R57 reflete incapacidade temporária que exige internação e monitorização, não acompanhamento ambulatorial prolongado, e por isso a regra dos 60 dias é relevante: se houver novos atestados com o mesmo CID dentro desse prazo, eles contribuem para a contagem dos primeiros 15 dias pagos pelo empregador.
Se o choque se resolver rapidamente com tratamento e investigação negativa para condição crônica, o atestado com R57 tende a documentar um episódio agudo sem sequela permanentes; se evoluir para identificação de causa crônica ou incapacitante, o diagnóstico e o código poderão ser alterados para refletir essa nova situação clínica e influenciar decisões periciais.
Que direitos este código envolve?
O texto acima sobre atestados e prazos resume as regras práticas aplicadas no trabalho e na perícia previdenciária. A existência de um atestado com CID facilita a verificação da continuidade do mesmo motivo dentro de 60 dias, o que tem efeito sobre quem paga o salário nos primeiros dias de afastamento. A proteção ou concessão de benefícios depende da perícia e do vínculo, não do código isolado.
Perguntas frequentes sobre R57
O que exatamente significa receber o CID R57 em um atestado?
Significa que o prontuário documentou um quadro de choque — falha na circulação ou perfusão tecidual —, mas não havia informação suficiente naquele momento para classificá‑lo por causa específica. É um rótulo do estado clínico no momento da avaliação.
Receber R57 implica em afastamento do trabalho automaticamente?
O atestado registrado com este código pode justificar afastamento dependendo da avaliação do médico e do período indicado; a decisão sobre concessão de benefício ou continuidade do pagamento depende de perícia e das regras da empresa e da previdência.
Como a operadora do plano de saúde interpreta o CID R57 ao autorizar procedimentos?
Operadoras costumam pedir documentação clínica adicional quando a etiologia não está informada; R57 descreve o estado agudo, mas para autorizações pode ser exigida justificativa diagnóstica e terapêutica complementar.
Qual a diferença entre R57 e choque séptico (A41) no relatório médico?
Choque séptico requer evidência de infecção sistêmica e disfunção orgânica atribuída à sepse. Se houver confirmação de infecção e critérios de sepse, o código etiológico A41 é mais apropriado que R57.
O CID R57 pode mudar no prontuário após exames?
Sim. Se exames ou a evolução clínica identificarem a causa do choque, o código R57 deve ser substituído pelo código que descreve a etiologia encontrada, refletindo o diagnóstico definitivo.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há documentação clínica e laboratorial que descarte sepses, hemorragia ou insuficiência cardíaca como causa do choque?
- Quais parâmetros hemodinâmicos e de perfusão sustentam o registro de choque no prontuário para este episódio?
- Houve mudança de código posterior quando a etiologia foi esclarecida; qual documento substituiu R57?
- Existem sinais de disfunção orgânica (renal, neurológica, respiratória) que justifiquem internação e continuidade do registro R57?
- Foram realizadas medidas de reanimação inicial (fluido, vasoativos) e qual foi a resposta registrada no prontuário?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este atestado com CID R57 está adequado para justificar o afastamento perante o empregador considerando os prazos legais?
- Se o INSS pedir perícia, o histórico e os registros com R57 documentam claramente a necessidade de afastamento contínuo?
- O uso de R57 nos atestados anteriores permite somar os períodos dentro dos 60 dias para efeito de responsabilidade pelo pagamento pelo empregador?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O laudo inicial com CID R57 e documentação clínica é suficiente para autorizar internação ou procedimentos emergenciais junto à operadora?
- Que documentação adicional a operadora costuma solicitar quando o CID informado é R57 e a causa do choque não está esclarecida?
- O registro de R57 em guias de internação costuma gerar pedidos de justificativa clínica posterior para cobertura caso o diagnóstico etiológico não seja informado?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- R50 Febre de origem desconhecida e de outras origens
- R51 Cefaléia
- R52 Dor não classificada em outra parte
- R53 Mal estar, fadiga
- R54 Senilidade
- R55 Síncope e colapso
- R56 Convulsões, não classificadas em outra parte
- R59 Aumento de volume dos gânglios linfáticos
- R60 Edema não classificado em outra parte
- R62 Retardo do desenvolvimento fisiológico normal
- R68 Outros sintomas e sinais gerais
- R69 Causas desconhecidas e não especificadas de morbidade
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco R50-R69
- OMS — ICD-10, versão 2019 (R57)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.