A90 — Dengue [dengue clássico]
- dengue clássica
- dengue não complicada
O CID A90 designa a dengue clássica, infecção viral aguda transmitida por mosquitos do gênero Aedes, marcada por febre, dor de cabeça, dores no corpo e cansaço. Aplica-se quando há quadro clínico compatível com dengue sem sinais de hemorragia grave, choque ou falência orgânica. O código inclui casos confirmados por testes laboratoriais e também os compatíveis clinicamente quando a investigação laboratorial não documenta complicações hemorrágicas. Não abrange formas hemorrágicas e choque por dengue, que devem ser codificadas em A91, nem outras febres virais transmitidas por mosquitos classificadas em A92. Destina-se tanto a registros clínicos quanto a atestados e faturamento, devendo a redação do prontuário suportar a escolha do código.
Em palavras simples
Receber o código CID A90 significa que o médico identificou dengue clássica, isto é, a forma mais comum da dengue causada por um vírus transmitido por mosquitos Aedes. Em palavras simples, é uma infecção que costuma começar de repente com febre alta e uma série de sintomas pelo corpo causados pela própria resposta do organismo ao vírus.
Você provavelmente está sentindo febre, dor de cabeça forte (às vezes atrás dos olhos), dores musculares e nas articulações, além de cansaço grande. Náuseas, diminuição do apetite e mal-estar geral também são frequentes; algumas pessoas relatam dor no abdome ou ‘‘barriga’’ e episódios de intestino solto. A febre e as dores costumam aparecer primeiro; o cansaço pode permanecer por dias ou semanas depois que a febre passa.
Na maioria dos casos a dengue clássica não é grave e se resolve em poucos dias a algumas semanas, mas exige acompanhamento porque há risco de evolução para formas com sangramento ou choque, especialmente nos primeiros dias. A doença é contagiosa no sentido de que depende da presença do mosquito para se espalhar: uma pessoa infectada pode ser fonte para mosquitos que, por sua vez, picam outras pessoas.
O caminho típico depois do diagnóstico inclui exames de sangue para confirmar a infecção e para monitorar plaquetas e hematócrito; o médico pode pedir retorno para reavaliação em intervalos determinados ou sempre que houver piora. Em muitos casos, o tratamento é de suporte e o paciente é acompanhado em casa, mas se surgirem sinais de alerta será solicitada avaliação urgente ou internação.
Em casa, observe a evolução da febre, se houver vômitos repetidos, dor abdominal intensa, sangramentos na gengiva, nariz ou manchas roxas na pele, tontura ao levantar-se, aumento progressivo do cansaço ou falta de ar. Se qualquer um desses sinais aparecer, procure atendimento sem atrasos. Mantenha hidratação e siga as orientações do profissional de saúde; anote datas de início de sintomas e resultados de exames para apresentar em retornos e, se necessário, para documentação junto ao empregador ou à perícia.
Quando usar este código
Usa-se A90 para episódios de dengue com manifestação clássica: febre alta de início súbito acompanhada por cefaleia, mialgias, artralgias e retro-orbitalgia, sem sinais de sangramento relevante, choque ou comprometimento orgânico grave. Também se aplica quando exames sorológicos ou moleculares confirmam infecção pelo vírus dengue e o quadro clínico não atende critérios de dengue hemorrágica ou dengue com sinais de alarme que justifiquem codificação diferente.
Não confunda com
A91 — dengue hemorrágica: a distinção baseia-se em sinais de hemorragia significativa, trombocitopenia marcante e evidência de extravasamento plasmático com hipotensão ou choque. Se houver qualquer sinal de choque, hemorragia grave ou provas de extravasamento, deve-se usar A91 em vez de A90.
A92 — outras febres virais transmitidas por mosquitos: enquanto A90 refere-se especificamente à dengue clássica, A92 cobre febres por outros arbovírus (por exemplo, chikungunya ou febre amarela quando não classificados de forma distinta). A diferenciação requer identificação do agente quando possível; na ausência de confirmação, o padrão de sintomas e exames auxiliares orienta a codificação.
B34.9 — infecção viral sistêmica não especificada: este código é usado quando não há evidência laboratorial ou clínica suficiente para atribuir etiologia viral específica. Se houver compatibilidade clínica e/ou confirmação laboratorial de dengue, A90 é preferível ao B34.9; B34.9 é reservado a quadros febris virais sem especificação.
O que é
Dengue é uma infecção causada por vírus do gênero Flavivirus, transmitida principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A forma denominada dengue clássica (CID A90) costuma iniciar-se com febre alta de início súbito, acompanhada de dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, além de mal-estar e cansaço marcantes.
O quadro pode ser indistinguível, nas fases iniciais, de outras viroses agudas, mas se diferencia por um conjunto de sinais e pela epidemiologia (exposição em área com transmissão). Na prática, A90 é usado quando o paciente apresenta a síndrome clássica sem sinais de hemorragia importante, choque ou comprometimento orgânico que caracterizariam códigos distintos dentro do grupo A90-A99.
Sintomas
Os sintomas mais frequentes na dengue clássica incluem febre alta, dor de cabeça (especialmente retro-orbital), mialgia intensa e dor nas articulações; também são comuns náuseas, vômitos, tontura e mal-estar geral. Febre e dor aparecem cedo e são quase sempre os primeiros sinais; náuseas e perda de apetite surgem nos primeiros dias. Manifestações que indicam agravamento incluem sangramentos aparentes (epistaxe, gengivorragia), dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura progressiva e sinais de insuficiência circulatória, os quais sinalizam necessidade de reavaliação imediata. Petéquias e sinais de hemoconcentração (descritos em exames) são indicativos de extravasamento plasmático e piora.
Causas
A dengue é causada pela infecção por qualquer sorotipo do vírus dengue (DENV-1 a DENV-4), transmitido pela picada de fêmeas de Aedes infectadas. O mecanismo envolvido é replicação viral inicial seguida de resposta inflamatória e imunológica do hospedeiro; a reação imune contribui para muitos sintomas, como febre e dores. No Brasil, os sorotipos mais encontrados variam por região e época, com transmissão sazonal e surtos em áreas urbanas; a co-circulação de diferentes sorotipos é fator conhecido de complexidade epidemiológica.
Como é diagnosticado
A confirmação laboratorial da dengue pode ser feita por testes sorológicos (detecção de anticorpos IgM/IgG) e por métodos diretos como PCR para detecção do RNA viral nos dias iniciais. Para registrar CID A90 em vez de A91 ou outros códigos, o profissional deve documentar no prontuário os sinais e sintomas compatíveis com dengue clássica e os achados laboratoriais que não indiquem hemorragia grave, choque ou falência orgânica. Registros de data de início dos sintomas, exame físico, resultados de hemograma (para avaliar plaquetas e hemoconcentração) e resultados de sorologia ou PCR fortalecem a decisão de codificação.
Como costuma ser tratado
O manejo da dengue clássica é em grande parte de suporte, com monitorização clínica e tratamento dos sintomas, e pode ser conduzido em ambiente ambulatorial ou hospitalar conforme a gravidade. Profissionais avaliam hidratação, dor e sinais de alerta para decidir observação e intervenções de suporte; a maioria dos casos evolui para resolução em dias a semanas com acompanhamento apropriado. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação clínica individualizada.
Classes de medicamentos
As classes de medicamentos empregadas no manejo sintomático incluem analgésicos e antipiréticos apropriados para febre e dor, antieméticos quando necessário e antitérmicos sem propriedades antiplaquetárias; em casos com sinais de complicação, são utilizados fluidos endovenosos e outras medidas de suporte conforme avaliação médica. Antibióticos não são indicados para dengue sem infecção bacteriana concomitante.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediatamente se surgirem sinais de agravamento: sangramentos, vômitos persistentes, dor abdominal intensa, tontura ou fraqueza grave, diminuição do nível de consciência ou sinais de desidratação severa. Busca de avaliação é também indicada se houver piora progressiva do cansaço ou falta de ar, ou quando o paciente pertence a grupo de risco (idosos, gestantes, com doenças crônicas) e apresenta febre alta ou sintomas intensos.
Uso em atestado
Atestados para afastamento devem descrever claramente a condição clínica compatível com dengue (CID A90) e o período estimado de incapacidade para as atividades laborais, com base na avaliação do profissional. Para fins de perícia e faturamento, é importante registrar data de início dos sintomas, resultados de exames relevantes e sinais que justificaram a emissão do atestado.
Direitos e benefícios
Pacientes com diagnóstico de dengue têm direito a acompanhamento médico e exames necessários ao diagnóstico e ao tratamento conforme o sistema de saúde local. A concessão de benefícios trabalhistas ou previdenciários depende de avaliação pericial e dos critérios legais aplicáveis; a presença do CID A90 no documento é parte da comprovação clínica, mas não garante automaticamente concessão de afastamento ou benefício sem os demais requisitos legais.
Perguntas frequentes sobre A90
O que significa aparecer o código CID A90 no atestado?
Significa que o profissional registrou dengue clássica, a forma de dengue sem sinais de sangramento grave ou choque. O código identifica o diagnóstico clínico ou laboratorial e é usado para registros clínicos e documentação.
Quanto tempo dura um afastamento por dengue registrada como A90?
A duração do afastamento depende da intensidade dos sintomas, da evolução clínica e das exigências do trabalho; o atestado deve explicar a incapacidade temporária baseada na avaliação médica e nos exames de acompanhamento.
A dengue (CID A90) é contagiosa para outras pessoas?
A transmissão entre pessoas não ocorre diretamente; a difusão acontece quando mosquitos Aedes picam uma pessoa infectada e depois picam outras. Medidas de controle vetorial e proteção contra picadas reduzem a transmissão.
Quais exames confirmam dengue para justificar o código A90?
Exames utilizados incluem testes moleculares (PCR) nos primeiros dias e sorologia para anticorpos em dias posteriores; além disso, hemograma auxilia no monitoramento de plaquetas e hematócrito para descartar complicações.
Qual a diferença entre CID A90 e A91 no atestado?
A90 refere-se à dengue clássica sem sinais de hemorragia grave ou choque; A91 é usado quando há dengue hemorrágica ou choque por dengue, caracterizados por sangramento clínico importante, trombocitopenia marcada e extravasamento plasmático.
Preciso apresentar exames para que o médico registre CID A90?
Nem sempre; o código pode ser usado com base em quadro clínico compatível, porém a documentação de exames e sinais clínicos fortalece a codificação e é útil para atestados e perícias.