B92 — Seqüelas de hanseníase [lepra]

  • sequelas de lepra
  • lesões residuais pós-hanseníase

Em palavras simples

Receber o registro CID B92 significa que o que você tem são sequelas deixadas por um episódio anterior de hanseníase. Isso quer dizer que a infecção que causou dano já foi tratada ou ficou inativa, mas restaram alterações permanentes: áreas de pele sem sensibilidade, fraqueza em partes do corpo, deformidades nas mãos, pés ou rosto, ou cicatrizes que não desaparecem.

Você pode estar percebendo dormência, formigamento ou “perda de proteção” em partes do corpo — por exemplo, não sentir queimação ao se machucar ou não perceber pequenos cortes no pé. Também é comum sentir cansaço ao usar membros afetados, dificuldade para segurar objetos ou caminhar, e ver alterações na aparência da pele. Feridas que aparecem repetidas vezes nos locais sem sensibilidade costumam acompanhar essas sequelas.

Se isso é grave depende do quanto a função foi afetada: muitas sequelas são crônicas e demandam cuidados para evitar novas lesões, mas não significam que a infecção está ativa nem que haja risco de transmissão. A hanseníase em si deixa de ser contagiosa quando tratada adequadamente; as sequelas são o que resta do dano que já ocorreu.

O próximo passo costuma ser avaliação por especialista em hanseníase, reabilitação ou fisioterapia e orientações sobre cuidados de pele e proteção para as áreas insensíveis. Exames neurológicos simples e, em alguns casos, eletroneuromiografia ajudam a mapear o dano. Afastamento do trabalho ou adaptações dependem da perda funcional e da avaliação do médico que acompanha você.

Em casa, observe qualquer ferida que demore a sarar, sinais de infecção (vermelhidão, calor, pus), aumento da fraqueza ou perda de função. Use medidas de proteção recomendadas pelo seu equipe de saúde, como calçados adequados e inspeção diária dos pés, e marque retorno se notar piora, novas áreas de dormência, ou se as lesões estiverem atrapalhando suas atividades.

Converse com seu médico sobre reabilitação, prevenção de feridas e possibilidades de cirurgia ou órteses quando houver perda funcional importante. Se estiver com dúvidas sobre atestados, trabalho ou benefícios, informe-se com o serviço de assistência ao trabalhador ou um advogado, pois cada caso exige avaliação específica.

O que este código significa?

CID B92 designa lesões permanentes ou alterações residuais resultantes de episódio prévio de hanseníase (lepra). Refere-se a déficits sensoriais ou motores, deformidades e cicatrizes que persistem depois da fase infecciosa controlada. Aparece quando a doença ativa já foi tratada ou está inativa, mas deixou comprometimento tecidual ou neurológico. Não inclui casos de hanseníase ativa ou reações hansênicas em curso, que têm códigos distintos. Tampouco cobre sequelas por outras neuropatias ou traumas; a relação temporal e clínica com hanseníase prévia sustenta a escolha do código.


Quando este código é usado?

Use B92 para registrar situação em que haja dano residual atribuível à hanseníase anterior: perda de sensibilidade, paralisias de nervos periféricos, deformidades nas mãos, pés ou face, ou cicatrizes e pigmentação residuais. Não use este código para episódio de hanseníase em atividade, reação hansênica aguda ou para lesões de outra causa não relacionadas clinicamente à hanseníase prévia.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

B91 (Seqüelas de poliomielite): diferencie por história de paralisia flácida aguda na infância e ausência de lesões cutâneas e neurite típica de hanseníase; a confirmação é pela história mórbida e exames neurológicos que mostram padrão de atrofia motoras sem as alterações sensoriais e cutâneas residuais de hanseníase.

A30 (Hanseníase — hanseniose) ou A30.0–A30.9: estes códigos descrevem a doença ativa; B92 é usado quando a infecção está inativa e o que permanece são sequelas permanentes documentadas, não sinais de atividade bacilar ou necessidade de poliquimioterapia específica.

G60.0 (Neuropatia hereditária de Charcot-Marie-Tooth) e outras neuropatias periféricas: separar por exame neurológico e eletrofisiológico e por ausência de lesões cutâneas e história de hanseníase; a distribuição e o padrão eletrofisiológico ajudam a distinguir etiologias.

O que é?

Seqüelas de hanseníase são alterações permanentes que permanecem após a fase infecciosa da hanseníase ter sido tratada ou tornada inativa. Manifestam-se por perda de sensibilidade em áreas da pele, fraqueza ou paralisia de músculos inervados por nervos acometidos, atrofia, deformidades nas mãos e pés, lesões faciais e alterações estéticas como cicatrizes e hipopigmentação; muitas vezes há componente neuropático que aumenta risco de lesões por trauma sem percepção da dor.

Costuma afetar pessoas com história documentada de hanseníase ou sinais clínicos compatíveis e geralmente aparece meses a anos após a infecção ativa. Em atenção prática, pacientes podem procurar por feridas recorrentes, deformidades ou perda de função que persistem apesar do tratamento da infecção; a presença dessas sequelas justifica registro e acompanhamento específicos e, quando relevante, reabilitação e cuidados locais para evitar novas lesões.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sinais incluem perda de sensibilidade cutânea localizada, dormência ou formigamento em áreas acometidas e fraqueza ou paralisia de músculos inervados por nervos afetados. Manifestações precoces de sequela são alterações sensoriais discretas que passam despercebidas, perda de proteção tátil e pequenos ferimentos repetidos. Indicadores de agravamento incluem úlceras crônicas nas extremidades, deformidades progressivas (como mãos em garra ou pés cavos), perda funcional importante e infecções secundárias frequentes — esses sinais apontam necessidade de reabilitação e cuidados especializados para evitar perda adicional de tecido.

O que causa?

O mecanismo é dano tecidual e neural causado pela infecção prévia por Mycobacterium leprae e pela inflamação associada às reações hansênicas. Na prática brasileira o mais comum é a neuropatia periférica residual: o bacilo e a resposta inflamatória desencadeiam fibrose e atrofia de nervos, com perda de fibras sensitivas e motoras, levando a dormência e paralisia. Lesões cutâneas cicatriciais, alteração de pigmentação e destruição de estruturas por infecção avançada também contribuem para as sequelas observadas.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O código B92 é sustentado pela existência de história de hanseníase ou evidência clínica de infecção prévia combinada com sinais residuais permanentes. A confirmação inclui documentação clínica de defeitos sensoriais e/ou motores compatíveis, registro prévio de hanseníase tratada ou exames que excluem atividade bacilar atual. Não é o código para hanseníase ativa; quando há suspeita de atividade ou reação, registros adicionais e códigos da A30 devem ser considerados em lugar de B92.

Como costuma ser tratado?

O foco é reabilitação, prevenção de novas lesões e manejo de complicações locais: cuidados com pele, proteção de áreas sem sensibilidade, fisioterapia e órteses quando indicado, além de tratamento de infecções secundárias. Em alguns casos, cirurgia corretiva ou para liberar membros pode ser considerada por especialistas de mão ou plástico; a abordagem costuma ser multiprofissional e orientada à restauração funcional e à qualidade de vida, não ao tratamento da infecção já inativa.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Antibióticos específicos são utilizados apenas para hanseníase ativa (A30.x) e não para B92; medicamentos usados no manejo das sequelas incluem analgésicos neuropáticos e agentes para tratar infecções secundárias quando presentes, além de tópicos para feridas. Fármacos anti-inflamatórios podem ser usados durante reações, mas reações ativas não fazem parte de B92 e requerem código adequado e conduta clínica separada.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação especializada se surgirem úlceras que não cicatrizam, aumento da perda de força, surgimento de novos focos de anestesia, sinais de infecção (vermelhidão, calor, secreção) ou perda rápida de função. Revisitas são indicadas quando o paciente nota piora progressiva de deformidade, dificuldade para caminhar ou manipular objetos, ou quando cuidados domiciliares não previnem feridas repetidas.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, conforme o caso concreto, e duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; do 16º dia em diante o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para os 15 dias iniciais. Para que os atestados sejam somados, o perito usa o CID indicado; por isso a presença do código no atestado é prática necessária para verificar continuidade do mesmo motivo.

Para que um atestado seja aceito costuma ser exigida identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente, já que informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório; no entanto, sem o código não se pode somar automaticamente os atestados para efeitos do cômputo legal.

No contexto de B92, trata-se de uma condição residual crônica que muitas vezes exige acompanhamento e medidas de reabilitação contínuas em vez de afastamentos curtos por doença aguda. O impacto funcional associado a sequelas neurológicas e deformidades pode justificar períodos de afastamento ou adaptações laborais, mas isso depende da avaliação individual. Quando a condição é recorrente em termos de agravamento por lesões secundárias, a regra dos 60 dias é relevante porque permite ao perito avaliar continuidade do mesmo motivo ao apurar benefícios ou necessidade de perícia adicional.

Perguntas frequentes sobre B92

O que significa ter CID B92 no meu atestado?

Indica que o médico registrou sequelas deixadas por hanseníase prévia — alterações permanentes como perda de sensibilidade, fraqueza ou deformidades, não necessariamente doença ativa.

CID B92 quer dizer que a hanseníase ainda está transmitindo?

Não; B92 descreve dano residual após episódio de hanseníase e não implica necessariamente atividade bacilar ou transmissão; dúvida sobre atividade leva a códigos de hanseníase ativa.

Vou precisar de cirurgia se o meu diagnóstico for B92?

Nem sempre; algumas sequelas são manejadas com fisioterapia, órteses e cuidados locais; cirurgia pode ser considerada em casos de perda funcional significativa, dependendo da avaliação especializada.

Posso somar atestados com o mesmo CID para efeito de afastamento pelo INSS?

A soma de atestados para fins legais depende da presença do mesmo CID e das regras de perícia; a indicação do CID no atestado é um elemento prático para essa verificação.

Que exames são úteis para documentar minhas sequelas?

Exame neurológico detalhado e, quando necessário, eletroneuromiografia ajudam a documentar extensão e padrão da neuropatia; fotos das lesões e registros de tratamento prévio também são úteis.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual a documentação clínica ou histórica que confirma ligação entre as lesões atuais e hanseníase passada?
  • Quais sinais ou exames diferenciariam sequela inativa de hanseníase ainda ativa ou reação hansênica?
  • Que achados neurológicos justificam mudança de B92 para um código de neuropatia específica?
  • Que evidências sustentam a indicação de cirurgia corretiva ou neurológica em sequelas de hanseníase?
  • Quando a eletrofisiologia é indicada para esclarecer extensão e prognóstico das sequelas?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Como a presença de B92 no atestado afeta a contagem dos períodos de afastamento para fins de auxílio-doença?
  • É possível requerer reabilitação profissional ou readaptação funcional com base nas sequelas registradas como B92?
  • Que provas documentais são úteis em perícia para demonstrar incapacidade laboral decorrente de sequelas de hanseníase?
  • Em caso de recusa de auxílio pelo INSS, que tipos de laudos ou exames reforçam recurso administrativo ou judicial?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos de reabilitação e órtese relacionados a sequelas de hanseníase costumam exigir autorização prévia do plano?
  • O plano costuma considerar histórico de hanseníase prévia ao avaliar cobertura para cirurgias corretivas de deformidades?
  • Existem limites de carência ou exclusões contratuais que o beneficiário deve verificar para procedimentos de reabilitação após hanseníase?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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