F01.3 — Demência vascular mista, cortical e subcortical

  • demência vascular mista
  • vasculopatia cognitiva mista

Em palavras simples

O código CID F01.3 significa que os médicos identificaram um tipo de demência causada por problemas nos vasos do cérebro que afetam tanto o córtex (a superfície do cérebro) quanto áreas mais profundas (substância branca e estruturas profundas). Em outras palavras, não é apenas um tipo de lesão em um lugar só: há mudanças vasculares em diferentes níveis que, somadas, explicam a perda de memória e outras dificuldades.

Quem recebe esse diagnóstico costuma perceber esquecimento, diminuição da atenção, dificuldade para organizar tarefas, falar ou encontrar palavras, e lentidão para pensar. Às vezes surgem alterações de marcha, fraqueza ou perda de sensibilidade em um lado do corpo, sinais que refletem os infartos cerebrais. No início pode aparecer mais a lentidão e as dificuldades para planejamento; se piora, a independência para atividades do dia a dia cai e surgem dificuldades mais óbvias para cuidar de si.

Demência vascular mista não é uma doença contagiosa. A gravidade varia: algumas pessoas têm perda lenta e estabilizam com manejo adequado, outras pioram aos poucos ou em saltos relacionados a novos pequenos AVCs. A duração é variável e costuma ser crônica; o objetivo das consultas seguintes é prevenir novos eventos e manter a melhor função possível.

Depois do diagnóstico, é comum fazer exames de imagem (tomografia ou ressonância) e testes que avaliam memória, atenção e outras funções. Haverá acompanhamento médico regular, propostas para controlar pressão, diabetes e colesterol, além de orientações de reabilitação e suporte para atividades diárias. A necessidade e duração de afastamento do trabalho dependem do impacto sobre tarefas específicas.

Em casa, observe mudanças na habilidade para pagar contas, lembrar compromissos, cuidar da higiene ou usar eletrodomésticos com segurança. Procure ajuda imediata se ocorrer fraqueza súbita, falta de fala, alteração visual, desmaios ou confusão súbita. Para mudanças graduais, agende retorno com o médico para revisar tratamentos e necessidades de suporte. Conversas com familiares sobre organização de cuidados e segurança doméstica costumam ser parte importante do manejo.

O que este código significa?

O CID F01.3 designa demência vascular em que coexistem lesões isquêmicas corticais e subcorticais que, em conjunto, explicam quadro de comprometimento cognitivo persistente. Aparece quando há evidência clínica e radiológica de dano vascular difuso em diferentes níveis do cérebro, com prejuízo funcional. Não inclui demência por causas primariamente degenerativas (como Alzheimer puro) nem confusões agudas temporárias sem declínio crônico. Este código refere-se a condição estruturalmente atribuível a doença vascular mista, e não a sequelas puramente comportamentais ou alterações cognitivas isoladas.


Quando este código é usado?

Usa-se F01.3 quando o paciente apresenta declínio cognitivo progressivo compatível com demência e a investigação documenta lesões vasculares tanto corticais (infartos territoriais) quanto subcorticais (leucoaraiose, lacunas) que, em conjunto, justificam o déficit. O diagnóstico costuma basear-se na história de sintomas insidiosos ou passo a passo, exame neurológico com déficits focalizados frequentes e exames de imagem que mostram padrão misto de acometimento. Não se aplica se a causa principal for uma demência degenerativa primária sem prova de lesão vascular significativa.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F01.1 vs F01.3: F01.1 (Demência por infartos múltiplos) exige história e imagem de múltiplos infartos corticales ou subcorticais que isoladamente expliquem o quadro; F01.3 requer simultânea presença clinico-radiológica de lesões tanto corticais quanto subcorticais contribuindo para a demência.

F01.2 vs F01.3: F01.2 (Demência vascular subcortical) refere-se a prejuízo cognitivo dominado por lesões subcorticais (lacunas, leucoaraiose) com quadro clínico correspondente; a presença de infartos corticais relevantes que contribuem para o declínio direciona para F01.3.

F01.0 vs F01.3: F01.0 (Demência vascular de início agudo) descreve declínio cognitivo estabelecido após evento vascular agudo bem delimitado; F01.3 é usado quando o padrão é crônico/misto com lesões em níveis cortical e subcortical, não apenas um início agudo pós-AVC isolado.

O que é?

Demência vascular mista cortical e subcortical é um quadro de perda progressiva das funções cognitivas atribuído a dano vascular cerebral distribuído em córtex e substância branca/estruturas profundas. Manifesta-se por prejuízos em memória, atenção, velocidade de processamento, linguagem ou função executiva, frequentemente com sinais neurológicos focais que refletem infartos corticales associados.

Costuma ocorrer em adultos mais velhos com fatores de risco vasculares prevalentes — hipertensão, diabetes, fibrilação atrial e doença arterial sistêmica — e em quem a imagem cerebral revela combinação de lesões: infartos corticales maiores, múltiplas lacunas e alteração difusa da substância branca. O padrão misto influencia sintomas, progressão e respostas ao manejo do risco vascular.

Quais sintomas aparecem?

Principais sintomas incluem perda de memória para tarefas recentes, lentificação do pensamento, dificuldade para planejar ou organizar tarefas e prejuízo na linguagem funcional. Declarações iniciais podem ser de esquecimento pontual e redução da velocidade de processamento; comprometimento da atenção e da execução de tarefas surgem cedo quando há lesão subcortical predominante. Sinais que indicam agravamento são piora rápida da autonomia, aparecimento de déficits motores ou sensoriais focais novos, confusão sustentada e aumento da dependência nas atividades diárias.

O que causa?

Mecanismos envolvem dano cerebral por eventos isquêmicos de diferentes padrões: infartos corticiais por oclusão de artérias maiores ou territoriais e lesões subcorticais por doença dos pequenos vasos (arteriolosclerose hiperdiábetica/hipertensiva). No Brasil, a causa mais frequente é a combinação de hipertensão crônica e aterosclerose que resulta em múltiplos infartos e leucoaraiose; fibrilação atrial e êmbolos cardíacos também contribuem quando produzem infartos corticais simultâneos a alterações subcorticais crônicas.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de F01.3 requer correlação entre história clínica de declínio cognitivo progressivo e exames de imagem (TC ou RM) que mostrem lesões isquêmicas tanto corticais quanto subcorticais compatíveis com os déficits observados. Avaliação neuropsicológica que documente comprometimento cognitivo em mais de um domínio e evidência de impacto funcional sustentam o rótulo de demência vascular mista. A exclusão de causas primárias degenerativas pode ser baseada em padrão clínico, velocidade de evolução e achados de imagem que favoreçam etiologia vascular mista.

Como costuma ser tratado?

O manejo consiste em controlar fatores de risco vascular, reabilitação cognitiva e suporte funcional. Intervenções são direcionadas a reduzir novos eventos isquêmicos e estabilizar função, com acompanhamento ambulatorial regular e avaliações de capacidade funcional. O tratamento costuma ser multidisciplinar, envolvendo médico, neuropiscólogo/fonoaudiólogo e equipe de reabilitação, e as medidas podem variar conforme a gravidade e comorbidades.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas com papel na prática incluem medicamentos para controle de pressão arterial, antitrombóticos quando indicados por origem embólica, agentes hipocolesterolemiantes e drogas que tratam comorbidades como diabetes e fibrilação atrial. Drogas sintomáticas para melhora cognitiva podem ser consideradas conforme avaliação clínica, mas a indicação e escolha dependem de causas associadas e risco-benefício individual.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação imediata se houver piora súbita da memória, fala, visão, força ou consciência, sinais sugestivos de novo AVC ou aumento rápido da confusão. Marque retorno médico quando houver declínio gradual da capacidade para atividades diárias, novas quedas, alteração do comportamento que comprometa cuidados ou sinais de depressão/ansiedade associadas. A emergência é indicada para déficits neurológicos novos ou agravamento abrupto.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Quanto ao pagamento e aos limites formais, até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia médica. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são considerados em conjunto para fins desse prazo de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Sobre a regra dos 60 dias: é o CID constante no atestado que o perito usa para verificar se a condição é a mesma e, assim, somar períodos para efeito do limite de 15 dias — por isso o código no atestado tem papel prático na aplicação dessa regra, ainda que pouca gente saiba disso.

Para que um atestado seja aceito, ele deve identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer data, assinatura e o número do CRM do médico. O registro do CID no atestado depende da anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos atestados no prazo de 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso específico do CID F01.3 (demência vascular mista, cortical e subcortical), trata‑se de uma condição crônica e estruturalmente atribuível a doença vascular que tende a provocar comprometimento cognitivo e funcional continuado, não um quadro agudo autolimitado. Por isso esse código costuma estar associado a acompanhamento clínico e registro da capacidade funcional, e não a episódios isolados de curta duração — quando houver novos atestados pelo mesmo CID, a regra dos 60 dias tem importância prática maior, pois permite verificar se intervenções ou afastamentos subsequentes somam para os limites formais previstos.

Perguntas frequentes sobre F01.3

O que exatamente significa receber o CID F01.3 no laudo?

Indica demência atribuída a lesões vasculares em níveis cortical e subcortical que, em conjunto, explicam o declínio cognitivo; descreve origem vascular mista, não infeciosa nem degenerativa pura.

Isso é contagioso para familiares?

Não. Trata-se de dano cerebral por problemas vasculares, não de uma condição transmissível.

O código implica afastamento do trabalho automaticamente?

Não. A necessidade de afastamento depende do impacto funcional documentado no laudo e da avaliação pericial para fins trabalhistas ou previdenciários.

Que exames serão pedidos após esse diagnóstico?

Em geral, exames de imagem cerebral (TC ou RM) e avaliações cognitivas formais para documentar déficits e orientar condutas; também investigam fatores de risco vascular.

Como diferenciar F01.3 de Alzheimer (F00)?

A diferenciação baseia-se em história, velocidade de declínio, sinais neurológicos focais e principalmente em exames de imagem que evidenciem lesões vasculares significativas coexistindo com o quadro clínico.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual foi a distribuição e cronologia dos infartos corticais frente às lesões subcorticais observadas na imagem?
  • Quais domínios cognitivos demonstram maior comprometimento nos testes neuropsicológicos e correlacionam-se com as lesões vistas?
  • Há evidência de fonte cardioembólica (ex.: fibrilação atrial) que justifique uso de terapêutica antitrombótica específica?
  • Qual a contribuição relativa de doença de pequenos vasos versus infartos territoriais na perda funcional atual?
  • Em que momento a evolução clínica sugeriria reclassificação para F01.0 ou para outra categoria (degenerativa)?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Que documentação clínica e de imagem são necessárias para comprovar incapacidade laboral por demência vascular mista?
  • Como peritos costumam distinguir incapacidade permanente de incapacidade temporária em casos de demência vascular mista?
  • Que peso tem o laudo neuropsicológico frente às imagens em avaliações previdenciárias e trabalhistas?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais exames de imagem e relatórios médicos a operadora costuma solicitar para autorizar procedimentos de investigação ou reabilitação?
  • A operadora pode exigir laudo pericial independente para cobertura de terapias de reabilitação intensiva em demência vascular mista?
  • Que documentos o plano costuma considerar para autorizar reabilitação multidisciplinar e terapias ocupacionais?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade