F13.6 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos – síndrome amnésica
- amnésia induzida por benzodiazepínicos
- amnésia anterógrada por sedativos
- síndrome amnésica intoxicativa por hipnóticos
Em palavras simples
O código CID F13.6 indica que a perda de memória que você está apresentando foi associada ao uso de sedativos ou remédios para dormir. Em palavras simples: o médico avaliou que a principal explicação para as falhas de memória recentes é a ação desses medicamentos no seu cérebro, e não, por exemplo, um derrame ou um trauma.
Você provavelmente percebe que esquece acontecimentos recentes, tem dificuldade para lembrar instruções ou compromissos dados há pouco tempo, ou encontra lacunas sobre o que ocorreu quando estava mais sonolento. Pode haver também períodos em que se sentiu confuso ou desorientado durante o efeito da medicação. Sintomas acompanhantes comuns são cansaço, sono excessivo no dia seguinte, e perda de foco.
Na maioria dos casos essa alteração não é contagiosa. A gravidade varia: muitas pessoas melhoram gradualmente quando o medicamento é suspenso ou ajustado; outras podem notar recuperação mais lenta, especialmente se houver uso crônico ou combinação com álcool. O tempo de recuperação depende da droga envolvida, da dose e da sua saúde geral.
O que vem a seguir na prática clínica normalmente inclui acompanhamento com o médico que prescreveu o sedativo, revisão das medicações em uso e reavaliação cognitiva para documentar melhora. Em alguns casos são solicitados exames básicos para excluir outras causas reversíveis. Se a memória atrapalha o trabalho ou tarefas diárias, o médico pode sugerir afastamento temporário até estabilizar a situação.
Em casa, anote quando ocorrem as falhas de memória e quais medicamentos tomou; evite dirigir ou operar máquinas se estiver com confusão ou sono excessivo. Procure ajuda médica imediatamente se tiver quedas, episódios em que não responde, dificuldades para respirar, febre alta, convulsões, ou se a perda de memória piorar em vez de melhorar.
O que este código significa?
CID F13.6 designa a síndrome amnésica causada pelo uso de sedativos e hipnóticos. Aparece como prejuízo pronunciado da memória — em especial amnésia anterógrada — que surge em contexto de intoxicação aguda, de retirada ou de uso crônico desses fármacos. Não inclui amnésias por causas neurológicas estruturais primárias (AVC, traumatismo craniano primário) ou por outras substâncias como álcool isolado (outros códigos seriam aplicáveis). O diagnóstico é clínico, suportado por história temporal clara de exposição a sedativos/hipnóticos e exclusão de outras causas agudas reversíveis. Este código cobre tanto quadros transitórios como aqueles que persistem além do período de intoxicação imediata, quando criteriosamente atribuíveis aos hipnóticos.
Quando este código é usado?
Usa-se F13.6 quando há perda de memória significativa atribuível ao uso de sedativos ou hipnóticos, com início compatível temporalmente e sem evidência de lesão cerebral estrutural primária ou de outra intoxicação predominante. O código aplica-se a amnésia anterógrada marcante e outras perturbações mnésicas proeminentes ligadas a esses agentes; quadros de dependência sem amnésia, intoxicação isolada sem déficits mnésicos ou amnésias por outras causas devem usar códigos diferentes do grupo F13 ou de outros capítulos.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F13.4 (Intoxicação aguda por sedativos e hipnóticos) — critério que separa: F13.4 é usado quando a apresentação predominante é sedação, alteração da consciência ou comportamento sem déficits mnésicos persistentes proeminentes; se a perda de memória é a característica clínica dominante e perdura além da intoxicação imediata, usar F13.6.
F13.8 (Outros transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos) — critério que separa: F13.8 é reservado para manifestações que não se encaixam nas subcategorias definidas; escolha F13.6 quando o quadro é especificamente uma síndrome amnésica claramente atribuível a sedativos/hipnóticos.
G31.84 (Amnésia persistente de origem neurológica) — critério que separa: se há evidência de lesão neurológica estrutural (imagem, sinais focais, história de AVC/trauma), o código neurológico é preferível; F13.6 cabe quando a etiologia temporal e clínica relaciona a amnésia ao uso de sedativos/hipnóticos sem lesão estruturada detectável.
O que é?
Trata-se de um quadro no qual o uso de sedativos ou hipnóticos causa prejuízo marcante da memória, tipicamente com amnésia anterógrada (dificuldade em formar novas memórias) e, por vezes, lacunas de memória do período de intoxicação. A manifestação varia desde episódios curtos e reversíveis a déficits que se prolongam, afetando lembranças recentes, aprendizagem e continuidade de atividades.
Pessoas que usam benzodiazepínicos, zolpidem, barbitúricos e outras drogas sedativas em doses elevadas, combinadas com álcool ou com vulnerabilidade neurocognitiva prévia, tendem a apresentar esse padrão. Frequentemente surge em contexto de uso recreativo, uso crônico mal controlado, automedicação ou interações medicamentosas que aumentam os efeitos amnésicos.
Quais sintomas aparecem?
Principais sinais: perda de memória recente (amnésia anterógrada), confusão transitória no período de intoxicação, lacunas de memória sobre eventos ocorridos durante o efeito do fármaco. Sintomas que aparecem cedo incluem desorientação temporal e dificuldade em lembrar instruções recentes. Indícios de agravamento são persistência da amnésia além do período esperado de eliminação do fármaco, piora da orientação, declínio progressivo da aprendizagem e comprometimento funcional (incapacidade de trabalho ou de autocuidado).
O que causa?
Mecanismo: os sedativos e hipnóticos atuam sobre receptores GABAérgicos e outros sistemas inibitórios, interferindo nos processos de consolidação da memória e na formação de memórias novas. A amnésia surge quando a ação farmacológica altera sincronização neuronal no hipocampo e em redes corticais responsáveis pela codificação e recuperação.
Na prática brasileira, as causas mais comuns são uso excessivo de benzodiazepínicos ou hipnóticos prescritos, interações medicamentosas que ampliam o efeito sedativo, e consumo combinado com álcool. Vulnerabilidades individuais (idade avançada, comorbidades cognitivas, insuficiência hepática) aumentam a suscetibilidade.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se em história clínica detalhada que mostre correlação temporal com uso de sedativos/hipnóticos, exame mental focalizado na memória e exclusão de causas alternativas agudas. Testes cognitivos breves documentam déficit mnésico; exames laboratoriais e de imagem são usados para excluir hipoglicemia, distúrbios metabólicos, infecções ou lesões estruturais. A confirmação do código depende da atribuição plausível da amnésia ao agente sedativo, sem outro diagnóstico predominante que explique o quadro.
Como costuma ser tratado?
O manejo focaliza interromper a exposição ao sedativo/hipnótico, abordar fatores agravantes (interações, álcool) e monitorar recuperação cognitiva. Em muitos casos o tratamento é ambulatorial com acompanhamento clínico e reavaliações cognitivas; quadros com comprometimento funcional grave ou risco de lesão exigem observação hospitalar. Reabilitação cognitiva e suporte psicoeducacional podem ser necessários se a amnésia persistir.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes relevantes: benzodiazepínicos e medicamentos semelhantes (agonistas do receptor GABA), hipnóticos não-benzodiazepínicos (p. ex. ‘Z-drugs’), barbitúricos e sedativos múltiplos. Interações com álcool, opioides e alguns antidepressivos ou antiepilépticos aumentam risco ansioso de amnésia. A gestão envolve rever e, se indicado, retirar ou substituir agentes da classe responsável sob supervisão médica.
Quando procurar um médico?
Procurar assistência imediata se a perda de memória vier acompanhada de queda, comportamento perigoso, dificuldade para manter respiração ou nível de consciência reduzido. Buscar avaliação médica quando a amnésia persiste além do período esperado após interrupção do sedativo, quando há prejuízo para trabalho ou autocuidado, ou se surgem sinais neurológicos focais, febre ou convulsões.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o paciente tomando por base o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal brasileira, até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento do salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A regra dos 60 dias determina que atestados pelo mesmo motivo dentro desse prazo somam para efeito dos 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75); o perito usa o CID indicado no atestado para verificar se se trata da mesma condição, razão prática pela qual o código aparece no documento.
Para que um atestado seja aceito é necessário que contenha identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório — mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo empregador ou pelo INSS.
O CID F13.6 diz respeito à síndrome amnésica associada ao uso de sedativos e hipnóticos. Trata‑se de um quadro que costuma surgir de forma aguda em contexto de intoxicação, retirada ou uso crônico desses fármacos e que pode ser transitório ou persistir além do episódio inicial; por isso pode tanto resultar em acompanhamento e registro clínico quanto, em casos com comprometimento funcional mais acentuado, limitar a capacidade para o trabalho enquanto durar a incapacidade funcional avaliada pelo médico. Como episódios relacionados a sedativos/hipnóticos podem reaparecer ou ocorrer em intervalos relativamente próximos, a regra dos 60 dias é relevante para a soma dos atestados quando o mesmo CID é usado em atestados sucessivos, permitindo verificar contínuo ou recorrência da mesma condição.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e benefícios por incapacidade dependem de avaliação pericial e da legislação aplicável; este código registra a condição que pode fundamentar perícia, mas a concessão de afastamento ou benefício obedece a critérios legais e administrativos. Em ambientes laborais, comunicar incapacidade funcional concreta e apresentar documentação clínica favorece análise administrativa ou pericial.
Perguntas frequentes sobre F13.6
O que significa receber o CID F13.6 no laudo?
Significa que a perda de memória foi associada clinicamente ao uso de sedativos ou hipnóticos; o laudo descreve a relação temporal e a gravidade dos déficits para fins de registro e perícia.
Isso é contagioso ou hereditário?
Não é contagioso nem uma condição infecciosa; trata-se de um efeito farmacológico/neurológico ligado ao uso de certas drogas, não de um agente transmissível.
Preciso de exames para confirmar o CID F13.6?
O diagnóstico é principalmente clínico, apoiado por testes cognitivos e exames laboratoriais ou de imagem quando necessário para excluir causas alternativas; a dosagem de droga pode confirmar exposição recente.
Posso trabalhar enquanto tenho esse diagnóstico?
A aptidão depende do grau de comprometimento funcional; se houver risco em atividades (dirigir, operar máquinas) ou prejuízo significativo, pode ser considerado afastamento temporário conforme avaliação médica.
Qual a diferença entre este código e intoxicação aguda (F13.4)?
F13.4 refere-se à intoxicação com alterações do estado mental e comportamento, sem que a amnésia dominante persista; use F13.6 quando a amnésia é a manifestação principal e está claramente ligada ao sedativo/hipnótico.
Códigos relacionados
- F13.0 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - intoxicação aguda
- F13.1 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - uso nocivo para a saúde
- F13.2 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - síndrome de dependência
- F13.3 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - síndrome [estado] de abstinência
- F13.4 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - síndrome de abstinência com delirium
- F13.5 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - transtorno psicótico
- F13.7 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- F13.8 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - outros transtornos mentais ou comportamentais
- F13.9 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos - transtorno mental ou comportamental não especificado
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F10-F19
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F13.6)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
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