F50.0 — Anorexia nervosa
- anorexia nervosa típica
- transtorno alimentar restritivo
CID F50.0 designa a anorexia nervosa, transtorno alimentar grave em que a pessoa reduz a ingestão calórica e mantém peso muito abaixo do esperado por medo intenso de ganhar peso e perturbação da percepção corporal. Surge geralmente em adolescentes e jovens adultos, mas pode ocorrer em outras idades. Não inclui formas atípicas classificadas em F50.1 nem transtornos com episódios de compulsão sem restrição persistente (p.ex. F50.2). Este código é usado quando os critérios clássicos de perda de peso intencional, medo de ganhar peso e distorção da imagem corporal estão presentes. O quadro frequentemente combina sintomas físicos (perda de peso, fraqueza) e psicológicos (medo, perfeccionismo), com risco de complicações médicas que podem exigir atenção imediata.
Em palavras simples
Este código, CID F50.0, significa que os sintomas observados correspondem ao que se chama anorexia nervosa: uma condição em que a pessoa limita muito a alimentação, perde peso de forma significativa e tem medo forte de engordar, além de ver o próprio corpo de forma distorcida. Não é apenas dieta temporária; é um padrão de comportamento e pensamento que afeta corpo e mente.
Você pode estar sentindo fraqueza, cansaço mais fácil, sensação de frio, perda de força ou tonturas. É comum perceber mudanças no ciclo menstrual, queda de cabelo ou unhas mais frágeis. No plano emocional, ansiedade, preocupação constante com o peso, isolamento social e pensamentos sobre controle do corpo aparecem com frequência. Também pode haver perda de interesse em comer em público ou evitar alimentos vistos como “proibidos”.
Quanto à gravidade, a anorexia pode variar: algumas pessoas têm quadro leve, outras apresentam risco médico significativo por desnutrição. Não é uma doença contagiosa. O tempo de evolução é variável; pode começar aos poucos e se estender por meses ou anos se não houver intervenção. O objetivo das avaliações é entender o risco imediato (por exemplo desidratação, alterações cardíacas) e planejar acompanhamento.
O que costuma vir a seguir são exames e consultas para avaliar como o corpo está reagindo: exames de sangue, avaliação do coração e peso regular, além de encaminhamento a profissionais como médico, nutricionista e psicólogo/psiquiatra. Nem sempre há necessidade de internação, mas pode ser necessária se houver risco médico. Afastamentos do trabalho ou escola podem ser considerados dependendo do impacto funcional, documentados em laudos médicos.
Em casa, observe sinais de piora: desmaios, vômitos frequentes, confusão, pulso muito rápido ou lentificado, dores fortes ou sangramentos incomuns. Se notar pensamento persistente de se fazer mal ou incapacidade de cuidar de si, procure ajuda imediata. Procure retorno médico se a pessoa não consegue manter ingestão mínima de líquidos e alimentos, se perde peso rápido, ou se os sintomas físicos se agravam.
Este código serve para identificar que há uma condição que combina comportamento alimentar restritivo e preocupação corporal intensa; a luta inclui aspectos físicos e emocionais, e o tratamento normalmente envolve diferentes profissionais para cuidar do corpo e da mente.
Quando usar este código
Usa-se CID F50.0 quando há padrão consistente de restrição alimentar levando a perda de peso significativa, medo intenso de engordar e perturbação da forma/volume do corpo que altera o julgamento sobre o próprio peso. Não deve ser aplicado a casos sem perda de peso marcada ou quando predomina comportamento de compensação sem a restrição persistente que caracteriza a anorexia típica.
Não confunda com
F50.1 — Anorexia nervosa atípica: a presença de todos os traços psicológicos sem perda de peso suficiente separa F50.1; em F50.0 a baixa de peso é significativa e atende critérios de severidade.
F50.2 — Bulimia nervosa: bulimia inclui episódios recorrentes de compulsão seguidos de comportamento compensatório (vômito, laxantes); em F50.0 os episódios de compulsão não são proeminentes e há restrição alimentar persistente.
F50.9 — Transtorno de alimentação não especificado: quando o quadro não atende critérios completos (por exemplo sintomas precoces ou atípicos) usa-se F50.9; F50.0 exige critérios formais de anorexia.
O que é
A anorexia nervosa é um transtorno psiquiátrico caracterizado por restrição alimentar voluntária que leva a perda de peso significativa, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal. A manifestação varia do controle extremo da ingestão à negligência dos sinais de fome, com preocupação excessiva com número na balança e medidas corporais.
Costuma surgir na adolescência ou início da vida adulta, mais frequentemente em mulheres, e associa-se a traços como perfeccionismo, baixa autoestima e ansiedade. Além dos sinais psicológicos, aparecem efeitos físicos como fadiga, intolerância ao frio, alterações menstruais e risco de desidratação e desnutrição.
Sintomas
Principais sintomas: perda de peso intencional e progressiva, restrição calórica severa, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal. Sintomas precoces incluem evasão de refeições, escolhas alimentares restritas, preocupação com calorias e uso de roupas largas. Sinais de agravamento envolvem amenorreia ou alterações do ciclo menstrual, fraqueza marcada, desidratação, síncope, taquicardia e perda óssea.
Causas
Mecanismos incluem interação entre fatores genéticos, neurobiológicos e psicossociais. Vulnerabilidades herdadas para ansiedade e perfeccionismo, alterações na regulação do apetite e recompensa cerebral, e pressões socioculturais sobre peso e aparência contribuem. No Brasil, gatilhos comuns na prática são início na adolescência associado a eventos estressantes, dietas restritivas e influência de padrões estéticos.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de CID F50.0 baseia-se em avaliação clínica que documenta perda de peso significativa por restrição alimentar, medo intenso de ganhar peso e perturbação da imagem corporal, preferencialmente com história detalhada de comportamento alimentar. Avaliação multidisciplinar (médico, psiquiatra, nutricionista) e registro de sinais vitais, peso e disciplina alimentar sustentam a codificação. Excluir causas médicas de perda de peso e distinguir de outras categorias F50 é essencial.
Como costuma ser tratado
O tratamento envolve abordagem multidisciplinar com foco em restauração nutricional, avaliação médica e psicoterapia específica para transtornos alimentares; o acompanhamento costuma ser frequente e pode ser ambulatorial ou hospitalar dependendo da gravidade. Famílias e redes de apoio têm papel importante, e intervenções dirigidas a comorbidades psiquiátricas (ansiedade, depressão) são comuns.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos podem ser usadas para tratar sintomas associados, como antidepressivos para sintomatologia depressiva ou ansiosa e agentes para complicações médicas; a medicação não substitui psicoterapia nem manejo nutricional e sua indicação depende da avaliação clínica especializada.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica rápida se houver perda de peso rápida, desmaios, sensação persistente de fraqueza, síncope, vômitos frequentes, sinais de desidratação ou pensamentos de autolesão. Busque também auxílio ao perceber prejuízo nas atividades diárias, interrupção do ciclo menstrual ou alterações importantes nos sinais vitais.
Uso em atestado
Em atestados e laudos descreva comportamento alimentar, perda de peso documentada e sinais clínicos que justificam necessidade de atendimento ou afastamento; evite detalhes terapêuticos ou doses. Especifique período estimado de limitação funcional e necessidade de retorno para reavaliação.
Direitos e benefícios
Direitos relativos a afastamento, tratamento e reabilitação dependem de legislação trabalhista, previdenciária e do contrato de saúde. Em perícia, deve constar relatório clínico detalhado com evolução, limitações e necessidade de tratamentos continuados; a codificação por si só não garante benefícios.
Perguntas frequentes sobre F50.0
O registro CID F50.0 significa que vou receber afastamento do trabalho automaticamente?
Não. O código documenta o diagnóstico, mas afastamento depende de avaliação da capacidade laboral, do laudo médico e das regras do empregador ou da previdência.
A anorexia nervosa é contagiosa para a família?
Não é contagiosa. Há influência social em hábitos alimentares, mas a condição em si não se transmite como infecção.
Que exames costumam ser feitos após codificar F50.0?
Exames de sangue para eletrólitos, função renal e marcadores nutricionais, avaliação cardíaca e exames de imagem óssea ou outros conforme a avaliação clínica são comuns.
Qual a diferença prática entre CID F50.0 e F50.1?
F50.0 exige perda de peso significativa associada à restrição alimentar e distorção da imagem corporal; F50.1 descreve casos que têm traços da anorexia sem atingir todos os critérios de baixa de peso.
Este diagnóstico pode ser alterado com o tempo?
Sim. A evolução clínica, resposta ao tratamento e mudança de padrões alimentares podem justificar recodificação para outra categoria F50 se os critérios mudarem.
O tratamento é prioritariamente ambulatorial ou hospitalar?
Depende da gravidade física e do risco; muitos casos iniciam em ambulatório com apoio multidisciplinar, mas sinais de risco médico podem requerer internação.</p>