F60.9 — Transtorno não especificado da personalidade

  • Transtorno da personalidade - não especificado
  • Personalidade patológica não especificada
  • F60.9

Em palavras simples

Receber o código CID F60.9 significa que a equipe de saúde identificou padrões de personalidade que têm causado problemas no seu dia a dia, como dificuldades duradouras em relacionamentos, controle das emoções ou na manutenção do trabalho. O rótulo “não especificado” não é uma falha; indica que há evidência clara de perturbação de personalidade, mas que a apresentação não se encaixa exatamente em nenhum dos subtipos já descritos.

Você pode estar experimentando coisas como reações emocionais intensas ou fora de contexto, sensação de vazio, impaciência, dificuldades em confiar ou se aproximar de outras pessoas, ou agir de forma impulsiva em momentos de estresse. Muitas pessoas também relatam cansaço por lidar com conflitos repetidos, maior sensibilidade a críticas e dificuldade em manter rotinas profissionais ou sociais. Esses sentimentos e padrões costumam se formar desde jovem e persistir ao longo do tempo.

Quanto à gravidade, a presença do código indica impacto significativo, mas não determina um prognóstico único: algumas pessoas melhoram com atenção terapêutica, outras mantêm sintomas ao longo dos anos. Não se trata de condição contagiosa. O tempo de acompanhamento varia; muitas intervenções são ambulatoriais e envolvem várias consultas, com foco em psicoterapia e apoio para lidar com situações problemáticas.

Depois do diagnóstico, é comum que o médico ou terapeuta proponha avaliações adicionais para identificar sintomas associados (depressão, ansiedade, uso de drogas) e combine estratégias terapêuticas. Pode haver pedidos de atestado para negociar ausência no trabalho se houver prejuízo funcional temporário, ou encaminhamentos para psicoterapia especializada. Exames laboratoriais ou neurológicos só são feitos se houver suspeita de outra causa explicativa.

Em casa, observe se há aumento da impulsividade, isolamento marcado, declínio no rendimento do trabalho ou pensamentos autodestrutivos; esses sinais justificam procurar atendimento sem demora. Mantenha anotações sobre situações que desencadeiam crises e sobre seu humor ao longo das semanas — isso ajuda a equipe a mapear padrões. Compartilhar informações com pessoas de confiança pode facilitar o suporte social, mas preservar limites pessoais também é importante.

O diagnóstico não define sua identidade nem tira sua autonomia: ele é uma ferramenta para entender dificuldades e planejar apoio. Pergunte ao profissional quais metas de tratamento foram definidas, que tipo de psicoterapia está sendo considerada e quais sinais justificarão nova avaliação ou mudança no plano terapêutico.

O que este código significa?

O CID F60.9 designa um transtorno de personalidade que provoca padrões duradouros e inflexíveis de pensamento, emoção e comportamento que causam prejuízo no funcionamento ou sofrimento, mas que não se enquadram nos subtipos específicos da categoria F60. É usado quando há evidência clínica clara de perturbação de personalidade, mas os critérios formais de nenhum dos transtornos específicos (como esquiva, narcisista, anti‑social ou transtorno limítrofe) são preenchidos ou quando há mistura não caracterizável de traços. Não se aplica a alterações de personalidade secundárias a demência, lesão cerebral ou uso agudo de substâncias, nem a simples traços de personalidade sem prejuízo clínico significativo.


Quando este código é usado?

Usa‑se este código quando há um padrão estável e de longa duração de experiências internas e comportamentos que desviam claramente das expectativas culturais, causando prejuízo social, ocupacional ou sofrimento, mas que não se enquadram nos critérios de um subtipo específico de F60. Deve refletir persistência ao longo do tempo e presença na adolescência ou idade adulta jovem. Não deve ser aplicado para perturbações transitórias, reações agudas a eventos estressantes ou alterações melhor explicadas por outra condição mental ou médica.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F60.3 — Transtorno de personalidade com instabilidade emocional: o critério chave que separa F60.3 é a presença de instabilidade acentuada nas emoções, impulsividade recorrente e relacionamentos interpessoais intensos e instáveis; se esses traços predominam, usar F60.3, não F60.9.

F60.2 (Transtorno de personalidade dissocial) — define‑se por padrões persistentes de desrespeito e violação dos direitos alheios; se houver comportamento antissocial predominante e histórico forense, preferir F60.2.

F60.6 (Transtorno de personalidade dependente) — marcado por submissão exagerada, necessidade de cuidado e medo de separação; quando esses traços são dominantes e estão claramente delineados, não usar F60.9.

O que é?

O CID F60.9 corresponde a um transtorno de personalidade não especificado: trata‑se de um padrão estável e duradouro de percepções, afetos, cognições e formas de relacionamento que divergem das expectativas culturais e geram prejuízo ou sofrimento. Esses padrões afetam várias áreas da vida da pessoa, como trabalho, estudos, família e relações íntimas, e são percebidos como inflexíveis e persistentes ao longo do tempo.

As manifestações podem incluir dificuldades em manter relacionamentos, respostas emocionais desajustadas a situações sociais, comportamento impulsivo ou retraimento exagerado, mas sem conformar‑se claramente a nenhum subtipo definido nos transtornos específicos da personalidade. Frequentemente o diagnóstico surge em contexto de avaliação psiquiátrica, pericial ou quando há queixas recurrentes sobre funcionamento interpessoal ou adaptativo.

Quais sintomas aparecem?

Principais sinais: instabilidade relacional leve a moderada, dificuldade em regular emoções, impulsividade ocasional, padrão de pensamentos rígidos, dificuldade em assumir responsabilidades ou adaptar‑se a mudanças sociais. Sintomas que podem aparecer cedo incluem problemas de socialização na adolescência, conflitos repetidos com colegas ou família, e padrões de resposta emocional exagerada.

Sinais de agravamento: aumento da impulsividade com comportamentos de risco, episódios de descompensação emocional frequentes, perda significativa do desempenho profissional ou isolamento social severo, e surgimento de comorbidades como depressão ou uso de substâncias.

O que causa?

Os mecanismos envolvem interação entre fatores genéticos, temperamento infantil e ambiente psicossocial durante o desenvolvimento. Experiências adversas na infância (neglect, inconsistência afetiva, abuso) e modelos parentais instáveis contribuem para formação de modos maladaptativos de lidar com emoções e relações. No Brasil, causas observadas na prática frequentemente incluem histórico familiar de transtornos de personalidade, exposição a violência infantil e contextos sociais de alta adversidade, que moldam estilos relacionais desadaptativos.

Neurobiologicamente, diferenças na regulação afetiva e em circuitos de controle executivo são consideradas contributivas, mas não são diagnósticas por si só. O diagnóstico baseia‑se em padrão clínico e história evolutiva, não em exame laboratorial.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de F60.9 é clínico e exige avaliação detalhada que documente a persistência e generalização dos traços, o início na adolescência ou início da vida adulta, e impacto funcional significativo. Deve-se excluir que os sintomas sejam consequência direta de outra condição psiquiátrica (ex.: episódios psicóticos, transtornos do humor), de efeitos de substâncias ou de condição médica generalizada. Relatórios históricos, entrevistas estruturadas ou semi‑estruturadas, relatos de terceiros e avaliação de comorbidades sustentam a codificação neste código.

Para usar F60.9 em vez de um subtipo, é necessário registrar por que os critérios dos transtornos específicos não foram integralmente preenchidos, descrevendo a mistura de traços ou a apresentação atípica que justifica o uso do código não especificado.

Como costuma ser tratado?

O tratamento é individualizado e geralmente ambulatorial, centrado em psicoterapia estruturada para habilidades de regulação emocional, manejo de relacionamentos e estratégias de enfrentamento; abordagens psicoeducativas e suporte psicossocial são úteis. Intervenções direcionadas a comorbidades (depressão, ansiedade, uso de substâncias) complementam o plano terapêutico. A duração do acompanhamento varia com a gravidade e pode ser de meses a anos, conforme resposta e persistência dos problemas funcionais.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Não há medicação específica para F60.9; farmacoterapia é usada para tratar sintomas ou comorbidades associados, como antidepressivos para sintomas depressivos/anxiosos, estabilizadores de humor para impulsividade marcada e antipsicóticos em crise com sintomas psicóticos ou agressividade. A escolha deve ser baseada na sintomatologia predominante e na avaliação clínica global.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação quando padrões persistentes de comportamento e emoção prejudicam trabalho, estudo ou relacionamentos, quando há aumento da impulsividade ou comportamentos de risco, ou surgimento de sintomas de depressão, ansiedade intensa ou ideação suicida. Buscar ajuda também se o sofrimento pessoal for significativo ou se familiares relatam prejuízo grave no convívio. Em contexto pericial ou de documentação para serviços sociais, a avaliação especializada esclarece funcionalidade e necessidade de intervenções.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Quanto à forma de pagamento e à exigência de perícia, até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias depende do CID indicado: é o código que o perito usa para verificar se as ocasiões de afastamento são pelo mesmo problema de saúde — ou seja, o CID presente no atestado é a razão prática para que ocorram as somas no controle, uma informação que muita gente desconhece.

Para que um atestado seja aceito para esses fins, ele precisa identificar o paciente, especificar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

O CID F60.9 refere-se a um transtorno de personalidade não especificado, tipicamente uma condição duradoura e de natureza crônica/recorrente em que padrões inflexíveis de pensamento, emoção e comportamento causam prejuízo funcional. Não costuma ser um quadro agudo que se resolve por si só; em geral envolve acompanhamento e registro ambulatorial mais do que um afastamento temporário único, embora possa reduzir a capacidade de trabalho em graus variados conforme o caso. Por sua tendência a episódios recorrentes ou a intercorrências ao longo do tempo, a regra dos 60 dias tem relevância prática aqui: pequenos afastamentos repetidos pelo mesmo CID podem ser somados para os efeitos legais mencionados.

Perguntas frequentes sobre F60.9

O que exatamente significa ter CID F60.9 no atestado médico?

Significa que há um transtorno de personalidade que causa prejuízo funcional ou sofrimento, mas que não se enquadra nos subtipos específicos; o atestado deve detalhar limitações funcionais, não só o código.

CID F60.9 pode ser motivo para afastamento do trabalho?

Pode fundamentar pedido de afastamento se houver impacto funcional documentado; a concessão depende de avaliação pericial e das regras do empregador ou da previdência.

Esse transtorno é contagioso ou transmissível?

Não; transtornos de personalidade não são doenças infecciosas e não se transmitem entre pessoas.

Que exames serão pedidos após receber este código?

A avaliação costuma priorizar entrevistas clínicas e escalas psicométricas; exames complementares são dirigidos a descartar causas médicas ou uso de substâncias quando indicado.

Qual a diferença prática entre F60.9 e F60.3 (instabilidade emocional)?

F60.3 exige predominância de instabilidade afetiva, impulsividade e relacionamentos intensos e instáveis; F60.9 é usado quando não há predominância clara desses critérios ou quando a apresentação é mista ou atípica.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quais critérios específicos não foram preenchidos para os transtornos de personalidade listados em F60, justificando o uso de F60.9?
  • Qual é a história evolutiva desde a adolescência e que evidências corroboram persistência dos traços?
  • Existem comorbidades psiquiátricas ou uso de substâncias que possam explicar a apresentação atual?
  • Que instrumentos padronizados (entrevistas ou escalas) foram utilizados para avaliar gravidade e funcionamento?
  • Houve eventos médicos ou neurológicos que precisam ser excluídos antes da codificação definitiva?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este diagnóstico e a documentação clínica atual sustentam incapacidade laboral permanente ou temporária em perícia previdenciária?
  • Que laudos e descrições funcionais são necessários para justificar afastamento ou readaptação no trabalho?
  • Como registrar no processo a razão pela qual o caso foi codificado como F60.9 e não outro subtipo?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O relatório clínico com CID F60.9 informa cobertura para psicoterapias ou procedimentos específicos pela operadora?
  • Que documentação adicional a operadora costuma solicitar para autorizar tratamentos prolongados por transtorno de personalidade não especificado?
  • Em casos de internação por descompensação associada a transtorno de personalidade, quais critérios a operadora exige para autorização?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade