F60-F69 — Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto
- Transtornos da personalidade|Transtornos do comportamento adulto|F60-F69
O que este código significa?
Este bloco reúne transtornos da personalidade e outros transtornos persistentes do comportamento do adulto, incluindo os subgrupos F60 (transtornos específicos de personalidade), F61 (transtorno de personalidade misto), F62 (alterações duradouras da personalidade após evento), F63 (transtornos de hábitos e impulsos), F64 (transtornos da identidade sexual), F65 (transtornos de preferência sexual), F66 (problemas psicológicos associados ao desenvolvimento e orientação sexual), e F68-F69. Os códigos mais procurados incluem F60.0 a F60.9 e F63.0 (jogo patológico).
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este agrupamento quando o problema principal é um padrão duradouro de comportamento ou traços de personalidade que afetam a vida social, laboral ou familiar e não se enquadra em transtornos orgânicos, uso de substâncias ou transtornos do humor psicóticos. A escolha do código específico exige descida para o subcódigo que descreve o padrão dominante (por exemplo, personalidade borderline F60.3 ou personalidade anankástica F60.5). Em geral, a codificação segue avaliação psiquiátrica, histórico longitudinal e exclusão de causas secundárias.
Com que grupos este se confunde?
F60.3 (Transtorno da personalidade borderline) versus F30-F39 (Transtornos do humor): a separação baseia‑se na cronicidade de traços e instabilidade interpessoal duradoura (F60.3) contra episódios afetivos com curso episódico (F30-F39).
F63.0 (Jogo patológico) versus F10-F19 (Transtornos por uso de substâncias): distingue‑se se o comportamento impulsivo é parte de um transtorno do controle de impulsos primário (F63) ou secundário a intoxicação/abstinência por substância (F10-F19).
F64 (Transtornos da identidade sexual) versus F40-F48 ou F20-F29: separa‑se quando a questão central é a identidade de gênero persistente e a incongruência com o sexo de nascimento (F64) em vez de sintomas ansiosos, neuróticos ou psicóticos que expliquem relatos semelhantes.
O que é?
Conjunto de transtornos caracterizados por padrões persistentes de experiências internas e comportamentos que desviam das expectativas culturais, são inflexíveis, estáveis ao longo do tempo e causam prejuízo ou sofrimento. Inclui tanto alterações duradouras de personalidade quanto transtornos de hábitos/impulsos e questões relacionadas à identidade e preferência sexual. A maioria se manifesta na adolescência ou início da vida adulta e tende a ser crônica, variando conforme o subtipo.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Queixas que levam a buscar codificação neste bloco incluem problemas relacionais crônicos, impulsividade, comportamento repetitivo prejudicial (jogo, piromania, cleptomania), sofrimento com identidade sexual, dificuldades ocupacionais persistentes e padrões inflexíveis de reação emocional. Em geral o relato é de longa duração e refratário a medidas pontuais.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Mecanismos que agrupam esses transtornos são interações entre traços de personalidade estáveis, vulnerabilidades temperamentais, modelos de desenvolvimento precoce e eventos ambientais. Ex.: F60 (traços de personalidade) frequentemente relaciona‑se a padrões de vínculo e temperamento; F62 associa alterações persistentes a eventos como trauma; F63 envolve disfunção do controle dos impulsos.
Como se chega a um código deste grupo?
O diagnóstico no grupo baseia‑se sobretudo em anamnese detalhada, histórico longitudinal e critérios clínicos padronizados (ex.: DSM/ICD) aplicados ao padrão de funcionamento. O que separa blocos na prática é o predomínio do traço (personalidade), a presença de impulsos específicos (F63), ou a natureza da perturbação da identidade/ou preferência sexual (F64‑F66). Exames complementares servem para excluir causas orgânicas ou substâncias.
Como costuma ser tratado?
O cuidado costuma ser ambulatorial com intervenção psicoterápica especializada (terapias específicas para transtornos de personalidade, tratamento de impulsos e apoio psicossocial). Casos de risco de suicídio, descompensação aguda ou necessidade de mudança de medicação são manejados em regime hospitalar. No SUS, o tratamento envolve atenção básica, centros de atenção psicossocial (CAPS) e serviços especializados conforme a complexidade.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
As classes farmacológicas utilizadas neste grupo incluem antidepressivos (inibidores de serotonina), estabilizadores do humor (anticonvulsivantes, lítio), antipsicóticos e ansiolíticos; a escolha depende do sintoma predominante (impulsividade, instabilidade afetiva, sintomas psicóticos associados) e da comorbidade, não do diagnóstico de personalidade isolado.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação imediata se houver risco iminente de suicídio ou autoagressão, comportamento violento ou incapacidade de autocuidado. Também é recomendada avaliação quando padrões de comportamento persistentes prejudicam trabalho, estudos, relações ou levam a repetidas internações ou problemas legais.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pelo empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16.º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de um período de 60 dias são contabilizados para fins dessa responsabilidade inicial (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias usa o CID do atestado como critério prático para o perito identificar se os atestados correspondem à mesma doença ou motivo de afastamento — ou seja, é o código que o perito consulta para verificar se os períodos se somam; isso é algo que muitos pacientes desconhecem.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, conter o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID só pode ocorrer com anuência do paciente: não há obrigação de informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos períodos dentro dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
No caso do bloco F60–F69, trata‑se de condições tipicamente duradouras, com padrão crônico e estável ao longo do tempo e preferência por acompanhamento ambulatorial e psicoterápico; a incapacidade para o trabalho varia conforme o subtipo e a gravidade, indo do acompanhamento e registro até, em situações de descompensação, necessidade de manejo mais intensivo. Como esses transtornos tendem a ser crônicos ou recorrentes, a regra dos 60 dias é especialmente relevante: atestados repetidos pelo mesmo CID em curtos intervalos podem ser somados para efeito de responsabilidade pelo pagamento e exigência de perícia.
Que direitos este código envolve?
Do ponto de vista legal, transtornos persistentes de personalidade entram na avaliação pericial para benefícios sociais ou auxílio‑doença por incapacidade laboral quando comprovam redução da capacidade de trabalho. A concessão depende de laudo pericial e das listas oficiais de benefícios; a lei trata do mecanismo de perícia e proteção contra discriminação, não atribui automaticamente benefícios a códigos isolados.
Perguntas frequentes sobre F60-F69
Quando devo escolher um código de transtorno da personalidade (F60) em vez de um transtorno do humor (F30-F39)?
Use F60 quando o padrão problemático for estável, inflexível e presente por anos afetando relações e trabalho; use F30-F39 quando há episódios afetivos claramente episódicos.
Como diferenciar transtorno do controle de impulsos (F63) de problemas por uso de álcool ou drogas (F10-F19)?
Se o comportamento impulsivo ocorre independentemente do uso de substância e segue padrão crônico, codifica‑se como F63; se está diretamente associado a intoxicação, abstinência ou dependência, usa‑se F10‑F19.
O CID F64 (transtorno da identidade sexual) obriga procedimento cirúrgico ou hormonioterapia para codificação?
Não; F64 descreve a incongruência persistente entre identidade de gênero e sexo de nascimento; procedimentos médicos são decisões clínicas separadas e não condicionam a presença do código.
É obrigatório indicar o CID inteiro em atestados quando o paciente pede sigilo?
O paciente pode solicitar omissão do CID em documentos destinados a terceiros; para fins de perícia ou benefício, informações clínicas detalhadas e laudos costumam ser exigidos.
Quais serviços do SUS costumam acompanhar pacientes com transtornos deste grupo?
O acompanhamento envolve atenção básica, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços especializados em saúde mental, com oferta principal de psicoterapia, apoio psicossocial e manejo medicamentoso quando indicado.
Códigos relacionados
- F60 Transtornos específicos da personalidade
- F61 Transtornos mistos da personalidade e outros transtornos da personalidade
- F62 Modificações duradouras da personalidade não atribuíveis a lesão ou doença cerebral
- F63 Transtornos dos hábitos e dos impulsos
- F64 Transtornos da identidade sexual
- F65 Transtornos da preferência sexual
- F66 Transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação
- F68 Outros transtornos da personalidade e do comportamento do adulto
- F69 Transtorno da personalidade e do comportamento do adulto, não especificado
- F00-F09 Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos
- F10-F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa
- F20-F29 Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes
- F30-F39 Transtornos do humor [afetivos]
- F40-F48 Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o "stress" e transtornos somatoformes
- F50-F59 Síndromes comportamentais associadas a disfunções fisiológicas e a fatores físicos
- F70-F79 Retardo mental
- F80-F89 Transtornos do desenvolvimento psicológico
- F90-F98 Transtornos do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência
- F99-F99 Transtorno mental não especificado
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F60-F69
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F60-F69)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.