F93.1 — Transtorno fóbico ansioso da infância

  • fobia específica na infância
  • medo fóbico infantil
  • fobia escolar (quando aplicada)
  • fobia situacional infantil

Em palavras simples

Receber o código CID F93.1 significa que a equipe entendeu que o que você ou seu filho vive não é apenas um medo passageiro, mas um medo intenso e persistente ligado a objetos, lugares ou situações específicas que atrapalha o dia a dia. Em linguagem simples: é uma fobia na infância. Isso pode ser, por exemplo, um pavor forte de cachorros, de ir ao médico, de ficar em locais fechados ou de ruídos altos, que faz a criança chorar, recusar participar de atividades ou dizer que a “barriga” dói quando o estímulo aparece.

O que a criança provavelmente sente é ansiedade antecipatória (medo só de pensar que terá de enfrentar aquilo), sintomas físicos como dor de barriga, náusea, tontura ou cansaço, e reação emocional intensa (choro, birra, pedir para sair). Junto vem a vontade de evitar a situação, pedir para ficar com um responsável ou faltar à escola. Os pais costumam perceber que a criança está mais acanhada, menos participativa em brincadeiras e queixas somáticas aumentam justamente ao antecipar o encontro com o estímulo temido.

Isso não é contagioso e, na maioria dos casos, não indica doença grave no sentido de risco imediato de vida. A duração varia: algumas fobias desaparecem com exposição e apoio, outras persistem e precisam de acompanhamento. Sem tratamento, o medo pode se manter e limitar atividades por meses ou anos. A abordagem inicial é geralmente ambulatorial e envolve avaliação, orientação e estratégias progressivas para enfrentar o medo.

O que costuma acontecer depois do diagnóstico é uma combinação de conversas com profissionais (médico, psicólogo) para entender melhor o que desencadeia o medo, uso de escalas para documentar gravidade e definição de um plano de manejo. Em muitos casos há retornos periódicos para ajustar o acompanhamento. A necessidade de afastamento escolar é avaliada caso a recusa seja persistente e incapacitante, com documentação clínica descrevendo o impacto.

Em casa, observe se a criança evita ativamente lugares ou atividades por medo, se relata dor de barriga frequente associada à situação ou se há sinais de retraimento e tristeza. Procure ajuda se as crises aumentarem, se surgirem sintomas físicos intensos (vômito, desmaio) ou se a recusa escolar e o isolamento afetarem rendimento e convivência. Buscar avaliação cedo facilita intervenções que reduzem o sofrimento e ajudam a criança a retomar o cotidiano.

O que este código significa?

O CID F93.1 designa um transtorno de ansiedade na infância caracterizado por medo intenso e persistente de objetos, lugares ou situações específicas, que leva à evitação e prejuízo nas atividades diárias. Geralmente surge na pré-escola ou período escolar inicial e difere do medo expectável pela idade por ser desproporcional e duradouro. Não inclui transtorno ligado à angústia de separação (F93.0), transtorno de ansiedade social da infância (F93.2) ou reações típicas de desenvolvimento. O diagnóstico exige que o medo cause sofrimento clinically significativo ou prejuízo no convívio, estudo ou lazer. Este código cobre fobias específicas manifestas na infância, como medo extremo de animais, de médicos, de ruídos ou de locais fechados, quando atendidos os critérios de intensidade e duração.


Quando este código é usado?

Usa-se F93.1 quando a criança apresenta medo fóbico claramente delimitado a objetos, situações ou locais e esse medo é persistente, desproporcional e causa prejuízo funcional. Deve-se escolher este código quando a apresentação não é primariamente de separação (F93.0), ansiedade social (F93.2) ou outro transtorno emocional da infância.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F93.0 (Transtorno ligado à angústia de separação) — o critério que separa é foco do medo: F93.0 é medo intenso de separação de figuras de apego e recusa em ficar só; F93.1 é medo de objetos/situações específicas independentemente da separação.
F93.2 (Distúrbio de ansiedade social da infância) — distingue-se porque F93.2 envolve medo de avaliação social, embaraço ou performance diante de pessoas, enquanto F93.1 envolve estímulos não sociais (animais, escuridão, locais).
F40.2 (Transtorno fóbico social) — se os sintomas persistem após a infância e o núcleo é social na adolescência/adulto, codifica-se no capítulo de adultos; F93.1 é usado quando o início e o padrão são propriamente infantis.

O que é?

O transtorno fóbico ansioso da infância é um transtorno de ansiedade específico que aparece na infância com medo intenso e irracional diante de um objeto, animal, situação ou local. A reação fóbica pode incluir choro, recusa, busca de companhia para evitar o estímulo e sintomas físicos como náusea, queixa de ‘barriga’ ou taquicardia quando a criança se aproxima ou antecipa o encontro com o estímulo temido.

Costuma começar na pré-escola ou início da escola, embora possa surgir a qualquer momento da infância. Afeta rotina escolar, brincadeiras e relações familiares quando a criança evita ativamente o estímulo ou exige acomodações frequentes para se preservar do medo.

Quais sintomas aparecem?

Principais sinais incluem medo persistente e intenso diante de um estímulo específico, evitação ativa desse estímulo, choro ou birra em crianças pequenas, queixas somáticas como ‘dor de barriga’ ou ‘cansaço’ ao antecipar o contato, dificuldade para dormir se o estímulo é noturno, queda de rendimento escolar quando a fobia impede ida à escola ou participação. Sinais precoces podem ser recusa em entrar em locais, choro ao ver animal ou pavor ao ouvir barulhos; indicadores de agravamento são isolamento crescente, ataques de pânico frente ao estímulo, funcionalidade comprometida em várias áreas e surgimento de sintomas depressivos secundários.

O que causa?

Os mecanismos envolvem interacção de fatores temperamentais (sensibilidade ao medo), experiências de aprendizado (uma experiência aversiva direta ou observação de medo em outros) e fatores familiares que reforçam o evitamento. No contexto brasileiro, causas comuns na prática incluem incidentes traumáticos isolados (ex.: mordida animal, procedimento médico assustador), reforço inadvertido de proteção pelos cuidadores e exposição precoce a modelos ansiosos. Não há uma única causa biológica identificável; hereditariedade de traços ansiosos e a construção ambiental combinam-se para aumentar o risco.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado em relato detalhado dos sintomas, duração e impacto funcional. Para sustentar F93.1 registra-se: descrição do estímulo fóbico, início e curso dos sintomas, evidência de evitação ou sofrimento significativo, e exclusão de que o medo seja melhor explicado por separação (F93.0), ansiedade social (F93.2) ou outro transtorno. Relatos consistentes de pais, professores e, quando possível, observação direta ou escalas padronizadas de fobia infantil dão suporte diagnóstico.

Como costuma ser tratado?

O tratamento é psicoterapêutico e comumente ambulatorial, com intervenções focadas em exposições graduais ao estímulo fóbico e técnicas de manejo do medo adaptadas à idade da criança. A família costuma participar ativamente para reduzir reforços de evitamento e apoiar enfrentamento. Em casos mais graves ou com comorbidade significativa, avaliação por especialista pode considerar terapia combinada ou medidas adicionais para estabilização.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Medicamentos não definem o código, mas em prática podem ser considerados por especialista quando há sintomas agudos incapacitantes ou comorbidade (por exemplo, inibidores seletivos da recaptação de serotonina em contexto especializado); a decisão depende de avaliação especializada e acompanhamento. Medicamentos são complementares à intervenção psicoterapêutica, não substituem o manejo comportamental.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação profissional se o medo impede idas à escola, uso de espaços públicos, provoca crises intensas, persiste por semanas ou piora com isolamento ou sintomas depressivos. Buscar ajuda também quando as estratégias familiares de enfrentamento não reduzem a evitação, ou quando surgem queixas somáticas frequentes (dor de barriga, vômito) relacionadas ao medo.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3). Do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia. Atestados pelo mesmo motivo emitidos dentro de 60 dias somam para esse período de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é aplicada com base no CID registrado: é o código que o perito usa para saber se os atestados se referem à mesma condição, ou seja, o CID no documento é a razão prática para verificar se os períodos devem ser acumulados.

Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o número do CRM do médico. O preenchimento do CID depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso do CID F93.1 (transtorno fóbico ansioso da infância), trata‑se de um transtorno de ansiedade específico da infância marcado por medo intenso e evitação de estímulos concretos. O curso pode ser persistente ou recorrente em crianças, e costuma exigir acompanhamento e registro em atenção à evolução e ao impacto nas atividades escolares e sociais; nem sempre implica incapacidade total para o trabalho ou estudo, mas pode levar a limitações que justificam atestados sucessivos. Por isso, quando houver repetição de atestados para o mesmo problema na infância, a regra dos 60 dias é especialmente relevante para verificar se os períodos curtos somam para fins de pagamento e exame pericial.

Perguntas frequentes sobre F93.1

Este código significa que meu filho tem algo permanente?

Não necessariamente permanente; indica um padrão de medo intenso na infância que pode melhorar com intervenção adequada e apoio familiar. A evolução varia com idade, gravidade e tratamento.

Posso obter atestado para justificar faltas escolares?

Sim, registros clínicos descrevendo a condição e o impacto podem ser usados para justificar faltas, mas decisões administrativas dependem da escola e regulamentos locais.

Isso é contagioso para outras crianças?

Não é contagioso; fobia é uma reação individual de ansiedade, embora comportamentos observáveis possam influenciar colegas, não geram transmissão biológica.

Que exames o médico pedirá?

Não há exame que confirme F93.1; investigações servem para descartar causas médicas das queixas físicas e avaliações psicológicas ajudam a documentar gravidade.

Como se diferencia deste código do F93.2?

A diferença está no foco: F93.2 refere-se a medo de avaliação social e embaraço; F93.1 refere-se a estímulos específicos não sociais.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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