F90-F98 — Transtornos do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência

Este bloco reúne transtornos mentais que surgem tipicamente na infância ou adolescência, incluindo os Transtornos hipercinéticos (F90), transtornos de conduta, emocionais e outros problemas de comportamento e socialização descritos em F90-F98. Os códigos mais procurados dentro do bloco incluem F90 (transtornos hipercinéticos) e categorias relacionadas a conduta e emocionalidade. A página orienta quem codifica e pacientes sobre como navegar do agrupamento ao código específico.


Quando usar este código

Usa-se este agrupamento quando a apresentação clínica envolve sintomas comportamentais ou emocionais cuja manifestação começa na infância ou adolescência e ainda não foi atribuída a outro capítulo (p.ex. transtorno orgânico, substância, ou retardo mental). Para selecionar o código exato, o profissional desce às subdivisões (por exemplo F90 para sinais de hiperatividade) e aplica os critérios diagnósticos e a história do início.

Não confunda com

Confusão com F90 (Transtornos hipercinéticos): separar quando o quadro é predominantemente hiperatividade/impulsividade/descrença de atenção (F90) versus quando predomina conduta antisocial ou agressividade persistente, que vai para códigos de conduta dentro de F91-F92.

Confusão com F80-F89 (Transtornos do desenvolvimento psicológico): separar por início e foco; problemas primários do desenvolvimento da linguagem e aprendizagem entram em F80-F89, enquanto perturbações de comportamento emocional sem déficit do desenvolvimento ficam em F90-F98.

Confusão com F30-F39 (Transtornos do humor): separar quando sintomas afetivos (depressão, mania) são proeminentes e cumprem critérios de transtorno do humor; nesses casos o código pertence a F30-F39 e não a F90-F98.

O que este grupo reúne

O bloco descreve transtornos cujo início e curso ocorrem tipicamente durante a infância ou adolescência, envolvendo alterações do comportamento, da regulação emocional ou das interações sociais. Em geral incluem problemas de atenção/hiperatividade, conduta, ansiedade emocional e adaptações comportamentais específicas. O critério que os reúne é o padrão clínico de início precoce e predominância de sintomas comportamentais ou emocionais na faixa etária infantil/adolescente.

Queixas que levam a este capítulo

Queixas que levam a codificar aqui costumam ser inquietação e dificuldade de atenção, impulsividade, agressividade ou violação de normas, tristeza ou ansiedade excessiva em contexto escolar/ familiar, dificuldades de socialização e alterações do comportamento disruptivo. Em geral o paciente chega por problemas escolares, conflitos familiares, comportamento antissocial ou queixas de professores.

Mecanismos em comum

Os mecanismos são multifatoriais: interação entre fatores neurobiológicos (p.ex. regulação de atenção e controlo inibitório no caso dos transtornos hipercinéticos), vulnerabilidade temperamental, adversidades psicoambientais e dificuldades de aprendizagem. Exemplos de blocos: F90 (hipercinéticos) frequentemente associado a características neurocomportamentais; F91-F92 (conduta e emocional) frequentemente relacionado a fatores familiares e sociais.

Como se define o código

O código é definido por avaliação clínica estruturada que documenta início na infância/adolescência, padrões de comportamento e duração dos sintomas; a distinção entre blocos na prática depende de qual conjunto de sintomas é predominante (hiperatividade/atenção versus conduta versus emocional). Avaliações multidisciplinares e uso de critérios diagnósticos padronizados orientam a escolha do código.

Como o cuidado se organiza

O manejo é geralmente ambulatorial e multidisciplinar, envolvendo saúde mental infantil, psicologia, educação e serviços sociais; casos graves podem necessitar de internação psiquiátrica. No SUS, atenção básica, CAPS infantil e serviços especializados participam do cuidado, além de programas escolares e intervenções familiares. O enfoque é reabilitador e de suporte, com articulação entre serviços.

Classes de medicamentos

Classes frequentemente utilizadas no conjunto incluem psicoestimulantes e noradrenérgicos (para sintomas hipercinéticos), antipsicóticos atípicos e estabilizadores do humor em quadros com agressividade persistente ou sintomas graves, e ansiolíticos/antidepressivos quando predominam sintomas emocionais; a escolha depende do padrão sintomático predominante, com avaliação de risco/benefício e acompanhamento especializado.

Sinais de alarme do grupo

Procure avaliação quando houver prejuízo escolar ou social persistente, comportamento agressivo ou perigoso, ideação suicida, autoagressão, ou quando sintomas progressam ou não respondem a intervenções básicas. Sinais de risco e deterioração funcional demandam encaminhamento urgente a serviços especializados.

Uso em atestado

Atestados e afastamentos devem descreve o quadro sintomático e impacto funcional sem necessariamente incluir o CID a pedido do paciente; notificação compulsória não é regra para este bloco. A perícia costuma exigir documentação clínica, relatórios multidisciplinares e evidencia do impacto funcional para avaliação de incapacidade.

Perguntas frequentes sobre F90-F98

Quando devo procurar o código F90 em vez de outro dentro de F90-F98?

Se o quadro predominante for desatenção, hiperatividade e impulsividade com início na infância/adolescência, a codificação recai em F90; outros sintomas predominantes direcionam a códigos de conduta ou emocionais.

Como diferenciar um transtorno do desenvolvimento (F80-F89) de um transtorno comportamental deste bloco?

Transtornos do desenvolvimento têm déficits primários da linguagem, aprendizagem ou desenvolvimento cognitivo desde cedo; se o problema principal for comportamento ou regulação emocional sem deficiência de desenvolvimento, o código pertence a F90-F98.

O CID deste grupo garante licença médica ou benefício previdenciário?

O CID documenta a condição, mas concessão de benefícios depende de perícia que avalia incapacidade funcional e requisitos legais; o código sozinho não garante benefício.

O CID pode ser omitido do atestado a pedido do paciente?

Sim, a omissão do CID em atestado é permitida a pedido do paciente; contudo a perícia pode solicitar documentação detalhada do quadro clínico.

Quais serviços do SUS atendem essas condições?

Atenção básica, serviços de saúde mental (incluindo CAPS infantil quando disponível), equipes multiprofissionais e serviços especializados em saúde mental infantojuvenil fazem o atendimento e acompanhamento.

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