G43.1 — Enxaqueca com aura [enxaqueca clássica]
- enxaqueca clássica
- migraine with aura
Em palavras simples
Receber o código CID G43.1 significa que o seu quadro foi classificado como enxaqueca com aura. Em palavras simples, trata‑se de crises de dor de cabeça que costumam vir acompanhadas ou serem precedidas por sinais neurológicos temporários, mais frequentemente no campo visual (luzes, faixas brilhantes, pontos ou áreas de visão reduzida). Esses sinais são chamados de aura e desaparecem normalmente em até uma hora.
Você provavelmente sente uma sequência: primeiro vêm as alterações visuais ou sensoriais — por exemplo, ver luzes piscando, ter uma sensação de formigamento que começa na mão e sobe pelo braço — e depois surge a cefaleia, que costuma ser intensa, acompanhada de enjoo, sensibilidade à luz e ao som. Em algumas crises a aura ocorre sem dor de cabeça; em outras, a dor pode aparecer sem que você perceba claramente a aura.
Na maioria dos casos, não é algo contagioso e não significa doença cerebral permanente. As crises tendem a ser episódicas e a duração total varia: a aura costuma durar minutos até uma hora, e a cefaleia pode ir embora em horas ou levar mais tempo. Se você teve alteração do padrão, sintomas que não desaparecem ou déficits persistentes, isso exige avaliação imediata.
O que costuma acontecer depois de receber este diagnóstico é: o médico registra o quadro e pode orientar medidas para identificar gatilhos (estresse, sono, alimentação), tratar as crises quando surgem e, se as crises forem frequentes, considerar medidas preventivas. É provável que você seja orientado a retornar para acompanhamento e a anotar em um diário quando ocorrem as crises, o que ajuda a ajustar o manejo. Em alguns casos exames de imagem são solicitados apenas para excluir outras causas quando os sinais forem atípicos.
Em casa, observe se as auras duram mais do que o habitual, se vêm com fraqueza real e prolongada, confusão ou se a dor é muito diferente do que você costumava ter. Procure ajuda sem esperar se houver perda de força, alteração da fala que não regride, perda de consciência ou febre acompanhando os sintomas. Para crises intensas que não cedem com as medidas habituais, procurar atendimento também é indicado.
Registre os episódios (data, duração, sintomas da aura, intensidade da dor, medicamentos usados e resposta). Isso facilita a avaliação médica e a escolha das melhores medidas para reduzir a frequência e o impacto das crises no seu dia a dia.
O que este código significa?
O CID G43.1 designa a enxaqueca com aura, chamada também de enxaqueca clássica, em que a dor de cabeça típica é precedida ou acompanhada por sintomas neurológicos transitórios, geralmente visuais ou sensitivos. Aparece em episódios recorrentes, com manifestação de aura minutos a uma hora antes ou no início da cefaleia, mas a aura pode ocorrer sem dor. Não inclui outras causas secundárias de sintomas neurológicos como AVC, crise epiléptica ou lesão estrutural; nesses casos o código apropriado é outro. Este código indica o padrão clínico e não determina tratamento ou benefício por si só. A presença de aura modifica diagnóstico e registro em comparação com enxaqueca sem aura (G43.0) e enxaqueca sem especificação (G43.9).
Quando este código é usado?
Usar quando o paciente apresenta episódios recorrentes compatíveis com enxaqueca e houve aura neurológica transitória típica (visual, sensitiva, da fala ou de marcha) que precedeu ou ocorreu junto à dor de cabeça, sem outra causa identificável.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
G43.0 — Enxaqueca sem aura: se não houver sintomas neurológicos transitórios que caracterizem aura (p. ex., escotomas, cintilações, parestesias), o caso deve ser codificado como G43.0. A presença de aura é o critério decisivo.
G43.9 — Enxaqueca, sem especificação: quando a informação clínica não descreve claramente aura nem exclui, usa-se G43.9; G43.1 exige relato específico de fenômeno neurológico reversível associado.
G44.2 — Cefaleia de tensão crônica/episódica: tensão costuma provocar dor bilateral e pressão sem aura neurológica. A predominância de sintomas nociceptivos e ausência de aura ajudam a separar de G43.1.
O que é?
A enxaqueca com aura é um tipo de enxaqueca caracterizado por episódios em que sinais ou sintomas neurológicos focais transitórios precedem ou acompanham a dor de cabeça. As manifestações mais comuns da aura são alterações visuais (luzes, linhas em ziguezague, perda parcial de visão), mas podem incluir formigamento, alteração da fala ou fraqueza temporária. Cada episódio costuma durar horas no total, com a aura tipicamente durando até uma hora e a cefaleia podendo persistir por várias horas a dias.
Afeta adultos e adolescentes, com maior prevalência em mulheres, e tende a ser episódica e recorrente. Embora incômoda, a aura é reversível; entretanto, é importante diferenciar episódios com aura de sinais neurológicos que indiquem emergência neurológica ou doença cerebral estrutural.
Quais sintomas aparecem?
Principais: aura visual (cintilações, manchas cegas, escotomas), aura sensitiva (formigamento que pode começar na mão e subir pelo braço e face), distúrbios da linguagem (fala arrastada ou dificuldade para encontrar palavras), seguida por dor de cabeça unilateral pulsátil, náusea, fotofobia e fonofobia. Sintomas de aura aparecem cedo, geralmente antes da dor, e são de curta duração. Sinais que sugerem agravamento ou condição séria incluem aura que dura mais de uma hora, déficits neurológicos persistentes, início súbito e diferente do padrão habitual ou associação com febre e confusão; nesses casos investigação imediata é indicada.
O que causa?
A fisiopatologia envolve alterações temporárias na atividade neuronal e vascular cerebral: mecanismos de excitação cortical seguida por depressão (spreading depression) e sensibilização de vias de dor cranianas. Fatores desencadeantes comuns no Brasil incluem estresse, privação de sono, alterações hormonais, jejuns ou padrões alimentares, álcool e certos medicamentos, além de predisposição genética. A aura decorre de perturbação transitória do córtex visual ou de outras áreas corticais, produzindo os sintomas neurológicos reversíveis.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, baseado na história de episódios recorrentes compatíveis com critérios de enxaqueca com aura: descrição detalhada da sequência (aura antes/ao mesmo tempo que a dor), características da aura e duração típica. Exames complementares não confirmam o diagnóstico, mas são indicados para excluir causas secundárias quando a apresentação é atípica, quando há aura prolongada, déficits persistentes ou sinais de alerta. A documentação precisa dos sintomas pelo paciente ou testemunha é importante para codificação correta como G43.1.
Como costuma ser tratado?
O manejo costuma combinar medidas de reconhecimento e evitação de gatilhos com terapias agudas para alívio da crise e, quando indicado, tratamento preventivo para reduzir a frequência e intensidade das crises. A escolha do esquema terapêutico depende da frequência, severidade, comorbidades e preferência do paciente e é definida em consulta. Tratamento pode ser ambulatorial, e muitas vezes envolve reavaliação periódica para ajustar estratégias.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes usadas na prática incluem analgésicos e agentes específicos para crises de enxaqueca, além de medicamentos preventivos quando as crises são frequentes ou incapacitantes. Antieméticos podem ser usados para náusea associada. A seleção entre classes depende do perfil do paciente, contraindicações e resposta prévia.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento quando a aura ou a dor forem diferentes do padrão habitual, quando a aura durar mais de uma hora, surgirem déficits neurológicos persistentes, febre, confusão, perda súbita de consciência ou se houver suspeita de condição vascular ou neurológica aguda. Também é indicado buscar avaliação quando as crises se tornam mais frequentes ou incapacitantes, ou quando medicamentos habituais não controlam os sintomas.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID estabelece um período fixo de afastamento; a duração do atestado é definida pelo médico que examinou o paciente com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário; a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. Atendimentos e atestados relacionados ao mesmo motivo dentro de 60 dias são considerados em conjunto para calcular esses 15 dias pagos pelo empregador.
A verificação de que atestados são pelo mesmo motivo usa o CID registrado: é o código que o perito consulta para saber se a doença é a mesma, portanto o CID no atestado tem papel prático na soma dos períodos dentro dos 60 dias — informação que muitos desconhecem.
Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, e a assinatura com o número do CRM do médico. A inclusão do CID no documento depende da anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos atestados no prazo de 60 dias não pode ser verificada da mesma forma.
No caso do código G43.1 (enxaqueca com aura), trata‑se de uma condição episódica e recorrente em que episódios agudos de aura e cefaleia ocorrem de forma intermitente ao longo do tempo. Esses episódios podem levar a incapacidade temporária durante crises mais intensas, mas o acompanhamento e registro costumam ser ambulatoriais; por ser uma condição que tende a recidivar, a regra dos 60 dias é particularmente relevante para consolidar atestados sucessivos como o mesmo motivo quando necessário.
Que direitos este código envolve?
Direitos previdenciários e afastamento por doença ou estabilidade dependem de perícia e do enquadramento legal específico; o registro do CID é informação clínica, não garante benefício automático. Em perícias, documentação detalhada sobre frequência, intensidade e impacto funcional das crises é relevante.
Perguntas frequentes sobre G43.1
O que significa ter o CID G43.1 no atestado?
Indica que o médico identificou enxaqueca com aura, ou seja, crises de cefaleia associadas a sintomas neurológicos transitórios. O CID é registro clínico, e o período de afastamento depende da avaliação do profissional.
A enxaqueca com aura é contagiosa?
Não. É uma condição neurológica individual, não transmissível. A preocupação é com a frequência e o impacto funcional, não com contágio.
Quando é preciso fazer tomografia ou ressonância cerebral?
Exames de imagem são solicitados quando a apresentação é atípica, há aura prolongada, déficits neurológicos persistentes ou sinais de alerta que sugiram outra causa. Em apresentações típicas e recorrentes, nem sempre são necessários.
Como diferenciar G43.1 de enxaqueca sem aura (G43.0)?
A diferença é clínica: G43.1 exige relato claro de aura (sintomas neurológicos reversíveis) que antecedem ou acompanham a dor. Se não houver aura documentada, usa‑se G43.0.
O CID G43.1 garante cobertura de tratamento pelo plano de saúde?
O CID é informação clínica usada em autorizações, mas cobertura depende do contrato, procedimento solicitado e regras da operadora; não há garantia automática.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- O episódio de aura teve início antes ou ao mesmo tempo da dor de cabeça, e qual foi a duração típica da aura?
- Quais características visuais ou sensoriais foram observadas (ex.: luzes, escotoma, formigamento) e sua progressão?
- Houve perda de força, confusão ou déficits neurológicos que persistiram além da aura esperada?
- Que tratamentos agudos foram utilizados e qual foi a resposta durante a crise atual?
- Existem fatores desencadeantes identificáveis ou mudança no padrão das crises que justificam investigação adicional?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual documentação clínica mínima é necessária para justificar afastamento por enxaqueca com aura em perícia previdenciária?
- Como a presença de aura influencia avaliação de capacidade laboral e concessão de benefícios temporários?
- Que registros (diário de dor, receitas, relatórios) fortalecem prova da gravidade e frequência exigida em perícia médica?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O procedimento solicitado para investigação (imagem ou consulta especializada) exige autorização prévia com CID G43.1?
- Em casos de tratamento preventivo de longo prazo, quais critérios contratuais a operadora costuma exigir para parcial ou total cobertura?
- Como registrar adequadamente a aura na guia de autorização para evitar negativa por falta de informação clínica?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco G40-G47
- OMS — ICD-10, versão 2019 (G43.1)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.