G45 — Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos transitórios e síndromes correlatas

  • TIA
  • ataque isquêmico cerebral transitório
  • síndrome isquêmica cerebral reversível

Em palavras simples

Receber o código CID G45 significa que, segundo a avaliação médica, você teve um episódio de isquemia cerebral que causou sintomas neurológicos repentinos, mas que reverteram sem deixar evidência clara de lesão permanente. Em palavras simples: o cérebro sofreu falta temporária de sangue em uma área e por isso apareceram sinais como fraqueza, perda de sensibilidade, dificuldade para falar ou perda parcial da visão, que melhoraram.

Você provavelmente sentiu algo que começou de repente — por exemplo, um braço que ficou fraco, dificuldade para articular palavras ou visão em parte do campo visual — e depois esses sinais diminuíram. Além do sintoma principal, pode haver cansaço, tontura ou sensação de confusão passageira. Nem todo episódio tem todos os sinais; às vezes é só um déficit localizado, como perda de visão num olho.

Quanto à gravidade, o termo “transitório” indica que os sintomas melhoraram, mas isso não significa que seja banal: um TIA é um alerta de risco aumentado de acidente vascular cerebral mais grave. A maioria dos episódios dura minutos ou poucas horas, mas o risco de um AVC nos dias seguintes é relevante, por isso a investigação é importante.

O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação médica rápida, exames de imagem para excluir hemorragia e procurar sinais de infarto, além de exames do coração e dos vasos do pescoço. Dependendo dos resultados, pode haver encaminhamento para especialista, ajuste de medicações e proposta de medidas para reduzir fatores de risco. Em muitos casos a investigação e o início de prevenção ocorrem em ambiente hospitalar ou em ambulatório especializado.

Em casa, observe qualquer retorno ou piora de sintomas: fraqueza nova, dificuldade de fala ou perda visual. Se algo assim reaparecer ou piorar, procure emergência imediatamente. Guarde cópias dos exames e anote horários dos sintomas para ajudar na investigação. Essas informações ajudam a equipe a definir se o episódio permanece como TIA (CID G45) ou se houve infarto comprovado que muda a classificação e o manejo.

O que este código significa?

O CID G45 designa ataques isquêmicos transitórios (TIA) e síndromes correlatas: episódios súbitos e breves de perda de função neurológica causados por redução temporária do fluxo sanguíneo cerebral, sem evidência de infarto estabelecido. Aparecem como déficit focal (fraqueza, perda sensorial, dificuldade de fala, perda visual) que melhora em minutos a horas. O código inclui TIA e episódios isquêmicos breves relacionados a território vascular cerebral, mas não inclui acidente vascular cerebral isquêmico com infarto visível por imagem (classificar como I63) nem eventos exclusivamente epilépticos ou enxaquecas com aura prolongada. Este código é usado quando a apresentação clínica e os exames sugerem isquemia cerebral transitória sem dano permanente demonstrado.


Quando este código é usado?

Usa-se G45 quando há relato ou observação de déficit neurológico focal de início súbito que regride completamente e não há evidência de infarto cerebral em avaliação inicial, ou quando a apresentação é compatível com síndromes isquêmicas cerebrais breves que não preenchem critérios de AVC estabelecido.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

G45 vs G40: epilepsia — crises epilépticas costumam ter movimentos mioclônicos, perda de consciência breve ou padrão eletroencefalográfico; déficits pós-ictais (paralisia de Todd) duram horas e não seguem território vascular, o que sugere G40 em vez de G45.

G45 vs G43: enxaqueca com aura — a aura migratória tende a progredir em minutos e envolver sintomas positivos (zumbido, visão em faíscas) e história prévia de enxaqueca; se o déficit é estritamente focal e abrupto com fatores de risco vascular, G45 é mais provável.

G45 vs I63: AVC isquêmico confirmado por imagem — a presença de infarto agudo demonstrado em tomografia ou ressonância desloca o código para I63; G45 é reservado quando não há evidência de lesão cerebral permanente.

O que é?

G45 reúne eventos em que o fluxo de sangue para uma parte do cérebro fica temporariamente insuficiente e causa sintomas neurológicos breves. Esses episódios costumam afetar uma região específica do cérebro, levando a sinais como fraqueza em um lado do corpo, perda sensitiva, alteração da fala ou perda visual em um olho ou campo visual.

Os sintomas surgem subitamente e, na maioria dos casos, regridem parcial ou totalmente dentro de minutos a poucas horas. Pessoas com fatores de risco vascular — hipertensão, diabetes, tabagismo, fibrilação atrial — são as mais frequentemente envolvidas, mas eventuais causas locais (estenose carotídea, embolia cardíaca) também aparecem na prática.

Quais sintomas aparecem?

Principais: perda súbita de força ou sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade súbita para falar ou compreender, perda visual monocular ou hemianopsia, tontura súbita com desequilíbrio focal. Sintomas que aparecem cedo costumam ser monofocais e de instalação muito rápida. Sinais que indicam agravamento ou maior probabilidade de infarto incluem duração prolongada dos sintomas, piora progressiva ao invés de resolução, déficit neurológico multifocal ou comprometimento de consciência.

O que causa?

Mecanismos: embolia arterial de origem cardíaca ou a partir de placa carotídea, trombose local em vasos cerebrais com reperfusão espontânea, e dissecção arterial em pacientes mais jovens. Na prática brasileira, a causa mais frequentemente investigada é aterosclerose carotídea ou cardioembolismo em pessoas com fibrilação atrial não tratada. Outras causas incluem estados hipercoaguláveis, dissecção arterial e vasculopatias raras.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico que sustenta G45 é clínico: identificação de déficit neurológico focal de início súbito com recuperação completa ou quase completa em período curto, sem imagem definitiva de infarto. A confirmação exige correlação entre história, exame neurológico e exames de neuroimagem e vascular. Se a imagem demonstra infarto agudo, recodificar como AVC isquêmico (I63).

Como costuma ser tratado?

O manejo descrito para episódios sob G45 visa reduzir risco de recorrência e de evolução para AVC estabelecido: medidas agudas de avaliação e estabilização, identificação de mecanismos potenciais e início de estratégias preventivas secundárias. O cuidado pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade, tempo desde os sintomas e achados nos exames.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos utilizadas na prevenção secundária e após TIA incluem antiplaquetários, anticoagulantes quando há indicação de origem cardioembólica, e terapias para controle de fatores de risco (anti-hipertensivos, estatinas). A escolha farmacológica depende da etiologia presumida e achados diagnósticos.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação imediata quando houver início súbito de fraqueza, alteração da fala, perda visual ou alteração do equilíbrio. Mesmo que os sintomas tenham regredido, o episódio pode representar risco de AVC iminente e exige avaliação urgente para confirmação, investigação da causa e início de medidas preventivas.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias usa o CID do atestado como referência para o perito saber se a doença é a mesma — é essa a razão prática pela qual o código aparece no documento, e esse detalhe é pouco conhecido fora dos serviços de perícia.

Para que um atestado seja aceito ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos atestados dentro dos 60 dias não pode ser verificada pelo sistema pericial.

No caso do código G45 (ataques isquêmicos transitórios e síndromes correlatas), trata‑se tipicamente de um quadro agudo e de curta duração, com resolução espontânea dos sintomas em muitos episódios, embora represente um marcador de risco vascular que exige investigação e acompanhamento. Nem todo episódio sob G45 implica incapacidade laboral prolongada; por vezes o registro e o seguimento clínico são o principal objetivo do atendimento. Como esses eventos podem reaparecer em períodos próximos, a regra dos 60 dias importa para somar atestados emitidos pelo mesmo motivo e permitir a avaliação consolidada do período inicial pago pelo empregador e da necessidade de perícia a partir do 16º dia.

Perguntas frequentes sobre G45

O que significa ter CID G45 no prontuário?

Significa que houve um episódio de déficit neurológico por provável isquemia cerebral que se reverteu e, no momento, não há evidência de infarto definitivo nos exames iniciais.

Isso é contagioso ou causado por infecção?

Não é contagioso; trata-se de um problema vascular cerebral, não de infecção transmissível.

Preciso de atestado ou afastamento após um episódio codificado como G45?

A necessidade de atestado e o tempo de afastamento dependem da avaliação clínica, do risco de recorrência e da função para trabalho; a documentação médica e exames subsidiarão essa decisão.

Qual exame confirma que não foi um AVC com infarto?

Exames de neuroimagem (TC ou RM) são utilizados para identificar lesão isquêmica; a ausência de infarto na imagem inicial suporta a classificação como G45, embora algumas lesões só apareçam depois.

Como diferenciar G45 de uma enxaqueca com aura prolongada?

A história de enxaqueca prévia, sintomas positivos migratórios e evolução típica da aura ajudam a distinguir; deficits abruptos, localizados e associados a fatores de risco vascular sugerem G45.

O que acontece se os sintomas voltarem ou piorarem?

Reaparecimento ou piora dos sintomas exige avaliação imediata, pois pode indicar risco de AVC estabelecido ou evolução do evento inicial.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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