G47.3 — Apnéia de sono
- apneia obstrutiva do sono
- apneia central do sono
- síndrome da apneia do sono
- distúrbio respiratório do sono
Em palavras simples
O código CID G47.3 significa que houve identificação de apneia do sono, ou seja, episódios em que a respiração para ou diminui durante o sono. Isso pode ocorrer por um bloqueio da passagem do ar na garganta ou por falhas no controle da respiração pelo cérebro. O resultado costuma vir após avaliação do sono, exames noturnos ou pela combinação dos sintomas relatados e da observação de quem dorme com você.
Você provavelmente percebe ronco alto e sustentado, acorda no meio da noite sentindo falta de ar ou engasgado, e se sente cansado ou sonolento durante o dia mesmo dormindo muitas horas. Pode haver dificuldade de concentração, irritabilidade, dor de cabeça pela manhã e sensação de sono não reparador. O parceiro de cama pode relatar pausas respiratórias ou sufocamentos durante o sono.
Na maioria dos casos, a apneia não é contagiosa. A gravidade varia: para algumas pessoas o problema é leve e controlável, para outras pode aumentar o risco de pressão alta, problemas cardíacos e cansaço que interfere no trabalho ou na direção de veículos. A duração depende do tratamento; sem controle, os sintomas tendem a persistir ou piorar com o tempo.
O passo seguinte costuma ser encaminhamento para estudo do sono (polissonografia) ou monitoramento noturno, avaliação otorrinolaringológica para verificar a anatomia das vias aéreas e acompanhamento médico para definir tratamento. Em consultas de retorno serão avaliados os sintomas e a eficácia das medidas adotadas. A necessidade de afastamento do trabalho depende de quanto a sonolência e a segurança no exercício da função são afetadas.
Em casa, observe se as pausas respiratórias continuam, se há acordares súbitos com falta de ar, sonolência que atrapalha dirigir ou operar máquinas, ou presença de palpitações e desmaios. Procure ajuda imediata se houver perda de consciência, falta de ar intensa ao acordar ou sintomas cardíacos novos. Para tudo o mais, leve os exames e relatórios às consultas para que o médico avalie o melhor caminho.
O que este código significa?
O código CID G47.3 designa apnéia de sono, o conjunto de quadros em que ocorrem pausas respiratórias ou redução do fluxo aéreo durante o sono. Inclui formas obstructivas, centrais e mistas quando registradas por avaliação clínica e exames do sono. Aplica‑se quando há confirmação por estudo respiratório noturno (polissonografia) ou quando a documentação clínica sustenta episódios recorrentes com sonolência diurna, ronco intenso e despertares. Não deve ser usado para simples ronco sem apneia documentada, nem para distúrbios do sono sem componente respiratório predominante (ver G47.0‑G47.9). Este código é para descrever a condição respiratória que interrompe o sono, independentemente da causa subjacente como obesidade ou doença neurológica.
Quando este código é usado?
Usa‑se este código quando o paciente apresenta episódios repetidos de cessação ou redução do fluxo respiratório durante o sono, com impacto clínico (sonolência diurna, fadiga, cefaleia matinal) e quando o caso é suportado por exame do sono ou pela documentação médica que permita classificar como apneia. Não usar se não houver evidência de evento respiratório noturno ou se o quadro primário for outro distúrbio do sono sem apneia.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
G47.33 (Síndrome da apneia obstrutiva do sono) — critério: presença predominante de colapso das vias aéreas superiores com índice de apneia‑hipopneia (IAH) compatível e padrão clínico de ronco e despertares, distinguindo‑se de G47.3 genérico quando a causa obstrutiva é claramente documentada e especificada.
G47.4 (Narcolepsia) — critério: sonolência diurna excessiva com episódios súbitos de perda do tônus muscular (cataplexia) e latências rápidas ao adormecer em testes específicos; diferencia‑se porque a narcolepsia tem origem central do controle do sono e não pausas respiratórias noturnas.
R06.0 (Dispneia) — critério: sensação subjetiva de falta de ar em vigília; se os sintomas ocorrem apenas durante o sono com eventos respiratórios documentados, o código apropriado é G47.3, não R06.0.
O que é?
Apneia de sono é um distúrbio caracterizado por interrupções recorrentes da respiração durante o sono. Essas interrupções podem ser completas (apneia) ou parciais (hipopneia) e ocorrem por colapso das vias aéreas superiores, falha do controle respiratório central ou uma combinação de ambos. Clinicamente manifesta‑se por ronco alto, despertares com sensação de sufocamento, sono fragmentado e sonolência excessiva durante o dia.
O quadro acomete pessoas de todas as idades, mas é mais frequente em adultos de meia‑idade, especialmente em homens, indivíduos com obesidade, anatomia das vias aéreas comprometida, consumo de álcool ou uso de sedativos, além de algumas doenças neuromusculares e condições endócrinas. A gravidade varia de leve a severa, com maior risco cardiovascular e metabólico nos casos não tratados.
Quais sintomas aparecem?
Os principais sintomas incluem ronco alto e contínuo, pausas respiratórias observadas por companheiro de sono, despertares súbitos com sensação de sufocamento, sonolência diurna excessiva e fadiga. Sintomas que aparecem cedo são o ronco e despertares noturnos; sonolência diurna e dificuldade de concentração surgem à medida que o sono se fragmenta. Sinais de agravamento incluem piora da sonolência diurna, quedas de atenção, cefaleia matinal persistente, hipertensão arterial recém‑diagnosticada ou descontrole pressórico e eventos cardíacos arrítmicos, que indicam maior impacto sistêmico.
O que causa?
Os mecanismos incluem obstrução anatômica das vias aéreas superiores (mais comum na prática brasileira), redução do tônus musculoesquelético durante o sono, alterações do centro respiratório no tronco encefálico e fatores contribuintes como obesidade, macroglossia, septo desviado, hipertrofia das amígdalas, consumo de álcool e sedativos. Em doenças neuromusculares ou em insuficiência cardíaca, a apneia pode ser central, com perda do estímulo ventilatório, ou mista. Na população brasileira, a apneia obstrutiva associada à obesidade e alterações anatômicas é a causa predominante.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico deste código é sustentado por documentação de eventos respiratórios durante o sono, preferencialmente por polissonografia completa ou por estudo respiratório noturno que mensure apneias e hipopneias (índice de apneia‑hipopneia). Avaliação clínica inclui relato de ronco, testemunho de pausas respiratórias, somnolência diurna e fatores de risco. Exames complementares como oximetria noturna podem sugerir dessaturações, mas a confirmação e a quantificação do distúrbio são feitas por testes respiratórios do sono que permitam classificar severidade e orientar registro do código.
Como costuma ser tratado?
O tratamento depende da gravidade e da causa: medidas comportamentais e de redução de risco, dispositivos de pressão positiva nas vias aéreas para manter a permeabilidade durante o sono, terapias orais ou procedimentos cirúrgicos para correção anatômica em casos selecionados, além do manejo de comorbidades como obesidade, hipertensão e doenças respiratórias. O plano terapêutico é individualizado segundo a confirmação diagnóstica e impacto funcional.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Não existem medicamentos específicos que curem a apneia; classes que podem ser usadas no manejo incluem agentes para tratar comorbidades (antihipertensivos, estatinas) e, em casos selecionados, estimulantes do sistema nervoso central para sintomas residuais de sonolência diurna após tratamento adequado das apneias. Sedativos e álcool agravam usualmente a apneia e suas restrições são parte do manejo.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação médica quando houver ronco intenso com pausas respiratórias observadas, sonolência diurna que atrapalhe atividades, episódios de engasgo noturno, perda de consciência ou queixas de mudança de memória e concentração. Buscar atendimento urgente em caso de dessaturação grave, desmaios ou sintomas cardiorrespiratórios agudos associados ao sono.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Quanto ao funcionamento prático, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3). A partir do 16.º dia em diante, o INSS assume o benefício e pode exigir perícia médica para avaliar a continuidade do afastamento. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias, conforme o que dispõe o Decreto 3.048/99, art. 75.
A respeito dessa regra dos 60 dias, é o código CID indicado no atestado que o perito usa para verificar se a doença é a mesma — é por isso que o CID aparece no documento: ele permite agrupar períodos sucessivos de afastamento para efeitos dessa soma, ainda que poucas pessoas saibam desse detalhe prático.
Para que um atestado seja aceito deve conter a identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
No caso específico do código G47.3 (apneia de sono), trata‑se tipicamente de uma condição crônica ou recorrente que costuma requerer investigação e tratamento continuados, mais do que um quadro agudo que se resolve espontaneamente. A apneia de sono pode reduzir a capacidade para determinadas atividades e, em alguns casos, levar a limitação funcional que justifique afastamento ou adaptação de tarefas, dependendo da gravidade e do impacto sobre a sonolência e atenção. Como é uma condição que frequentemente recorre ou persiste, a regra dos 60 dias tem relevância prática: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem ao perito avaliar a continuidade do problema e a necessidade de manutenção do afastamento.
Que direitos este código envolve?
Direitos legais variam conforme legislação e contrato de trabalho; a presença do CID G47.3 pode justificar avaliação pericial para afastamento ou reabilitação quando há impacto funcional comprovado. A cobertura por planos privados depende do procedimento e do contrato; benefícios previdenciários requerem perícia médica e comprovação de incapacidade laboral conforme normas do INSS e da legislação vigente.
Perguntas frequentes sobre G47.3
O que significa receber o CID G47.3 no meu prontuário?
Significa que foi identificado um distúrbio respiratório durante o sono caracterizado por pausas ou redução do fluxo respiratório; geralmente será necessário estudo do sono e acompanhamento para definir tratamento.
Preciso me afastar do trabalho se tenho apneia do sono?
O afastamento depende da gravidade dos sintomas, do risco ocupacional e da avaliação médica; a documentação clínica e exames suportam a decisão em perícias.
A apneia do sono é contagiosa?
Não, não é contagiosa; trata‑se de um distúrbio fisiológico ligado à anatomia, peso, controle neurológico e outros fatores individuais.
Quais exames confirmam a apneia do sono?
A polissonografia completa é o padrão para confirmar e quantificar apneias e hipopneias; estudos domiciliares e oximetria noturna podem ser utilizados como triagem ou quando indicados.
Qual a diferença entre ronco e apneia do sono?
Ronco é o som da passagem de ar turbulenta e pode ocorrer isoladamente; apneia envolve pausas respiratórias documentadas e maior impacto clínico, sendo registrado com CID G47.3 quando confirmado.
O tratamento é sempre cirúrgico?
Não; o tratamento varia de medidas comportamentais e dispositivos não cirúrgicos a procedimentos cirúrgicos em casos selecionados, conforme avaliação especializada.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu plano de saúde (1)
- a cobertura de dispositivos orais ou cirurgias depende de pré‑autorização e laudo especializado?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco G40-G47
- OMS — ICD-10, versão 2019 (G47.3)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.