H18.6 — Ceratocone

  • ectasia corneana
  • ceratocone bilateral ou unilateral

Em palavras simples

Ceratocone significa que a córnea — a ‘lente’ transparente na frente do olho — foi ficando mais fina e assumiu um formato pontiagudo, como um cone. Esse diagnóstico descreve uma mudança na forma do olho que altera a forma como a luz entra, e por isso a visão pode ficar embaçada ou distorcida.

O que você provavelmente sente no dia a dia é dificuldade para enxergar nitidamente mesmo com óculos comuns, imagens que parecem ondular, e pior visão em ambientes com pouca luz. Muitas pessoas também relatam necessidade de trocar de óculos com frequência. Se você coça muito os olhos por alergia, isso pode estar relacionado ao aparecimento ou piora do quadro.

Na maioria dos casos não é uma doença infecciosa nem contagiosa. A evolução costuma ser lenta, levando anos; alguns estabilizam espontaneamente, outros progridem e precisam de intervenções para manter ou recuperar visão. A gravidade varia muito entre pessoas e olhos, e ter ceratocone não significa automaticamente perder a visão.

O caminho habitual após o diagnóstico envolve exames de imagem da córnea, como topografia ou tomografia, para documentar a forma e o afinamento. O oftalmologista vai discutir opções de correção visual (como lentes especiais) e estratégias para tentar estabilizar a córnea. Em casos mais avançados, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados. Retornos regulares permitem acompanhar se o cone está progredindo.

Em casa, observe mudanças na visão: se perceber piora rápida, novas distorções, dor intensa ou vermelhidão associada, procure avaliação. Evite coçar os olhos e trate alergias oculares conforme orientação do seu médico, pois isso pode reduzir o risco de piora. Leve sempre os exames e a receita das lentes de contato aos retornos para documentar a evolução.

O que este código significa?

O CID H18.6 designa ceratocone, uma ectasia progressiva da córnea caracterizada por afinamento e protrusão em forma de cone. Costuma surgir na adolescência ou idade jovem adulta e evoluir por anos, afetando a qualidade visual por astigmatismo irregular e baixa acuidade visual não corrigível por óculos. Não inclui outras ectasias corneanas secundárias a cirurgia, inflamação ativa ou doenças degenerativas localizadas; nesses casos usa-se código diferente. Tampouco descreve simples ceratite, pterígio ou opacidades corneanas sem ectasia. O registro deste código apoia autorizações e laudos que se referem especificamente à ectasia corneana primária.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando a avaliação clínica e exames complementares confirmam uma ectasia corneana primária em padrão de cone, sem causa secundária clara, e quando o diagnóstico final escrito e codificado na assistência ou perícia é ceratocone.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

H18.5 — keratoglobus: diferencia-se pelo padrão de protrusão mais global e esférico da córnea e pelo afinamento periférico difuso, enquanto ceratocone tende a ter protrusão apical localizada e astigmatismo irregular pronunciado.

H18.8 — outras especificadas de córnea: aplica-se quando a alteração corneana não corresponde ao padrão clássico de ceratocone; o critério que separa é a descrição etiológica ou morfológica específica que não seja ectasia em forma de cone.

H18.9 — transtorno da córnea, não especificado: este código é reservado apenas quando falta informação suficiente; ceratocone confirmado exige H18.6 em vez de não especificado.

O que é?

Ceratocone é uma doença da córnea na qual o tecido corneano se torna progressivamente mais fino e assume uma curvatura em forma de cone. Essa alteração anatômica altera a forma da superfície refrativa do olho, causando astigmatismo irregular que não é totalmente corrigido por lentes esféricas e frequentemente reduz a acuidade visual.

O ceratocone tipicamente aparece na adolescência ou início da idade adulta e pode progredir por vários anos antes de estabilizar. Afeta ambos os olhos na maioria dos casos, porém com assimetria; fatores mecânicos, genéticos e bioquímicos contribuem para sua aparição e progressão.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sintomas incluem visão embaçada que não melhora adequadamente com óculos, distorção visual (imagens onduladas), aumento do astigmatismo e sensibilidade à luz. Nos estágios iniciais a queixa mais comum é dificuldade para enxergar à noite ou ao dirigir e necessidade frequente de troca de óculos. Sinais de agravamento incluem perda rápida de visão, aumento acentuado do astigmatismo, diplopia monocular e dor ocular súbita se ocorrer ruptura de Descemet com hidrops corneano.

O que causa?

O mecanismo envolve enfraquecimento e degradação da matriz extracelular da córnea, com perda de espessura e remodelamento que leva à protrusão focal. Suspeita-se interação entre predisposição genética e fatores ambientais como atrição ocular crônica (coçar os olhos), alergias oculares e exposição a irritantes. No Brasil, a associação com alergias oculares e hábito de coçar os olhos é frequentemente observada na prática clínica.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado na combinação de exame clínico com lâmpada de fenda, caracterizando protrusão corneana e afinamento, e exames de topografia ou tomografia corneana que documentam curvaturas irregulares e padrões de ectasia. A confirmação para este código exige registro claro do padrão de ectasia (perfil de cone, assimetria entre olhos) e exclusão de causas secundárias como cirurgia prévia, ceratites cicatriciais ou doenças inflamatórias.

Como costuma ser tratado?

O manejo contém medidas ópticas, terapêuticas e cirúrgicas conforme estágio: correção visual com lentes (óculos e lentes de contato rígidas ou esclerais), medidas destinadas a estabilizar a ectasia e procedimentos cirúrgicos em casos avançados. O objetivo pode ser melhorar a visão, reduzir a progressão e tratar complicações. Em muitos cenários o acompanhamento especializado e intervenções escalonadas são necessários ao longo de anos.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas mencionadas no contexto do ceratocone incluem agentes lubrificantes para tratar superfície ocular seca e reduzir irritação associada; anti-histamínicos ou estabilizadores de mastócitos para alergia ocular que favorece coceira; e medicamentos anti-inflamatórios tópicos usados pontualmente em complicações inflamatórias. Antibióticos tópicos entram em cena apenas quando há infecção associada a úlceras ou complicações.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação oftalmológica quando houver diminuição progressiva da visão que não melhora com óculos, nova distorção visual, troca frequente de receita, dor ocular intensa ou aumento súbito da vermelhidão e da sensibilidade à luz. Busque atendimento urgente se ocorrer perda visual rápida ou dor intensa, pois complicações como hidrops corneano ou ruptura podem demandar intervenção imediata.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto e pode variar entre pacientes com o mesmo código. Duas pessoas com CID H18.6 podem portanto receber períodos de afastamento diferentes conforme a gravidade, função visual e as exigências ocupacionais de cada uma.

O pagamento e a transição entre quem arca com o salário seguem regras legais: até 15 dias o empregador paga, a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias entre si são somados para efeito desse limite de 15 dias; para verificar se se trata do mesmo motivo a perícia usa o CID indicado no atestado, razão prática pela qual o código aparece ali.

Para que um atestado seja aceito ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: o médico só deve registrar o código com consentimento. Informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o CID nos documentos a soma dos atestados dentro do prazo de 60 dias não pode ser verificada administrativamente.

No caso específico do CID H18.6 (ceratocone), trata‑se de uma ectasia corneana primária de curso tipicamente crônico e progressivo, com evolução ao longo de anos e necessidade de acompanhamento oftalmológico e intervenções escalonadas (correção óptica, medidas estabilizadoras e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos). Não é, em regra, uma condição que se resolva sozinha em curto prazo, e muitas vezes não provoca incapacidade total permanente para o trabalho, embora possa reduzir a acuidade visual e exigir adaptações, exames e tratamentos repetidos.

Por ser uma condição crônica que pode progredir ou apresentar complicações intermitentes (por exemplo, episódios que alterem subitamente a visão), a regra dos 60 dias tem importância prática para quem tem H18.6: atestados sucessivos referindo o mesmo CID permitem que o tempo de afastamento curto, distribuído em vários episódios, seja somado para efeito dos limites legais mencionados, o que influencia quem paga e quando a perícia do INSS passa a ser necessária.

Perguntas frequentes sobre H18.6

O que significa receber o código CID H18.6?

Significa que foi identificado ceratocone, uma alteração da forma da córnea que pode reduzir a visão e requer acompanhamento e exames corneanos para monitorar progressão.

O ceratocone é contagioso?

Não; não se transmite entre pessoas. É uma alteração estrutural da córnea relacionada a fatores genéticos e ambientais.

Preciso de afastamento do trabalho por ter ceratocone?

A necessidade de afastamento depende da gravidade, das exigências da atividade e do laudo médico pericial; nem todos os casos exigem afastamento.

Quais exames confirmam o diagnóstico?

Topografia e tomografia corneana documentam o padrão em forma de cone e o afinamento; paquimetria quantifica a espessura corneana.

Ceratocone pode piorar rápido?

Em geral progride mais lentamente, especialmente após a terceira década, mas evolução rápida pode ocorrer e deve ser avaliada urgentemente.

Diferença entre ceratocone e outras doenças da córnea?

A forma de cone e o astigmatismo irregular documentado por topografia distinguem ceratocone de outras alterações corneanas não ectásicas.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O ceratocone documentado pode justificar afastamento laboral temporário ou adaptações ergonômicas no exercício profissional?
  • Quais provas documentais (exames topo/tomo, laudos, receitas de lentes de contato) são aceitáveis em perícia trabalhista para comprovar limitação visual?
  • Em perícia de invalidez, como a progressão documentada do ceratocone influencia concessão de benefício?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais critérios e exames a operadora exige para autorizar procedimentos corneanos relacionados a ceratocone?
  • O plano exige relatório de evolução topográfica para autorizar uma intervenção estabilizadora ou cirúrgica?
  • Como a operadora trata solicitações para lentes de contato terapêuticas específicas para ceratocone e quais documentos costuma requerer?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

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O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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