H65 — Otite média não-supurativa
- otite serosa
- otite secretora
- otite sero-mucosa
O CID H65 designa a otite média não-supurativa, isto é, inflamação ou acúmulo de líquido no ouvido médio sem perfuração timpânica nem saída de pus. Aparece com frequência após resfriados, rinossinusites ou disfunção tubária, sobretudo em crianças, mas também em adultos. Não inclui os quadros com perfuração do tímpano, otite média aguda supurativa ou otite externa. Este código cobre formas agudas serosas e quadros crônicos não supurativos quando não há supuração ativa.
Em palavras simples
Receber o código CID H65 significa que foi identificado acúmulo de líquido ou inflamação dentro do ouvido médio, mas sem perfuração do tímpano nem saída de pus. Em linguagem simples: há uma “água” ou secreção atrás do tímpano que atrapalha a audição e dá a sensação de ouvido tampado, mas não há uma infecção com pus que esteja saindo para fora.
Você provavelmente sente o ouvido cheio, como quando há pressão na cabeça, e pode perceber que ouvi menos de um lado — às vezes com zumbido ou estalidos ao engolir. A dor costuma ser discreta; se houver dor intensa ou febre, isso pode indicar outra coisa e é sinal para reavaliação. Em crianças, além do ouvido tampado, pode haver irritabilidade, dificuldade de dormir ou atraso na fala se a perda auditiva for persistente.
Na maior parte das vezes, o quadro aparece depois de um resfriado, alergia ou sinusite, quando a trompa que liga o ouvido à garganta fica inchada e não deixa o ouvido ventilar corretamente. O tempo de resolução varia: muitas efusões melhoram espontaneamente em semanas, outras podem durar mais e exigir acompanhamento. A condição em si não é contagiosa; o que pode ter sido contagioso foi o resfriado que a precedeu.
O que costuma acontecer a seguir é um exame do ouvido com otoscópio e, se indicado, testes como timpanometria e audiometria para medir a presença de líquido e o grau de perda auditiva. O médico pode recomendar observação e tratamento dos fatores associados (por exemplo, alergia nasal). Em casos recorrentes ou com perda auditiva persistente, pode ser discutida intervenção para melhorar a ventilação do ouvido.
Em casa, observe se a audição melhora ou piora, se aparece dor forte, febre, saída de líquido pelo ouvido ou sinais como tontura intensa. Se qualquer um desses ocorrer, procure reavaliação. Para crianças, atenção a dificuldades escolares, fala atrasada ou irritabilidade persistente, que merecem avaliação especializada. Anotações sobre a evolução dos sintomas e exames anteriores ajudam nas consultas de seguimento.
Quando usar este código
Usa-se este código quando há evidência clínica ou por exame otoscópico/otoscopia pneumaticamente assistida de efusão ou derrame no ouvido médio, sem sinais de perfuração ou descarga purulenta. Também é aplicado quando o laudo de imagem ou timpanometria confirma presença de líquido na cavidade timpânica sem supuração. Não deve ser usado se houver ruptura timpânica com saída de secreção (usar H66) ou se o problema for exclusivamente do conduto auditivo externo.
Não confunda com
H65.0 (Otite média aguda serosa) — critério que separa: H65.0 é a forma aguda com derrame e sintomas recentes (dor relativa e perda auditiva leve) e história de infecção respiratória recente; H65 geral inclui formas serosas agudas e crônicas sem supuração, a diferenciação depende da duração e do quadro clínico.
H66 — critério que separa: H66 exige presença de secreção purulenta ou perfuração timpânica documentada; H65 exclui qualquer supuração visível ou perfuração ativa.
H72 (Perfuração do tímpano) — critério que separa: H72 descreve ruptura timpânica constatada independentemente de haver supuração; H65 exige integridade do tímpano ou ausência de perfuração ativa.
O que é
Otite média não-supurativa é a presença de inflamação ou acúmulo de líquido (efusão) na cavidade do ouvido médio sem perfuração do tímpano nem produção de pus. Frequentemente refere-se a situações em que a trompa de Eustáquio está disfuncional, permitindo acúmulo de secreção e pressão negativa atrás do tímpano.
Manifesta-se por sensação de ouvido cheio, diminuição da audição condutiva e, ocasionalmente, zumbido ou leve desconforto. Crianças apresentam essa condição com maior frequência, mas adultos com alergias, refluxo ou sequelas de infecções respiratórias também podem desenvolver otite média não-supurativa.
Sintomas
Principais sintomas incluem sensação de ouvido cheio ou tapado, perda auditiva de condução geralmente leve a moderada e zumbido intermitente. Nos estágios iniciais pode haver apenas sensação de pressão ou estalidos ao engolir; dor importante é incomum e, quando surge, pode indicar complicação ou outra causa.
Sinais de agravamento são piora progressiva da audição, aparecimento de dor intensa, febre alta, saída de secreção do ouvido ou sintomas sistêmicos (tontura significativa, cefaleia intensa), que podem indicar supuração, perfuração ou complicação intracraniana.
Causas
O mecanismo fundamental é a disfunção da trompa de Eustáquio que impede a ventilação normal do ouvido médio, causando pressão negativa e acúmulo de secreção. Em prática brasileira, o desencadeante mais comum é uma infecção viral do trato respiratório superior seguida por obstrução tubária; alergias nasais e rinossinusite também são causas frequentes.
Outras causas incluem variações anatômicas, refluxo nasofaríngeo, exposição a ambientes com pressão alterada e sequelas de otites repetidas. Em crianças, a imaturidade anatômica da trompa facilita o desenvolvimento de efusão.
Como é diagnosticado
O diagnóstico é clínico com suporte de otoscopia que mostra tímpano íntegro com perda de mobilidade e possível nível líquido visível; otoscopia pneumática pode demonstrar movimento reduzido do tímpano. Timpanometria e audiometria de condução confirmam presença de efusão e impacto funcional auditivo, sustentando o uso do código H65.
Exames complementares como endoscopia nasal ou imagem são reservados para suspeita de obstrução anatômica ou quando há falha terapêutica recorrente; cultura não é rotineira enquanto não houver supuração.
Como costuma ser tratado
O manejo habitual é conservador e ambulatorial, centrado em medidas que restaurem a ventilação da orelha média e tratem fatores desencadeantes como rinossinusite ou alergia. Em muitos casos observa-se resolução espontânea em semanas; se persistir por tempo prolongado ou houver impacto auditivo funcional relevante, intervenções não farmacológicas ou cirúrgicas podem ser consideradas em avaliação especializada.
Classes de medicamentos
Classes farmacológicas que aparecem no manejo incluem analgésicos e antipiréticos para controlar desconforto, descongestionantes e anti-inflamatórios nasais ou agentes antialérgicos quando há comorbidade de rinite alérgica; antibióticos não são indicados rotineiramente na ausência de supuração. Uso de medicamentos é orientado por profissional e por contexto clínico.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento se houver dor intensa, febre alta, saída de secreção pelo ouvido, perda auditiva progressiva ou sinais neurológicos como cefaleia forte, confusão ou vertigem intensa. Também é indicado retorno se os sintomas persistirem além do período esperado, se houver repetição frequente de efusões ou impacto escolar/profissional por perda auditiva.
Uso em atestado
Para atestados e declarações médicas, descrever o achado objetivo (efusão/derrame no ouvido médio, tímpano íntegro) e as limitações funcionais (redução temporária da audição) é adequado. A duração do afastamento ou necessidade de audiometria e reavaliação deve constar conforme avaliação clínica individual.
Direitos e benefícios
Direitos relacionados a afastamento por doença e cobertura de procedimentos dependem da legislação trabalhista, do INSS e das normas do plano de saúde; o CID H65 por si só não garante benefício automático. Em perícia, documentações de exames objetivos (timpanometria, otoscopia) e impacto funcional ajudam a fundamentar pedidos de afastamento ou reabilitação auditiva.
Perguntas frequentes sobre H65
O que exatamente significa o código CID H65?
É o registro de otite média não-supurativa, ou seja, líquido ou inflamação no ouvido médio sem perfuração do tímpano nem saída de pus. Indica presença de efusão e impacto auditivo possível.
Preciso de atestado médico para trabalho ou escola quando tenho H65?
Depende do impacto funcional e da orientação do profissional; atestado deve descrever achados objetivos e limitações, e a necessidade de afastamento é avaliada caso a caso.
A otite média não-supurativa é contagiosa?
O quadro em si não é contagioso; a doença antecedente (como resfriado) pode ser contagiosa, mas o derrame no ouvido não se transmite por contato.
Que exames confirmam H65?
Otoscopia com tímpano íntegro e sinais de derrame, otoscopia pneumática com mobilidade reduzida e timpanometria tipo B são os principais exames que confirmam efusão.
Como se diferencia H65 de uma otite supurativa (H66)?
A diferença está na presença de secreção purulenta ou perfuração timpânica: H66 é usado quando há pus visível ou ruptura do tímpano; H65 exige ausência desses sinais.
Quanto tempo costuma durar a perda auditiva associada ao H65?
Muitas efusões resolvem em semanas a poucos meses, mas se persistirem por mais tempo ou se houver episódios repetidos, a audição pode permanecer comprometida até que o líquido seja resolvido ou tratado.</p>
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há evidência de efusão bilateral ou unilateral no exame otoscópico?
- Qual é a timpanometria e a perda auditiva por condução nas audiometrias?
- Quanto tempo de sintomas já ocorreu e houve episódios recorrentes no último ano?
- Existe história de rinite alérgica, refluxo ou cirurgia nasofaríngea que explique disfunção tubária?
- Houve resposta a medidas conservadoras iniciais e há indicação para ventilação transtimpânica?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- O laudo apresenta exames objetivos suficientes para justificar afastamento temporário por redução auditiva?
- Em caso de perícia, a documentação demonstra impacto funcional comprovado em trabalho que dependa de audição?
- Há registros de tratamentos prévias e tempo de incapacidade para fundamentar pedido ao INSS?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige laudo com timpanometria e audiometria para autorizar procedimentos como miringotomia com tubo de ventilação?
- Quais critérios de cobertura e prazos de carência se aplicam a intervenções cirúrgicas para otite média com efusão?
- O plano costuma autorizar repetição de procedimentos ou há limites por período?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.