H65-H75 — Doenças do ouvido médio e da mastóide
- Otite média e mastoidite (termos gerais)
- Doenças do ouvido médio
- Patologias da mastoide
O que este código significa?
Bloco H65-H75 agrupa doenças que afetam a cavidade média do ouvido e a apófise mastóide, desde efusões não supurativas (H65) e otites médias agudas (H66) até otite média crônica, perfurações e sequelas (H72-H75). Inclui também mastoidite e alterações da trompa de Eustáquio associadas. Os códigos mais procurados costumam ser H65 (otite média serosa/efusão), H66 (otite média aguda/otite média purulenta) e H72-H73 (perfurações e sequelas crônicas).
Quando se usa um código deste grupo?
Este bloco é usado quando a queixa e os achados localizam-se na cavidade média ou na mastóide e não no ouvido externo (H60-H62) nem no ouvido interno (H80-H83). Para escolher o código certo é preciso descer à subdivisão conforme presença de efusão, supuração, cronicidade, perfuração timpânica ou acometimento da mastóide.
Com que grupos este se confunde?
H65 vs H66: critério de separação é presença de inflamação/infeção aguda com pus e sinais sistêmicos (H66) contra efusão serosa sem sinais de infecção aguda (H65).
H66 vs H60: critério de separação é localização do processo; H66 quando a inflamação atinge a cavidade média, H60 quando restrita ao meato/acessos do ouvido externo.
H72 vs H66: critério de separação é cronicidade e perfuração timpânica; H72 descreve perfuração crônica e suas sequelas, H66 descreve otite média aguda com ou sem ruptura.
O que é?
Conjunto de alterações inflamatórias, infecciosas e sequelares da cavidade média e da apófise mastóide. Reúne processos com base na presença de líquido/efusão, inflamação aguda ou crônica, perfuração timpânica e extensão para a mastoide. Varia conforme tempo de evolução, presença de supuração e danos estruturais.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Queixas que levam a codificação aqui incluem dor otológica, sensação de ouvido cheio ou abafado, perda auditiva condutiva, secreção otorréica, episódios recorrentes de otite, febre em agudos e dor retroauricular ou edema em complicações mastoideas.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Como se chega a um código deste grupo?
O código é definido por achados otoscópicos e tempo: presença de efusão sem sinais agudos (H65), sinais de inflamação supurativa aguda (H66), perfuração crônica ou tecidos polipóides/substâncias trombosadas (H72-H73) e imagem/clinica de mastoidite (H70). Exames complementares suportam mas a classificação é fenotípica.
Como costuma ser tratado?
Cuidados variam de manejo ambulatorial a intervenção especializada; a maioria dos casos é acompanhada em atenção primária ou otorrinolaringologia. Casos com complicação (mastoidite, abscesso intracraniano, perda auditiva progressiva) demandam internação e procedimentos. Programas públicos e protocolos locais regulam encaminhamento e cirurgias.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes usadas incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle sintomático, antibióticos sistêmicos (p.ex. betalactâmicos) quando há infecção supurativa, corticosteróides tópicos ou sistêmicos em situações selecionadas, e terapia tópica local em presença de otorréia; a escolha depende de supuração, cronicidade e resposta prévia.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento ao surgir dor intensa, febre persistente, secreção purulenta contínua, edema retroauricular ou sinais neurológicos, piora de audição súbita ou quando a criança apresenta apatia e recusa alimentar.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. Ato médico e atestados sucessivos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias depende do CID: é o código que o perito usa para identificar se tratam-se da mesma doença para efeitos de soma dos atestados — ou seja, o CID registrado no documento é a razão prática pela qual o benefício pode ser considerado contínuo ou não.
Para que um atestado seja aceito ele deve trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data, assinatura e o CRM do médico. O CID só deve constar com anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
Em geral o bloco H65–H75 reúne tanto quadros agudos de ouvido médio que se resolvem ou são manejados em atenção primária quanto condições crônicas e recorrentes (perfurações, secreção crônica, sequelas mastoideas) que exigem registro e seguimento especializado. A maioria dos casos é acompanhada ambulatorialmente, enquanto complicações podem demandar internação; por serem frequentemente recorrentes, a regra dos 60 dias tem importância prática maior aqui, porque atestados sucessivos pelo mesmo CID podem ser agrupados e avaliados em conjunto pelo perito.
Que direitos este código envolve?
Doenças deste grupo podem fundamentar pedidos administrativos ou benefícios quando causam incapacidade temporária ou sequela auditiva permanente, mas a concessão depende de avaliação pericial e das listas legais vigentes. Procedimentos e cirurgias são regulados por protocolos e filas do SUS conforme prioridade clínica.
Perguntas frequentes sobre H65-H75
Quando uso H65 em vez de H66?
Use H65 quando houver efusão ou otite serosa sem sinal claro de infecção aguda; H66 descreve otite média aguda com sinais inflamatórios ou supuração.
H70 é sempre mastoidite? Como diferencio de H66?
H70 refere-se à mastoidite com envolvimento da apófise mastóide; diferencia-se por sinais retroauriculares, edema, dor e imagem de osso mastoide comprometido além da clínica de otite média.
Onde registrar perfuração timpânica crônica?
Perfuração crônica e suas sequelas são codificadas em H72-H73; a cronicidade e alterações estruturais do tímpano orientam para esses códigos.
Posso omitir o CID no atestado a pedido do paciente?
Sim, a omissão do CID em atestados é permitida a pedido do paciente, mas a perícia pode exigir documentação completa para benefícios.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco H65-H75
- OMS — ICD-10, versão 2019 (H65-H75)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.