H83.0 — Labirintite

  • neurite vestibular
  • labirintite aguda
  • síndrome vestibular periférica com acometimento labiríntico

O CID H83.0, intitulado Labirintite, designa transtornos agudos ou subagudos do órgão vestibular do ouvido interno que cursam com vertigem rotatória, náusea e alteração do equilíbrio, muitas vezes acompanhados por redução auditiva ou zumbido. Aparece quando há inflamação ou disfunção do labirinto membranoso (vestíbulo e cóclea) ou do nervo vestibular, causando sinais objetivos de comprometimento vestibular periférico. Não inclui vertigens de origem central (como acidente vascular cerebral do tronco cerebral), nem transtornos primariamente cocleares sem componente vestibular isolado. Também não cobre alterações do equilíbrio por causas sistêmicas sem lesão do ouvido interno.


Em palavras simples

Receber o código CID H83.0 significa que os médicos identificaram um problema no labirinto do ouvido interno, a parte responsável por manter o corpo equilibrado e perceber movimentos. Na linguagem do dia a dia, trata-se de uma alteração do aparelho do equilíbrio (labirintite) que causa episódios de tontura forte — muitas vezes descrita como sensação de que tudo gira ao redor — e pode vir acompanhada de náusea, vômito, zumbido e queda de audição num dos ouvidos.

Você provavelmente estará sentindo vertigem rotatória intensa no início, com dificuldade para ficar em pé ou caminhar sem apoio. Náuseas e vômitos costumam aparecer junto e deixam a pessoa debilitada por horas a dias. Se houver alteração de audição ou zumbido, isso indica que a parte responsável pela audição também foi afetada. Em geral, a sensação de cansaço e o esforço para manter o equilíbrio são marcantes nas primeiras fases.

Quanto à gravidade, muitos casos têm recuperação gradual em dias a semanas, especialmente os de origem viral. Nem todo caso é contagioso; a labirintite por causas não infecciosas não transmite para outras pessoas. Entretanto, se houver sinais neurológicos inesperados (como fraqueza de um lado do corpo ou alteração na fala) é preciso atendimento imediato. A duração varia muito: alguns se recuperam quase totalmente em dias, outros podem ter sintomas residuais por semanas ou meses.

O próximo passo costuma ser documentação do quadro: exames auditivos (audiometria) e testes do equilíbrio para avaliar quanto o labirinto foi afetado, e, quando necessário, exames de imagem para excluir outras causas. O médico decidirá se o acompanhamento será ambulatorial ou se é preciso observação mais intensiva. A necessidade de afastamento do trabalho depende da intensidade dos sintomas e do tipo de atividade que a pessoa realiza.

Em casa, observe se a tontura piora quando você muda de posição, se a audição diminui de forma súbita ou se surgem sinais como dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, visão dupla ou perda de consciência — nesses casos procure emergência imediatamente. Caso os sintomas sejam apenas vertigem e náusea, mantenha hidratação, evite movimentos bruscos e retorne ao médico conforme combinado para reavaliação. Anote quando começaram os sintomas, sua intensidade e quaisquer fatores que pareçam desencadear as crises para facilitar a avaliação médica.

Quando usar este código

Usa-se o código H83.0 quando o quadro clínico e os exames apontam para disfunção do labirinto ou do nervo vestibular periférico, com episódios de vertigem rotatória associados a náusea, instabilidade e sinais compatíveis de origem periférica. Este código é apropriado para registros de episódios agudos ou subagudos claramente atribuíveis ao aparelho vestibular, quando o diagnóstico diferencial com causas centrais já foi considerado ou excluído.

Não confunda com

H81.3 – Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): separa-se da labirintite por provocar episódios breves e desencadeados por mudança de posição; na VPPB os exames vestibulares muitas vezes mostram nistagmo posicional típico sem perda auditiva.

H81.0 – Síndrome vestibular aguda unilateral: código usado quando há síndrome vestibular aguda sem compromisso coclear documentado; escolher H83.0 se houver evidência de acometimento labiríntico (sintomas auditivos ou achados cocleares).

H91.2 – Perda auditiva súbita neurossensorial: distingue-se quando o quadro principal é perda auditiva súbita sem sinais predominantes de vertigem periférica; se vertigem e perda auditiva coexistirem, H83.0 costuma ser mais adequado.

O que é

Labirintite refere-se à disfunção do labirinto do ouvido interno, estrutura responsável por detectar movimento e manter o equilíbrio. A alteração pode decorrer de inflamação, infecção, isquemia ou lesão ocupando o aparelho vestibular e, por vezes, a cóclea, provocando vertigem rotatória intensa e instabilidade postural.

Na prática clínica, manifesta-se como ataques de vertigem que duram minutos a dias, acompanhados por náusea, vômito, sudorese e dificuldade para caminhar; pode haver também zumbido e redução da audição no lado afetado. Afeta adultos de qualquer idade, sendo mais frequentemente relatada em adultos jovens e de meia-idade em episódios virais ou após otites, mas também pode ocorrer em idosos por mecanismos vasculares ou degenerativos.

Sintomas

Os sintomas centrais da labirintite incluem vertigem rotatória intensa com início agudo, náusea e vômito; esses costumam surgir precocemente e são os mais incapacitantes. A instabilidade ao caminhar e a sensação de queda ou oscilação aparecem rapidamente e podem persistir por dias a semanas. Sintomas auditivos como zumbido (tinnitus) e perda auditiva unilateral frequentemente acompanham o quadro, indicando acometimento coclear; seu aparecimento sugere maior extensão da lesão e orienta para H83.0 em vez de códigos puramente vestibulares. Sinais de agravamento incluem piora progressiva da audição, nistagmo que não se suprime com fixação visual e sinais neurológicos centrais (visão dupla, fraqueza focal) — esses últimos exigem investigar causa central.

Causas

Os mecanismos que causam labirintite incluem inflamação direta do labirinto (viral ou pós-viral), infecção bacteriana em extensão de otite média, acometimento isquêmico do labirinto por comprometimento vascular, trauma labiríntico e reações autoimunes que atacam estruturas membranosas do ouvido interno. No Brasil, o cenário mais comum na prática é a disfunção pós-viral do nervo vestibular ou do próprio labirinto, frequentemente ocorrendo após infecções respiratórias agudas. Outras causas relevantes são complicações de otite média crônica, procedimentos cirúrgicos otológicos e raramente agentes ototóxicos que causem lesão cocleo-vestibular.

Como é diagnosticado

O diagnóstico de labirintite é clínico, sustentado por história compatível (vertigem rotatória aguda, náusea, instabilidade) e exame neurológico com sinais de origem vestibular periférica, como nistagmo horizontal-direcional e perda do reflexo vestíbulo-ocular no lado afetado. A confirmação para fins de codificação inclui documentação de sintomas vestibulares com componente auditivo ou achado que localize a lesão ao ouvido interno. Exames complementares que apoiam o diagnóstico são a audiometria mostrando perda unilateral, testes vestibulares (vHIT, eletrococleografia quando disponível) e eletroneurografia vestibular; a imagem por TC ou RM é indicada quando se suspeitam causas centrais ou complicações estruturais.

Como costuma ser tratado

O manejo da labirintite é predominantemente ambulatorial ou em regime de observação conforme gravidade, com medidas gerais para controlar náuseas e vertigem nos episódios agudos e programas de reabilitação vestibular quando persistem déficits do equilíbrio. O tratamento específico depende da causa provável: quadros pós-virais costumam evoluir com recuperação gradual, enquanto infecções bacterianas ou complicações estruturais podem exigir abordagem otológica mais direcionada. A duração do acompanhamento varia do curto prazo, para resolução de sintomas, até meses em casos com sequelas vestibulares.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos usadas no controle sintomático incluem antieméticos para náusea e agentes que reduzem a intensidade da vertigem em fase aguda; em casos de suspeita infecciosa podem ser registrados antimicrobianos quando houver indicação etiológica. Corticoterapia sistêmica pode ser considerada em protocolos clínicos específicos para perda auditiva súbita associada ou para reduzir inflamação, quando indicada por especialista. A escolha de classe e uso depende da avaliação clínica e não é coberta por este verbete.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação imediata se a vertigem vier acompanhada de fraqueza focal, alteração da fala, visão dupla, perda auditiva súbita grave ou se houver piora progressiva dos sintomas apesar do tratamento inicial. Busque atendimento urgente também quando houver desidratação por vômitos intensos, dificuldade para ficar de pé ou queda ao caminhar. Para quadros estáveis sem sinais de alarme, o retorno ao médico para reavaliação em poucos dias é apropriado, especialmente se a audição ou equilíbrio não melhorarem.

Uso em atestado

Atestados e laudos devem descrever data de início dos sintomas, intensidade funcional (limitação para atividades diárias), achados do exame otoneurológico e exames que sustentem o diagnóstico quando disponíveis. Para perícias, relatar se há acometimento auditivo e duração estimada do período de incapacidade. Documentar tratamentos instituídos e resposta clínica ajuda na avaliação temporal do quadro.

Perguntas frequentes sobre H83.0

O que significa ter o código CID H83.0 no meu prontuário?

Indica que os sinais e sintomas apontam para disfunção do labirinto do ouvido interno, com vertigem e possível acometimento auditivo. Serve para registrar a hipótese diagnóstica que orienta exames e acompanhamento.

A labirintite é contagiosa?

A labirintite em si não é uma condição transmissível; quando decorre de uma infecção viral, o vírus pode ser contagioso, mas o distúrbio do ouvido interno não é transmitido de pessoa para pessoa.

Preciso de afastamento do trabalho automaticamente com este código?

O CID por si só não determina afastamento; a necessidade depende da intensidade dos sintomas, risco da atividade e avaliação médica registrada em atestado.

Que exames são esperados após receber esse diagnóstico?

Exames comuns incluem audiometria e testes vestibulares instrumentados para documentar perda auditiva e disfunção vestibular; imagem por RM é solicitada se houver sinais neurológicos ou curso atípico.

Como diferenciar labirintite de vertigem de origem central?

A distinção baseia-se em sinais clínicos (como nistagmo que muda com a fixação visual, alterações neurológicas focais) e, quando necessário, em exames de imagem; achados neurológicos pedem investigação cerebral urgente.

O CID H83.0 pode mudar se os sintomas persistirem?

Sim, o código pode ser revisado conforme novos achados ou exames que indiquem outra causa específica ou extensão da lesão; documentar evolução clínica e resultados é fundamental.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (6)
  • O início foi súbito e quanto tempo duraram os episódios de vertigem?
  • Há relatos de zumbido ou perda auditiva unilateral concomitante ao quadro vestibular?
  • Os testes vestibulares instrumentados mostraram redução uniteral do reflexo vestíbulo-ocular ou resposta calorica alterada?
  • Foi realizada RM de crânio com protocolo para ângulo ponto-cerebelar para excluir causa retrococlear?
  • Houve associação temporal com otite média, trauma cranioencefálico ou uso de medicamentos ototóxicos?
  • Existe progressão auditiva nas últimas semanas que justificaria reclassificação do código?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Qual a duração provável do afastamento laboral inicial justificável por laudo médico para labirintite?
  • Quais documentos e exames o perito deve considerar para vínculo entre o quadro vestibular e acidente de trabalho ou doença ocupacional?
  • Em perícia, como a presença de perda auditiva unilateral concomitante afeta a caracterização da incapacidade?
  • Quais critérios médicos convencionais sustentam a necessidade de prorrogação do atestado por mais de 15 dias?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • Quais exames vestibulares e de imagem a operadora costuma exigir para autorizar procedimentos relacionados a labirintite?
  • Existe cobertura para reabilitação vestibular conforme o contrato quando o CID H83.0 é registrado?
  • Que documentação clínica comprova indicação de internação por vertigem intensa para avaliação e controle sintomático?
  • A associação com perda auditiva súbita altera a autorização para exames complementares de imagem avançada?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade