CIDs Med
I00–I99 · Capítulo IX · Doenças do aparelho circulatório
  • obstrução venosa hepática
  • trombose das veias hepáticas
  • síndrome de Budd-Chiari clássica

Em palavras simples

Este código indica que houve obstrução do fluxo sanguíneo das veias do seu fígado; é o registro do problema vascular conhecido como Síndrome de Budd-Chiari. Em linguagem simples, o sangue que sai do fígado está bloqueado por um coágulo ou compressão, e isso faz o fígado ficar congestionado. O nome pode parecer técnico, mas descreve justamente essa interrupção do escoamento venoso.

Você pode estar sentindo dor na parte superior do abdome ou sensação de pressão na “barriga”, aumento do volume abdominal por acúmulo de líquido (ascite), cansaço e, às vezes, náuseas ou perda de apetite. Algumas pessoas percebem inchaço na barriga ou uma sensação de peso; outras têm sinais mais discretos no começo. Se o quadro piora, pode surgir icterícia (a pele e olhos amarelados) ou sintomas relacionados a sangramentos e confusão, que são sinais de maior gravidade.

Este problema não é contagioso. A duração e a evolução variam muito: pode ser uma situação aguda que precisa de tratamento rápido ou um quadro que evolui mais lentamente e exige acompanhamento. O médico vai pedir exames de imagem para ver exatamente onde está a obstrução e quanto ela compromete o fígado. Depois desses exames, haverá retorno para discutir opções e necessidade de procedimentos ou medicação.

Em geral, o caminho inclui exames como ultrassom com Doppler e tomografia ou ressonância, além de exames de sangue para avaliar a função do fígado e a coagulação. Dependendo do achado, pode haver necessidade de anticoagulantes, procedimentos para recanalizar a veia ou medidas para controlar a ascite. O médico vai explicar quais exames foram feitos e o que os resultados significam para você.

Em casa, observe aumento rápido da barriga, dor intensa, vômitos persistentes, sangramento pelo tubo digestivo (fezes escuras ou vômito com sangue) ou confusão mental — nesses casos procure atendimento urgente. Para outros sintomas, siga o retorno marcado pelo médico e leve todos os exames de imagem e laudos para as consultas seguintes. Anote quaisquer novos sinais e comunique ao seu médico no retorno.

Se recebeu atestado ou afastamento, guarde cópias dos exames e relatórios; eles são úteis para acompanhar a evolução e para eventuais necessidades administrativas ou de seguro. Pergunte ao seu médico quais sinais indicarão urgência e quando está marcado o próximo retorno para reavaliação.

O que este código significa?

O CID I82.0 designa a Síndrome de Budd-Chiari, isto é, a obstrução trombótica das veias hepáticas ou da veia cava hepática que drena o fígado. Aparece como um problema vascular que compromete o escoamento do sangue do fígado, levando a aumento abdominal, dor e sinais de hipertensão portal. Não inclui tromboses venosas em locais fora do sistema de drenagem hepática nem doenças primárias do parênquima hepático sem obstrução venosa. Este código é usado quando a confirmação imagiológica ou cirúrgica indica trombose ou obstrução das veias hepáticas responsáveis pelo quadro.

Quando este código é usado?

Use este código quando houver trombose ou obstrução documentada das veias hepáticas ou da porção hepática da veia cava, com quadro clínico compatível (dor abdominal, ascite, hepatomegalia) e confirmação por exames de imagem ou durante procedimento. Não use para hipertensão portal por outras causas sem evidência de obstrução venosa hepática.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

I82.0 versus K76.6: K76.6 (doença veno-oclusiva) refere-se a lesão microvascular e síndrome obliterativa dos pequenos vasos hepáticos; I82.0 exige trombose ou obstrução nas veias hepáticas principais demonstrada por imagem ou cirurgia. I82.0 versus I82.9: I82.9 é trombose venosa inespecífica ou não especificada; I82.0 é específico para trombose das veias hepáticas e deve ser escolhido quando o local está documentado. I82.0 versus K72.9: K72.9 descreve insuficiência hepática e insuficiência hepática aguda/ crônica sem indicar causa vascular; se houver obstrução venosa comprovada, o código I82.0 é o apropriado.

O que é?

A Síndrome de Budd-Chiari é um conjunto de sinais e sintomas causados pela obstrução do fluxo sanguíneo das veias hepáticas ou da veia cava hepática, geralmente por trombose. A obstrução provoca aumento da pressão venosa no fígado, congestão hepática e pode levar a dor no quadrante superior direito, ascite e aumento do fígado.

O quadro pode surgir de forma aguda, subaguda ou crônica; pessoas com estados de hipercoagulabilidade, neoplasias, ou distúrbios hematológicos têm risco maior. A apresentação varia desde sintomas leves até insuficiência hepática quando a obstrução é extensa.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sinais são dor abdominal no quadrante superior direito ou região epigástrica, aumento do volume abdominal por ascite, hepatomegalia e icterícia em alguns casos. Sinais precoces podem incluir desconforto abdominal e sensação de plenitude; agravamento manifesta-se por ascite volumosa, aumento progressivo do abdome, icterícia franca, sangramentos por hipertensão portal e encefalopatia quando a função hepática é comprometida.

O que causa?

Mecanismo central: trombose das veias hepáticas ou compressão extrínseca que impede o escoamento venoso do fígado, levando à congestão hepática. No Brasil, as causas mais frequentemente observadas são estados de hipercoagulabilidade (trombofilias, mieloproliferativos), neoplasias (compressão ou invasão tumoral) e, menos frequentemente, traumas ou procedimentos que afetem a veia cava hepática. Em muitos casos há múltiplos fatores de risco simultâneos.

Como o médico confirma o diagnóstico?

A confirmação deste código depende da demonstração da obstrução das veias hepáticas ou da porção hepática da veia cava em exames de imagem (ultrassonografia Doppler, tomografia computadorizada ou ressonância magnética) ou achado cirúrgico/angiográfico. Achados de suporte incluem ascite com características de hipertensão portal, elevação de enzimas hepáticas de padrão congestivo e sinais clínicos compatíveis; para codificar I82.0 é necessária documentação do local da trombose.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma visar restabelecer o fluxo venoso quando possível e controlar complicações: medidas anticoagulantes, intervenções radiológicas para recanalização ou derivação portossistêmica e manejo da ascite e hipertensão portal. A estratégia depende da extensão da obstrução, da causa subjacente e da condição clínica; alguns casos exigem abordagem multidisciplinar envolvendo hepatologia, hemodinâmica e cirurgia.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica imediata se houver dor abdominal intensa, distensão abdominal progressiva, vômitos persistentes, confusão mental, sangramento gastrointestinal ou icterícia que surge ou piora rapidamente. Busque retorno quando exames laboratoriais ou de imagem sugerirem piora da função hepática ou aumento da ascite, pois a evolução pode acelerar em casos com obstrução extensa.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias o empregador paga o salário; a partir do 16º dia o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Na prática, o CID do atestado é a referência utilizada pelo perito para saber se episódios são considerados o mesmo motivo e assim somam para os 15 dias.

Para o atestado ser aceito precisa identificar o paciente, conter o período de afastamento, a data, assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS. A falta do CID no atestado pode dificultar a contagem de períodos para fins de perícia.

Este código costuma corresponder a um quadro que pode ser agudo e exigir investigação e intervenções rápidas, ou um quadro crônico quando a obstrução é parcial e compensada. Por isso, ele frequentemente resulta em necessidade de acompanhamento e registro, e pode implicar incapacidade temporária para o trabalho quando houver sintomas ativos e tratamento em curso. Quando houver recorrência ou episódios próximos no tempo, a regra dos 60 dias é especialmente relevante para a contagem de afastamentos.

Perguntas frequentes sobre I82.0

O que significa ter o código CID I82.0 no meu atestado?

Indica que houve obstrução das veias hepáticas (Síndrome de Budd-Chiari), identificada como causa dos seus sintomas; o código documenta o local vascular afetado e orienta a investigação e o tratamento.

Esse quadro é transmissível para outras pessoas?

Não, trata-se de uma condição vascular interna relacionada a trombose ou compressão, não é contagiosa.

Quais exames confirmam o diagnóstico registrado por CID I82.0?

Exames de imagem que mostram obstrução das veias hepáticas, como ultrassonografia com Doppler, tomografia ou ressonância, confirmam o diagnóstico; o laudo é usado para codificar I82.0.

Recebi atestado com esse código — ele justifica afastamento do trabalho?

O atestado registra a condição, mas o período de afastamento é definido pelo médico que avaliou o caso; para avaliação previdenciária o INSS fará perícia quando aplicável.

O que diferencia CID I82.0 de uma simples hepatite ou insuficiência hepática?

A diferença é a presença de obstrução venosa documentada nas veias hepáticas; hepatite e insuficiência podem ocorrer sem trombose e têm outros códigos.</n

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual exame de imagem confirmou a obstrução das veias hepáticas e qual foi a sua extensão?
  • Existe teste de trombofilia ou investigação oncológica pendente que alteraria o manejo?
  • Houve evidência de trombose da veia cava hepática além das veias hepáticas principais?
  • Qual é o plano de seguimento e em que situação o diagnóstico mudaria para outro código?
  • Foi indicado procedimento intervencionista (recanalização/derivação) e qual o critério para realizá-lo?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Esse diagnóstico costuma justificar afastamento laboral prolongado em perícia médica?
  • Como a documentação e os exames podem influenciar a avaliação pericial do INSS?
  • Quais registros médicos e de exames são essenciais para defender a necessidade de afastamento ou reabilitação?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos de imagem e intervenções vasculares relacionados ao diagnóstico exigem autorização prévia?
  • O plano costuma solicitar laudos de imagem e relatórios clínicos detalhados para autorizar procedimentos intervencionistas?
  • Existem regras de cobertura para internação ou procedimentos de alto custo que devem ser consultadas antes do envio?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.