I87.2 — Insuficiência venosa (crônica) (periférica)
- insuficiência venosa crônica
- insuficiência venosa periférica
- síndrome pós-flebítica (quando por trombose prévia)
CID I87.2 designa insuficiência venosa crônica das veias periféricas, tipicamente das pernas, causada por refluxo valvar e ou obstrução venosa que leva à hipertensão venosa. Aparece quando há sinais e sintomas persistentes — edema, sensação de peso, alteração da pele e úlceras de repetição — não restritos a episódios agudos. Não inclui flebites ou trombose venosa aguda (códigos I80–I82) nem varizes sintomáticas sem insuficiência hemodinâmica documentada (I83).
O código é usado quando exame clínico e exames complementares sustentam insuficiência crônica, seja por incompetência valvar, sequência de trombose ou insuficiência microcirculatória venosa. Causa limitações funcionais e exige registro detalhado para codificação e acompanhamento.
Em palavras simples
O código CID I87.2 significa que há insuficiência venosa crônica nas pernas. Em palavras simples, as veias das pernas não estão conseguindo devolver o sangue ao coração de forma eficiente, o que faz o sangue “ficar” nas pernas e aumentar a pressão dentro das veias. Isso não é uma infecção contagiosa; é um problema da circulação local que tende a aparecer com o tempo.
Você provavelmente percebeu pernas cansadas e pesadas, inchaço nos tornozelos ao final do dia, e talvez pequenas veias aparentes ou mudança na cor da pele perto dos tornozelos. Em estágios mais avançados pode haver feridas chamadas úlceras venosas, que demoram a cicatrizar. Às vezes há sensação de queimação, coceira ou cãibras.
Na maior parte dos casos não é uma emergência imediata, mas é uma condição crônica que pode piorar sem cuidados. Não é contagiosa; a duração varia conforme a causa e o tratamento, podendo ser controlada com medidas contínuas. Quem já teve trombose venosa no passado tem maior chance de desenvolver esse quadro.
O caminho comum após receber este código é realizar avaliações e um exame chamado ultrassom Doppler das veias, que mostra se há refluxo ou obstrução. Com base nisso, o médico discutirá opções que vão desde cuidados locais e medidas para reduzir o inchaço até procedimentos para corrigir veias muito insuficientes. Retornos periódicos ajudam a monitorar a pele e prevenir úlceras.
Em casa, observe o volume e a aparência das pernas: aumento súbito do inchaço, pele muito avermelhada, dor intensa ou febre podem indicar infecção ou trombose e justificam busca imediata de atendimento. Para o dia a dia, anote sintomas que variam com a atividade e relate ao médico; isso ajuda a ajustar o plano de acompanhamento. Lembre-se que a documentação dos exames e das alterações é importante para acompanhar a evolução.
Quando usar este código
Usa-se I87.2 quando há quadro crônico de má drenagem venosa nas extremidades, com sinais ou exames que comprovem refluxo ou hipertensão venosa persistente e manifestações na pele ou úlceras venosas recorrentes.
Não confunda com
I83 (Varizes dos membros inferiores): I83 descreve varizes visíveis e sintomáticas sem que haja necessariamente insuficiência hemodinâmica crônica documentada; diferencia-se por ausência de sinais de hipertensão venosa crônica ou úlceras venosas atribuíveis à disfunção venosa profunda.
I80 (Flebite e tromboflebite): I80 refere-se a processo inflamatório ou trombótico agudo das veias; separa-se por tempo de evolução (agudo) e sinais inflamatórios locais, enquanto I87.2 exige quadro crônico e manifestações de insuficiência, não apenas inflamação.
I87.1 : I87.1 é usada quando há causa compressiva explícita ou outra codificação mais específica disponível; I87.2 é para insuficiência venosa crônica periférica generalizada quando a categoria crônica é a descrição apropriada.
O que é
Insuficiência venosa crônica periférica é a condição em que as veias das pernas (superficiais, profundas ou comunicantes) não conseguem devolver o sangue eficientemente ao coração. O problema resulta de válvulas venosas incompetentes, obstrução residual por trombose ou combinação de ambos, levando a aumento da pressão venosa nos pés e tornozelos.
Manifesta-se por sensação de peso e cansaço nas pernas, edema que piora ao final do dia, alterações da pele como hiperpigmentação e eczema, e em casos avançados úlcera venosa de perna. Pessoas de meia-idade ou idosas, gestantes, trabalhadores que permanecem longos períodos em pé e quem teve trombose venosa prévia são os grupos mais afetados.
Sintomas
Sintomas típicos incluem sensação de peso e fadiga nas pernas, edema maleolar que aumenta ao fim do dia e melhora com elevação, sensação de queimação ou prurido na pele, cãibras noturnas e telangiectasias ou varizes visíveis em estágios iniciais. Sinais de agravamento são edema persistente que não melhora com elevação, endurecimento e escurecimento da pele (lipodermatoesclerose) e aparecimento de úlceras venosas de bordas irregulares e exsudativas.
Causas
O mecanismo central é a hipertensão venosa crônica por refluxo valvar e/ou obstrução do fluxo venoso. No Brasil, a causa mais frequente na prática é a incompetência valvar secundária a trauma venoso ou a varizes crônicas; sequela de trombose venosa profunda prévia (síndrome pós-flebítica) é outra causa comum. Fatores que contribuem incluem idade, histórico familiar, gestação, sedentarismo, obesidade e profissões com tempo prolongado em pé.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de I87.2 baseia-se em histórico compatível e exame físico que demonstra sinais crônicos (edema persistente, alterações cutâneas, úlcera venosa). A confirmação e a sustentação do código dependem de exames de imagem vascular, especialmente ultrassonografia doppler venosa que documenta refluxo, insuficiência valvar ou obstrução; exames ajudam a diferenciar de trombose aguda e a orientar estratificação anatômica.
Como costuma ser tratado
O manejo tem objetivo de reduzir sintomas e prevenir complicações: medidas compressivas graduadas, controle de edema, cuidados locais da pele e tratamento de úlceras quando presentes. Intervenções cirúrgicas ou procedimentos endovenosos são considerados conforme anatomia e resposta a medidas conservadoras. O acompanhamento é ambulatorial na maioria dos casos, com necessidade de avaliações periódicas para ajustar abordagem.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos associadas ao manejo incluem agentes venotônicos usados como coadjuvantes para sintomas, anti-inflamatórios para episódios dolorosos e antimicrobianos tópicos ou sistêmicos quando houver infecção de úlcera. Anticoagulação é relevante apenas se houver trombose associada ou indicação específica relacionada.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica quando houver início súbito de dor e inchaço intenso que sugira trombose, sinais de infecção na pele ou úlcera com aumento de secreção, febre, ou quando edema e dor impedirem atividades diárias. Busque retorno se o tratamento conservador não controlar o edema ou se surgirem novas áreas de pele escurecida ou úlcera.
Uso em atestado
Atestados clínicos para I87.2 devem descrever claramente sinais, sintomas e exames que fundamentem insuficiência venosa crônica, período de evolução e limitações funcionais. A documentação de procedimentos e terapias prescritas sustenta necessidade de afastamento ou tratamento continuado.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação pericial; I87.2 pode constar em relatórios para afastamento ou reabilitação, mas concessões de benefício exigem perícia médica e análise documental conforme regras do INSS e legislação trabalhista.
Perguntas frequentes sobre I87.2
Este código significa que tenho uma trombose?
Nem sempre; I87.2 descreve insuficiência venosa crônica, que pode ser consequência de trombose antiga mas não indica trombose aguda. Episódios agudos de trombose usam outros códigos (I80–I82) e demandam avaliação imediata.
Vou precisar de afastamento do trabalho automaticamente?
Não. A necessidade de afastamento depende da gravidade, das limitações funcionais e da avaliação médica e pericial; o atestado deve detalhar sintomas e limitações.
O exame que confirma é o ultrassom Doppler venoso?
Sim; o ultrassom Doppler venoso é o principal exame para documentar refluxo valvar e obstruções, sustentando o diagnóstico de insuficiência venosa crônica.
Posso transmitir a condição a outras pessoas?
Não é contagiosa. Há componente hereditário para fragilidade venosa em algumas famílias, mas não é transmissão infecciosa.
Qual a diferença entre varizes e insuficiência venosa crônica?
Varizes (I83) são veias visíveis dilatadas; nem todas causam insuficiência hemodinâmica crônica. I87.2 é usado quando há evidência de refluxo ou hipertensão venosa com sinais crônicos ou complicações como úlcera venosa.
O que meu médico vai pedir no retorno?
Geralmente reassessão dos sintomas, exame da pele e, se necessário, repetição ou complementação de exames vasculares para documentar evolução e ajustar o tratamento.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há registro de trombose venosa profunda prévia ou cirurgia venosa que explique a insuficiência crônica?
- Qual o padrão e a duração do refluxo documentado no ultrassom Doppler e quais segmentos venosos estão envolvidos?
- Há sinais de hipertensão venosa segmentar que justificam tratamento intervencionista versus manejo conservador?
- Existem contraindicações arteriais (doença arterial periférica) que afetem uso de compressão?
- A úlcera presente tem características típicas de etiologia venosa e há sinais de infecção que alterem conduta?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- O quadro de I87.2 pode justificar afastamento laboral temporário ou reabilitação profissional em qual cenário documentalmente comprovado?
- Quais elementos periciais e temporais devem constar no laudo para reconhecer nexo com atividade laboral?
- Existe precedente ou critério para conversão de quadro crônico em incapacidade permanente parcial em perícia previdenciária?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais critérios de documentação a operadora exige para autorizar procedimentos endovenosos ou cirurgia para insuficiência venosa crônica?
- Quais exames e laudos comprovantes (ex.: ultrassom Doppler com parâmetros) costumam ser solicitados na autorização de procedimentos vasculares?
- Planos podem requerer tentativa documentada de tratamento conservador antes de liberar procedimento endovenoso; quais evidências registrar?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.