K60 — Fissura e fístula das regiões anal e retal

  • fissura anal
  • fístula anal
  • trajeto fistuloso anorretal

Em palavras simples

Receber o código CID K60 significa que foi identificada uma lesão na região do ânus: pode ser uma fissura, que é uma pequena racha na pele ou mucosa perto do ânus, ou uma fístula, que é um canalinho que conecta o interior do ânus à pele externa. Em linguagem simples, trata‑se de uma ferida que dói muito na hora de evacuar ou de um trajeto que fica liberando secreção.

Você provavelmente sente dor forte ao evacuar e dor residual por minutos a horas depois; pode ver um pouco de sangue vivo no papel higiênico. Se houver fístula, o sintoma mais evidente é saída constante ou intermitente de líquido ou pus pela pele perto do ânus, às vezes com irritação ao redor e odor. Em alguns casos há solo desconforto na região, coceira e sensação de um nadinha de inchaço.

Na maior parte das fissuras simples, o quadro não é uma emergência de vida, mas é bastante doloroso. Fístulas costumam indicar que já houve uma infecção local prévia e podem persistir por mais tempo até serem tratadas. Nem todas as fissuras viram fístula; nem todas as fístulas curam sozinhas. A duração varia: algumas fissuras cicatrizam em semanas com medidas simples, outras lesões e fístulas podem exigir acompanhamento mais longo e procedimentos especializados.

Depois do diagnóstico, o médico ou cirurgião proctologista explicará próximos passos: exames locais, possivelmente imagem para mapear trajeto em caso de fístula, e opções de tratamento. O retorno é comum para avaliar dor, cicatrização e eventual necessidade de procedimento. Afastamento do trabalho pode ocorrer se a dor impedir atividades, mas depende da gravidade e da avaliação clínica.

Em casa, observe aumento da dor, febre, aumento do inchaço, saída de secreção purulenta em volume crescente ou dificuldade progressiva para controlar evacuação — esses são sinais que exigem avaliação rápida. Cuidados locais e acompanhamento médico costumam resolver a maioria dos casos; mantenha diálogo com seu médico sobre evolução e sobre qualquer outro sintoma novo.

O que este código significa?

O CID K60 designa fissuras e fístulas localizadas nas regiões anal e retal. Indica tanto rupturas lineares da pele/mucosa peri-anal (fissuras) quanto comunicações anormais entre o canal anal e a pele (fístulas). Apresenta-se habitualmente com dor anal intensa, sangramento discreto e, no caso de fístula, secreção persistente. Não inclui hemorróidas isoladas, abscesso anal não drenado nem condições exclusivamente funcionais do intestino. O código abrange formas agudas e crônicas quando confirmadas clinicamente ou por imagem específica.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando a avaliação clínica ou exames de imagem documentam fissura anal ou trajeto fistuloso anorretal, independente da causa subjacente. Não deve ser usado apenas por relato de cólica abdominal, evacuação difícil isolada ou diagnóstico presuntivo sem confirmação clínica ou por exames complementares.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

K61 (Abscesso anal): o abscesso é coleção purulenta aguda; separa-se por presença de massa dolorosa, febre ou drenagem purulenta recente. Abscesso pode preceder fístula, mas enquanto houver coleção supurativa não cicatrizada o código primário é K61. K64 (Doenças hemorroidárias): hemorróidas provocam sangramento vermelho vivo e prolapso mucoso; a fissura tem dor em evacuação e não prolapso predominante. K59 (Outros transtornos funcionais do intestino): sintomas funcionais como constipação ou dor abdominal sem lesão local não justificam K60; K60 exige evidência de lesão anal (fissura ou trajeto fistuloso).

O que é?

Fissura anorretal é uma pequena ruptura ou corte na pele ou mucosa do canal anal, frequentemente na linha média posterior, que causa dor aguda durante e após evacuação. Já a fístula anal é um trajeto anormal entre o interior do canal anal (ou das glândulas anais) e a pele perianal, normalmente resultado de infecção crônica que estabeleceu um trajeto de drenagem.

Ambas podem ocorrer em adultos e crianças; fissuras são comuns em adultos jovens e associam-se a esforço evacuatório ou fezes muito duras, enquanto fístulas costumam seguir episódios de abscesso anal e são mais frequentes quando há história de infecções repetidas ou doenças inflamatórias intestinais.

Quais sintomas aparecem?

Dor anal intensa em câimbra durante e após evacuação é o sintoma mais característico das fissuras; sangramento vermelho vivo em pequena quantidade pode ocorrer. Na fístula, o sintoma inicial mais comum é drenagem contínua ou intermitente de secreção serossanguinolenta ou purulenta pela pele perianal, às vezes com dor localizada, irritação e odor. Rouquidão ou febre não são típicas; febre sugere abscesso associado ou processo infeccioso ativo, sinal de agravamento.

O que causa?

Mecanismos incluem trauma da mucosa anal por evacuação de fezes duras, esforço evacuatório, parto vaginal, e procedimentos locais. No caso das fístulas, a causa mais frequente na prática brasileira é a drenagem ou evolução de abscessos anais que criam um trajeto fistuloso a partir das glândulas anais. Doenças inflamatórias intestinais, infecções específicas e condições sistêmicas podem predispor a fístulas mais complexas.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se na inspeção clínica perianal e exame retal, com identificação de fissura linear ou de orifício cutâneo com drenagem que sugira trajeto fistuloso. Pitfalls incluem confundir secreção de fissura com outras secreções perianais. Em casos incertos, visualização direta sob anestesia, sondagem do trajeto, ultrassonografia endoanal ou ressonância magnética pélvica confirmam e caracterizam extensão da fístula, diferenciando-a de abscessos e lesões profundas.

Como costuma ser tratado?

O manejo varia com a lesão: fissuras simples frequentemente recebem tratamento conservador ambulatorial e medidas locais; fissuras crônicas ou fístulas podem requerer intervenção cirúrgica ou procedimentos guiados por imagem. O objetivo é controlar dor e infecção, promover cicatrização da mucosa e, no caso da fístula, eliminar o trajeto fistuloso preservando a função esfincteriana. O tratamento pode envolver seguimento ambulatorial, procedimentos minimamente invasivos ou cirurgia especializada.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento quando há dor anal severa que impede evacuação, febre, aumento progressivo do inchaço perianal, secreção purulenta contínua ou sangramento persistente. Também é indicado buscar avaliação se sintomas não melhorarem com medidas iniciais, se houver recidiva frequente, ou se houver alteração da continência fecal. Em crianças e gestantes, qualquer febre associada ou secreção deve motivar avaliação urgente.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Para efeitos práticos da legislação previdenciária: até 15 dias de afastamento o pagamento fica a cargo do empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para a contagem dos 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é aplicada pelo perito com base no CID indicado no atestado: é o código que permite ao perito verificar se trata-se da mesma doença/condição para fins de soma dos períodos, e esse é um dos motivos práticos para o código constar no documento — detalhe que costuma não ser amplamente conhecido.

Para que um atestado seja aceito, ele deve conter a identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura do médico e o CRM. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código não há como verificar a soma dos períodos dentro dos 60 dias para efeitos das regras acima.

No caso de K60 (fissura e fístula das regiões anal e retal), o quadro pode apresentar tanto episódios agudos de fissura, que muitas vezes são tratados de forma ambulatorial, quanto condições fistulosas que tendem a ser de curso mais crônico ou recorrente e podem exigir intervenção especializada. Esse caráter potencialmente recorrente e a diferenciação entre episódio agudo e condição crônica são a razão pela qual a regra dos 60 dias é relevante aqui: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem ao perito avaliar continuidade ou reincidência do mesmo problema para fins de somar períodos anteriores.

Perguntas frequentes sobre K60

O CID K60 significa que tenho uma doença grave?

K60 indica fissura ou fístula anorretal; muitas fissuras cicratizam com tratamento ambulatorial, mas fístulas e lesões crônicas podem requerer procedimentos. A gravidade depende da extensão e das consequências funcionais, avaliadas pelo médico.

O problema é contagioso para outras pessoas?

Não é uma doença contagiosa no sentido habitual; trata‑se de uma lesão local ou de um trajeto resultante de infecção local. Precauções de higiene e manejo adequado da secreção são importantes.

Preciso de exame para confirmar a fístula?

O diagnóstico inicial vem do exame clínico; para fístulas complexas ou quando há dúvida sobre extensão, ultrassom endoanal ou ressonância magnética pélvica ajudam a confirmar e mapear o trajeto.

Posso trabalhar enquanto estiver com fissura ou fístula?

Depende da dor, do tipo de trabalho e da necessidade de tratamento. Em casos de dor intensa ou procedimentos, pode haver necessidade de afastamento temporário, decidido pelo médico.

Qual a diferença entre K60 e K61 (abscesso)?

Abscesso (K61) é coleção de pus dolorosa e frequentemente febril; fístula (K60) é um trajeto que pode permanecer após o abscesso drenar. Se houver coleção ativa, o diagnóstico primário costuma ser K61.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • A ocorrência de fístula anorretal pode justificar afastamento por incapacidade temporária?
  • Que documentos clínicos e exames são essenciais para perícia trabalhista envolvendo K60?
  • Como a cronicidade da lesão influencia direitos a estabilidade ou reabilitação profissional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Que procedimentos relacionados a fístula anorretal geralmente exigem autorização prévia?
  • Quais exames de imagem para caracterização da fístula costumam ser auditados pela operadora?
  • Como documentar cobertura quando há associação de K60 com doença inflamatória intestinal?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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