K74 — Fibrose e cirrose hepáticas
- fibrose hepática
- cirrose hepática
- insuficiência hepática crônica
Em palavras simples
Se você recebeu o código CID K74, isso significa que os médicos registraram que seu fígado tem fibrose ou já desenvolveu cirrose — isto é, há substituição de parte do tecido hepático por cicatriz e, em cirrose, formação de nódulos que alteram a estrutura e função do órgão. Em palavras simples: o fígado sofreu uma lesão crônica que deixou marcas e pode reduzir sua capacidade de trabalhar normalmente.
As sensações mais comuns são cansaço persistente, falta de apetite, perda de peso e desconforto ou sensação de peso na parte superior direita da ‘barriga’. Nem sempre há dor intensa no começo. Se a doença avança, podem aparecer icterícia (a pele e os olhos amarelados), acúmulo de líquido na barriga (ascite), inchaço nas pernas, vômitos com sangue ou fezes escuras por sangramento de varizes e confusão mental em episódios de encefalopatia hepática. Essas últimas são sinais de agravamento que exigem atenção imediata.
Sobre gravidade, K74 descreve uma condição crônica: não é uma gripe que passa sozinha, mas também não implica automaticamente que tudo vai piorar. A evolução depende da causa (por exemplo, hepatite viral, álcool, gordura no fígado) e do controle desses fatores. Nem toda pessoa com fibrose terá cirrose descompensada; muitas vivem com acompanhamento médico estável. A doença não é “contagiosa” no sentido usual, exceto quando a causa é uma hepatite viral transmissível, caso em que as medidas de prevenção específicas se aplicam.
Depois do diagnóstico, o que costuma acontecer é a repetição de exames para avaliar a gravidade (imagem, testes de função e marcadores de fibrose) e consultas de seguimento. Em alguns casos o médico solicita encaminhamento para especialista em fígado. A necessidade de afastamento do trabalho varia com o quadro: algumas pessoas trabalham normalmente com acompanhamento, outras precisam de pausas ou adaptações, e episódios de piora podem gerar novos atestados.
Em casa, observe sinais de descompensação: se notar aumento rápido da barriga, inchaço que piora, vômitos com sangue, fezes escuras, sonolência ou confusão, procure atendimento de urgência. Para sintomas mais leves, como cansaço crescente ou perda de apetite persistente, converse com seu médico para reavaliar exames e ajustar o acompanhamento. Guarde cópias dos exames e laudos e peça que o médico registre o CID no atestado se você concordar, pois isso facilita verificações e somas de períodos de afastamento se necessário.
Lembre-se de discutir com seu médico as causas e as medidas que podem reduzir a progressão — controlar diabetes, evitar álcool, tratar hepatites virais quando presentes e seguir orientação especializada. O acompanhamento regular é a parte mais importante para monitorar a condição e agir se surgirem complicações.
O que este código significa?
CID K74 designa alterações crônicas do fígado caracterizadas por fibrose difusa e formação de nódulos que configuram cirrose. Aparece quando há substituição do tecido hepático por tecido cicatricial, com perda progressiva da arquitetura e função. O código cobre tanto estágios iniciais de fibrose avançada quanto cirrose estabelecida, incluindo suas manifestações clínicas e complicações. Não inclui hepatites agudas sem fibrose significativa nem tumores primários do fígado, que têm códigos próprios. Em contexto de codificação, K74 identifica a presença de fibrose/cirrose como diagnóstico principal ou associado, e é usado quando exames ou laudo médico sustentam essa alteração crônica.
Quando este código é usado?
Use-se K74 quando há evidência clínica, laboratorial ou por imagem de fibrose hepática significativa ou de cirrose, ou quando laudo histológico demonstra fibrose com ou sem nódulos regenerativos. Aplica-se a pacientes com história de lesão crônica do fígado por álcool, vírus, doença metabólica ou outras causas, quando o fígado mostra alteração estrutural permanente. Não se usa para lesões transientes sem fibrose, nem para insuficiência hepática aguda sem fibrose crônica documentada.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
K70.3 (Cirrose hepática alcoólica) — separa-se por etiologia: K70.3 é usada quando a cirrose é atribuída diretamente ao consumo excessivo de álcool e essa atribuição consta no registro clínico; K74 registra fibrose/cirrose independentemente da causa ou quando a etiologia é outra. K76.6 (Esteatose hepática não alcoólica) — a esteatose pode progredir para fibrose, mas K76.6 é para gordura hepática sem fibrose documentada; quando há fibrose significativa, K74 é o código correto. C22 (Tumor maligno do fígado) — presença de massa maligna primária exclui codificar apenas K74; se houver neoplasia primária, deve-se codificar o tumor como principal e K74 só como achado se clinicamente relevante e documentado. B18 (Hepatite viral crônica) — hepatite crônica viral é codificada em B18; se houver fibrose ou cirrose confirmada, ambos os códigos podem ser usados, mas K74 descreve a alteração estrutural hepática enquanto B18 descreve a causa infecciosa.
O que é?
Fibrose e cirrose hepáticas são estágios de lesão crônica do fígado nos quais o parênquima saudável é progressivamente substituído por tecido fibroso, com perda da arquitetura normal. A fibrose é o depósito de colágeno e matriz extracelular que pode ser focal ou difusa; quando extensa e acompanhada de nódulos regenerativos e alteração vascular define-se cirrose, que compromete a função do órgão.
Clinicamente, manifestam-se por cansaço, perda de apetite, desconforto na região superior direita do abdome e sinais de hipertensão portal nas fases avançadas, como aumento do volume abdominal por líquido (ascite), icterícia e sangramentos por varizes. A evolução costuma ser crônica e depende da causa subjacente e do controle dos fatores que promovem a lesão hepática.
Quais sintomas aparecem?
Os sintomas mais frequentes incluem cansaço persistente e sensação de fraqueza, desconforto ou dor leve na região superior direita do abdome, e perda de apetite com perda de peso. Sinais precoces podem ser discretos e inespecíficos; fadiga e intolerância a esforço surgem cedo na evolução. Sinais que indicam agravamento incluem icterícia (amarelamento da pele e olhos), aumento progressivo do abdome por ascite, inchaço nas pernas, sangramentos gastrointestinais por varizes esofágicas, confusão mental ou redução do nível de consciência por encefalopatia hepática e fácil formação de hematomas. Febre e dor intensa não são típicos apenas de cirrose e podem sinalizar complicações infecciosas.
O que causa?
Mecanisticamente, a fibrose hepática resulta de resposta inflamatória crônica que ativa células estreladas hepáticas, levando à deposição excessiva de matriz extracelular e colágeno; com tempo e lesão persistente ocorre remodelamento que culmina em cirrose. No Brasil, as causas mais comuns na prática são hepatites crônicas virais (especialmente se não tratadas), consumo de álcool em padrão nocivo, e doenças metabólicas como esteato-hepatite não alcoólica associada à obesidade e diabetes. Outras causas incluem doenças autoimunes, doenças colestáticas e exposições medicamentosas ou tóxicas.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico de K74 baseia-se em evidência de fibrose ou cirrose documentada por exames de imagem, elastografia, marcadores não invasivos de fibrose, ou histologia hepática que descreva fibrose e/ou nódulos regenerativos. Para codificação, o laudo médico deve registrar explicitamente fibrose significativa ou cirrose; a simples presença de alterações enzimáticas isoladas sem suporte de imagem ou histologia não justifica K74. A combinação de história clínica, achados laboratoriais consistentes com disfunção hepática e exames de imagem que mostrem superfície nodular ou sinais de hipertensão portal sustenta o uso deste código.
Como costuma ser tratado?
O manejo de fibrose e cirrose consiste em tratar a causa de base quando identificável, reduzir fatores de progressão e monitorar complicações. Em muitos casos o acompanhamento é ambulatorial com interações entre hepatologia, gastroenterologia e cuidados primários; em fases descompensadas pode haver necessidade de hospitalização para manejo de ascite, infecções ou sangramentos. O objetivo é estabilizar a função hepática, prevenir eventos como hemorragia por varizes e encefalopatia, e considerar opções avançadas quando indicado.
Quando procurar um médico?
Procure ajuda médica imediata se houver sinais de sangramento digestivo (vômito com sangue ou fezes escuras), confusão mental, sonolência excessiva, icterícia que surge ou piora rapidamente, inchaço abdominal rápido ou febre associada a dor abdominal; esses podem indicar complicações graves de cirrose. Para sintomas como cansaço progressivo, perda de apetite ou aumento gradual do abdome, agende avaliação com o médico de referência ou serviço de hepatologia para reavaliação e exames complementares. Qualquer nova dificuldade para tomar líquidos, vômitos persistentes ou redução marcada da diurese também exige contato urgente com serviços de saúde.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou cada caso concreto e pode variar entre pessoas com o mesmo código. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; do 16º dia em diante o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para os 15 dias iniciais. A soma dos 60 dias é verificada pelo perito usando o CID declarado no atestado, por isso o código é prático para comprovar que os episódios são do mesmo problema.
Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data de emissão, assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser conferida pela perícia do INSS.
Este código descreve uma condição crônica do fígado cuja evolução pode variar: pode tratar-se de quadro estabelecido que exige acompanhamento e registro, e em muitos casos implica limitações para funções que exijam esforço físico intenso ou exposição a hepatotóxicos. Por isso, atestados com K74 costumam justificar acompanhamento médico contínuo; quando houver intercorrências (por exemplo descompensação) pode haver necessidade de novos atestados e reavaliação pericial.
No contexto de avaliação pericial, o que importa é a documentação clínica e exames que suportem fibrose ou cirrose. A regra dos 60 dias é especialmente relevante para K74 porque a doença é crônica e recidivante: episódios de piora relacionados à mesma condição tendem a ocorrer no período e podem ser somados para efeito de avaliação do tempo já afastado.
Que direitos este código envolve?
O código em si não garante afastamento ou benefícios; a concessão depende de avaliação clínica e perícia. Para efeitos trabalhistas e previdenciários, o atestado com CID permite somar períodos quando emitidos dentro das regras legais, e a transição do pagamento do empregador para o INSS ocorre conforme prazos legais aplicáveis. Direitos e cobertura dependem do vínculo empregatício, do tipo de benefício solicitado e da avaliação pericial no caso de benefícios previdenciários.
Perguntas frequentes sobre K74
O que exatamente quer dizer ter o CID K74 no meu atestado?
Significa que o médico registrou presença de fibrose ou cirrose no fígado, ou seja, alterações cicatriciais crônicas que afetam a estrutura e função do órgão; não informa automaticamente severidade ou necessidade de afastamento.
K74 significa que eu vou precisar de internação ou transplante?
K74 descreve a condição estrutural do fígado; necessidade de internação ou transplante depende da gravidade, das complicações presentes e da avaliação especializada, não do código por si só.
O CID K74 é contagioso para familiares?
O código descreve uma alteração do fígado; a condição em si não é contagiosa, embora causas específicas como hepatite viral possam ser transmissíveis e exijam medidas preventivas.
Posso trabalhar normalmente com CID K74?
Muitas pessoas com fibrose ou cirrose compensada mantêm trabalho; a necessidade de afastamento ou adaptação depende do estágio, sintomas e risco de complicações, decidido com o médico.
O que diferencia K74 de um diagnóstico de hepatite crônica?
Hepatite crônica (por exemplo B ou C) descreve a causa inflamatória; K74 descreve a consequência estrutural (fibrose/cirrose) e ambos podem ser codificados simultaneamente quando documentados.
Preciso autorizar o médico a colocar o CID K74 no atestado?
Sim; a inclusão do CID requer seu consentimento. Sem o CID, a soma de atestados para verificação de tempo pelo INSS não é possível.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há laudo de elastografia ou biópsia que confirme grau de fibrose ou cirrose?
- Quais foram os resultados recentes das provas de função hepática e marcadores de hipertensão portal?
- Existe evidência de causa identificável (viral, alcoólica, metabólica) documentada no prontuário?
- Há sinais de descompensação (ascite, encefalopatia, hemorragia) que mudariam o código ou exigiriam internação?
- Foram realizados exames para rastrear complicações como varizes ou carcinoma hepatocelular?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Este diagnóstico pode fundamentar pedido de afastamento prolongado ou auxílio-doença perante o INSS no meu caso específico?
- Como provar que episódios recorrentes são manifestações da mesma doença para efeitos de perícia, usando os atestados com CID?
- Em situação de readaptação ou aposentadoria por incapacidade, que documentação e histórico (exames, laudos) são essenciais para perícia médica?
- Quais elementos do prontuário clínico costumam ser questionados por peritos em casos de cirrose e fibrose hepática?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige autorização prévia para exames de imagem avançados ou elastografia quando há suspeita de fibrose/cirrose?
- Quais procedimentos para manejo de complicações de cirrose estão sujeitos a cobertura diferenciada ou critérios de auditoria?
- A operadora costuma solicitar laudo histopatológico para liberar terapia específica relacionada à hepatopatia crônica?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco K70-K77
- OMS — ICD-10, versão 2019 (K74)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.