K70-K77 — Doenças do fígado

Este bloco reune transtornos primariamente do fígado: doenças alcoólicas (K70), tóxicas e medicamentosas (K71), hepatite crônica não infecciosa (K73), fibrose e cirrose hepática (K74), insuficiência hepática (K72) e outras lesões e manifestações do fígado (K75-K77). Os códigos mais pesquisados incluem K70 (doença hepática alcoólica), K74 (fibrose e cirrose) e K72 (insuficiência hepática). A página serve para orientar a navegação até o subcódigo apropriado segundo causa, cronologia e achados clínicos.


Quando usar este código

Usa-se este bloco quando o problema primário envolve o fígado e ainda não foi atribuído um diagnóstico específico em subcódigo. Para descer ao código correto é necessário decidir: etiologia (álcool, toxina, doença metabólica), curso (agudo vs crônico) e presença de lesão estruturais (fibrose/cirrose) ou de falência funcional. Documentos clínicos, exames laboratoriais, imagem e, às vezes, biópsia definem a escolha do código.

Não confunda com

K70 vs K74: diferenciar doença hepática alcoólica (K70) de fibrose/cirrose (K74) exige relação causal explícita com consumo excessivo de álcool; cirrose sem etiologia alcoólica vai para K74.

K71 vs K72: toxicidade medicamentosa ou por substância (K71) indica agente causal identificado; K72 é aplicado quando há síndrome de insuficiência hepática com falência funcional independente da causa imediata.

K73 vs K74: hepatite crônica (K73) predomina por inflamação crônica sem fibrose avançada; presença de fibrose difusa com alteração nodular e sinais de hipertensão porta indica K74.

O que este grupo reúne

Reúne doenças cuja lesão primária ocorre no parênquima hepático ou em sua função: processos inflamatórios, tóxicos, degenerativos e cicatriciais que comprometem hepatócitos e arquitetura hepática. O critério que as agrupa é a localização anatômica (fígado) e a natureza clínica do dano (inflamação, degeneração, necrose, fibrose, insuficiência). Varia conforme a etiologia (álcool, tóxicos, metabólicos, imunológicos) e o estágio (agudo, crônico, cirrose, insuficiência).

Queixas que levam a este capítulo

Queixas que levam a codificação neste bloco incluem icterícia, dor ou desconforto no hipocôndrio direito, fadiga marcada, perda de apetite, náuseas, edema, ascite ou episódios de encefalopatia hepática. Também chegam por alterações laboratoriais: elevação de transaminases, fosfatase alcalina, bilirrubinas, ou sinais de insuficiência hepática. Em muitos casos o achado inicial é imagem incidental com fígado nodular ou aumentado.

Mecanismos em comum

Mecanismos incluem lesão direta de hepatócitos (toxinas, medicamentos, álcool), resposta inflamatória crônica (hepatites autoimunes ou virais crônicas), depósito metabólico (esteatose e esteato-hepatite), e processo de cicatrização progressiva levando à fibrose e cirrose. Exemplos de blocos: K70 corresponde a dano por álcool; K71 a lesões tóxicas/medicamentosa; K73 a hepatites crônicas não infecciosas; K74 à fibrose e cirrose.

Como se define o código

O que define o subcódigo é a combinação de história (exposição, consumo alcoólico), curso temporal (agudo vs crônico), achados laboratoriais (lesão celular versus colestase), imagem (esteatose, circulação colateral, nódulos) e, quando necessário, histologia hepática. Na prática, a distinção entre blocos usa: etiologia identificada (K70/K71), padrão inflamatório crônico (K73) e presença de fibrose/arquitetura nodular (K74); insuficiência aguda ou crônica com falência funcional dirige para K72.

Como o cuidado se organiza

O manejo varia conforme a etiologia e a gravidade: muitos casos iniciais são tratados de forma ambulatorial por hepatologia ou gastroenterologia; doenças avançadas e insuficiência exigem cuidado hospitalar e avaliação para transplante em centros especializados. Programas e diretrizes do SUS cobrem diagnóstico, tratamento ambulatorial e internação conforme necessidade. A organização do cuidado depende de estabilidade clínica e presença de complicações (ascite, sangramento varicoso, encefalopatia).

Classes de medicamentos

Classes usadas incluem agentes hepatoprotetores e medidas de suporte sintomático, diuréticos para manejo de ascite, lactulose e antibióticos para encefalopatia, antivirais quando indicado por causa viral, e corticosteroides ou imunossupressores em hepatite autoimune. A escolha entre classes depende da causa etiológica, gravidade da lesão hepática e risco de efeitos adversos.

Sinais de alarme do grupo

Procurar assistência imediata se houver confusão ou alteração do nível de consciência, vômitos persistentes, sangue nas fezes ou vômito, icterícia rapidamente progressiva, dificuldade respiratória ou sinais de sangramento excessivo. Esses sinais sugerem complicações graves como insuficiência hepática aguda, hemorragia de varizes ou encefalopatia hepática.

Uso em atestado

Para atestados e afastamentos, registrar o diagnóstico de fígado conforme o subcódigo aplicável; o CID pode ser omitido a pedido do paciente conforme regra geral, mas peritos podem exigir documentação completa. Não há notificação compulsória geral para este bloco, exceto quando houver condição de notificação específica (ex.: hepatites virais sob outros códigos). Perícia costuma exigir exames que comprovem etiologia, gravidade e incapacidade funcional.

Perguntas frequentes sobre K70-K77

Quando devo usar K70 em vez de K74 para codificar doença hepática?

Use K70 quando houver evidência de que o dano hepático é secundário ao consumo excessivo de álcool; K74 é preferível quando predominam fibrose e cirrose independentemente da causa causal estabelecida.

Se houver insuficiência hepática aguda por medicamento, qual código escolher entre K71 e K72?

Registre K71 para lesão hepática tóxica quando o agente for identificado; registre K72 quando o quadro é descrito primariamente como insuficiência hepática com falência funcional que requer código de insuficiência.

Posso omitir o CID no atestado por pedido do paciente?

Sim, a omissão do CID no atestado por solicitação do paciente é permitida, mas a perícia e órgãos pagadores podem solicitar documentação clínica completa para avaliação.

Que exames a perícia costuma exigir para avaliar incapacidade por doença do fígado?

Peritos costumam requerer testes de função hepática, coagulograma, marcadores etiológicos, exames de imagem (ultrassom/elastografia) e, quando disponível, biópsia ou laudos de hepatologia que documentem gravidade e evolução.

Onde codificar hepatite crônica sem etiologia alcoólica ou tóxica?

A hepatite crônica não infecciosa enquadra-se em K73; se houver fibrose avançada ou cirrose, deve-se considerar K74 conforme achados estruturais.

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