K80 — Colelitíase

  • pedra na vesícula
  • cálculo biliar
  • colelitíase vesicular

CID K80 designa a colelitíase, isto é, a presença de cálculos (pedras) dentro da vesícula biliar. O código é usado quando há documentação de cálculos, com ou sem sintomas, e não descreve por si só inflamação aguda (colecistite) nem obstrução das vias biliares principais. Aparece em exames de imagem que mostram cálculos ou em relatos cirúrgicos de colecistectomia. Não inclui cálculos isolados nas vias biliares principais (colédoco) nem complicações que reclassifiquem o diagnóstico para K81 (colecistite) ou K83.1 (litíase do colédoco).


Em palavras simples

O código CID K80 significa que foi identificado um ou mais cálculos dentro da sua vesícula biliar — a pequena bolsa abaixo do fígado que armazena a bile. Em palavras simples, é o que muitas pessoas chamam de “pedra na vesícula”. Nem sempre causa problemas imediatos, mas é um achado que merece atenção e acompanhamento.

Quem tem colelitíase pode não sentir nada; muitas pedras ficam silenciosas e aparecem só em exames de rotina. Quando há sintomas, o mais comum é a dor na parte superior direita da barriga, que às vezes sobe para as costas ou para o ombro direito. Essas crises de dor costumam começar algumas horas depois de comer uma refeição gordurosa e podem vir acompanhadas de náusea e vômito. Também pode haver sensibilidade ao toque naquela região.

Na maioria dos casos, colelitíase não é contagiosa e não significa necessariamente algo grave no imediato. Episódios isolados de dor podem melhorar sozinhos ou com tratamento para o sintoma. Porém, se a pedra bloquear a saída da vesícula ou causar inflamação, o quadro pode piorar e requerer atendimento rápido. O tempo de acompanhamento varia: algumas pessoas permanecem sob observação por meses ou anos sem cirurgia; outras acabam optando por tratamento cirúrgico se as crises se repetem ou há risco de complicação.

O caminho habitual após o diagnóstico inclui uma conversa com o médico, exame de imagem (normalmente ultrassom) para confirmar o achado e avaliar tamanho e número de cálculos, e, quando indicado, planejamento de tratamento, que pode ser cirúrgico em maioria dos casos com sintomas recorrentes. Em consultas subsequentes, o médico vai avaliar frequência das crises, exames de sangue e sinais de inflamação ou obstrução das vias biliares.

Em casa, observe se a dor fica muito forte, se aparece febre, icterícia (amarelamento da pele ou olhos) ou vômitos que não passam — nesses casos, procure atendimento de emergência. Para dores moderadas, marque retorno ambulatorial para discutir opções e monitoramento. Leve sempre os laudos de imagem e qualquer registro de internação ou cirurgia anteriores; isso facilita decisões e encaminhamentos. O objetivo é controlar sintomas, prevenir complicações e escolher o momento certo para qualquer intervenção.

Quando usar este código

Usa-se CID K80 quando há registro claro de cálculos na vesícula biliar por ultrassom, tomografia ou cirurgia, com ou sem sintomas; se houver inflamação aguda, usar K81. Se o cálculo migra e obstrui o colédoco, considerar códigos de litíase das vias biliares. O código pode aparecer em guias, laudos e alta hospitalar quando a colelitíase é o achado principal.

Não confunda com

K81 — Colecistite: diferenciar por sinais clínicos e laboratoriais de inflamação (febre, leucocitose, dor persistente com sinal de Murphy) e por imagem que indique parede vesicular espessada ou líquido pericolecístico; K80 cobre a presença de cálculos sem evidência de colecistite.

K83.1 — Litíase do colédoco (cálculo no colédoco): separar quando a imagem ou colangiografia mostra cálculo nas vias biliares principais, frequentemente associado a icterícia e elevação marcada de bilirrubinas; K80 refere-se à vesícula, não ao colédoco.

K80.2 — Calculose da vesícula biliar sem colecistite: subdivisão aplicável quando há prova de cálculos e ausência de sinais inflamatórios; usar a subcategoria específica quando disponível para maior precisão.

O que é

Colelitíase é a presença de um ou mais cálculos (concretos) na cavidade da vesícula biliar. Esses cálculos formam-se habitualmente a partir de componentes da bile, como colesterol ou pigmentos biliares, e variam em tamanho desde grãos até pedras grandes que ocupam toda a vesícula.

Clinicamente, a colelitíase pode ser assintomática por longos períodos ou manifestar-se por cólicas biliares — episódios de dor no quadrante superior direito ou epigástrio, muitas vezes após refeições gordurosas. Pode ocorrer em adultos de qualquer idade, com maior frequência em mulheres e em pessoas com fatores de risco metabólicos.

Sintomas

Os sintomas principais incluem cólica biliar (dor intensa e em pontada no quadrante superior direito ou epigástrio), náuseas e vômitos. No início, episódios curtos e intermitentes caracterizam-se por dor pós-prandial que cede em horas. Sinais de agravamento são dor persistente, febre, icterícia (pele/amarelamento dos olhos) ou vômitos contínuos, que sugerem complicações como colecistite, coledocolitíase ou pancreatite.

Causas

Mecanismos envolvem supersaturação da bile com colesterol ou pigmentos, estase biliar e alterações na composição da mucosa vesicular que favorecem a nucleação e crescimento dos cálculos. No Brasil, o tipo mais frequente é o cálculo de colesterol associado a fatores metabólicos: obesidade, perda de peso rápida, histórico familiar e idade avançada. Cálculos pigmentares são mais associados a doenças hemolíticas e infecções biliares.

Como é diagnosticado

O diagnóstico definitivo do código é sustentado por imagem que demonstra cálculos na vesícula: ultrassonografia é o exame inicial mais usado e sensível para litíase vesicular; tomografia e colonoscopia não substituem a ultrassonografia para esse propósito. Laudo de cirurgia (colecistectomia) que registra cálculos também confirma o diagnóstico. A história de cólica compatível sem imagem positiva não justifica K80 isoladamente.

Como costuma ser tratado

O tratamento depende dos sintomas e das complicações: colelitíase assintomática frequentemente recebe acompanhamento; episódios repetidos de cólica e complicações podem levar à indicação cirúrgica. Abordagens incluem manejo da dor e avaliação das vias biliares antes de qualquer intervenção definitiva. A maioria dos casos é tratada em ambiente ambulatorial ou eletivo, exceto quando há inflamação aguda ou obstrução que requer atendimento hospitalar.

Classes de medicamentos

Classes medicamentosas envolvidas no manejo sintomático e em complicações incluem analgésicos, antieméticos e antibióticos quando há infecção associada. Existem terapias dissolventes de cálculos em situações muito específicas, mas seu uso é limitado e depende do tipo de cálculo e do risco-benefício; a decisão é clínica e individualizada.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento se a dor abdominal for intensa e persistente, se houver febre associada, vômitos incontroláveis ou icterícia. Esses sinais podem indicar colecistite, obstrução das vias biliares ou pancreatite, que exigem avaliação urgente. Para dores leves e intermitentes, buscar orientação ambulatorial para investigação e planejamento do seguimento.

Uso em atestado

Atestados e relatórios devem descrever achados objetivos: imagem que demonstra cálculos, episódios de cólica e eventuais complicações; indicar se houve tratamento cirúrgico. A simples menção de “pedra na vesícula” sem documentação imagiológica ou clínica não sustenta afastamento prolongado.

Perguntas frequentes sobre K80

CID K80 significa que preciso operar imediatamente?

Nem sempre. K80 indica presença de cálculos na vesícula; a indicação cirúrgica depende da gravidade dos sintomas, frequência das crises e presença de complicações, avaliada pelo médico.

O achado de K80 é contagioso para a família?

Não é contagioso; é uma condição individual ligada à formação de cálculos na bile e fatores metabólicos ou genéticos.

O que diferencia K80 de K81 na prática clínica?

K80 descreve cálculos na vesícula; K81 indica colecistite, ou seja, inflamação aguda da vesícula com sinais como febre, dor persistente e alterações laboratoriais.

Posso trabalhar com CID K80?

Depende de sintomas e limitações; muitos com colelitíase assintomática continuam suas atividades, enquanto crises intensas ou complicações podem justificar afastamento temporário documentado.

Que exame confirma CID K80?

A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para demonstrar cálculos vesiculares e costuma ser suficiente para confirmar o diagnóstico.

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