M21.3 — Mão (pulso) ou pé pendente (adquirido)

  • pé tombante
  • pé pendente
  • mão caída
  • wrist drop
  • foot drop
  • paralisia de nervo periférico do tornozelo ou punho

Em palavras simples

Receber um diagnóstico com o código CID M21.3 significa que foi observado que sua mão (pulso) ou seu pé ficou “pendente”, ou seja, a pessoa não consegue levantar ou manter o segmento na posição normal. Em linguagem simples, no pé costuma-se dizer “pé tombante” e na mão “mão caída”: a ponta do pé arrasta ao caminhar ou o punho cai, dificultando segurar objetos. Esse termo descreve um problema de função, normalmente por alteração do nervo ou dos músculos que fazem o movimento de levantar o pé ou o punho.

O que você provavelmente está sentindo inclui fraqueza ao tentar subir o pé ou esticar o pulso, tropeços frequentes, marcha alterada, perda de sensibilidade em uma faixa da perna ou do braço e, às vezes, dor ou formigamento. No início a queixa pode ser apenas cansaço ou falta de confiança ao caminhar, mas pode evoluir para dificuldade clara em realizar passos e segurar coisas com a mão afetada.

Em muitos casos não é algo contagioso. A gravidade varia muito: pode ser temporário e melhorar com tratamento e reabilitação, ou pode persistir e necessitar de adaptações como órtese ou, em alguns casos, cirurgia. A duração depende da causa; lesões agudas com tratamento rápido têm melhores chances de recuperação, enquanto danos crônicos ou severos podem ser de recuperação lenta ou incompleta.

Depois do diagnóstico, o médico provavelmente solicitará exames para entender a causa — como estudos de condução nervosa e imagem — e orientará fisioterapia para recuperar força e marcha. Você pode receber uma prótese temporária ou órtese para evitar quedas e proteger a pele. Retornos para acompanhar evolução são normais; se houve acidente, pode haver necessidade de perícia e documentação para afastamento do trabalho.

Em casa, observe se há piora rápida da fraqueza, dor intensa, perda súbita de sensibilidade, feridas no pé por fricção ou quedas frequentes. Procure ajuda imediata nesses casos. Em situações sem agravamento, agende retorno para avaliação e siga as orientações de reabilitação. A codificação CID apenas descreve o quadro observado; o tratamento e o prognóstico dependem da causa identificada e do acompanhamento médico.

O que este código significa?

O CID M21.3 designa a alteração adquirida em que a mão (pulso) ou o pé permanece pendente, por incapacidade de elevar ou manter a posição normal. Aparece por lesão ou disfunção neuromuscular que compromete os músculos dorsiflexores do tornozelo ou os extensores do punho. Não inclui deformidades estruturais congênitas, encurtamentos ósseos primários ou posturas fixas por sequelas ósseas sem componente neuromuscular predominante. O código refere-se ao achado clínico de queda ou pendência adquirida e é usado quando essa característica é elemento principal da apresentação. Deve-se diferenciar de outras deformidades de membro no mesmo capítulo quando a causa primária for diferente (ex.: deformidade em flexão, pé chato).


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando a manifestação predominante for a incapacidade adquirida de manter o pé ou a mão na posição neutra por perda de função extensora, com início posterior ao período neonatal e sem predomínio de alteração óssea congênita. Aplica-se tanto em apresentações isoladas quanto quando a pendência for sequela funcional de trauma, compressão nervosa, neuropatia ou lesão central com predominância periférica.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M21.2 (Deformidade em flexão) — critério: deformidade por encurtamento ou contratura que mantém articulações em flexão persistente; M21.3 é perda da função extensora com membro pendente, não uma contratura fixa em flexão.

M21.4 (Pé chato [pé plano] (adquirido)) — critério: alteração do arco plantar e apoio plantar; M21.3 refere-se à incapacidade neuromuscular de levantar o antepé, não à alteração do arco.

M21.6 (Outras deformidades adquiridas do tornozelo e do pé) — critério: deformidades estruturais locais do tornozelo/pé sem déficit motor isolado de dorsiflexão; M21.3 descreve especificamente a queda/pendência por insuficiência extensor.

O que é?

M21.3 descreve um quadro adquirido em que a mão ou o pé fica “pendente”, isto é, a pessoa não consegue elevar ou manter o segmento em posição anatômica por fraqueza ou paralisia dos músculos responsáveis pela extensão. No pé, costuma corresponder ao chamado “foot drop” (queda do antepé) e na mão ao “wrist drop” (queda do punho). A apresentação é funcional: ao caminhar a ponta do pé arrasta ou a mão fica flácida com incapacidade de segurar objetos sem compensações.

A manifestação pode ser súbita, como após trauma ou compressão nervosa aguda, ou subaguda/cronificada em neuropatias, síndromes compressivas, doenças inflamatórias ou sequelas neurovasculares. A população afetada varia conforme a causa: adultos após fraturas, cirurgias, compressões de nervos periféricos ou pacientes com neuropatia metabólica.

Quais sintomas aparecem?

Sintomas principais incluem incapacidade de elevar o pé (arrasto do antepé ao caminhar) ou de estender o punho, marcha cambaleante com bater do pé, tropeços frequentes e dificuldade para segurar objetos. Sintomas iniciais podem ser fraqueza intermitente, dormência ponto-local e perda de equilíbrio. Agravamento costuma manifestar-se por aumento do arrastar do pé, incapacidade de compensações, perda de sensibilidade em território nervoso e desenvolvimento de úlceras por fricção no pé ou lesões por quedas.

O que causa?

Mecanismos incluem lesão direta do nervo periférico (trauma, fratura, lesões iatrogênicas), compressão crônica do nervo em pontos anatômicos (ex.: nervo peroneal na cabeça da fíbula; nervo radial no sulco do úmero), neuropatias metabólicas (diabetes), processos inflamatórios ou infecciosos que afetem a unidade motoras e, menos frequentemente, lesões centrais com predominância de déficit motor periférico. No Brasil, causas mais frequentes na prática são compressão traumática do nervo peroneal após fraturas da perna ou imobilização e neuropatia radial por fraturas de úmero ou posições prolongadas.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico clínico se fundamenta no padrão de fraqueza motora específica (dorsiflexão do pé; extensão do punho) e na distribuição sensorial compatível com o ramo nervoso afetado. Este código é sustentado por achado de pendência adquirida documentado no exame físico, com história temporal que indique início após evento lesivo ou progressão compatível. Estudos complementares que confirmam a etiologia incluem eletroneuromiografia para caracterizar lesão neuromuscular e localizar o nível lesional, além de imagem (ultrassom ou ressonância) quando se suspeita compressão local, lesões estruturais ou redundância cicatricial.

Como costuma ser tratado?

O tratamento depende da causa: medidas conservadoras e reabilitação fisioterápica para recuperação funcional; intervenções para retirar compressão nervosa quando indicada; e, em casos crônicos e incapacitantes, opções de órteses e procedimentos cirúrgicos reconstrutivos. O manejo inicial costuma focar em proteção da pele e prevenção de quedas, avaliação da reversibilidade e reabilitação motora progressiva. O padrão terapêutico e a indicação cirúrgica dependem da etiologia e da duração do déficit.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos usadas no contexto da etiologia incluem analgésicos e anti-inflamatórios para dor associada, agentes neuropáticos para sintomas dolorosos ou parestesias, e medicamentos específicos quando há causa inflamatória ou infecciosa identificada (por exemplo, imunomoduladores ou antimicrobianos conforme orientação especializada). O uso farmacológico visa controlar sintomas e tratar causas subjacentes, não alterar a codificação do achado.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação imediata em caso de início súbito de queda de pé ou mão após trauma, perda progressiva rápida de força, dor intensa, alterações sensoriais que se agravam ou sinais de lesão vascular. Buscar atendimento ambulatorial em seguida quando houver dificuldade persistente para caminhar, tropeços frequentes, perda de função útil da mão ou sinais de úlcera por fricção no pé. A avaliação precoce permite investigar causas tratáveis e planejar reabilitação.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes conforme a gravidade e evolução clínica.

Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A lei também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para o cálculo desses 15 dias, o que significa que várias justificativas curtas apresentadas em sequência podem ser consideradas como uma única sequência para efeitos de responsabilidade do empregador e do INSS.

Sobre a aplicação dessa soma de 60 dias: o CID informado no atestado é a referência que o perito usa para identificar se os atestados tratam da mesma condição. Ou seja, é o código que usualmente aparece no documento que permite ao perito verificar se diversos atestados correspondem ao mesmo motivo, e muitos usuários não sabem que essa correspondência depende exatamente do CID anotado.

Para que um atestado seja aceito, ele deve trazer a identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID só ocorre com a anuência do paciente: o médico não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador, e sem o código constando no documento a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

Especificamente para M21.3 (mão ou pé pendente adquirido), o curso pode ser agudo, como após trauma ou compressão nervosa, ou subagudo/cronificado em neuropatias e sequelas neurovasculares; portanto esse código descreve um achado funcional que pode exigir desde acompanhamento e reabilitação até intervenções, dependendo da reversibilidade. A condição pode provocar limitação funcional relevante para certas atividades laborais, mas o enquadramento do afastamento dependerá da avaliação individual do médico e da perícia. Como o quadro pode recorrer ou oscilar (exacerbações por compressões, progressão de neuropatia ou recuperação parcial), a regra dos 60 dias é especialmente relevante para identificar se atestados sucessivos se referem ao mesmo episódio ou condição contínua.

Perguntas frequentes sobre M21.3

O que exatamente significa receber o CID M21.3 no relatório?

Indica que foi constatada uma mão ou pé pendente adquirido, ou seja, perda da capacidade de elevar o segmento por disfunção neuromuscular, sendo necessário investigar a causa e a extensão do dano.

Esse quadro pode ser causado por diabetes?

Sim; neuropatia diabética é uma das causas possíveis de perda de função nervosa e pode levar a queda do pé, mas é preciso exames para confirmar a etiologia específica.

Preciso de atestado médico para o trabalho quando recebo esse diagnóstico?

O atestado deve descrever limitações funcionais e tempo estimado de afastamento, mas a decisão sobre afastamento depende de perícia e da avaliação do empregador ou previdência.

Qual exame confirma a natureza do problema?

A eletroneuromiografia é o exame que caracteriza a lesão nervosa e ajuda a localizar o nível da compressão ou denervação, complementado por imagem quando necessário.

A condição costuma melhorar sozinha?

Depende da causa; algumas lesões compressivas ou traumáticas melhoram com tratamento conservador e fisioterapia, outras exigem intervenção cirúrgica para recuperação parcial ou total.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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