M21.4 — Pé chato [pé plano] (adquirido)

  • pé plano adquirido
  • colapso do arco plantar
  • plano-valgo adquirido do pé

Em palavras simples

Receber o código CID M21.4 significa que o seu pé desenvolveu pé chato depois da infância. Em termos simples, o arco interno do pé perdeu altura e o pé passa a apoiar mais superfície no chão. Isso pode acontecer aos poucos ou depois de uma lesão, e pode afetar um ou os dois pés.

Você provavelmente sente dor ou cansaço na parte interna do pé ou tornozelo, sobretudo ao caminhar longas distâncias, subir escadas ou ficar muito tempo em pé. Pode notar também inchaço ao redor do tornozelo medial e que os sapatos ficam mais apertados ou gastos de maneira diferente.

Na maioria dos casos não é uma doença contagiosa. A gravidade varia: para muitos, o problema é desconfortável mas manejável com medidas conservadoras; para outros, a dor ou a deformidade podem progredir e limitar atividades. A duração depende da causa e do tratamento; algumas pessoas melhoram em semanas a meses, outras necessitam de intervenções mais prolongadas.

O próximo passo costuma ser avaliação clínica por especialista e exames de imagem, como radiografia do pé em carga, e às vezes ultrassom ou ressonância para avaliar tendões. Com base nisso, o médico pode orientar órteses, fisioterapia e mudanças nos calçados; em casos persistentes pode ser discutida cirurgia. O retorno e acompanhamento dependerão da resposta às medidas iniciais.

Em casa, observe aumento rápido da dor, inchaço que não cede, febre associada ou perda de sensibilidade no pé — nesses casos procure atendimento. Se os sintomas forem apenas cansaço e desconforto leve, anote quando ocorre piora (atividades, calçados) e leve essas informações nas consultas para orientar o tratamento.

O que este código significa?

O CID M21.4 designa o pé chato adquirido, caracterizado pela perda do arco medial do pé com contato aumentado do pé ao solo. Aparece quando estruturas de sustentação — ligamentos, tendão tibial posterior ou articulações do pé — perdem função, seja por lesão, sobrecarga ou envelhecimento. Não inclui pé chato congênito nem deformidades principalmente neuromusculares classificadas em outro código. Também não cobre valgo isolado do calcanhar sem colapso do arco medial.


Quando este código é usado?

Usa‑se este código quando a avaliação clínica e/ou de imagem confirmar pé plano desenvolvido após o período de crescimento, com alteração funcional ou sintomática atribuível ao colapso do arco plantar. Não se aplica a pé plano infantil fisiológico nem a deformidades exclusivamente congênitas ou neurológicas classificadas em outro capítulo.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M21.3 (Mão (pulso) ou pé pendente (adquirido)) — M21.3 descreve perda de suporte ativo com queda do antepé ou pé em posição pendente, geralmente por paralisia ou perda de função neuromuscular; M21.4 exige colapso do arco medial mais do que queda pendular do pé. M21.6 (Outras deformidades adquiridas do tornozelo e do pé) — M21.6 cobre deformidades específicas do tornozelo ou dedos sem o padrão clássico de arco medial colapsado; usar M21.4 quando o aspecto predominante for pé plano adquirido. M21.0 (Deformidade em valgo não classificada em outra parte) — M21.0 é apropriado quando a angulação em valgo é o achado principal sem perda consistente do arco plantar; se o arco medial estiver claramente rebaixado, optar por M21.4.

O que é?

Pé chato adquirido é uma deformidade do pé que surge após a infância, em que o arco medial longitudinal perde altura e o pé passa a ter maior área de contato com o solo. A alteração resulta de falha das estruturas que mantêm o arco — tendão tibial posterior, cápsulas articulares, ligamentos plantares e suporte ósseo — levando a mudança na biomecânica do pé.

Clinicamente manifesta‑se por pé com aspecto mais “achatado”, possível rotação externa do pé durante a marcha e alteração da distribuição de carga. Pode ocorrer em um ou ambos os pés e é mais frequente em adultos de meia‑idade, especialmente após lesões, inflamação crônica, sobrepeso ou em pacientes com alteração degenerativa das articulações do pé.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas podem incluir dor no arco medial ou ao longo do tendão tibial posterior, cansaço ao ficar em pé ou caminhar, inchaço ao redor do tornozelo medial e mudança no calçado devido ao alargamento do pé. Sintomas iniciais costumam ser desconforto ao caminhar e sensação de pé “cansado”; agravamento se apresenta com dor persistente, perda de mobilidade das articulações subtalares e deformidade visível em varo/valgo associada.

O que causa?

Mecanismos incluem insuficiência do tendão tibial posterior por degeneração ou ruptura, lesão ligamentar, artrite degenerativa das articulações mediotársicas, fraturas mal consolidadas e sobrecarga mecânica por obesidade. No Brasil, as causas mais observadas na prática são tendinopatia crônica do tibial posterior associada ao envelhecimento e a sobrecarga funcional por obesidade ou esforço repetitivo.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia‑se em exame clínico que mostra redução do arco medial, aumento da área plantar, alinhamento em valgo do retropé e testes funcionais do tibial posterior. Radiografias em carga do pé confirmam o colapso do arco e alterações articulares; ultrassom pode avaliar o tendão tibial posterior e ressonância magnética é útil para lesões tendíneas ou alterações articulares associadas. O código M21.4 exige evidência de pé plano adquirido com alterações estruturais ou sintomáticas atribuíveis ao colapso do arco.

Como costuma ser tratado?

O tratamento tende a ser conservador inicialmente, com medidas para reduzir carga e inflamação, suporte mecânico (órteses ou palmilhas), fisioterapia direcionada ao fortalecimento e alongamento e ajuste de calçados. Em casos persistentes com dor incapacitante ou deformidade progressiva, a referência a cirurgia corretiva pode ser considerada para restaurar o alinhamento e função, após avaliação especializada.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Anti‑inflamatórios não esteroidais e analgésicos são comumente usados para controle sintomático da dor e inflamação; meios farmacológicos adjuvantes incluem medicamentos para dor neuropática quando presente componente neuropático. Corticoide local pode ser usado em circunstâncias específicas por especialista; escolha e uso dependem de avaliação clínica.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação se houver dor medial persistente que limita caminhar, aumento rápido do inchaço, perda progressiva da capacidade de sustentar carga com alterações visíveis no pé ou sintomas neurológicos como dormência. Agendamento com especialista é indicado quando medidas simples não aliviam em semanas ou quando a deformidade progride.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Na prática administrativa, o sistema funciona assim: até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16.º dia o INSS assume o benefício e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). Importa saber que é o CID do atestado que o perito usa para verificar se a doença declarada é a mesma, razão prática pela qual o código aparece no documento.

Para que um atestado seja aceito precisa constar identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, e sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

O pé chato adquirido (M21.4) costuma constituir uma condição crônica ou de evolução progressiva em adultos — envolvendo alteração estrutural e biomecânica do pé que pode levar a dor, limitação de atividades e necessidade de acompanhamento. Em muitos casos o manejo é ambulatorial e de suporte, mas episódios de dor ou exacerbação funcional podem motivar atestados sucessivos. Como a apresentação pode ser recorrente ou intermitente, a regra dos 60 dias é relevante aqui: atestados espaçados por curto intervalo e com o mesmo CID podem ser somados para fins de apuração do período pago pelo empregador versus pelo INSS.

Perguntas frequentes sobre M21.4

O que exatamente significa ter o CID M21.4 no meu prontuário?

Significa que foi identificado pé chato adquirido, com perda do arco medial do pé. O registro indica um diagnóstico que justifica investigação e tratamento direcionado à alteração estrutural e funcional do pé.

Este código implica em afastamento do trabalho automaticamente?

Não. O CID documenta a condição, mas afastamento depende da avaliação médica do impacto funcional, do tipo de trabalho e da perícia competente.

Quais exames confirmarão que é pé chato adquirido?

Radiografia do pé em carga é o exame básico para demonstrar o colapso do arco; ultrassom e ressonância podem identificar lesão do tendão tibial posterior ou outras alterações estruturais.

Como diferenciar o pé chato adquirido do pé chato que crianças têm?

O pé chato infantil costuma ser fisiológico e muitas vezes melhora com crescimento; pé chato adquirido tem início na vida adulta, está associado a dor, perda funcional e alterações estruturais visíveis em exame e imagem.

O CID M21.4 vai mudar se for comprovada ruptura do tendão tibial posterior?

Se a ruptura ou outra condição específica for identificada e documentada, pode manter‑se M21.4 como descrição do pé chato adquirido, mas a codificação associada pode incluir códigos adicionais que descrevem a causa específica.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando começou a alteração do arco e houve relação temporal com trauma ou sobrecarga?
  • Existe histórico prévio de lesão ou intervenção no tornozelo/pé do lado afetado?
  • Qual é a integridade do tendão tibial posterior em ultrassom ou RM e isso muda o plano terapêutico?
  • Há achados de artrite degenerativa nas radiografias em carga que justifiquem correção cirúrgica?
  • Como a marcha e o alinhamento do retropé durante apoio influenciam a indicação para órtese versus cirurgia?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O quadro clínico documentado com CID M21.4 pode fundamentar pedido de benefício por incapacidade temporária?
  • Quais provas documentais são essenciais em perícia para comprovar incapacidade laborativa por pé chato adquirido?
  • Em caso de acidente que desencadeou a condição, como vincular temporalmente o CID ao evento para fins de indenização?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos para estabilização ortopédica do pé chato o plano costuma requerer autorização prévia?
  • Que documentação o plano solicita para avaliar cobertura de órtese personalizada relacionada a CID M21.4?
  • Em casos de cirurgia corretiva por pé chato adquirido, quais relatórios e exames o plano normalmente exige para liberação?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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