M24.2 — Transtornos de ligamentos

  • lesão ligamentar
  • insuficiência ligamentar
  • laxidade ligamentar articular

Em palavras simples

Receber o código CID M24.2 significa que o problema identificado é dos ligamentos da sua articulação — estruturas que ligam os ossos e mantêm a articulação estável. Não é um termo técnico para dor vaga; indica que o exame e a avaliação clínica apontaram alteração ligamentar como causa principal das suas queixas.

Você provavelmente está sentindo dor localizada, que piora em movimentos que forçam a articulação, e pode perceber uma sensação de instabilidade ou de que a articulação “falta” durante certas atividades. Em alguns casos há inchaço, estalos ou limitação para abrir totalmente o movimento. No início, a queixa pode ser só desconforto em esforço; se piorar, a sensação de soltura e as limitações para trabalho ou esporte se tornam mais evidentes.

Em geral, não é uma doença contagiosa. A gravidade varia: muitos casos são tratados sem cirurgia, com reabilitação e medidas de proteção articular; outros evoluem como sequelas de trauma antigo e podem exigir avaliações e procedimentos mais extensos. O tempo de recuperação depende da articulação, da gravidade da alteração e das intervenções realizadas, podendo ser semanas a meses em quadros leves a moderados.

O que costuma acontecer a seguir é uma combinação de exames e acompanhamento: o médico pode solicitar imagens que avaliem os ligamentos e documentem a alteração, e o retorno é usado para acompanhar melhora funcional. A documentação com CID M24.2 pode aparecer em atestados, relatórios e pedidos de exame. A necessidade de afastamento do trabalho varia com a função e com o grau de limitação funcional identificado.

Em casa, observe se há aumento súbito da dor, inchaço importante, perda de movimento ou episódios em que a articulação pareça deslocar-se; nesses casos procure avaliação sem demora. Se os sintomas forem estáveis, registre evolução e siga as orientações de retorno e reabilitação combinadas com sua equipe de saúde.

O que este código significa?

O CID M24.2 designa transtornos de ligamentos das articulações, incluindo alterações estruturais ou funcionais dos ligamentos que resultam em dor, instabilidade ou limitação de movimento. Refere-se tanto a alterações degenerativas e crônicas quanto a sequelas de lesões anteriores, não sendo usado para entorses agudas simples ou rupturas traumáticas documentadas. Não inclui doenças primárias das cartilagens, ossos ou cápsulas articulares isoladas (ver M24.1, M24.3, M24.6). É aplicado quando a principal afecção identificada e codificada é um problema ligamentar confirmado por exame clínico e/ou por imagem complementar. Na prática, aparece em contextos de queixa funcional articular persistente, relatórios periciais e autorizações de procedimentos relacionados a instabilidade articular.


Quando este código é usado?

Usa-se M24.2 quando o problema principal é um transtorno do ligamento que compromete a função articular, identificado por histórico, exame físico e exames complementares que apontem lesão crônica, laxidade patológica ou sequela ligamentar. Não se usa para entorse aguda sem avaliação complementar, nem para ruptura aguda comprovada cuja codificação específica de trauma deva ser aplicada.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M24.3 — Deslocamento e subluxação patológicas: distingue-se por presença de deslocamento patológico recorrente ou subluxação clínica evidente; M24.2 foca na lesão ligamentar como causa da instabilidade sem necessariamente haver subluxação visível. M24.1 — Outros transtornos das cartilagens articulares: separa-se quando a lesão primária é da cartilagem (dor e crepitação local, alterações na ressonância focalizadas em cartilagem); M24.2 é usada quando o problema principal é ligamentar. M24.4 — Deslocamento e subluxação recidivantes: utilizada quando há episódios repetidos documentados de deslocamento; M24.2 cabe quando a alteração ligamentar existe sem episódios recorrentes de deslocamento.

O que é?

Transtornos de ligamentos englobam alterações que afetam os ligamentos periarticulares — estruturas fibrosas que conectam ossos e estabilizam articulações. Essas alterações vão desde frouxidão e degeneração até fibrose cicatricial ou encurtamento, causando dor, sensação de instabilidade ou limitação do arco de movimento.

Manifesta-se com queixa articular localizada, frequentemente piorada por esforços ou movimentos que estressem o ligamento envolvido. Afeta adultos jovens em atividades esportivas e adultos de meia-idade por sobrecarga crônica; também pode aparecer como sequela de trauma antigo.

Quais sintomas aparecem?

Dor localizada ao esforço e em movimentos que tensionam o ligamento; sensação de instabilidade ou ‘falseio’ articular; dificuldade em suportar cargas ou executar movimentos amplos; estalos ou sensação de soltura durante o movimento. Sintomas iniciais costumam ser dor intermitente e desconforto funcional; agravamento se caracteriza por instabilidade persistente, episódios de deslocamento ou perda clara da função articular.

O que causa?

Mecanismos incluem trauma direto ou entorse que danifica fibras ligamentares, sobrecarga repetida com microlesões e degeneração ligamentar relacionada à idade ou alterações metabólicas locais. Na prática brasileira, entorses mal tratados e atividades esportivas sem reabilitação adequada são causas frequentes que evoluem para transtorno ligamentar crônico.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é sustentado por histórico de trauma ou sintomas crônicos compatíveis, exame físico demonstrando instabilidade específica ou sinal local de tensão ligamentar, e por exames de imagem que comprovem alteração ligamentar (ecografia, ressonância magnética) ou sequela compatível. Este código é atribuído quando a investigação aponta os ligamentos como principal causa da queixa articular, diferenciando-se de diagnósticos primariamente cartilaginosos, ósseos ou cápsulo-sinoviais.

Como costuma ser tratado?

O manejo inclui medidas conservadoras direcionadas à restauração da função articular e controle dos sintomas, programas de reabilitação funcional, proteção articular e, em alguns casos selecionados, intervenções procedimentais ou cirúrgicas quando há comprometimento funcional persistente. O plano terapêutico depende da articulação, do grau de instabilidade e da resposta a tratamento conservador.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes medicamentosas frequentemente empregadas no controle sintomático incluem analgésicos e antiinflamatórios para controle da dor e inflamação aguda, além de agentes tópicos e medicações adjuvantes quando indicado pela equipe clínica. A escolha da classe depende do quadro clínico e da avaliação do risco-benefício.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica quando houver dor persistente que limita atividade habitual, sensação de instabilidade ou episódios de ‘travar’/deslocamento, aumento rápido da dor ou inchaço articular significativo. Busca por atendimento é indicada também se sintomas não melhoram com medidas iniciais ou se houver perda progressiva da função.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso e pelo contexto concreto do paciente — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, quando o afastamento é de até 15 dias quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3º). A partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e pode exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é operacionalizada pelo CID inscrito no atestado: é o código que o perito usa para verificar se a doença/queixa é a mesma e, portanto, se os atestados podem ser acumulados para se atingir os 15 dias pagos pelo empregador. Essa relação entre CID e soma de atestados é pouco conhecida.

Para que um atestado seja aceito precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data da emissão, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso de M24.2 (transtornos de ligamentos), trata‑se tipicamente de condições crônicas, degenerativas ou de sequela de lesões prévias, que costumam provocar dor, instabilidade e limitação funcional mais do que um episódio agudo isolado; não é o código usado para entorse aguda simples ou rotura traumática documentada. Por isso, M24.2 frequentemente aparece em contextos de acompanhamento e registro da condição ligamentar e nem sempre implica incapacidade laboral completa, embora possa justificar afastamentos quando houver comprometimento funcional significativo. Como o quadro tende a ser recorrente ou persistente em muitos casos, a regra dos 60 dias costuma ser relevante aqui: atestados repetidos pelo mesmo CID dentro do período previsto podem ser somados para efeitos do pagamento inicial pelo empregador.

Perguntas frequentes sobre M24.2

O que exatamente significa receber o CID M24.2 em um laudo?

Significa que a alteração principal identificada é de um ligamento articular, indicando problema estrutural ou funcional dessa estrutura, documentado por exame clínico e/ou de imagem.

O CID M24.2 quer dizer que é hora de fazer cirurgia?

Nem sempre; o CID descreve o sítio e a natureza (ligamentar) do problema, e a indicação de cirurgia depende da gravidade, função comprometida e resposta a tratamento conservador avaliada pela equipe.

Posso transmitir essa condição a outras pessoas?

Não; transtornos de ligamentos não são contagiosos. Trata-se de lesão ou alteração mecânica e estrutural da articulação.

O que diferencia M24.2 de um entorse agudo codificado em outro capítulo?

Entorse aguda relaciona-se a lesão traumática recente e pode ser codificada como lesão por força externa; M24.2 é usado quando o quadro é um transtorno ligamentar primário ou sequela, com investigação clínica/por imagem que sustente essa classificação.

Esse CID garante afastamento ou benefício previdenciário?

O CID no laudo é um elemento documental, mas concessão de afastamento ou benefício depende de perícia, da comprovação de incapacidade e da legislação aplicável.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual exame de imagem confirma melhor a alteração ligamentar nesta articulação e em que contexto ele foi realizado?
  • Qual foi o mecanismo de lesão e existe relato de entorse agudo ou trauma prévio?
  • Há sinais clínicos objetivos de instabilidade que justifiquem recodificação para M24.3 ou M24.4?
  • Qual a evolução temporal dos sintomas e quais intervenções foram tentadas e documentadas no prontuário?
  • Existem comorbidades articulares (cartilagem, menisco, osteoartrose) que podem justificar códigos associados?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Existe nexo causal documentado entre atividade laboral e a alteração ligamentar apontada por M24.2?
  • O quadro descrito em laudo com CID M24.2 atende aos requisitos para afastamento previdenciário ou auxílio-doença nesta situação?
  • Quais provas documentais adicionais (imagens, relatórios de reabilitação) são necessárias para fortalecer um pedido administrativo ou judicial relacionado a incapacidade?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento proposto para tratar a condição ligamentar exige autorização prévia quando o CID informado é M24.2?
  • Que documentação clínica e de imagem a operadora costuma exigir para liberar cobertura de exame ou procedimento associado a transtorno ligamentar?
  • Existe carência ou restrição contratual que afete cobertura de procedimentos relacionados a instabilidade ligamentar diagnosticada como M24.2?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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