M67.0 — Tendão de Aquiles curto (adquirido)

  • encurtamento do tendão de Aquiles
  • contratura de Aquiles (adquirida)
  • encurtamento do calcâneo

Em palavras simples

O código CID M67.0 significa que o seu tendão de Aquiles (o cabo que liga os músculos da panturrilha ao calcanhar) está encurtado por um processo adquirido, ou seja, não nasceu assim. Isso costuma acontecer depois de um período de imobilização, cicatrização após lesão, ou por mudanças na forma de andar. O encurtamento faz com que você tenha menos movimento para puxar o pé para cima (dorsiflexão).

Você provavelmente está sentindo uma sensação de tensão ou rigidez na parte de trás da perna, dificuldade para calçar certos sapatos, ou marcha mais em ponta de pé. Pode haver desconforto ao subir escadas, ao agachar ou durante atividades que exigem maior flexibilidade do tornozelo. Nem sempre há dor intensa; às vezes o problema é mais a limitação do movimento e o incômodo funcional.

Na maioria dos casos não é uma emergência nem é contagioso. A gravidade varia: muitos melhoram com fisioterapia e alongamentos ao longo de semanas a meses, mas alguns casos crônicos precisam de avaliação mais aprofundada e, em alguns cenários, cirurgia. O tempo de recuperação depende do tempo de evolução e da resposta ao tratamento.

O caminho comum inclui avaliação médica, medidas de reabilitação (fisioterapia dirigida a alongamento e reequilíbrio), e eventualmente exames de imagem para excluir lesões associadas. Se você trabalha em atividades que exigem esforço físico, pode haver necessidade de afastamento temporário ou adaptação de tarefas, conforme a avaliação médica e as regras do empregador ou previdência.

Em casa, observe a evolução do movimento do tornozelo, dor crescente, inchaço progressivo ou perda súbita da capacidade de apoiar o pé — esses sinais merecem busca imediata de atendimento. Continue com as orientações de reabilitação prescritas e retorne para reavaliação se não houver melhora após o período combinado de tratamento, ou se surgirem sinais de complicação.

O que este código significa?

CID M67.0 designa o encurtamento adquirido do tendão de Aquiles que reduz a amplitude de movimento do tornozelo, especialmente a dorsiflexão. Aparece como consequência de cicatrização, imobilização prolongada, alterações posturais ou doenças do tecido conjuntivo, e não descreve ruptura aguda do tendão nem sinovite isolada. Exclui deformidades congênitas do tendão e lesões traumáticas agudas que têm códigos próprios. O registro deste código sustenta procedimentos ou avaliações relacionados ao encurtamento e suas consequências funcionais.


Quando este código é usado?

Use quando o paciente apresenta encurtamento adquirido do tendão de Aquiles com impacto funcional mensurável no tornozelo, sem ruptura aguda nem condição congênita.

Não use este código para roturas agudas, para sinovites isoladas ou para outras contraturas tendíneas especificadas em códigos diferentes.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M67.1 — Outra contratura de tendão (bainha): diferenciar quando a alteração é uma contratura em bainha tendínea localizada em estruturas diferentes ou sem encurtamento isolado do Aquiles; M67.0 refere-se especificamente ao encurtamento adquirido do tendão de Aquiles com limitação da dorsiflexão.

M67.3 — Sinovite transitória: sinovite envolve inflamação da sinóvia e dor articular predominante sem encurtamento estruturado do tendão; M67.3 aplica-se quando há quadro inflamatório sinovial predominante e curso transitório.

M67.8 — Outros transtornos especificados da sinóvia e do tendão: usar M67.8 quando houver um transtorno tendíneo ou sinovial claramente descrito diferente do encurtamento isolado do Aquiles; M67.0 exige documentação de encurtamento adquirido específico do tendão de Aquiles.

O que é?

Tendão de Aquiles curto (adquirido) é o encurtamento do complexo tendíneo que conecta os músculos da panturrilha ao calcâneo, com perda progressiva ou fixação da dorsiflexão do tornozelo. Manifesta-se por marcha em ponta de pés, limitação para calçar certos sapatos e redução da flexibilidade da cadeia posterior da perna.

Costuma ocorrer em adultos após longo período de imobilização, cicatrização excessiva após lesão, padrões de marcha adaptativos, ou em associação com doenças que afetam o tecido conectivo. Pode coexistir com dor, rigidez matinal e perda de função esportiva ou laboral.

Quais sintomas aparecem?

Principais: limitação de dorsiflexão do tornozelo, marcha em ponta de pés ou claudicação, rigidez e sensação de encurtamento na panturrilha.

Sintomas precoces: desconforto ao calçar sapatos rígidos, aumento da tensão ao subir escadas ou agachar. Sinais de agravamento: perda funcional marcada (impossibilidade de calçar sapatos comuns), dor crônica que limita atividades e mudanças adaptativas da marcha com desconforto secundário no joelho ou nas costas.

O que causa?

Mecanismos incluem cicatrização retrátil após lesão tendonária ou cirurgia, imobilização prolongada em posição encurtada, retração por fibrose, desequilíbrio muscular entre tríceps sural e dorsiflexores, e alterações crônicas da postura. No Brasil, a causa prática mais frequente é imobilização prolongada após entorse, fratura ou imobilização inadequada, seguida por cicatrização com fibrose.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, sustentado por exame físico que demonstra redução da dorsiflexão e encurtamento do complexo Aquiles-calcâneo; testes dinâmicos de marcha e comparação com o lado contralateral ajudam a confirmar. Documentação objetiva da limitação, histórico de imobilização ou cirurgia prévia e exclusão de ruptura aguda ou sinovite por exame de imagem orientam a codificação para M67.0.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma ser conservador inicialmente, com programas de alongamento, fisioterapia focada em alongamento excêntrico e reequilíbrio funcional; em casos crônicos com perda funcional persistente, avaliação cirúrgica para alongamento ou liberação pode ser considerada. O tratamento é habitualmente ambulatorial e a duração depende da cronicidade e resposta terapêutica.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Analgesia e anti-inflamatórios podem ser usados para controlar dor associada, e eventualmente agentes tópicos ou sistêmicos para sintomas inflamatórios concomitantes; medicamentos não são o foco do tratamento do encurtamento em si, que depende de reabilitação e intervenções mecânicas.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica se houver piora da dor, perda rápida de função, sinais de infecção local, suspeita de ruptura aguda (insucesso súbito de apoio) ou se o encurtamento limita atividades diárias. Também é indicada reavaliação quando não há melhora com reabilitação ou quando há impacto laboral significativo.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é determinado pelo médico que avaliou o caso concreto, de acordo com a gravidade e as limitações funcionais observadas — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Na prática jurídica do afastamento, a lei estabelece regras sobre quem paga e quando o INSS passa a exigir perícia: até 15 dias o empregador é responsável pelo pagamento; a partir do 16º dia o INSS assume e pode exigir avaliação pericial; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse prazo inicial. O CID anotado no atestado é o dado que o perito usa para verificar se se trata da mesma doença quando se faz essa soma — é por isso que o código tem função prática além de classificatória.

Para que um atestado seja aceito pelo empregador ou pelo INSS, ele deve identificar o paciente, o período de afastamento, a data, e conter assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelas instâncias competentes.

No caso específico do CID M67.0 (tendão de Aquiles curto adquirido), trata‑se tipicamente de uma condição crônica ou de progressão insidiosa ligada a cicatrização, imobilização prolongada ou alterações posturais, e não de uma lesão aguda isolada. Esse quadro costuma demandar acompanhamento e registro das limitações funcionais mais do que afastamento automático do trabalho, embora perda de função marcante possa levar a avaliações para incapacidades laborais; por ser condição que pode recidivar ou persistir, a regra da soma dos 60 dias é especialmente relevante para reconhecer episódios repetidos ou continuados do mesmo problema quando se analisa a necessidade de afastamentos e perícias subsequentes.

Perguntas frequentes sobre M67.0

O que significa receber o CID M67.0 no meu prontuário?

Significa que foi identificado encurtamento adquirido do tendão de Aquiles que reduz a flexibilidade do tornozelo. O código descreve a condição, não determina tratamento específico.

Esse problema costuma precisar de cirurgia?

Muitos casos melhoram com fisioterapia e reabilitação; a cirurgia é considerada quando há perda funcional persistente apesar das medidas conservadoras e após avaliação especializada.

Preciso ficar afastado do trabalho se tenho M67.0?

O afastamento depende da função laboral, do grau de limitação e da avaliação médica-pericial; o código só documenta a condição, a necessidade de afastamento é avaliada caso a caso.

Como se diferencia do código M67.1 mencionado no laudo?

M67.1 refere-se a outra contratura de tendão ou bainha em localizações ou mecanismos diferentes; M67.0 é específico para encurtamento adquirido do tendão de Aquiles com comprometimento de dorsiflexão.

O CID M67.0 implica risco de contágio para contatos?

Não. Trata-se de alteração estrutural do tendão, sem componente infeccioso contagioso, a menos que o médico registre infecção separadamente.

Que exames geralmente são pedidos para confirmar a situação?

Avaliação clínica documentada da amplitude articular é essencial; ultrassom ou ressonância podem ser solicitados para excluir ruptura ou avaliar fibrose.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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