M87.8 — Outras osteonecroses
- osteonecrose de etiologia não especificada
- necrose óssea localizada não classificada
Em palavras simples
O código CID M87.8 significa que foi identificada uma área de morte celular no osso — osteonecrose — mas que o caso não se encaixa em uma das formas já classificadas. Em palavras simples: parte do osso deixou de receber sangue suficiente e sofreu dano, e os médicos concluíram que não há um rótulo mais específico para a causa ou a apresentação.
Você provavelmente sente uma dor localizada que começou de forma insidiosa e pode piorar ao usar a região afetada. No início a dor pode aparecer só durante esforço e depois passar a incomodar em repouso; também pode haver perda de movimento ou dificuldade para apoiar o peso, dependendo do osso comprometido.
Isso nem sempre é emergência, mas também não é algo que costuma desaparecer rápido por conta própria. A evolução varia: algumas lesões ficam estáveis com tratamento conservador, outras progridem e exigem procedimentos para preservar a função. Osteonecrose não é contagiosa. O tempo de recuperação depende do local e do estágio; pode envolver meses de acompanhamento e reavaliações por imagem.
Normalmente os próximos passos são exames de imagem mais detalhados (a ressonância é comumente usada), acompanhamento clínico e discussão sobre medidas para reduzir dor e proteger a estrutura óssea. Em alguns casos, limitações temporárias no trabalho ou nas atividades físicas são recomendadas pelo médico, dependendo do impacto funcional.
Em casa, observe se a dor aumenta de forma rápida, se surge inchaço, febre ou incapacidade súbita para usar a parte afetada; nesses casos busque atendimento. Também é importante seguir os retornos marcados para controlar a evolução. Anote quando a dor piora ou o que a piora, para informar ao médico nas consultas.
Leve aos atendimentos os resultados de imagem anteriores e relate medicamentos que você usa, consumo de álcool e histórico de traumas anteriores — essas informações ajudam a médico a entender o quadro. O código M87.8 descreve a lesão que foi encontrada; o plano de cuidado será alinhado com você conforme a resposta aos tratamentos e os achados dos exames.
O que este código significa?
O CID M87.8 designa ‘outras osteonecroses’: formas de perda de vascularização e morte óssea que não são classificadas nas subcategorias específicas do grupo M87. Inclui apresentações por localização ou causa atípica quando não há código mais preciso. Não inclui necrose asséptica idiopática do osso (M87.0), osteonecrose por drogas (M87.1), por traumatismo prévio (M87.2), outras secundárias claramente identificadas (M87.3) ou formas não especificadas (M87.9). Este código é usado quando há evidência clínica e/ou imagem de osteonecrose, mas o padrão de causa, local ou contexto difere dos códigos irmãos.
Quando este código é usado?
Usa-se M87.8 quando há confirmação ou forte suspeita de osteonecrose por critérios clínicos e/ou imagiológicos, e nenhum código mais específico do bloco M87 se aplica. É o código de escolha para apresentações atípicas por localização, multifocais sem etiologia típica, ou quando os detalhes necessários para subcategorização não estão disponíveis.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M87.0 — Necrose asséptica idiopática do osso: distingue-se por ausência de fator causal externo claro e por um padrão clínico-imagiológico clássico em locais típicos; se houver história de uso de drogas conhecidas por causar osteonecrose, não se usa M87.0.
M87.1 — Osteonecrose devida a drogas: separa-se quando há relação temporal e plausível com uso de medicamento implicado (ex.: corticoide, antiangiogênicos); se a associação medicamentosa não for identificável, pode-se preferir M87.8.
M87.2 — Osteonecrose devida a traumatismo anterior: reserva-se para casos com histórico claro de traumatismo que explique a isquemia óssea; sem história de traumatismo, escolher M87.8.
M87.3 — Outras osteonecroses secundárias: inclui osteonecroses secundárias a condições bem definidas (coagulopatias, doenças inflamatórias) quando essa relação está documentada; M87.8 é usada quando a relação secundária não está estabelecida ou não se enquadra nas opções.
O que é?
Osteonecrose é a morte de células ósseas por perda de suprimento sanguíneo local. O termo ‘outras osteonecroses’ agrupa apresentações que não se encaixam nas categorias mais específicas, incluindo locais incomuns, apresentações multifocais sem causa identificada ou associações clínicas atípicas.
Clinicamente manifesta-se por dor no local afetado, limitação funcional e, dependendo do osso comprometido, claudicação ou redução de amplitude de movimento. Costuma afetar adultos, mas pode ocorrer em diferentes idades conforme a causa subjacente.
Quais sintomas aparecem?
Dor localizada progressiva é o sintoma principal; no início pode ser intermitente, piorando com atividade. Rigidez articular e redução da mobilidade aparecem com a evolução. Sinais de agravamento incluem dor intensa constante, limitação importante de movimentos, crepitação ou colapso estrutural do osso (por exemplo, colapso de cabeça femoral) e perda de função que impede as atividades rotineiras.
O que causa?
Mecanismos comuns envolvem interrupção do fluxo sanguíneo intraósseo por trombose, compressão vascular ou dano direto ao suprimento arterial. No Brasil, causas observadas na prática incluem uso prolongado de corticoides, alcoolismo, doenças que alteram a coagulação e sequelas de radioterapia, mas M87.8 é reservado quando a causa não se enquadra nas subcategorias ou não está identificada. Processos metabólicos, inflamatórios ou iatrogênicos podem também convergir para isquemia óssea.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico que sustenta M87.8 baseia-se em correlação clínica de dor e limitação com achados imagiológicos compatíveis com necrose óssea, quando não há critérios para os códigos irmãos. Exames de imagem, especialmente ressonância magnética, costumam demonstrar áreas de desorganização trabecular, edema e limites entre osso viável e necrótico; radiografia e tomografia complementam a avaliação estrutural. A confirmação exige documentação da lesão e ausência de elemento que permita subcategorização.
Como costuma ser tratado?
O manejo varia com estágio e localização: abordagens conservadoras visam alívio da dor e preservação da estrutura; intervenções cirúrgicas visam descompressão, enxertia ou substituição articular em colapso. O tratamento costuma envolver acompanhamento seriado por imagem e ajuste conforme evolução clínica; o plano terapêutico depende do impacto funcional e da extensão da necrose.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Medicamentos usados na prática visam controle da dor e modulação de fatores de risco: analgésicos e anti-inflamatórios para sintoma; agentes que interferem no metabolismo ósseo podem ser considerados em estudos específicos. A escolha farmacológica depende do quadro clínico, com avaliação dos riscos e benefícios pelo profissional assistente.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação imediata se a dor local aumentar rapidamente, ocorrer incapacidade para caminhar ou mover a articulação, febre associada ou sinais inflamatórios locais. Buscar reavaliação se exames mostraram progressão radiológica ou se há novo sintoma neurológico ou vascular no membro afetado.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias funciona assim na prática: o perito usa o CID indicado no atestado para verificar se a doença é a mesma — é o código que liga atestados sucessivos à mesma condição e permite a soma do período empregador/INSS; muitos pacientes não sabem que é esse o critério usado para agrupar afastamentos.
Para que um atestado seja aceito ele precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o número do CRM do médico. O CID só entra no documento com anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório; porém, sem o código não há como verificar a soma dos 60 dias mencionados acima.
Especificamente para M87.8 (outras osteonecroses): trata‑se de um quadro que tende a exigir acompanhamento e registro por imagem e avaliação clínica, podendo ser uma condição crônica, recorrente ou de evolução que compromete função dependendo do osso afetado. Esse código costuma ser usado em situações atípicas, multifocais ou sem causa claramente classificada, e pode envolver incapacidade de trabalho dependendo da localização e da gravidade — em muitos casos o manejo é de vigilância, controle da dor e, eventualmente, intervenções. Como é uma categoria que cobre apresentações recorrentes ou incomuns, a possibilidade de múltiplos atestados pelo mesmo motivo torna a regra dos 60 dias particularmente relevante para quem precisa acumular períodos de afastamento.
Que direitos este código envolve?
Direitos relacionados a afastamento e benefícios dependem de legislação, perícia e contrato de trabalho ou de plano; a presença do código CID M87.8 não garante automaticamente concessões. Laudos periciais e relatórios médicos detalhados são elementos centrais em avaliações para previdência ou seguro.
Perguntas frequentes sobre M87.8
O CID M87.8 significa que minha doença é grave?
Nem sempre; refere-se à presença de osteonecrose não classificada. A gravidade depende do local, extensão da lesão e evolução demonstrada em exames.
Preciso de atestado médico com CID M87.8 para justificar afastamento?
O atestado deve refletir limitações funcionais e o período necessário; o CID apenas identifica a condição, a decisão sobre afastamento depende de avaliação clínica e perícia.
A osteonecrose é contagiosa para a família?
Não; trata-se de problema circulatório local no osso, sem risco de transmissão entre pessoas.
Que exame confirma a osteonecrose quando me deram M87.8?
A ressonância magnética é o exame mais sensível para confirmar e delimitar a área necrótica; radiografias e tomografia complementam a avaliação.
Como diferenciar M87.8 de M87.1 (por drogas)?
A diferenciação exige correlação temporal e plausível entre uso de medicamento conhecido por causar osteonecrose e o início dos sintomas; sem essa relação documentada, pode-se usar M87.8.
O que muda se o osso colapsar durante o seguimento?
O colapso altera o plano terapêutico e pode justificar intervenções cirúrgicas; a documentação imagiológica do colapso deve constar no prontuário para fins clínicos e administrativos.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M80-M94
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M87.8)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.