N18.0 — Doença renal em estádio final

  • insuficiência renal terminal
  • falência renal terminal
  • doença renal terminal

Em palavras simples

Receber o diagnóstico registrado como doença renal em estádio final significa que os rins perderam a capacidade de desempenhar funções essenciais de forma estável. Na prática, isso quer dizer que o corpo não está mais eliminando substâncias de rejeito como antes, nem regulando bem o sal, a água e outras substâncias. Para muitas pessoas, esse registro vem quando já existe histórico de doença renal crônica que foi piorando ao longo do tempo.

Você pode estar sentindo cansaço muito fácil, falta de apetite, náuseas, coceira na pele, inchaço — principalmente nas pernas e tornozelos — e mudanças na urina. Às vezes aparecem falta de ar ou sensação de estômago pesado. Nem todas as sensações aparecem de uma vez; algumas são sutis no começo e pioram com o tempo. Essas manifestações são o reflexo de que os rins não estão mais conseguindo manter o equilíbrio do corpo.

É natural perguntar se é grave. Sim, trata-se de uma situação séria, porque afeta funções vitais, mas não é necessariamente uma emergência imediata se houver acompanhamento. Não é uma doença contagiosa. O tempo de evolução varia: para alguns a progressão é lenta ao longo de meses ou anos; para outros pode enxergar piora mais rápida. O registro como estádio final costuma acompanhar a necessidade de medidas de substituição da função renal, como programas de diálise ou avaliação para transplante, quando indicados.

Depois desse diagnóstico, o que costuma acontecer é: o médico nefrologista pede exames de sangue e imagem para acompanhar a função renal e planejar cuidados; pode haver encaminhamento para programas de diálise ou para avaliação de transplante; o retorno ao consultório costuma ser mais frequente. Em termos de trabalho, muitas pessoas precisam discutir com empregador e médico sobre afastamento ou ajustes nas atividades, conforme o cansaço e a rotina de tratamentos.

Em casa, observe sinais de piora como sonolência aumentada, vômitos persistentes, falta de ar ou inchaço que aumenta muito em curto período. Se notar esses sinais, procure atendimento sem demora. Mantenha os exames em dia e leve sempre os relatórios de nefrologia às consultas; eles são importantes para documentação e para decisões sobre tratamentos futuros. Conversar com a equipe de saúde sobre dúvidas, sobre como ficam medicamentos e sobre suporte nutricional também faz parte do cuidado. Este texto explica o que o código diz; as decisões sobre terapias específicas serão discutidas com seu médico.

O que este código significa?

O CID N18.0 designa a doença renal em estádio final: a situação em que a função renal está tão reduzida que a pessoa habitualmente necessita de terapia de substituição renal ou tem registro de falência renal terminal. Aplica-se a casos de insuficiência renal crônica avançada, quando a perda de função renal é persistente e irreversível. Não inclui formas agudas de insuficiência renal que possam ser recuperáveis nem estágios iniciais de doença renal crônica sem necessidade de substituição. Este código é usado para classificação em prontuários, perícias e faturamento quando a condição renal atingiu esse estágio terminal.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando a doença renal crônica evoluiu a ponto de caracterizar falência renal em estação final, segundo avaliação clínica e laboratorial, habitualmente com necessidade de terapia substitutiva ou equivalente documental. Não se aplica a insuficiência renal aguda, a estágios iniciais de doença renal crônica nem a achados laboratoriais isolados sem contexto clínico de falência terminal. O registro pode ocorrer em situações de internação, acompanhamento ambulatorial de nefrologia, em relatórios periciais ou para fins administrativos e de faturamento.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

N18.5 — Insuficiência renal crônica, estágio 5: N18.5 descreve doença renal crônica em estágio 5 por critérios de função renal; N18.0 refere-se especificamente à doença em estádio final quando há documentação de falência terminal ou necessidade de terapia de substituição renal.

Z99.2 — Dependência de diálise: Z99.2 indica estado de dependência de diálise como circunstância; diferencia-se porque Z99.2 registra a condição de dependência e não a própria doença renal em estádio final, usada em conjunto quando necessário.

N18.9 — Insuficiência renal crônica, não especificada: N18.9 é para situações sem especificação de estádio; N18.0 é escolhido quando há evidência de falência renal terminal documentada.

O que é?

A doença renal em estádio final é a fase final da perda progressiva e irreversível da função renal, quando os rins deixam de manter adequadamente equilíbrio hidroeletrolítico, eliminação de resíduos e homeostase. Manifesta-se por acúmulo progressivo de toxinas urêmicas, alterações de volume e eletrólitos e impacto sistêmico em órgãos como coração, ossos e sistema hematopoiético.

Pacientes que chegam a esse quadro costumam ter histórico de doença renal crônica de longa data (diabetes, hipertensão, glomerulopatias), e frequentemente apresentam necessidade de medidas de substituição renal — como diálise ou registro de transplante — além de acompanhamento multidisciplinar. A progressão pode ser lenta, com intervenções para manejo de sintomas e complicações.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas principais incluem cansaço extremo, perda de apetite, náuseas, vômitos, prurido generalizado, inchaço (edema) e alterações no volume urinário. Sinais precoces podem ser fadiga leve, maior sonolência e perda de apetite; sinais que indicam agravamento são náuseas persistentes, vômitos, confusão mental, respiração acelerada ou edema severo. Alterações cardiovasculares como hipertensão difícil de controlar e arritmias podem surgir conforme a doença progride.

O que causa?

Mecanismos típicos envolvem a perda progressiva de néfrons funcionais por doença glomerular, nefropatia diabética e nefrosclerose hipertensiva, que são as causas mais frequentes na prática brasileira. A destruição gradual de unidade de filtração renal leva a queda da taxa de filtração glomerular, retenção de toxinas urêmicas, desequilíbrios hidro-eletrolíticos e acidose metabólica, culminando na incapacidade dos rins de manter funções vitais. Outras causas incluem doenças hereditárias, inflamatórias ou obstrutivas que causam perda crônica de função renal.

Como o médico confirma o diagnóstico?

A confirmação de que um caso deve ser classificado como doença renal em estádio final baseia-se em quadro clínico compatível com falência renal crônica avançada e documentação objetiva da perda persistente e grave da função renal por exames laboratoriais e registros de tratamento. Laudos de função renal (taxa de filtração glomerular estimada), histórico de evolução crônica e documentação de necessidade de terapia de substituição renal ou registros de transplante sustentam a escolha deste código. O diagnóstico é diferenciado de insuficiência renal aguda pela cronicidade e irreversibilidade do comprometimento.

Como costuma ser tratado?

O tratamento da doença renal em estádio final envolve medidas de suporte e substituição renal, com acompanhamento por equipe especializada. O manejo inclui intervenções para remover toxinas e equilibrar fluidos e eletrólitos, suporte nutricional e controle de complicações cardiovasculares e metabólicas. A abordagem costuma integrar nefrologia, enfermagem especializada, nutrição e, quando aplicável, programas de transplante renal.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

As classes de medicamentos comumente utilizadas no contexto incluem agentes para controle da pressão arterial e proteção cardíaca, terapias para correção de distúrbios eletrolíticos e ácido-base, medicamentos para anemia associada à insuficiência renal crônica, e fármacos para manejo de sintomas como náuseas e prurido. A escolha de classes medicamentosas depende das comorbidades e da condição clínica global do paciente.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica imediata é indicado diante de confusão mental, sonolência excessiva, vômitos persistentes, falta de ar, edema progressivo ou sinais de descompensação cardiovascular. Também é necessário acompanhamento regular quando há piora de exames laboratoriais que indiquem queda acentuada da função renal, e sempre que houver sintomas novos ou intensificação dos sintomas prévios.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática, o pagamento e a transição de responsabilidade seguem regras legais: até 15 dias quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para computar esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é operacionalizada pelo CID do atestado: é o código que o perito usa para identificar se o afastamento é pelo mesmo motivo e, portanto, se os atestados podem ser acumulados para os primeiros 15 dias — algo que muitas pessoas desconhecem, mas que explica por que o código aparece no documento.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar claramente o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma prevista na regra dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

Especificamente para N18.0 (doença renal em estádio final), trata‑se de uma condição crônica, geralmente irreversível, associada à necessidade de terapia de substituição renal ou registro de falência renal terminal. Esse quadro costuma implicar acompanhamento contínuo, intervenções de substituição renal e, em muitos casos, limitações para o trabalho que serão avaliadas caso a caso pela perícia. Como o curso é crônico e pode exigir atestados repetidos ou contínuos por intercorrências ou por tratamentos programados, a regra dos 60 dias tem relevância prática maior: atestados com o mesmo CID permitem ao perito verificar continuidade do mesmo motivo para efeitos de soma dos primeiros 15 dias de pagamento pelo empregador.

Perguntas frequentes sobre N18.0

O que significa ter o código CID N18.0 no meu prontuário?

Significa que a equipe registrou que a função renal está em estágio final, ou seja, levou à falência renal crônica avançada; normalmente isso aparece em conjunto com documentação clínica e de tratamento.

Isso implica afastamento do trabalho automaticamente?

Não automaticamente; o afastamento depende da avaliação médica sobre capacidade para exercer a função, das exigências do trabalho e de laudos periciais quando necessários.

O CID N18.0 é contagioso para a família?

Não; trata‑se de uma condição não transmissível, relacionada à função dos rins do próprio indivíduo.

Que exames esperarei após esse registro?

São esperados exames de função renal periódicos (creatinina e estimativas de filtração), eletrólitos, além de avaliações clínicas e possíveis relatórios de terapia substitutiva se for o caso.

Qual a diferença entre N18.0 e N18.5?

N18.5 refere‑se a insuficiência renal crônica estágio 5 por critérios de função; N18.0 é usado quando há documentação de falência renal terminal ou necessidade de substituição, conforme laudo clínico.

Preciso informar meu plano de saúde sobre esse código?

O código costuma constar nas guias e relatórios enviados à operadora, mas questões sobre cobertura e requisitos dependem do contrato e da análise da própria operadora.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há documentação de necessidade de terapia de substituição renal (diálise ou transplante) e data de início?
  • Qual a tendência da taxa de filtração glomerular (TFG) nos últimos 12 meses e o critério usado para definir estádio final?
  • Existem complicações cardiopulmonares, anemia ou distúrbios eletrolíticos que justifiquem intervenções adicionais?
  • O paciente está em lista de espera para transplante ou programado para terapias substitutivas contínuas?
  • Há registros de internações recentes relacionadas a uremia, hipercalemia ou complicações de diálise?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Há documentação médica que comprove incapacidade laboral parcial ou total vinculada ao início da doença renal em estádio final?
  • Qual é o período recomendado pela perícia para considerar afastamento temporário ou aposentadoria por invalidez, com base na evolução comprovada?
  • Existem registros que demonstrem necessidade contínua de terapia substitutiva para fundamentar pedidos administrativos ou judiciais?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O prontuário e o laudo médico especificam a indicação de terapia de substituição renal e o procedimento solicitado na guia de autorização?
  • Há cobertura contratual para diálise, acesso vascular e transplante no plano do paciente, e quais são as exigências documentais da operadora?
  • O plano exige carência específica ou registro prévio para procedimentos de alta complexidade relacionados à doença renal em estádio final?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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