CIDs Med
N00–N99 · Capítulo XIV · Doenças do aparelho geniturinário
  • incontinência de esforço
  • stress urinary incontinence
  • incontinência por esforço

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de incontinência urinária: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

O código CID N39.3 significa que o profissional avaliou sua perda de urina como do tipo que acontece quando você faz esforço: ao tossir, espirrar, levantar peso, pular ou até ao rir muito. Em linguagem simples, é a chamada incontinência por esforço ou “incontinência de tensão”. Isso descreve o padrão dos episódios — o que desencadeia as perdas — e não uma sentença sobre gravidade ou destino definitivo.

Você provavelmente percebe pequenas gotas ou perdas maiores exatamente nesses momentos de pressão na barriga; pode usar absorventes, evitar certas atividades ou notar constrangimento nas situações sociais. Normalmente não vem acompanhado de dor ao urinar ou febre; se houver ardência, sangue ou febre, isso pode indicar infecção e precisa ser investigado separadamente. Algumas pessoas também referem sensação de cansaço por evitar atividades ou de impacto na vida íntima.

O quadro não é contagioso. Sobre gravidade, a incontinência de esforço varia muito: para alguns é um incômodo leve, para outros limita atividades profissionais ou físicas. Não existe um prazo fixo que se aplique a todos; o curso depende da causa, do tempo de evolução e das medidas adotadas. Em muitos casos o problema é crônico ou recorrente e pode melhorar com reabilitação e mudanças de hábitos; em outros, pode ser necessário considerar intervenções específicas.

O que costuma acontecer depois da consulta é que o médico ou especialista vai avaliar seu caso com exame clínico e, se necessário, exames simples para excluir infecção ou outras causas. Em seguida costuma-se discutir medidas conservadoras como exercícios para o assoalho pélvico, ajustes de comportamento e avaliar a necessidade de tratamento adicional. Em alguns cenários exames urodinâmicos ou imagens podem ser solicitados para planejar a melhor abordagem.

Em casa, observe se há sinais de infecção (dor ao urinar, febre, urina turva ou com sangue) e se a perda aumenta em frequência ou volume. Procure ajuda se as perdas passarem a interferir no trabalho, nas relações ou na higiene pessoal, ou se surgirem sintomas novos como dor ou febre. Leve sempre que possível um relato claro de quando ocorrem as perdas (gatilhos, frequência, volume) para facilitar a avaliação nas consultas de retorno.

O que este código significa?

O CID N39.3 designa a incontinência urinária de tensão, caracterizada por perda involuntária de urina associada a aumento da pressão intra-abdominal, como ao tossir, espirrar, rir, levantar peso ou ao esforço físico. Aparece sobretudo em mulheres, frequentemente após parto vaginal ou com envelhecimento e enfraquecimento do suporte pélvico; também pode ocorrer em homens após cirurgia prostática. Não inclui incontinência por urgência (necessidade súbita e imperiosa de urinar) nem incontinência decorrente de infecção do trato urinário — esses têm outros códigos. O código documenta o padrão clínico em que o esforço é o gatilho principal e sustenta decisões de registro e de possíveis intervenções conservadoras ou cirúrgicas.

Quando este código é usado?

Utiliza-se este código quando a queixa principal e confirmada por história clínica e, se necessário, por exame que mostra perda urinária claramente precipitada por esforços que aumentam a pressão abdominal, sem predomínio de urgência miccional nem evidência de infecção aguda que explique os sintomas. Serve para codificar o diagnóstico nos prontuários, guias de faturamento e atestados quando o quadro corresponde ao padrão de esforço. Casos com incontinência mista devem ser codificados segundo o componente predominante; se a incontinência resultar principalmente de outra condição identificável, escolher o código correspondente.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

N39.4 — Outras incontinências urinárias: separa-se pelo padrão predominante; N39.3 é perda ligada ao esforço físico sem urgência dominante, enquanto N39.4 abrange quadros com outros mecanismos. N39.0 — Infecção do trato urinário: infecção costuma apresentar disúria, febre ou alteração no exame de urina; se os sintomas forem secundários a infecção e melhorarem com tratamento, o código correto é N39.0 e não N39.3. N40 (Hiperplasia prostática benigna): em homens com jato fraco, hesitação e urgência/retenção, o quadro obstrutivo prostático é a causa, não a incontinência de esforço; escolha N40 quando a obstrução prostática for a etiologia predominante.

O que é?

A incontinência de tensão é a perda involuntária de urina que ocorre quando aumentos súbitos da pressão dentro do abdome sobrecarregam o mecanismo de continência do esfíncter e do suporte do assoalho pélvico. Clinicamente manifesta-se como gotejamento ou perdas mais volumosas ao tossir, espirrar, rir, pular ou ao levantar objetos, sem uma sensação prévia de necessidade urgente de urinar.

Costuma afetar mais mulheres, especialmente após múltiplos partos vaginais, menopausa ou após procedimentos que comprometeram o suporte pélvico; também pode aparecer em homens depois de cirurgia prostática que altera a função do esfíncter. O impacto varia de leve incômodo a prejuízo nas atividades sociais e laborais.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas centrais são perda involuntária de urina desencadeada por esforço/pressão abdominal e ausência de urgência como sintoma dominante. Inicialmente a queixa pode ser pequenas gotas ao tossir; agravamento indica perdas mais frequentes ou volumosas, maior limitação de atividades e necessidade de proteção com absorventes. Sinais que sugerem outra causa ou complicação incluem dor ao urinar, febre ou presença de sangue na urina, que exigem investigação além do N39.3.

O que causa?

O mecanismo básico é falha do sistema de suporte uretral e esfíncter diante de aumento súbito da pressão intra-abdominal. Em mulheres, a lesão ou fraqueza dos músculos e ligamentos do assoalho pélvico por parto vaginal, alterações hormonais na menopausa e envelhecimento do tecido conjuntivo são causas comuns na prática brasileira. Em homens ocorre com menor frequência e frequentemente após procedimentos prostáticos que afetaram o esfíncter uretral. Fatores que aumentam a pressão abdominal crônica, como tosse crônica, obesidade e constipação, agravaram o quadro.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se em história dirigida que demonstra perda urinária relacionada a esforço e no exame físico focado no assoalho pélvico; testes simples de provocação (por exemplo tosse em posição supina ou em pé) ajudam a documentar o padrão. Exames complementares são utilizados para excluir causas tratáveis que mudariam o código, como exame de urina para infecção e, quando necessário, avaliação urodinâmica para confirmar o mecanismo esfincteriano e planejar tratamento. Este código é sustentado quando o quadro clínico aponta predominância do componente de esforço sem evidência de infecção ou urgência predominante.

Como costuma ser tratado?

O manejo começa com medidas conservadoras e orientações sobre fatores agravantes, reabilitação do assoalho pélvico e estratégias comportamentais; quando essas não forem suficientes, opções intervencionistas podem ser consideradas. A escolha do caminho terapêutico depende da gravidade, da causa identificada e das consequências funcionais para a pessoa, e deve ser discutida com o profissional assistente.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Embora o tratamento conservador e fisioterápico seja central, algumas classes de medicamentos podem ser empregadas quando há componente misto ou sintomas concomitantes que justifiquem sua indicação; agentes que afetam a função vesical podem ser considerados em contextos específicos, sempre avaliando riscos e benefícios clínicos. A prescrição e a escolha de fármacos seguem decisão médica individualizada.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação quando a perda urinária interfere nas atividades diárias, trabalho ou relações sociais, quando houver aumento da frequência ou do volume das perdas, ou se surgirem sinais de infecção urinária como dor, ardência ou febre. Também é indicado buscar avaliação se houver sangramento urinário, dor persistente, ou quando medidas simples em casa não reduzirem o impacto na qualidade de vida.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto, de modo que duas pessoas com o mesmo CID podem receber afastamentos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. A referência ao CID no atestado é prática fundamental porque o perito usa o código para verificar se atestados sucessivos referem-se à mesma doença na contagem desses 60 dias.

Para ser aceito, o atestado deve trazer identificação do paciente, período de afastamento declarado, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no documento depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a somatória dos atestados para os efeitos legais não pode ser verificada. A presença do CID facilita a avaliação administrativa e pericial.

Especificamente para N39.3, o curso costuma ser crônico ou recorrente em muitas pessoas, com períodos de maior ou menor sintomatologia ligados a fatores como esforço físico, gravidez ou envelhecimento do suporte pélvico. Embora nem sempre implique incapacidade total para o trabalho, a incontinência de tensão pode limitar tarefas que envolvam esforço físico ou exposição social; por isso, é comum que o médico registre o quadro para acompanhamento e, quando indicado, para justificar ausências ou adaptações. Quando o quadro é recorrente, a regra dos 60 dias ganha importância porque permite agrupar atestados por recidiva do mesmo diagnóstico e assim influenciar a transição do pagamento entre empregador e INSS.

Perguntas frequentes sobre N39.3

O CID N39.3 significa que tenho uma doença grave?

Não necessariamente; indica um padrão de perda urinária ligado ao esforço. A gravidade varia muito e depende do impacto nas suas atividades e resposta às medidas adotadas.

Posso transmitir essa condição para outras pessoas?

Não. Incontinência de esforço não é transmissível; trata-se de alteração funcional associada ao suporte pélvico e ao esfíncter.

Vou precisar de cirurgia se recebi esse código?

Nem sempre. Muitas abordagens começam por medidas conservadoras e só se consideram intervenções quando essas não são eficazes ou quando o impacto na qualidade de vida for grande.

O atestado com CID N39.3 serve para justificar afastamento do trabalho?

O CID documenta o diagnóstico, mas o afastamento e sua duração dependem da avaliação médica do caso e, quando aplicável, da perícia; o atestado facilita a análise, principalmente quando há atestados sucessivos pelo mesmo motivo.

Como diferencio N39.3 de uma infecção urinária?

Infecção costuma trazer ardência ao urinar, aumento da frequência miccional, piora rápida e possivelmente febre; se esses sinais aparecem, exames de urina ajudam a confirmar que o problema principal é N39.0 e não N39.3.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há relato de perdas ao tossir/espirrar sem sensação de urgência predominante?
  • As perdas ocorrem em pé, ao levantar-se ou só ao deitar-se; qual é o padrão predominante?
  • Houve partos vaginais, cirurgia pélvica ou prostatectomia anteriormente?
  • Existem episódios recentes de disúria, sangue na urina ou febre que possam sugerir infecção?
  • Que medidas conservadoras já foram tentadas e por quanto tempo?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este diagnóstico pode justificar afastamento do trabalho em função da limitação de tarefas com esforço físico?
  • Como a soma de atestados com o mesmo CID influencia a análise pericial do INSS?
  • É necessário apresentar laudos complementares para perícia quando o empregador questiona o atestado?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos diagnósticos relacionados ao tratamento da incontinência de esforço exigem pré-autorizar?
  • O plano costuma exigir documentação complementar para cobertura de intervenções cirúrgicas para incontinência?
  • Há período de carência que limita solicitações de terapias ou procedimentos para incontinência?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.